Crimes_contra_a_Organizacao_do_Trabalho
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Direito Penal IV - Crimes contra a organização do Trabalho 
 
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Não sendo qualquer dessas hipóteses, não há o crime. 
 
7.5. Consumação e tentativa: 
 
A consumação se dá com a efetiva interrupção da obra ou serviço de interesse coletivo. 
A tentativa é possível quando os integrantes da paralisação não conseguem interromper a 
obra ou serviço. Ex. se forem imediatamente substituídos por outros trabalhadores na obra. Mas 
observe-se que é a tentativa de difícil ocorrência prática. 
 
Obs.: Esse dispositivo foi recepcionado pela CF? 
1ª Corrente: esse artigo não foi recepcionado pela CF, não mais se aplicando. O fundamento 
dessa corrente é que o art. 9º, §1º da CF permite greve em serviços essenciais, nos termos da lei. 
A lei de greve regulamenta esse dispositivo constitucional, prevendo a greve em serviços 
públicos essenciais. Daí que, não há sentido a constituição e a lei permitirem a greve em serviços 
essenciais e o CP considerar essa conduta como crime. O direito de greve nos serviços 
essenciais, atente-se, existe inclusive para os funcionários públicos que também têm direito de 
greve garantido pela CF. É corrente adotada por Roberto Delmanto e Luiz Regis Prado. 
2ª Corrente: é corrente adotada por Mirabete. Entende que o art. 201 do CP continua em vigor, 
mas apenas para os casos de paralisações ou abandonos que possam colocar em perigo a 
sobrevivência, a saúde, ou a segurança da população. 
 
8. Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem \u2013 art. 202, CP: 
 
Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem 
Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir ou 
embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele existentes 
ou delas dispor: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
 
8.1. Sujeito ativo: 
 
É qualquer pessoa. 
 
8.2. Sujeito passivo: 
 
É qualquer pessoa física ou jurídica. 
 
8.3. Objeto jurídico: 
 
Direito ao trabalho e patrimônio alheio. 
 
8.4. Tipo objetivo: 
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São quatro as condutas puníveis: 
 Invadir estabelecimento industrial, comercial ou agrícola 
 Ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. A ocupação pode ser praticada 
inclusive por pessoas que já estejam dentro do estabelecimento. Ex. empregados ocupam 
sala dos diretores. 
 Danificar o estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Ex. danificar loja, prédio de 
indústria. 
 Dispor de coisas existentes no estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Ex. doar 
máquinas da indústria. 
Esse crime somente existe se uma dessas quatro condutas for praticada com o fim de 
impedir ou embaraçar ao curso normal do trabalho. Ausente essa finalidade, haverá outro crime, 
como por exemplo, violação de domicílio, crime de dano, de apropriação indébita. 
 
8.5. Consumação e tentativa: 
 
Aqui há certa divergência, mas prevalece que, a consumação dá-se com a invasão, 
ocupação, danos ou disposição das coisas, mesmo que a finalidade pretendida não seja alcançada. 
Ou seja, mesmo que os infratores não consigam impedir ou embaraçar curso normal dos 
trabalhos. 
A tentativa é perfeitamente possível, se os agentes não conseguem sequer, invadir, ocupar, 
ou dispor de coisas presentes no estabelecimento. 
 
9. Frustração de direito assegurado por lei trabalhista \u2013 art. 203, CP: 
 
Frustração de direito assegurado por lei trabalhista 
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho: 
Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela 
Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
§ 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o 
desligamento do serviço em virtude de dívida; (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção de 
seus documentos pessoais ou contratuais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena 
ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
 
9.1. Sujeito ativo: 
 
Pode ser qualquer pessoa, não somente o empregador. Pode ser empregador, outro 
empregado ou terceira pessoa, estranha à relação de trabalho. 
 
9.2. Sujeito passivo: 
 
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É o trabalhador, titular do direito violado. 
 Esse crime não exige, necessariamente, relação de trabalho entre sujeito ativo e sujeito 
passivo. 
 
9.3. Objeto jurídico: 
 
São os direitos trabalhistas da vítima. 
 
9.4. Tipo objetivo: 
 
A conduta é frustrar direito assegurado pela legislação trabalhista. Ou seja, violar direitos 
previstos nas leis trabalhistas. 
Esse crime é norma penal em branco, complementada pela lei trabalhista que prevê o 
direito violado. Se o direito frustrado estiver previsto na legislação civil, não há esse crime do art. 
203. Poderá existir outro crime, mas não esse, que exige que haja violação de lei trabalhista. 
 
9.5. Formas de execução: 
 
Esse crime pode ser praticado mediante fraude ou violência. 
Se houver violência o infrator responde pelo crime do art. 203 + o crime correspondente à 
violência. 
Se houver fraude, esse crime prevalece sobre o crime de estelionato. Aplica-se aqui o 
Princípio da Especialidade. 
Podemos citar como exemplos desse crime: 
 Obrigar a vítima a assinar pedido de demissão. 
 Obrigar a vítima a assinar recibo dando quitação de verbas trabalhistas não recebidas; 
 Coagir o funcionário a assinar recibo de valor superior ao salário realmente recebido; etc. 
 
9.6. Consumação e tentativa: 
 
A consumação se dá no momento em que o direito do trabalhador é violado. A tentativa é 
perfeitamente possível. 
 
9.7. Formas equiparadas: 
 
§ 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o 
desligamento do serviço em virtude de dívida; (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção de 
seus documentos pessoais ou contratuais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
 
Inicialmente, é necessário diferenciar o art. 203, §1º, I do art. 149, caput do CP: 
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Art. 203, §1º, I, CP Art. 149, CP (redução a condição análoga a de 
escravo) 
§ 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela 
Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de 
determinado estabelecimento, para impossibilitar o 
desligamento do serviço em virtude de dívida; 
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de 
escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a 
jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições 
degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer 
meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o 
empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 
10.803, de 11.12.2003) 
O infrator obriga a vítima a consumir 
mercadorias de determinado estabelecimento 
para, assim, contrair dívidas e não poder se 
desligar do serviço.