Lei_de_Crimes_Ambientais
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analogia, o art. 873, §3º 
da CLT que prevê o interrogatório feito na pessoa 
do gerente ou preposto da empresa que tenha 
conhecimento sobre o fato. 
A finalidade do interrogatório era levar ao juiz o 
conhecimento dos fatos, e, portanto, deveria ser 
interrogado o gerente ou preposto que tivesse 
conhecimento dos fatos. 
O interrogatório passou a ser, inegavelmente um 
meio de defesa no CPP, e, diante disso, Ada 
Pelegrini passou a afirmar que, o interrogatório 
deve ser feito na pessoa de qualquer 
representante da pessoa jurídica que tem 
interesse em defender a pessoa jurídica. 
 
2ª Corrente: entende que deve ser aplicado por analogia o art. 843, §1º da CLT. Nesse sentido, Nucci. 
 
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7.5. Citação da Pessoa Jurídica: 
 
 Deve ser aplicado o art. 12, VI do CPC, por analogia. É o que entende Guilherme de Souza 
Nucci, ou seja, devem ser citados os representante da pessoa jurídica. 
 
7.6. HC e Pessoa Jurídica: 
 
 Entendem o STF e o STJ que não é possível conhecer de Habeas corpus impetrado em favor de 
pessoa jurídica, uma vez que o HC tutela liberdade de locomoção, algo que a Pessoa jurídica não 
possui. Nesse sentido, HC 92.925/BA, STF. O relator de tal julgado admitiu o HC para pessoa jurídica, 
desde que com reflexos no direito de locomoção da pessoa física. O HC é cabível no caso em que há 
reflexos no direito de locomoção do agente, e o Min. Lewandovisk fez menção a ideia de que no caso 
concreto a liberdade da pessoa física estaria atingida reflexamente. 
 No entanto, observe-se que, esse voto do Min. Lewandovisk foi voto vencido. 
 Diante do não cabimento do HC, cabe o Mandado de Segurança no caso de se pretender 
trancar a ação penal. 
 
7.7. Competência: 
 
 No STF e no STJ para delinear a regra de competência são usadas duas premissas: 
a) A proteção ao meio ambiente é de competência comum entre a União, Estados, Municípios e 
DF (artigos 23 e 24 da CF). 
b) Não há nenhuma norma constitucional ou processual sobre competência criminal ambiental. 
 A conclusão dessas duas premissas é a seguinte: a regra é de que os crimes ambientais são de 
competência da justiça estadual, quando não houver interesse da União ou quando o interesse da 
União for apenas genérico ou indireto. 
 Assim, os crimes ambientais serão de competência da Justiça Federal, somente quando 
houver interesse direto e específico da União, de suas autarquias ou empresas públicas. 
 
*Crimes contra a fauna: Nos crimes contra a fauna, é seguida a regra básica da competência ora 
delineada. Isso porque a Súmula 91 do STJ que previa a competência da Justiça Federal para julgar 
crimes contra a fauna foi cancelada. 
 
*Contravenções Ambientais: quanto as contravenções ambientais, sempre a competência será da 
Justiça Estadual, ainda que atingido interesse direto e específico da União. Isso porque o art. 109, IV 
da CF afirma que a Justiça Federal não julga contravenções. 
Obs. Mas há uma exceção: caso o contraventor tenha foro por prerrogativa de função na Justiça 
Federal, a contravenção é julgada pela Justiça Federal uma vez que o critério em razão da pessoa 
prevalece sobre o critério em razão da matéria. Atente-se que esse foro por prerrogativa de função 
na Justiça Federal deve estar previsto na Constituição Federal. Ex. Juiz Federal acusado da prática 
de contravenção penal \ufffd\ufffd\ufffd\ufffd será julgado pelo TRF. 
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*Modificação da Competência: se durante a ação penal surgir interesse direito ou específico da 
União, que não havia no início da ação, desloca-se a competência da justiça estadual para a justiça 
federal. Nesse sentido, STJ, CC 88.013, julgado em 2008. Esse julgado diz respeito a um parque 
pertencia ao município, no entanto, foi incorporado ao patrimônio da união no curso da ação, 
oportunidade em que houve o deslocamento da competência para a Justiça Federal. 
 Atente-se que o inverso também é verdadeiro \ufffd se durante o processo desaparece o 
interesse jurídico direto e específico da União, presente no início do processo, desloca-se a 
competência para a Justiça Estadual. Nesse sentido, HC 108.350/STJ. Nesse julgado havia conexão 
entre os crimes de desobediência de servidor federal e crimes ambientais e no curso da ação foi 
declarada a prescrição em relação ao crime de desobediência o que fez com que fosse deslocada a 
competência da J. Estadual. 
 
