Lei_de_Abuso_de_Autoridade
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Direito Penal IV - Lei de Abuso de Autoridade 
 
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ASPECTOS PENAIS LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE \u2013 LEI 4.898/65 
 
O ato de abuso de autoridade enseja tríplice responsabilização. As três responsabilidades 
estão reguladas na Lei 4.898/65, daí que podemos concluir que, apesar de ser uma lei 
predominantemente penal, não é apenas penal. 
E aqui nos interessa estudar os aspectos penais da lei de abuso de autoridade. 
 
1. Objetividade Jurídica: 
 
Os crimes de abuso de autoridade têm dupla objetividade jurídica. Há objetividade jurídica 
principal que é a proteção dos direitos e garantias fundamentais das pessoas físicas e jurídicas. Há 
ainda uma objetividade jurídica mediata ou secundária que diz respeito à normalidade e à 
regularidade dos serviços públicos. 
 Os crimes de abuso de autoridade protegem também a normalidade da prestação do serviço 
público e isso se dá considerando que o crime de abuso de autoridade significa uma irregular e 
anormal prestação do serviço público. Aquele que abusa da autoridade presta serviço irregular e 
anormal. 
 
2. Elemento Subjetivo: 
 
O elemento subjetivo é o dolo. Não há abuso de autoridade culposo. É necessário observar 
ainda que não basta o dolo de praticar a conduta típica de abuso, sendo necessário ainda a finalidade 
específica de abusar, ou seja, o propósito deliberado de agir abusivamente, o que nos chamamos de 
elemento subjetivo do injusto penal. 
Em outras palavras, o dolo deve incluir também a consciência da autoridade de que esteja 
praticando o abuso. 
Daí que, se a autoridade, na justa intenção de cumprir seu dever e proteger o interesse 
público, acaba se excedendo, haverá ilegalidade do ato da autoridade, mas não haverá crime de 
abuso de autoridade, em face da ausência da intenção específica de abusar. 
Atente-se que é muito tênue a linha que divide a discricionariedade da arbitrariedade e não se 
tem como configurar se a conduta configura ou não abuso de autoridade. Se a autoridade agiu com a 
intenção específica de abusar, é abuso se não agiu, não resta configurado o crime. 
 
3. Formas de Conduta: 
 
O abuso de autoridade pode ser praticado tanto por ação quanto por omissão. Em outras 
palavras, pode ser crime comissivo ou omissivo. Em regra é crime praticado por ação, mas nada 
impede que seja praticado por omissão. 
Os crimes do art. 4º, \u201cc\u201d, \u201cd\u201d, \u201cg\u201d, e \u201ci\u201d somente podem ser praticados por omissão. São 
crimes omissivos puros ou próprios. 
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Atente-se que, na forma omissiva, também é necessário o elemento subjetivo do injusto, ou 
seja, também é necessária a intenção específica de se omitir abusivamente. 
 
4. Consumação e tentativa: 
 
4.1. Crimes do art. 3º: 
 
Os crimes do art. 3º consumam-se com a simples conduta praticada no tipo penal, 
independentemente da efetiva violação do direito ali protegido. Tais crimes, segundo entendimento 
pacífico da doutrina, não admitem a tentativa e isso se dá considerando que, o simples atentado aos 
direitos previstos no art. 3º já configura crime consumado. 
Cite-se o caput do dispositivo: 
 Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: 
Não se pode falar em tentativa de atentado ao direito de locomoção. 
Sucede que, Rogério Greco afirma que os crimes de atentado admitem tentativa. Mas aqui a 
questão é semântica. O simples atentado já foi tipificado como crime consumado. 
 
4.2. Crimes do art. 4º: 
 
No que tange aos crimes previstos no art. 4º, a consumação será analisada casuisticamente. Já 
no que tange a tentativa, esta não é possível nos crimes das alíneas \u201cc\u201d, \u201cd\u201d, \u201cg\u201d e \u201ci\u201d e isso se dá 
considerando que, conforme já foi dito, esses crimes são crimes comissivos puros ou próprios, que 
não admitem tentativa. 
Nas demais alíneas é possível a tentativa. 
 
