Juizados_Especiais_Criminais
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para o delito é de um ano, se preenchidos os demais requisitos é cabível a suspensão 
condicional do processo. 
Indaga-se aqui se devem ser levadas em conta causas de aumento e diminuição de pena e o 
concurso de crimes para análise do cabimento ou não da suspensão condicional do processo. 
E aqui é necessário lembrar que a suspensão condicional do processo tem como 
parâmetro a pena mínima prevista para o delito, e havendo causas de aumento e de 
diminuição é necessário que seja levado em conta o percentual mínimo de aumento e o 
percentual máximo de diminuição. Quanto às causas de aumento, deve-se aplicar o 
quantum quem menos aumente a pena (1/3). Já no caso de causa de diminuição, a situação 
é diferente. Deve-se usar aqui o quantum que mais diminua a pena. 
No que tange ao concurso de crimes é necessário observar a Súmula 243, STJ: \u201cO 
benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais 
cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena 
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o 
limite de um ano\u201d 
 Assim, se por conta do somatório ou da majorante a pena ultrapassar um ano não será 
cabível a suspensão condicional do processo. 
 É cabível a suspensão condicional do processo em relação ao delito previsto no art. 5º 
da Lei 8.137/90 cuja pena é de detenção de dois a cinco anos ou multa? Quando se vê que a 
pena mínima é de dois anos o aluno já pensa que não é cabível a suspensão. No entanto, 
considerando que a pena de multa está prevista de maneira alternativa é cabível a suspensão. 
Para o STF, portanto, será cabível a suspensão quando a pena de multa estiver cominada de 
maneira alternativa, mesmo que a pena mínima seja superior a um ano. 
 
 O acusado não esteja sendo processado ou tenha sido condenado por outro crime: atente-se 
que na prova o examinador pode falar em contravenção e não em crime e nesse caso não 
haverá impedimento para a suspensão condicional do processo. Tratando-se de contravenção 
penal, é perfeitamente possível que haja a suspensão condicional do processo. 
A lei diz \u201cnão estar sendo processado\u201d e nesse ponto alguns doutrinadores afirmam 
que não estaria sendo respeitado o principio constitucional da presunção de inocência. Mas 
essa posição deve ser exarada somente em provas da Defensoria Pública. 
E esse requisito é plenamente compatível com o princípio da presunção de inocência, 
sob pena de vulgarizar o instituto. 
Atente-se para a existência do lapso temporal da reincidência. A lei não fala sobre isso 
nesse ponto. De acordo com o art. 64, I do CP, decorrido o prazo superior a cinco anos não é 
considerado o agente reincidente. 
Nesse sentido, merecem destaque: HC 88.157, HC 85.751, STF. 
 
 Presença dos demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena: tais 
requisitos estão previstos no art. 77 do CP, senão vejamos: 
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) 
a 4 (quatro) anos, desde que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
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I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as 
circunstâncias autorizem a concessão do benefício;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código. 
 
 Prévio recebimento da peça acusatória: antes de ser efetivada a suspensão do processo é 
necessário o recebimento da peça acusatória. E aqui se indaga se a suspensão condicional do 
processo deve se dar antes ou após a possibilidade de absolvição sumária. Deve a suspensão 
ser aplicada nos casos em que não seja cabível a absolvição sumária. 
Assim, o momento para a suspensão seria após a análise da absolvição sumária. 
 
Oferecimento da denúncia \ufffd rejeição da peça acusatória (art. 395) \ufffd recebimento da peça 
acusatória, não sendo o caso de rejeição \ufffd citação do acusado \ufffd resposta à acusação \ufffd 
análise de possível absolvição sumária \ufffd não sendo o caso de absolvição sumária, deve o 
Juiz designar audiência para aceitação da proposta. 
 
Obs.: aqui é necessário lembrar que, por conta do princípio da ampla defesa, essa aceitação 
deve ser dada tanto pelo acusado como pelo defensor, e, havendo divergência prevalece a 
vontade do acusado. Prova disso é o próprio art. 89, §7º da Lei dos Juizados, interpretado a 
contrario sensu: \u201c§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo 
prosseguirá em seus ulteriores termos.\u201d 
 
9.5. Condições para suspensão condicional do processo: 
 
As condições a serem impostas pelo magistrado estão previstas no art. 89, §1º da Lei dos 
juizados especiais. 
É importante salientar que a lei fala em \u201ccondições\u201d e essa expressão não significa pena 
privativa de liberdade, apesar de muitas vezes o MP se valer de seu poder de barganha para agir de 
forma arbitrária. Não se pode usar esse poder para impor condições que atinjam a dignidade do 
acusado. Ex. varrer Fórum, doa sangue. 
 São pois, condições: 
 Reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; 
 Proibição de frequentar determinados lugares; 
 Proibição de se ausentar da comarca onde reside, sem autorização do Juiz; 
 Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente para informar e justificar suas 
atividades; 
 Outras condições (§2º): não se pode aplicar pena restritiva de direitos, nessa hipótese já que 
se fala em condições. 
 
É necessário lembrar que essas condições são fixadas pelo período de dois a quatro anos, nos 
termos do caput do art. 89 da Lei do Jesp. 
 
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9.6. Revogação da Suspensão condicional do processo: 
 
Na verdade, há causas obrigatórias de revogação e causas facultativas da revogação da 
suspensão condicional do processo. 
Nesse ponto, merece destaque os § 3º e §4º do art. 89 da Lei dos Juizados: 
 § 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não 
efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano. (REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA) 
 § 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção, ou 
descumprir qualquer outra condição imposta. (REVOGAÇÃO FACULTATIVA) 
 
Revogação obrigatória Revogação facultativa 
 Beneficiário vier a ser processado por 
outro crime 
 Não efetuar, sem motivo justificado, a 
reparação do dano. 
 Acusado vier a ser processado pro 
contravenção 
 Descumprir qualquer outra condição 
imposta. 
 
Alguns autores afirmam que deveria ser aguardada a condenação, não bastando mero 
processamento do acusado. No entanto, a suspensão condicional do processo é instituto que deve 
ser usado para aqueles que realmente fazem jus dela, não havendo qualquer incompatibilidade com 
o princípio da presunção constitucional do processo. 
Alguns autores afirmam até mesmo que haveria possibilidade de prorrogação do período de 
prova. 
 
9.7. Extinção da punibilidade: 
 
Ao final do período de prova, que pode variar de dois a quatro anos, haverá a extinção da 
punibilidade do agente. 
Nesse sentido, o §5º do art. 89: \u201c§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a 
punibilidade.\u201d 
Assim, expirado o prazo de prova sem revogação, deve o juiz declarar extinta a punibilidade. 
Sobre esse assunto normalmente se indaga se há possibilidade de revogação da