Lei_de_Crimes_Ambientais
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DisciplinaDireito Penal III6.011 materiais52.848 seguidores
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físicas que a compõe. Partindo desse pressuposto de que as pessoas jurídicas são 
realidades independentes, essa terceira corrente diz que as pessoas jurídicas têm capacidade 
de conduta, uma vez que, possuem vontade, não no sentido humano, mas no sentido 
pragmático-sociológico reconhecível socialmente \u2013 é o conceito de ação delituosa 
institucional, ou seja, no plano prático, é possível o reconhecimento da vontade da pessoa 
jurídica, o que não é possível no sentido psicológico-humano. Quem desenvolve esse 
entendimento é o Prof. Sérgio Salomão Schecaira, ferrenho defensor da responsabilidade 
penal da pessoa jurídica. 
 A pessoa jurídica possui culpabilidade. Não a culpabilidade clássica do finalismo, mas uma 
culpabilidade social que coloca a empresa como centro autônomo de decisões. E se tem 
culpabilidade pode sofrer pena (não a privativa de liberdade). A pessoa jurídica pode sofrer 
penas restritivas de direito ou multa, que é a meta principal do Direito Penal atual (a meta 
principal do direito penal atual são as penas alternativas), dada a falência do sistema prisional. 
Isso quem afirma é Guilherme de Souza Nucci, defendendo a culpabilidade e punibilidade da 
pessoa jurídica. 
 A responsabilidade penal da pessoa jurídica tem previsão constitucional (art. 225, §3º, CF) do 
Poder Constituinte Originário e previsão infraconstitucional (art. 3º, L.A). Portanto, é 
indiscutível a criação da responsabilidade penal da pessoa jurídica, não podendo tais 
dispositivos serem ignorados. 
 
Adeptos: Fernando Capez, Nucci, Schecaira, Édis Milaré, Herman Benjamim, Paulo Afonso 
Leme Machado. 
 
4.3. Jurisprudência: 
 
 O STJ adota a terceira corrente, admitindo que a pessoa jurídica é sujeito ativo de crime 
ambiental, ou seja, pode ser denunciada \u2013 incluída no pólo passivo da denúncia \u2013 como sujeito ativo 
de crime ambiental. 
 Nesse sentido, Resp. 800.817, julgado em 04.02.2010. Há um julgado do STJ dizendo que, 
considerar a PJ como sujeito ativo de crime não ofende o princípio Constitucional da Pessoalidade da 
Pena, uma vez que \u201cé incontroversa a existência de duas pessoas distintas, uma física e outra jurídica, 
cada qual recebendo punição de forma individualizada\u201d (Resp. 610.114/RN). 
 No STF ainda não há decisão definitiva acerca da responsabilidade penal da pessoa jurídica. 
Mas há dois precedentes que indicam que o STF admite que a Pessoa jurídica pode ser sujeito ativo 
de crime. O primeiro precedente é o HC 92.921/BA em que foi impetrado HC em favor da PJ. A 
discussão foi acerca do cabimento ou não do HC, mas em sede de obiter dicta foi afirmado pelos 
Ministros a possibilidade de responsabilização penal da pessoa jurídica. 
 No RE 593.729, o STF manteve uma ação penal cujos denunciados como autores do crime são 
a Sabesp \u2013 Empresa de Saneamento de SP e um diretor seu. Foi mantida ação penal em que há 
pessoa jurídica e pessoa jurídica como acusados. 
Direito Penal IV - Lei de Crimes Ambientais 
 
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 Diante desses dois precedentes, pode-se afirmar que prevalece no STF a possibilidade de 
responsabilização penal da PJ. 
 
4.4. Requisitos para responsabilização da Pessoa jurídica (art. 3º, L.A): 
 
Independentemente da teoria adotada, o art. 3º da Lei ambiental exige dois requisitos para 
responsabilização da pessoa jurídica: 
 A decisão de praticar infração tenha emanado do representante legal ou contratual, ou 
órgão colegiado da empresa. Esse requisito é a chamado Responsabilidade Penal em 
Ricochete, de empréstimo, subsequente, ou por procuração. É o sistema Francês de 
responsabilidade penal da pessoa jurídica. Diante de tal requisito, pode-se concluir que o STJ 
não admite denúncia isolada contra Pessoa jurídica \u2013 não é por causa do sistema da dupla 
imputação, esta é consequência da responsabilidade em ricochete e não sua causa. A 
denúncia da PJ somente pode se dar se conjuntamente com a pessoa física (ou pessoas). Ex. 
se o funcionário da Motosserra, por sua conta e risco resolve cortar árvores em área de 
Preservação Ambiental, somente se fala nesse caso de responsabilidade penal de pessoa 
física, já que não é representante legal da PJ. 
 
