Estatuto_do_Desarmamento
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dá-se com o apoderamento da arma pelo menor ou doente mental, o que é 
pacífico na doutrina. 
 Mas aqui se indaga se o crime é formal ou material. O crime consuma-se com o 
apoderamento da arma e quanto a isso não há divergência. Já quanto ao fato de ser formal ou 
material, há divergência: 
1ª Corrente: o crime é material. É o entendimento de Fernando Capez. Segundo ele, o apoderamento 
já é o resultado naturalístico. 
2ª Corrente: é encampada por Nucci, que afirma que o crime é formal ou de consumação antecipada. 
Segundo ele, o crime se consuma com o apoderamento, mas o resultado naturalístico é a ofensa à 
vida ou a integridade física da vítima. 
 Adotando-se essa segunda corrente, podemos concluir que o art. 13 é uma exceção de crime 
culposo sem resultado naturalístico. (A outra exceção está na lei de drogas \u2013 Prescrever 
culposamente drogas, ainda que o destinatário não a utilize). 
 No que tange à tentativa, temos que referido delito não admite tentativa. Isso porque se trata 
de crime omissivo puro e culposo. 
 
7. Art. 13, p. ún. \u2013 Omissão de Comunicação: 
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte 
de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras 
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formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) 
horas depois de ocorrido o fato. 
 
7.1. Sujeito ativo: 
 
O sujeito ativo é somente o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e 
transporte de valores. 
 
7.2. Sujeitos passivos: 
 
São sujeitos passivo a coletividade e o Estado. O Estado é sujeito passivo pois a falta de 
comunicação prejudica o controle de armas. 
 
7.3. Conduta punível: 
 
A conduta punível é deixar de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal 
perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição. 
A lei estabelece um duplo dever de comunicação e, portanto, prevalece que qualquer das 
comunicações configura o crime. Esse é o entendimento majoritário. 
 Outros porém, entendem que basta uma única comunicação uma vez que o agente não pode 
ser responsabilizado pela desorganização do Estado e a falta de integração entre seus órgãos. Assim, 
para essa parte da doutrina, uma única comunicação é suficiente para não ocorrência do crime. 
 
7.4. Objeto material: 
 
É arma de fogo, acessório ou munição, permitidos ou proibidos. A espécie de arma, munição 
ou acessórios será considerada na fixação da pena. 
 
7.5. Elemento subjetivo: 
 
Trata-se de crime doloso, segundo entendimento amplamente majoritário. Isso porque, 
somente há crime culposo se expressamente previsto em lei e a lei não está prevendo que seja esse 
um crime culposo. 
 O elemento subjetivo é o dolo e somente haverá o crime se houver a omissão dolosa na 
comunicação. Tratando-se de omissão culposa, não se tem crime. 
 
7.6. Consumação e tentativa: 
 
O crime somente se consuma após 24 horas da ocorrência do fato. A comunicação deve 
ocorrer em até 24 horas. Somente após esse prazo que configura o crime. Daí que esse crime é 
denominado crime a prazo. 
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Obs.: A doutrina diz que esse crime se consuma após 24horas da ciência do fato, e não do 
fato em si, sob pena de responsabilidade penal objetiva. Isso porque não poderia o agente 
comunicar o fato antes de sua ciência. 
A tentativa, de acordo com a doutrina, não é admissível uma vez que esse se trata de crime de 
mera conduta e crime omissivo puro ou próprio. 
 
7.7. Concurso de crimes: 
 
É possível o concurso desse crime com os crimes de porte e posse ilegal de armas. 
 
8. Art. 14 \u2013 Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido: 
 
 Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido 
 Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, 
emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem 
autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: 
 Pena \u2013 reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 
 Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver registrada em 
nome do agente. (Vide Adin 3.112-1) 
 
8.1. Sujeito ativo: 
 
É qualquer pessoa, tratando-se de crime comum. 
 
8.2. Sujeito passivo: 
 
É a coletividade. Trata-se de crime vago. 
 
8.3. Conduta punível: 
 
Trata-se de crime de conduta múltipla ou variada (tipo misto alternativo), possuindo vários 
núcleos verbais. Apesar do nome \u201cporte ilegal de arma de fogo\u201d o crime não é apenas de porte. 
São treze condutas e a prática de várias condutas no mesmo contexto fático configura crime 
único. 
 
8.4. Objeto material: 
 
É arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido. O objeto material é idêntico ao do 
crime do art. 12. 
 
8.5. Elemento subjetivo: 
 
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É o dolo. 
 
8.6. Consumação e tentativa: 
 
O crime se consuma com a mera prática de qualquer das condutas do núcleo do tipo, 
atentando-se que em alguns verbos, o crime é permanente: ex. ter em depósito, guardar, ocultar. 
A tentativa é possível em alguns verbos. Ex. tentar adquirir, emprestar. 
 
8.7. Questões específicas sobre o delito: 
 
8.7.1. Exame pericial: 
 
A 2ª Turma do STF e a 5ª Turma do STJ entendem que o exame pericial da arma é dispensável, 
desde que existam outros elementos de prova nos autos comprovando a prática do crime. Nesse 
sentido, STF, HC 100.860/RS, julgado em 17.08.2010; STJ, 5ª Turma, HC 107.112/MG de 02.03.2010. 
Esse entendimento se dá considerando que o crime é de perigo abstrato. 
Por outro lado, a 1ª Turma do STF entendia que o laudo era indispensável (HC 97.209/SC, 
julgado em 16.03.2010). Posteriormente, passou a entender que o laudo é dispensável, desde que 
haja outros elementos para provar nos autos (HC 100.008/RS, julgado em 18.05.2010), restando 
vencido o Min. Marco Aurélio nesse julgamento. 
 
8.7.2. Arma desmuniciada: 
 
Indaga-se se é crime ou não. 
De acordo com a 1ª Turma do STF e a 5ª Turma do STJ, arma desmuniciada é sempre crime. 
Há presunção absoluta de perigo, ou seja, se trata de crime de perigo abstrato. STF, HC 96.072/RJ, 
julgado em 16.03.2010. 
A 1ªTurma diz expressamente que o porte de arma é crime de perigo abstrato o que conduz 
ao fato de que haverá crime, pouco importando se se trata ou não de arma municiada. Nesse sentido, 
também STJ, HC 168.365/RJ, julgado em 03.09.2010. 
Tendo em base a 2ª Turma do STF, temos que é crime se a arma tiver condições de pronto 
municiamento. Lado outro, não será crime se não houver condições de pronto municiamento. Nesse 
sentido, HC 97.811/SP, julgado em 09.06.09 e HC 91.196/SP, julgado em 20.10.2009 (a ementa desse 
julgado fala de laudo, mas na verdade, o que os ministros decidiram foi saber se a arma desmuniciada 
e sem condições de pronto municiamento era crime ou não. 
 
8.7.3. Munição desarmada: 
 
De acordo com a 5ª Turma do STJ trata-se de crime por dois motivos. Primeiro porque o tipo 
penal prevê a munição como objeto material. Outro motivo é que se trata de crime de perigo 
abstrato, cujo perigo é presumido na lei. Acerca da matéria, HC 95.604/PB, julgado em 15.04.2010. 
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A 2ª Turma do STF não decidiu sobre a matéria, estando o HC 90.070/SC pendente de 
julgamento em que se discute a matéria. Por enquanto, a situação é a seguinte: os Min. Eros Grau e 
Joaquim Barbosa
Pedro
Pedro fez um comentário
possui a capa ou referencias para citação???
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