5. Sujeitos do crime de abuso de autoridade: 
 
5.1. Sujeito ativo: 
 
O sujeito ativo nos crimes de abuso de autoridade, é a autoridade. Daí que, os crimes de 
abuso de autoridade são crimes próprios. São crimes que exigem uma qualidade especial do sujeito 
ativo. 
O conceito de autoridade está previsto no art. 5º da Lei: 
 Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza 
civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração. 
 
O conceito de autoridade aqui delineado coincide com o conceito de funcionário público para 
fins penais previsto no art. 327 do Código Penal. 
É necessário observar que o conceito de autoridade para os efeitos essa lei é amplíssimo. Para 
os efeitos dessa lei, é autoridade pública toda pessoa que exerça função pública, pertencendo ou não 
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à administração pública, e ainda que exerça tal função de forma passageira e gratuita. Ex. mesário 
eleitoral, jurado. 
Obs.: a jurisprudência já admitiu como sendo autoridade para efeitos dessa lei o guarda 
noturno, que, apesar de exercer função em caráter privado, a função busca interesse público. 
 
É necessário observar que os crimes de abuso de autoridade podem ser praticados no 
exercício da função ou em razão dela. \u201cEm razão dela\u201d significa que a autoridade invoca tal qualidade 
para praticar o abuso e o pratica prevalecendo-se dessa função. Há quem discorde acerca dessa 
possibilidade de praticar o crime em razão da função, mas essa é minoria. 
Merece destaque a Súmula 172 do STJ: \u201cCompete à Justiça comum processar e julgar militar 
por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço\u201d. Esse \u201cainda que praticado em 
serviço\u201d permite deduzir que o delito possa ser praticado em serviço ou em razão dela. 
Atente-se que não são consideradas autoridades as pessoas que exercem munus público. 
Múnus público é um encargo imposto pela lei ou pelo Juiz para a proteção de um interesse particular 
ou social. Veja que, o detentor de múnus público não é detentor de parcela do poder estatal, e 
defende interesse privado e daí que não é autoridade para os efeitos da lei de abuso de autoridade. 
Como exemplos podemos citar: tutor e curador dativos, inventariante, administrador de falência, 
depositário judicial, advogado. O Estatuto da OAB é expresso em dizer que o advogado exerce munus 
público, mas observe-se que o defensor público é autoridade para efeitos da lei de abuso de 
autoridade. 
Também não é considerada autoridade, o funcionário público demitido, exonerado ou 
aposentado. Isso porque, não mais ostentam a condição de autoridade. O funcionário público, nessas 
situações, pode responder pelo crime de abuso de autoridade se cometeu a infração quando ainda 
estava no exercício da função. 
Obs.: A pessoa que não é autoridade, pode responder pelo delito de abuso de autoridade? 
Sozinha, jamais, considerando que não possui a qualidade de autoridade. Sucede que, pode 
responder, desde que cometa o crime em concurso com uma autoridade e, saiba que o comparsa é 
considerado autoridade. É necessário esse conhecimento pois a condição pessoal de autoridade é 
elementar do delito de abuso de autoridade e, sendo elementar, ainda que subjetiva, comunica-se 
ao particular caso esse tenha conhecimento da situação do agente. É a mesma explicação que se 
tem para os crimes funcionais. 
Ex. soldado do Estádio do Pacaembu juntamente com um pipoqueiro agridem outrem sem 
motivo algum. O pipoqueiro irá responder por abuso de autoridade pois praticou o crime 
juntamente com o soldado. 
 
5.2. Sujeito passivo: 
 
O crime de abuso de autoridade tem dupla subjetividade passiva e isso quer dizer que: 
a) Sujeito passivo imediato ou principal: o sujeito passivo
MANOEL
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Excelente material. Obrigado por compartilhar
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Dayane
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