Lei_de_Crimes_Ambientais
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art. 18, L.A: afirma que o cálculo da multa ser feito com base nos critérios do CP, 
ou seja, é calculada de acordo com o art. 49 e parágrafos do CP. 
 Art. 18, L.A: \u201c A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se revelar-se ineficaz, ainda que 
aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica 
auferida.\u201d 
 Na lei ambiental, o juiz pode triplicar a pena aplicada no máximo considerando o valor da 
vantagem econômica obtida com o crime. No CP, o juiz pode triplicar a multa aplicada no máximo 
tendo em vista a situação econômica do infrator. Observe-se, pois, que os critérios são distintos. 
Obs.: Paulo Sirvinskas afirma que o Juiz pode triplicar a multa duas vezes, uma com base na 
situação econômica do réu prevista no CP e outra com base no valor da vantagem econômica 
obtida, com base na Lei Ambiental (o que é, uma invencionice). 
 
b) Suspensão da execução da pena (SURSI): 
 
 No CP, existem quatro espécies de SURSI, quais sejam o Sursi simples (art. 77, caput), o Sursi 
especial (art. 78, §2º), além dos Sursis etário e humanitário (art. 77, §2º do CP). 
 Todas essas espécies de Sursi são cabíveis nos crimes ambientais, com algumas diferenças. 
1. Sursi Simples: na lei ambiental é cabível nas condenações até 3 anos, diferentemente do CP 
em que é cabível apenas nas condenações até 02 anos. 
 
2. Sursi Especial: no CP, o Sursi especial é concedido ao condenado que reparou o dano, salvo 
impossibilidade de fazê-lo e que tenha circunstâncias judiciais favoráveis, ficando sujeito às 
condições especiais do art. 78, §2º do CP. Já na lei ambiental, é cabível o Sursi especial com 
três observações: 
 É cabível nas condenações até três anos, e não apenas até dois anos; 
 A reparação do dano somente pode ser comprovada mediante Laudo de reparação do 
dano ambiental, ou seja, trata-se de uma exceção ao Princípio da Liberdade Probatória 
que vigora no processo penal. 
Direito Penal IV - Lei de Crimes Ambientais 
 
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 As condições a que fica sujeito o condenado não são as condições do CP (78, §2º), mas 
sim as condições relacionadas a proteção do meio ambiente, fixadas pelo juiz. 
3. Sursi Etário: 
4. Sursi Humanitário 
 
 
*Previsão Legal: se encontra nos artigos 16 e 17 da Lei Ambiental: 
Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a 
pena privativa de liberdade não superior a três anos. 
Art. 17. A verificação da reparação a que se refere o § 2º do art. 78 do Código Penal será feita mediante laudo de 
reparação do dano ambiental, e as condições a serem impostas pelo juiz deverão relacionar-se com a proteção ao meio 
ambiente. 
 
5.2. Aplicação da Pena para pessoa jurídica: 
 
 Se a condenação incide sobre pessoa jurídica, o juiz somente passa pela primeira etapa de 
fixação da pena, aplicando a quantidade de pena com base no art. 68 do CP. Aqui, aplicam-se todas 
as peculiaridades atinentes à pessoa física. 
 Nessa oportunidade o juiz não segue as segunda e terceira etapas, considerando que a 
segunda etapa é acerca do regime inicial e a terceira é sobre a substituição da pena ou suspensão 
condicional da pena. Isso porque a pessoa jurídica não sofre pena de prisão. Se a pessoa jurídica não 
sofre prisão não há como se falar em fixação de regime ou substituição da pena, ou ainda a 
substituição da pena. 
 
 As penas que podem ser aplicadas à pessoa jurídica são as seguintes: 
 Multa \ufffd segue a regra do art. 18 da Lei Ambiental: 
Art. 18. A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no 
valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida. 
 A multa é aplicada de acordo com o CP, observando-se que a correção do valor incide 
desde a data do crime, bem como que não há qualquer peculiaridade pelo fato de se tratar de 
pessoa jurídica. A doutrina critica essa posição, afirmando que a pessoa jurídica deveria ter 
pena maior que a pessoa física, indicando um autor inclusive que, deveria ser calculada por 
\u201cdia de faturamento\u201d. 
 O professor entende que, no caso da pessoa jurídica a responsabilidade penal da 
pessoa jurídica é inútil considerando que a multa administrativa que pode ser aplicada é bem 
maior que a pena possível no caso da sanção penal. 
 
 Penas restritivas de direitos: têm previsão no artigo 22 da L.A. 
Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são: 
I - suspensão parcial ou total de atividades; 
 II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; 
III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações. 
Aplicação subsidiária do CP, nos 
termos do art. 78 da Lei Ambiental 
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§ 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às disposições legais ou 
regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente. 
§ 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando sem a devida 
autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal ou regulamentar. 
§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações não poderá 
exceder o prazo de dez anos. 
Perceba-se que, no caso da pessoa jurídica a pena restritiva de direitos de proibição de 
contratar com o poder público e dele receber subvenções é de até dez anos, já quando se 
trata de pessoa física essa prazo é de três anos se for condenação por crime culposo e de 
cinco anos se a condenação for por crime doloso. 
 
 Prestação de Serviços à comunidade: tem previsão no art. 23 da Lei Ambiental: 
Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela pessoa jurídica consistirá em: 
 I - custeio de programas e de projetos ambientais; 
 II - execução de obras de recuperação de áreas degradadas; 
III - manutenção de espaços públicos; 
 IV - contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas. 
 Atente-se que, diferentemente do CP, na lei ambiental, a prestação de serviços 
comunitários é uma terceira espécie de pena, e não uma modalidade de pena restritiva de 
direitos. 
 
Observação sobre as penas aplicáveis às pessoas jurídicas: 
 
 Fora a pena de proibição de contratar com o poder público que é de no máximo até dez 
anos, as demais penas restritivas de direitos e de prestação de serviços à comunidade não 
possuem limites mínimos e máximos previstos em lei, pelo que muitos afirmam que tais 
penalidades são inconstitucionais por ferir o Princípio da Legalidade. Assim, exceto a pena do art. 
22, §3º, as demais penas restritivas de direitos e a prestação de serviços a comunidade não têm os 
limites mínimo e máximo cominados na lei. Diante disso, há quem diga (Luiz Regis Prado) que tais 
penas são inconstitucionais por violação ao princípio da legalidade, uma vez que a lei prevê a 
pena, mas não comina seus prazos. Atente-se que tais penas são penas principais e não 
substitutivas da pena privativa de liberdade (a PJ não tem pena privativa de liberdade) pelo que 
não há como aplicar o prazo de suposta pena privativa de liberdade. Trata-se de penas principais, 
o que é uma exceção ao caráter da substitutividade das penas restritivas de direitos. 
 Diante disso, caso não seja declarada a inconstitucionalidade da lei, entende o professor 
que, no caso concreto deve o juiz utilizar os patamares da pena de prisão. O juiz deve levar em 
conta os limites da pena de prisão cominados no tipo penal incriminador. Mas a doutrina não
Luiza
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