Codigo_de_Transito_Brasileiro
20 pág.

Codigo_de_Transito_Brasileiro


DisciplinaDireito Penal III6.021 materiais53.007 seguidores
Pré-visualização7 páginas
de trânsito), a omissão de socorro do condutor já é causa de aumento de pena. Assim 
sendo, o condutor não pode responder por homicídio culposo ou lesão culposa com a pena 
aumentada pela omissão em concurso com o delito autônomo de omissão de socorro do art. 304, sob 
pena de ser configurado bis in idem. 
Diante disso, podemos concluir que, nos casos de acidente de trânsito, havendo omissão de 
socorro, haverá três situações distintas: 
a) Condutor envolvido no acidente, culpado, que omitiu socorro: responderá por homicídio 
ou lesão culposa com a pena aumentada pela omissão. 
b) Condutor envolvido em acidente, não culpado, que omitiu socorro: responde pelo delito 
do art. 304. 
c) Condutor não envolvido no acidente, que omitiu socorro, bem como pedestres, que 
omitiram socorro: respondem pelo delito de omissão de socorro do CP. Isso porque se o 
agente não está envolvido no acidente não se poder aplicar a ele o CTB. 
 
Obs.: Esses crimes são delitos de mão própria, mas admitem participação por induzimento ou 
instigação. 
 
10.2. Parágrafo único do art. 304: 
 
O condutor envolvido no acidente não culpado responde pelo delito ainda que: 
a) Se a sua omissão foi suprida por terceiros: 
 
Direito Penal IV - Código de Trânsito Brasileiro 
 
 Página 13 
 
Atente-se que, se os terceiros se adiantaram ao socorro não houve omissão do condutor que 
não irá, pois, responder pela omissão de socorro. 
 
b) Se a vítima teve morte instantânea: 
 
O legislador criou nessa hipótese, uma hipótese de crime impossível por absoluta 
impropriedade do objeto. Se a vítima teve morte instantânea não há como prestar socorro. Cadáver 
não pode ser vítima de omissão de socorro, assim como não pode ser vítima de homicídio. 
 
c) Se os ferimentos foram leves: 
 
Atente-se que, somente haverá o crime se for um ferimento leve que reclame socorro. 
Caso o ferimento leve não reclame socorro, como por exemplo um mero arranhão não 
implicará a prática do delito. 
 
11. Análise do art. 305, CTB: 
 
 Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe 
possa ser atribuída: 
 Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa. 
 
 Há doutrina e jurisprudência que afirmam que tal dispositivo é inconstitucional considerando 
que, se a intenção do condutor é fugir à responsabilidade penal, esse crime fere o princípio da não 
auto-incriminação. 
 Há afirmação de que também resta ferido o Princípio da Presunção de inocência uma vez que 
o agente será considerado autor do delito antes de ser definitivamente condenado pelo delito em 
relação ao qual perpetrou a fuga. 
 Sucede que, se a finalidade for fugir de responsabilidade civil, a doutrina diz que o tipo é 
inconstitucional pois está-se criando uma hipótese de prisão civil por dívida, e a única prisão civil por 
dívida permitida é a do devedor de alimentos. 
 Assim, a maioria da doutrina entende que referido tipo é inconstitucional. 
 Outros, porém, como Fernando Capez, entendem que o tipo penal não é inconstitucional pois 
o que se está protegendo aqui é a administração da justiça. O agente é punido por obstruir o regular 
andamento da justiça. 
 Esse crime é crime de mão própria para aqueles que sustentam sua constitucionalidade, mas 
admite participação por induzimento ou instigação. 
 
11.1. Consumação e tentativa: 
 
O delito se consuma com a simples conduta de afasta-se ou fugir do local, ainda que não 
consiga escapar da responsabilidade penal ou civil (ainda que o agente seja identificado, apesar da 
fuga). 
Direito Penal IV - Código de Trânsito Brasileiro 
 
 Página 14 
 
A tentativa é possível se o infrator não consegue fugir do local, por circunstância alheias a sua 
vontade. 
 