*Crime cometidos na Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Pantanal, Serra do Mar e Zona Costeira: 
art. 225, §4º da CF. de acordo com tal dispositivo esses são considerados patrimônio nacional. A 
competência nessa hipótese é, de regra da justiça estadual, uma vez que a expressão patrimônio 
nacional não significa patrimônio da União, mas sim patrimônio da nação brasileira. 
 Assim, os crimes cometidos nessas áreas seguem o esquema geral de competência. Isso é 
jurisprudência pacífica no STF e no STJ. 
 
*Crimes cometidos em áreas fiscalizadas por órgão federal, por exemplo, IBAMA e em áreas de 
preservação permanente (APP): de acordo com a jurisprudência do STF e do STJ, o fato de a área ser 
fiscalizada por órgão federal ou ser área de preservação permanente não fixa, por si, só, competência 
da Justiça Federal, isso porque esses casos geram interesse apenas indireto da União. 
 
*Crime cometido em rio estadual, rio interestadual e em mar territorial: ex. crime de pesca 
predatória, de pesca proibida, extração ilegal de areia. O crime praticado em rio estadual é de 
competência da justiça estadual, ainda que sejam utilizados petrechos proibidos em normas federais. 
(STJ, CC. 36.594). 
 Quanto ao crime praticado em rio interestadual ou em mar territorial, a competência será da 
Justiça Federal, uma vez que rio interestadual e mar territorial são considerados patrimônio da União, 
e diante disso há interesse direto e específico da União. Esse é um posicionamento pacífico do STJ. 
 
*Tráfico internacional de animais ou de espécies vegetais: a competência da Justiça Federal 
considerando que o Brasil é signatário de convenções internacionais sobre repressão ao tráfico 
internacional de animais e espécies da flora. 
 Assim, tratando-se de crime a distância e havendo previsão em convenção internacional, a 
competência é da Justiça Federal (art. 109, V da CF). 
 
*Liberação no Meio Ambiente de OGM (Organismo Geneticamente Modificado): é crime previsto no 
art. 27 da Lei 11.105/05 (Lei de Biossegurança), cuja competência é da Justiça Federal. Ex. plantação 
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de soja transgênica sem autorização. Trata-se de competência da Justiça Federal, segundo o STJ uma 
vez que esse crime transcende os interesses do estado, uma vez que suas consequências podem 
atingir a saúde pública de toda a humanidade (CC. 41.301/STJ). 
 Ex. clonagem de seres humanos é crime previsto na referida Lei de Biosegurança. 
 
7.8. Ação Penal: 
 
 Todos os crimes da Lei ambiental são de ação pena pública incondicionada. Atente-se que, 
cabe ação penal privada subsidiária nos casos em que há vítima determinada. 
 
\ufffd\ufffd\ufffd\ufffdDica: todos os crimes previstos em Lei especial são de ação penal pública incondicionada, salvo 
nos casos em que há lesão culposa no trânsito (depende de representação). 
 
7.9. Transação Penal em crimes ambientais de menor potencial ofensivo: 
 
Lei 9.099/95 Lei Ambiental 
Na lei do Jesp Criminal existem dois institutos 
despenalizadores: 
a) Composição civil de danos: é acordo civil 
entre o autor do fato e a vítima ou seu 
representante (art. 74 da Lei 9.099/95). 
b) Transação penal: é acordo feito entre autor 
do fato
Luiza
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