Crimes_contra_a_Organizacao_do_Trabalho
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Ex. fazendeiro obriga empregados da fazenda a 
comprar produtos alimentícios no mercado da 
fazenda, a custos elevados, e que superam o 
salário dos empregados, ao final do mês. 
O infrator restringe a liberdade do trabalhador 
em razão de dívida contraída com o 
empregador ou preposto. 
Nesse caso a dívida já existe, e o infrator 
restringe a liberdade, em razão da dívida. 
Ex. funcionário da fazenda que tem dívidas com 
o mercado do fazendeiro, diz que quer ir 
embora. Mas o fazendeiro manda os capangas 
não deixar o empregado a sair da fazenda, 
enquanto não paga a dívida. 
É possível concurso material entre esses crimes, pois o do art. 203 protege a liberdade nas 
relações trabalhistas, enquanto o do art. 149 protege a liberdade de locomoção. 
 
O inciso II não se confunde o art. 149, §1º, II do CP: 
 
Art. 203, §1º, II, CP Art. 149, §1º, II CP 
§ 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela 
Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de 
determinado estabelecimento, para impossibilitar o 
desligamento do serviço em virtude de dívida; 
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer 
natureza, mediante coação ou por meio da retenção de 
seus documentos pessoais ou contratuais. (Incluído pela 
Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
§ 1
o
 Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela 
Lei nº 10.803, de 11.12.2003) 
I - cerceia o uso de qualquer meio de transporte por 
parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de 
trabalho; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) 
II - mantém vigilância ostensiva no local de trabalho 
ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do 
trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. 
(Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) 
O infrator impede a vítima de se desligar do 
serviço, retendo seus documentos pessoais ou 
contratuais. 
O infrator, aqui, atua com a finalidade de 
impedir que a vítima deixe o local de trabalho, 
apoderando-se dos documentos pessoais, ou 
objetos pessoais. 
 
10. Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho \u2013 art. 204, CP: 
 
Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho 
Art. 204 - Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. 
Direito Penal IV - Crimes contra a organização do Trabalho 
 
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As constituições de 1937 e de 1967/69 estabeleciam regras sobre a nacionalização do 
trabalho. A nacionalização do trabalho era a limitação de trabalhadores estrangeiros no Brasil. A 
nacionalização do trabalho tinha como finalidade que os estrangeiros tivessem maior acesso que 
os nacionais no mercado de trabalho. 
Ocorre que, a atual constituição federal não prevê mais a chamada nacionalização do 
trabalho. Pelo contrário, a atual CF diz que brasileiros e estrangeiros têm igual direito ao trabalho. 
Daí que, para alguns autores, o art. 204 do CP não foi recepcionado pela Constituição de 
1988. Nesse sentido, Mirabete. 
 
10.1. Sujeito ativo: 
 
Qualquer pessoa. 
 
10.2. Sujeito passivo: 
 
O Estado. 
 
10.3. Objeto jurídico: 
 
A nacionalização do trabalho. Ou seja, que o trabalho, no Brasil seja exercido apenas por 
brasileiros. 
 
10.4. Tipo subjetivo: 
 
É frustrar normas relativas a nacionalização do trabalho. Referidas normas estão na CLT, 
pelo que temos aqui, uma norma penal em branco. 
O crime deve ser cometido mediante fraude ou violência. No caso de violência, o agente 
responde pelo crime do art. 204 + o crime correspondente à violência. 
 
10.5. Consumação e tentativa: 
 
A consumação se dá com a efetiva frustração da obrigação legal, e a tentativa é 
perfeitamente possível. 
 
11. Exercício de atividade com infração de decisão administrativa \u2013 art. 205, CP: 
 
Exercício de atividade com infração de decisão administrativa 
Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa. 
 
11.1. Sujeito ativo: 
Direito Penal IV - Crimes contra a organização do Trabalho 
 
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Trata-se de crime próprio, podendo ser praticado apenas por quem esteja impedido de 
exercer a atividade em razão de decisão administrativa. 
 
11.2. Sujeito passivo: 
 
É o Estado. 
 
11.3. Objeto jurídico: 
 
É o respeito às decisões administrativas, relativas ao trabalho. 
 
11.4. Tipo objetivo: 
 
A conduta punível é exercer atividade durante o período de impedimento. 
 
11.5. Elemento normativo do tipo: 
 
Está na expressão decisão administrativa. Ou seja, só há o crime se o impedimento está 
declarado em decisão administrativa. 
Obs.: Para a maioria da doutrina, a expressão decisão administrativa, inclui a decisão de 
qualquer órgão da administração pública e também as decisões administrativas das entidades 
reguladoras de profissões liberais. Ex. decisão administrativa da OAB, do CRM. 
 Daí que, se o advogado atua como tal, estando impedido por decisão administrativa da 
OAB, está cometendo esse crime. 
 Apesar desse entendimento da doutrina, há várias decisões no STJ e no STF no sentido de 
que o advogado que atua durante o impedimento está cometendo a contravenção penal de 
exercício ilegal da profissão, do art. 47 da Lei de Contravenções Penais. 
 
11.6. Consumação e tentativa: 
 
A consumação se dá com o exercício habitual da atividade durante o período de 
impedimento. Estamos, pois diante de crime habitual, que não admite a tentativa. 
Obs.: se o impedimento foi declarado em decisão judicial e não administrativa, haverá o crime 
do art. 259 do CP \u2013 desobediência à ordem judicial. 
 
12. Aliciamento para o fim de emigração \u2013 art. 206, CP: 
 
Aliciamento para o fim de emigração 
Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro. (Redação 
dada pela Lei nº 8.683, de 1993) 
Direito Penal IV - Crimes contra a organização do Trabalho 
 
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Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.683, de 1993) 
 
12.1. Sujeito ativo: 
 
Qualquer pessoa. 
 
12.2. Sujeito passivo: 
 
Estado, e, secundariamente, os trabalhadores enganados. 
 
12.3. Objeto jurídico: 
 
Diz a doutrina que é o interesse do Estado em manter os trabalhadores no território 
nacional. 
 
12.4. Tipo objetivo. 
 
O crime é recrutar mediante fraude. Se não há fraude, não há crime algum. Ex. recrutar 
três moças para trabalhar como modelos na Europa, e, na verdade, levá-las para exercer 
prostituição. 
 
12.5. Elemento subjetivo: 
 
É o dolo, acrescido da finalidade específica de levar o trabalhador para o estrangeiro. 
 
12.6. Consumação e tentativa: 
 
A consumação se dá com o simples recrutamento fraudulento, ainda que a finalidade não 
seja alcançada. 
A tentativa é possível. 
Recrutar único trabalhador configura o crime? Para a doutrina, é fato atípico, pois o tipo 
penal usa a palavra, trabalhadores, no plural. 
 
13. Aliciamento de trabalhadores de um local para outro, no território nacional \u2013 art. 207, 
CP: 
 
Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional 
Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional: 
Pena - detenção de um a três anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro do 
território nacional, mediante fraude ou cobrança