12. Análise do art. 306 do CTB \u2013 Embriaguez ao volante: 
 
 Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool ou substância de efeitos análogos, 
expondo a dano potencial a incolumidade de outrem: 
 Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de sangue igual 
ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: 
(Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) Regulamento 
 Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação 
para dirigir veículo automotor. 
 Parágrafo único. O Poder Executivo federal estipulará a equivalência entre distintos testes de alcoolemia, para efeito 
de caracterização do crime tipificado neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008) 
 
Antes da Lei Seca A partir da Lei Seca 
 Bastava a acusação provar que o condutor 
estava sob a influência de álcool. 
 O tipo penal exige quantidade de álcool igual 
ou superior a 6 decigramas/Litro de sangue. 
 O crime podia ser provado: 
a) Exame de sangue 
b) Etilômetro (bafômetro \u2013 mede a 
quantidade de álcool no ar dos pulmões, e 
após a conversão é possível saber quanto 
havia de álcool no sangue). 
c) Exame clínico visual: ou seja, exame dos 
sinais exteriores de embriaguez. 
 O crime pode ser provado por: 
a) Exame de sangue 
b) Etilîometro 
 
Obs.: não cabe prova por exame clínico uma vez 
que o exame visual é incapaz de indicar a 
quantidade de álcool no sangue do agente. 
Atente-se que o condutor não é obrigado 
a se submeter ao exame de sangue e etilômetro 
em razão do princípio da não auto-
incriminação. Diante disso, somente irá 
responder pelo delito do art. 306 quem aceitar 
se submeter ao exame. 
 Era usada a expressão \u201cgerando perigo de 
dano a outrem\u201d \ufffd o crime era de perigo 
concreto. 
A acusação deve provar a conduta e a 
situação de perigo gerada. 
 Foi suprimida essa expressão \ufffd o crime passa 
a ser de perigo abstrato ou presumido, o que 
também foi decidido pelo STJ. 
Basta a acusação provar a conduta, pois a 
situação de perigo já é presumida na lei. 
 
 Assim, essa nova redação tornou inviável a aplicação do art. 306 do CTB. 
 Sucede que, nos termos da decisão proferida pela 5º Turma do STJ, HC 132.374/MS decidiu 
que se o exame de sangue ou bafômetro não foi realizado por recusa do condutor ou por falta de 
aparelho, o crime pode ser comprovado por exame clínico que ateste o estado de embriaguez do 
condutor. 
 Essa decisão está em sobremaneira equivocada já que esse exame clínico não pode indicar a 
quantidade de álcool no sangue. 
Direito Penal IV - Código de Trânsito Brasileiro 
 
 Página 15 
 
 A 6º Turma do STJ, por sua vez, no HC 166.377 julgado em junho/2010 acabou por decidir que 
se não foi feito o exame de sangue ou o etilômetro, o fato é atípico, uma vez que não há como provar 
a tipicidade do delito já que a quantidade de álcool no sangue é elementar do tipo penal. 
 No STF, já há uma liminar no HC 100.472, no mesmo sentido do HC da 6º Turma, ou seja, que 
ausência do exame de sangue ou bafômetro torna o fato atípico, sendo inclusive emitido parecer pelo 
Procurador Geral da República nesse sentido. 
 Essa questão quanto a classificação entre delito de perigo abstrato e de perigo concreto influi 
no ônus da prova. No crime de perigo concreto, a acusação deve provar a conduta e a situação de 
perigo concreto gerado. Em se tratando de crime de perigo abstrato, a acusação deve provar apenas 
a conduta já que o perigo é presumido. 
 Obs.: Damásio entende que o crime não é de perigo concreto nem de perigo abstrato, mas 
sim crime de lesão. Isso porque o bem jurídico protegido é a segurança no trânsito. Quando o 
condutor dirige embriagado ele reduz o nível de segurança no
Marcelo
Marcelo fez um comentário
de que data foi esse trabalho?
0 aprovações
Carregar mais