Lei_de_Abuso_de_Autoridade
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imediato ou principal é a pessoa física 
ou jurídica que sofre a conduta abusiva. Pode ser qualquer pessoa física: capaz, incapaz, 
Direito Penal IV - Lei de Abuso de Autoridade 
 
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nacional, estrangeira e também, qualquer pessoa jurídica, seja de direto público ou de direito 
privado. 
Observe-se pois que pessoa jurídica pode ser vítima do crime de abuso de 
autoridade. 
Obs.: Se a vítima for criança ou adolescente, a conduta poderá configurar crime do ECA, 
tendo-se em mente o Princípio da Especialidade. 
Atente-se ainda que, o sujeito passivo pode ser, inclusive, uma autoridade. 
 
b) Sujeito passivo mediato ou secundário: é a administração Pública. Alguns afirmam que seja o 
Estado, cujos serviços são prejudicados pelo ato de abuso de autoridade. Isso porque o abuso 
de autoridade é uma prestação irregular de serviço público e quando o funcionário comete 
abuso, ele atinge a regularidade dos serviços públicos e causa como vítima também, a 
administração pública, interessada na normalidade dos serviços públicos. 
 
6. Ação Penal: 
 
Os arts. 1º e 2º da lei falam em direito de representação que deve ser endereçada ao MP. 
 Art. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal, contra as autoridades 
que, no exercício de suas funções, cometerem abusos, são regulados pela presente lei. 
 Art. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição: 
 a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à autoridade civil ou militar culpada, a 
respectiva sanção; 
 b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a autoridade 
culpada. 
 Parágrafo único. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de 
autoridade, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o rol de testemunhas, no máximo de três, se as 
houver. 
 
O art. 12 da lei de crimes de abuso de autoridade diz que denúncia será instruída com a 
representação da vítima, senão vejamos: 
Art. 12. A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justificação por denúncia do Ministério 
Público, instruída com a representação da vítima do abuso. 
 
Sucede que, apesar do uso da expressão representação a ação penal nos crimes de abuso de 
autoridade é pública incondicionada, sem necessidade de representação da vítima e isso se dá 
considerando que representação a que se refere esses artigos da lei de abuso de autoridade significa 
apenas o direito de petição contra abuso de poder, previsto no art. 5º, XXXIV, \u201ca\u201d da CR. 
Assim, a representação prevista na lei de abuso de autoridade não é aquela condição de 
procedibilidade que subordina o exercício da ação penal. 
 
7. Competência: 
 
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 A competência para processo e julgamento dos crimes de abuso de autoridade, considerando 
que possuem pena máxima de 06 meses de detenção, é do Juizado Especial Criminal. Essa pena é tão 
baixa pois foi editada na época da Ditadura. 
Se a pena máxima é de seis meses, abuso de autoridade é infração de menor potencial 
ofensivo e a competência é dos Juizados Especiais Criminais Federais ou Estaduais. 
A regra é que a competência é dos juizados estaduais, salvo se o crime atingir bens, serviços 
ou interesses da União, suas autarquias ou empresas públicas. 
 
7.1. Crime praticado contra servidor Federal: 
 
Tratando-se de crime praticado contra servidor federal (a vítima é servidor federal), por 
exemplo soldado do exército, a competência será da Justiça Federal, nos termos da Súmula 147 do 
STJ: \u201cCompete à Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra funcionário público 
federal quando relacionados com o exercício da função\u201d 
 Atente-se que é necessário que o abuso tenha relação com a função do servidor federal. Se 
não houver relação com a função do servidor federal, a competência será do Juizado Especial 
Criminal estadual. 
 Ex. soldado do exército é vítima de abuso por seu superior \ufffd JeCrime Federal. Por outro lado, 
servidor federal em férias é vítima de abuso de autoridade \ufffd JeCrime estadual. 
Obs.; recentemente (2008), o STJ decidiu que crime de abuso de autoridade praticado contra Juiz 
Federal é Competência do JeCrime Federal, mesmo o crime não tendo relação com a função do 
magistrado. O fundamento da decisão foi o seguinte: Juiz Federal é órgão da Justiça Federal, não se 
enquadrando no conceito de funcionário público. Assim, essa qualidade de órgão do Poder 
Judiciário não pode ser afastada, mesmo que a vítima não esteja no exercício de suas funções 
jurisdicionais. 
 Concluindo, o STJ afirma que a interpretação restritiva da Súmula 147 do STJ não se aplica 
aos Juízes Federais. CC 89.397/AC, STJ. 
 
7.2. Crime praticado por servidor federal: 
 
Nessa situação há divergência, senão vejamos: 
1ª Corrente: a competência é do JeCrime Federal, e isso se dá considerando que o abuso atinge a 
normalidade do serviço público federal, acarretando interesse da União. Essa é a corrente 
majoritária na doutrina. 
2ª Corrente: o fato do infrator ser servidor federal, por si só, não fixa a competência da Justiça 
Federal. Nesse sentido, Guilherme de Souza Nucci. É necessário, segundo ele, a existência de 
circunstância, que não a qualidade de funcionário público que justifique o interesse da União na 
causa. Ex. se o crime é praticado em ambiente controlado pela União. Nessa hipótese, há interessa da 
União na causa. Ex. crime cometido na carceragem da polícia federal, em zona alfandegária de 
aeroporto. Recentemente, o STJ adotou essa segunda Corrente. O caso foi o seguinte: Delegado da 
Polícia Federal agrediu fisicamente uma Médica porque essa se recusou a entregar-lhe prontuários 
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de pacientes. Nesse caso, entendeu o STJ que a simples condição de servidor federal do Delegado 
não justifica, por si só, a competência da Justiça Federal. HC 102.049/ES, STJ. 
 
7.3. Abuso de autoridade praticado por Militar: 
 
Na hipótese de abuso de autoridade praticado por militar, temos que referido abuso, ainda 
que a vítima seja outro militar, é de competência do Juizado Especial Criminal, federal ou estadual, 
conforme a hipótese. 
Não se trata de crime de competência da Justiça Militar uma vez que o abuso de autoridade 
não é crime militar e não sendo crime militar não é julgado pela Justiça Militar. 
Nesse sentido, a Súmula 172 do STJ: \u201cCompete à Justiça Comum processar e julgar militar por 
crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço\u201d. 
Obs.: 
1) O STJ decidiu o seguinte: se o Juiz Militar arquiva inquérito por crime de abuso de 
autoridade, é cabível a impetração de Mandado de Segurança pelo MP Estadual ou Federal. 
Essa decisão foi fundamentada no sentido de que a decisão de arquivamento proferida pelo 
Juiz Militar incompetente, subtrai do Ministério Público (estadual ou federal), como titular 
da ação penal, o direito de formar a opinio dellicti e ajuizar ou não, a ação penal ou propor a 
transação penal. Esse é mais um caso de MS impetrado contra ato Judicial. Nesse sentido, o 
RMS 24.328/PR. 
 
2) O crime de abuso de autoridade praticado por militar, contra militar configura, em algumas 
hipóteses, crime do Código Penal Militar, que prevalece sobre a Lei de abuso de autoridade 
pelo princípio da especialidade. Ex. Crime de \u201cviolência contra inferior\u201d \ufffd\ufffd\ufffd\ufffd tem previsão no 
art. 165 do CPM. 
 
3) Se houver concurso de crimes entre crime militar e crime de abuso de autoridade, haverá
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