Juizados_Especiais_Criminais
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Damásio. Na Justiça Militar estadual há aplicação da Lei dos Juizados. 
 
*Estatuto do idoso: o Estatuto do Idoso é a Lei 10.741/03. O Estatuto do Idoso traz o dispositivo do 
art. 94 que traz alguma polêmica, senão vejamos: \u201cAos crimes previstos nesta lei, cuja pena máxima 
não ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento da lei 9.099/95, e, subsidiariamente, no que 
couber, as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal\u201d. 
 Com o advento dessa lei alguns doutrinadores afirmaram que o conceito de infração de menor 
potencial ofensivo teria sido modificado. Daí que a interpretação que acabou prevalecendo foi no 
sentido de que não teve novo conceito, mas sim a ampliação da aplicação do procedimento. 
 Portanto, o Estatuto do Idoso não alterou o conceito de infração de menor potencial ofensivo. 
Na verdade, aos crimes previstos na Lei 10.741/03 cuja pena máxima não ultrapasse a quatro anos 
Direito Penal IV - Juizados Especiais Criminais 
 
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será aplicável apenas o procedimento sumaríssimo previsto entre os artigos 77 e 83 da Lei dos 
Juizados Especiais. 
 O raciocínio foi de que a aplicação desse procedimento traria uma solução mais rápida para a 
questão já que o idoso tem interesse na solução imediata da questão. 
Obs.: Merece atenção o julgamento da ADI 3.096, STF: essa questão chegou ao STF oportunidade 
em que o entendimento citado foi o alhures citado. 
 
*Competência originária dos tribunais e aplicação da Lei 9.099/95: nos casos de competência 
originária dos tribunais é perfeitamente possível a aplicação da Lei 9.099/95. 
 
*Crimes eleitorais: alguns delitos do Código Eleitoral têm penalidades diferenciadas, como por 
exemplo a cassação do registro (pena do art. 334, CE). Assim, quanto aos crimes eleitorais é possível a 
incidência dos institutos despenalizadores da Lei 9.099/95, salvo em relação aos delitos que contem 
com um sistema punitivo especial. 
 
*Competência do Juizado de Violência doméstica e familiar contra a mulher: a lei Maria da Penha 
trouxe a figura do Juizado de Violência doméstica e familiar contra a mulher. Mas aqui surge um 
problema que se refere ao art. 14 que afirma: \u201cOs Juizados de Violência Doméstica e familiar contra a 
mulher, órgãos da justiça ordinária com competência cível e criminal, poderão ser criados pela União, 
no DF e nos Territórios e pelos Estados, para o processo, o julgamento e a execução das causas 
decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher\u201d. 
 Nesse ponto, foi infeliz o legislador ao utilizar a expressão Juizados considerando que na seara 
penal, referida palavra remete imediatamente à ideia de Juizados Especiais Criminais. 
 O art. 14 da Lei Maria da Penha refere-se à Juizados de violência doméstica e familiar contra a 
mulher, porém devemos compreender que se refere não aos Juizados Especiais Criminais mas sim à 
criação de varas especializadas 
 O art. 33 da Lei Maria da Penha traz outro problema, afirmando que enquanto não instalados 
tais juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher, a vara criminal cumulará as 
competências cível e criminal relacionadas à violência doméstica e familiar contra a mulher. A 
Resolução 7 do TJDFT ampliou a competência dos juizados especiais criminais para também julgar a 
violência doméstica e familiar contra a mulher. Mas é necessário observar que uma coisa são as 
infrações de menor potencial ofensivo do JeCrime; e outra é a competência para julgar as causas 
relativas à violência familiar e doméstica contra a mulher. Essa resolução é plenamente válida, já 
existindo decisões nesse sentido. 
 Quanto ao recuso, se o juiz estiver atuando como juiz do JeCrime quem irá julgar o recuso será 
a turma recursal. Já quando estiver atuando em causas de violência doméstica e familiar contra a 
mulher, exercendo essa competência cumulativa quem irá apreciar o recurso é o Tribunal de Justiça. 
STJ, CC 97.456. 
 