 Que a infração tenha sido cometida no interesse ou benefício da entidade (pessoa jurídica). 
Ex. um gerente da empresa autorizou corte de árvores, contrariando interesses da PJ \ufffd 
somente o gerente será responsabilizado, uma vez que o crime não foi cometido nem no 
interesse nem em benefício da entidade, ainda que tenha sido cometido o delito por 
represente da empresa. 
 
Obs.: A denúncia deve narrar a decisão do representante legal do colegiado e qual foi o interesse 
ou benefício da pessoa jurídica com o crime, sob pena de inépcia. 
 
4.5. Sistema da Dupla Imputação ou Sistema de Imputações Paralelas: 
 
Art. 3º, p. único da Lei ambiental: 
 \u201cA responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do 
mesmo fato\u201d. 
 Por meio de tal sistema, é possível denunciar isoladamente a pessoa física, ou denunciar 
conjuntamente a pessoa física e a pessoa jurídica. Não é possível denunciar isoladamente a pessoa 
jurídica, considerando o Sistema da Responsabilidade Penal em Ricochete, adotado no art. 3º caput 
da lei ora comentada. 
 Observe-se que tal sistema não caracteriza o bis in idem, apesar do prof. Carlos Henrique 
entender que sim. O STJ entende que o sistema da dupla imputação não gera bis in idem, 
considerando que bis in idem significa punir duplamente pelo mesmo fato, a mesma pessoa, e, nesse 
caso, se fala em punição pelo mesmo fato, pessoas distintas \u2013 pessoa física e pessoa jurídica. 
 
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4.6. Responsabilidade Penal das Pessoas jurídicas de Direito Público: 
 
Indaga-se se é possível a punição de Município, autarquia, etc. por crime ambiental. Acerca 
dessa matéria, existem duas correntes: 
 
a) 1ª Corrente: a Lei Ambiental e a Constituição referem-se a pessoas jurídicas sem especificar 
(sem fazer distinções) se de Direito Público ou de Direito Privado, pelo que onde a norma não 
distingue não cabe ao interprete fazê-lo (Paulo Afonso Leme Machado). Assim, é possível a 
responsabilidade penal das pessoas jurídicas de direito público também. Nesse sentido, Luiz 
Flávio Gomes, que não fala em responsabilidade penal da pessoa jurídica, mas em Direito 
Penal Sancionador, Nucci, Paulo Afonso Leme Machado, Valter Claudius Rothemburg ( Artigo -
\u201cPessoa Jurídica Criminosa), entre outros. 
 
b) 2ª Corrente: não é possível a responsabilidade penal da pessoa jurídica de Direito Público. São 
argumentos de tal corrente: 
 O Estado não pode punir a si próprio: Schecaira, que não admite a responsabilidade 
penal das pessoas jurídicas de direito público, mas admite das paraestatais. 
 Os entes públicos, por sua própria natureza, somente podem perseguir fins lícitos, 
portanto, quem age com desvio e pratica o crime é sempre o administrador público e 
não a pessoa jurídica. Data vênia, a pessoa jurídica de direito privado também só pode 
perseguir fins lícitos. 
 A pena de multa recairia sobre os próprios contribuintes uma vez que o Estado pagaria 
a multa com recursos financeiros dos cidadãos. 
 As penas restritivas de direitos seriam inúteis, pois já é função do Poder Público prestar 
serviços sociais. 
Esses argumentos são de Wladmir Passos de Freitas e Valdir Passos de Freitas. 
 
4.7. Crime Culposo e Responsabilidade penal da Pessoa jurídica: 
 
É possível denunciar a PJ por crime Culposo? O Prof. Edis Milaré afirma que Pessoa jurídica 
não pode ser punida por crime culposo uma vez que o domínio do fato está com as pessoas físicas e 
não existe tal domínio sem dolo.
Luiza
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