Juizados_Especiais_Criminais
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não estiver presente, será citado na forma dos arts. 66 e 68 desta Lei e cientificado da data da 
audiência de instrução e julgamento, devendo a ela trazer suas testemunhas ou apresentar requerimento para intimação, 
no mínimo cinco dias antes de sua realização. 
 § 2º Não estando presentes o ofendido e o responsável civil, serão intimados nos termos do art. 67 desta Lei para 
comparecerem à audiência de instrução e julgamento. 
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 § 3º As testemunhas arroladas serão intimadas na forma prevista no art. 67 desta Lei. 
 Art. 79. No dia e hora designados para a audiência de instrução e julgamento, se na fase preliminar não tiver havido 
possibilidade de tentativa de conciliação e de oferecimento de proposta pelo Ministério Público, proceder-se-á nos termos 
dos arts. 72, 73, 74 e 75 desta Lei. 
 Art. 80. Nenhum ato será adiado, determinando o Juiz, quando imprescindível, a condução coercitiva de quem deva 
comparecer. 
 Art. 81. Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação, após o que o Juiz receberá, 
ou não, a denúncia ou queixa; havendo recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e defesa, 
interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se imediatamente aos debates orais e à prolação da sentença. 
 § 1º Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, podendo o Juiz limitar ou excluir as 
que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias. 
 § 2º De todo o ocorrido na audiência será lavrado termo, assinado pelo Juiz e pelas partes, contendo breve resumo 
dos fatos relevantes ocorridos em audiência e a sentença. 
 § 3º A sentença, dispensado o relatório, mencionará os elementos de convicção do Juiz. 
 Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá ser julgada por 
turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado. 
 § 1º A apelação será interposta no prazo de dez dias, contados da ciência da sentença pelo Ministério Público, pelo 
réu e seu defensor, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente. 
 § 2º O recorrido será intimado para oferecer resposta escrita no prazo de dez dias. 
 § 3º As partes poderão requerer a transcrição da gravação da fita magnética a que alude o § 3º do art. 65 desta Lei. 
 § 4º As partes serão intimadas da data da sessão de julgamento pela imprensa. 
 § 5º Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão. 
 Art. 83. Caberão embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição, 
omissão ou dúvida. 
 § 1º Os embargos de declaração serão opostos por escrito ou oralmente, no prazo de cinco dias, contados da ciência 
da decisão. 
 § 2º Quando opostos contra sentença, os embargos de declaração suspenderão o prazo para o recurso. 
 § 3º Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício. 
 
7.1. Oferecimento da peça acusatória (denúncia ou queixa-crime): 
 
Pela redação da lei dos juizados, tanto a denúncia quanto a queixa seriam apresentadas 
oralmente. E, uma vez apresentadas oralmente, devem ser reduzidas a termo. Apesar disso, na 
prática, geralmente a peça acusatória é apresentada por escrito. 
No art. 77, §1º da Lei há afirmação da desnecessidade do exame de corpo de delito e aqui 
surge uma discussão na doutrina. 
Para o oferecimento da denúncia não se faz necessário o exame de corpo de delito de acordo 
com a Lei do Juizado. No CPP também é desnecessário o exame de corpo de delito, via de regra, para 
o oferecimento da denúncia, podendo esse ser juntado posteriormente. 
 Alguns doutrinadores interpretam esse §1º da Lei do Juizados que não é necessário o exame 
de corpo de delito tanto para o oferecimento da denúncia como para processo e julgamento. No 
entanto, prevalece na doutrina que a interpretação do dispositivo é no sentido de que não é 
necessário o exame de corpo de delito para o oferecimento da denúncia, exigindo-se o mesmo para o 
processo. 
 
7.2. Citação do acusado: 
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A citação do acusado pode se dar pessoalmente ou por hora certa. Nesse ponto, merece 
ressaltar a impossibilidade de citação por edital. 
No caso de Carta Precatória e Carta Rogatória prevalece que não há impedimento de uso no 
juizado especial, apesar de alguns doutrinadores entenderem que seriam possibilidades 
incompatíveis com a celeridade do CP. 
Observe-se que o art. 368 do CPP determina que haverá suspensão da prescrição até o 
cumprimento da carta rogatória (acusado no estrangeiro em local certo e sabido), não havendo, por 
outro lado, suspensão do processo. 
 O acusado é citado para comparecer a audiência e até agora não teria havido o recebimento 
da denúncia, pelo que o termo mais correto seria notificação. 
 
7.3. Defesa preliminar: 
 
Essa defesa preliminar não é defesa prevista em todos os procedimentos. A defesa preliminar 
é apresentada entre o oferecimento e o recebimento da peça acusatória e visa impedir a instauração 
de uma lide temerária. 
São procedimentos que preveem tal defesa: drogas, crimes funcionais afiançáveis, juizados 
especiais, competência originária dos tribunais. 
Na defesa preliminar tenta-se impedir o recebimento da peça acusatória, não obtendo êxito, 
será efetivado o recebimento da denúncia. 
 
7.4. Recebimento da peça acusatória: 
 
O magistrado irá receber a peça acusatória nesse momento, o que também ocorre na 
audiência. 
 
7.5. Resposta à acusação: 
 
A absolvição sumária prevista para o procedimento comum ordinário pode ser aplicada no 
âmbito dos juizados? De acordo com o art. 394, §4º do CPP as disposições dos artigos 395 a 398 
aplicam-se a todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não regulados pelo CPP. 
Diante disso, há possibilidade de aplicação da absolvição sumária no Jesp, já que previsto no art. 397 
do CPP. 
 A defesa preliminar visa a rejeição da peça acusatória e a resposta à acusação visa a 
absolvição sumária, tratando-se de ataque de mérito. Busca-se aqui uma absolvição sumária. 
 Na lei dos juizados, é necessário lembrar que todos esses atos são concentrados em uma 
audiência, acabando por ser apresentada essa resposta à acusação juntamente com a defesa 
preliminar. 
 
7.6. Análise de possível absolvição sumária: 
 
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Aplica-se o art. 394, §4º do CPP. 
 
7.7. Instrução e julgamento do processo: 
 
Não sendo o caso de absolvição sumária segue-se a instrução do processo com a oitiva do 
ofendido, das testemunhas e do acusado. 
 
8. Sistema Recursal: 
 
Observe-se que o juízo ad quem é a turma recursal composta por três juízes que atuam na 
primeira instância. Não tendo turma recursal instalada será o recurso julgado pelo próprio TJ. 
São recursos cabíveis no âmbito da Lei dos Juizados Especiais: 
 Contra rejeição da peça acusatória: é cabível o recurso de apelação, diferentemente do CPP 
que traz como recurso o RESE. Atente-se que o prazo para essa apelação é de 10 dias, 
devendo as razões serem apresentadas simultaneamente a interposição do recurso. Não 
sendo apresentadas as razões conjuntamente, alguns entendem que seria irregularidade 
grave. No entanto, para concurso considerando que a não apresentação pode prejudicar a 
ampla defesa deve ser considerada como irregularidade, oportunizando-se a parte a 
apresentação dessas razões. Nesse sentido, HC 85.344, STF.