*Causas modificativas da competência: sobre essa assunto é necessário destacar que, praticado 
delito com pena máxima não superior a dois anos será o crime julgado no Juizado Especial Criminal. E 
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aqui se indaga se um processo que é da competência do juizado pode sair e ser julgado por juiz 
comum, e, se caso positivo, em quais hipóteses isso ocorre. São hipóteses em que pode ocorrer essa 
modificação de competência: 
 Impossibilidade de citação pessoal do acusado: a lei dos juizados não admite a citação por 
edital, pelo que sendo essa necessária, será obrigatória a remessa para a Justiça Comum (art. 
66, caput e Parágrafo único da Lei do Jesp). Sendo o acusado encontrado no juízo comum, 
neste deverá permanecer o processo, não sendo cabível a devolução do processo para o 
Juizado. Mas observe-se que, mesmo no juízo comum, podem incidir os institutos 
despenalizadores da Lei do Jesp. 
Obs.: Atenção para o Enunciado 110 do XXV FONAJE \u2013 Fórum Nacional dos Juizados 
Especiais Criminais: tal enunciado afirma expressamente a possibilidade de citação por hora 
certa nos Juizados Especiais. 
 
 Complexidade da causa: deparando-se com causa muito complexa, nos termos do art. 77, §2º 
da Lei dos Juizados, há possibilidade de remessa para a Justiça Comum: \u201cSe a complexidade ou 
circunstâncias do caso não permitirem a formulação da de denúncia, o Ministério Público 
poderá requerer ao Juiz o encaminhamento das penas existentes, na forma do parágrafo único 
do art. 66 desta Lei\u201d. Como exemplo, temos situações em que é necessária perícia complexa 
ou existem vários acusados. Observe-se que também poderão ser aplicados os institutos 
despenalizadores da Lei do Jesp na Justiça Comum. 
 
 Hipóteses de Conexão e Continência: homicídio e quando da prisão, o acusado pratica o crime 
de resistência (art. 121 (pena de 12 a 30 anos) em conexão com o art. 329 (pena de 02 meses 
a 02 anos). nessa hipótese, alguns doutrinadores entendem que deveria haver a separação do 
processo, mas essa não é a posição que tem prevalecido. Assim, uma vez tenha sido praticada 
infração de menor potencial ofensivo em conexão a outro delito, a competência será do Juízo 
do Comum ou do Tribunal do Júri, o que, no entanto, não impede a aplicação da composição 
civil dos danos e da transação penal à infração de menor potencial ofensivo. Nesse sentido, 
merece atenção o art. 60, p. ún. da Lei dos Juizados: \u201cNa reunião de processos, perante o juízo comum 
ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos 
da transação penal e da composição dos danos civis.\u201d 
 
*Natureza da competência dos Juizados: trata-se de competência absoluta ou relativa? Parte da 
doutrina entende que a competência do Juizado tem natureza absoluta pois deriva da Constituição 
Federal (art. 98, I). Essa, entre outros é a posição de Ada Pelegrini, Júlio Fabrini Mirabete e Gustavo 
Henrique Badaró. 
 Mas observe-se que a competência absoluta não admite prorrogações, pelo que outra parte 
da doutrina (Eugênio Pacelli de Oliveira por exemplo) não se trata a competência do Juizado de 
competência absoluta. O que importa não é qual órgão do Judiciário está atuando, mas sim a 
observância dos institutos despenalizadores. A inobservância de tais institutos é que pode acarretar a 
nulidade de algum processo. Em face disso, para essa segunda corrente a competência dos juizados é 
relativa. 
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4. Competência Territorial do Juizado Especial Criminal: 
 
De acordo com o Código de Processo penal, a competência territorial é definida pelo local da 
consumação do delito. A lei dos juizados, porém, no