Aprendizagem_e_comportamento_humano
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por fatores culturais, ela se casa mais jovem do
que o homem. Esses dois fatores acabam por gerar as diferenças en-
tre porcentagens de homens e mulheres viúvos.
Com relação à questão de moradia, 40,4% residem com seus côn-
juges. Em seguida, aparece o grupo de alunos que reside sozinho,
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com cônjuges e filhos, aqueles que moram apenas com os filhos e,
por último, os que residem com seus pais. Dez alunos, ou 4,2% do
total, responderam a essa questão dizendo residir em outras confi-
gurações familiares.
Comparando a situação de moradia por gênero e idade, observa-
se novamente uma grande diferença entre homens e mulheres. Quase
dois terços dos homens matriculados no programa vivem com suas
esposas, enquanto 35% das mulheres responderam residir com seus
cônjuges. Em todas as faixas etárias, a proporção de homens que
residem com o cônjuge permanece maior que a observada entre as
mulheres.
Já a porcentagem de homens e mulheres que residem com cônju-
ge e filhos não apresenta diferenças muito importantes. Esses nú-
meros apenas decrescem com o aumento da faixa etária dos alunos,
fato este explicado, provavelmente, em razão da saída de casa dos
filhos e da constituição de novas famílias.
Os alunos do programa da Unati, em sua maioria, são aposenta-
dos e não mais exercem atividades remuneradas (68,8%). Do total,
23,8% não são aposentados e 4,7% responderam ser pensionistas,
porém não informaram o exercício de outro trabalho remunerado.
Sete alunos (ou 2,9%) não responderam a essa questão.
Encontra-se uma maior porcentagem de mulheres que vivem com
seus filhos do que homens vivendo nessa mesma condição. Como o
número de mulheres viúvas é maior que o de homens, talvez, em
razão da perda do cônjuge, as mulheres passem a residir com seus
filhos ou ainda sozinhas. Apenas as mulheres responderam viver com
seus pais, uma vez que esse grupo se constituiu majoritariamente
por pessoas com idade inferior a sessenta anos (o que aumenta a pro-
babilidade de terem pais vivos).
Há predominância de homens aposentados, se comparados à
porcentagem de mulheres aposentadas. Esses dados devem-se, pro-
vavelmente, ao fato de muitas mulheres (especialmente as mais ve-
lhas) não terem exercido, ao longo da vida, trabalho remunerado
oficialmente e que gerasse contribuição previdenciária. Como exem-
plo, dos homens com mais de 71 anos, 100% são aposentados; das
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mulheres nessa mesma faixa etária, apenas 60% são aposentadas.
Dentre o total geral de mulheres, 27,8% responderam ser pensio-
nistas, enquanto apenas 6,5% dos homens encontram-se nessa mes-
ma condição.
Entre as profissões exercidas antes da aposentadoria, o magisté-
rio ocupou a primeira posição. Em seguida, apareceram os grupos
de alunos que não exerciam atividade remunerada antes da aposen-
tadoria (compostos exclusivamente por mulheres), os comerciantes
e pequenos empresários, os profissionais autônomos, os bancários,
os funcionários públicos, os profissionais da área da saúde (médi-
cos, enfermeiros, psicólogos) e o grupo composto por outras profis-
sões. Cerca de 9% dos alunos não informaram, na ficha de inscrição,
a atividade que exerciam.
É importante informar que os grupos compostos por professo-
res, bancários, funcionários públicos e profissionais da área da saú-
de são totalmente formados por profissionais aposentados. Aqueles
que responderam ainda exercer atividade remunerada ocupam car-
gos relacionados ao comércio ou a pequenas empresas e atividades
autônomas.
Esse dado parece relevante na medida em que a participação em
atividades da Unati exige dos alunos disponibilidade de tempo. Sen-
do assim, os alunos não aposentados possuem, mesmo ainda exer-
cendo atividades remuneradas, possibilidade de flexibilização dos
horários de trabalho.
A distribuição dos alunos em porcentagens com relação à renda
familiar concentra-se na faixa entre dois e seis salários mínimos, o
que corresponde a quase 40% do alunado. Em seguida, aparecem os
grupos de alunos com rendimento mensal entre sete e dez salários e
entre 11 e vinte salários mínimos. O número de alunos com renda
inferior a um salário e superior a vinte salários é pouco significativo
e representam, juntos, aproximadamente 10% do total.
A distribuição dos alunos com relação à renda familiar mensal
apresenta diferenças quando analisada por meio das variáveis gêne-
ro e idade. Os homens apresentam os maiores rendimentos men-
sais. Quase 35% deles estão na faixa de 11 e vinte salários. No grupo
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feminino, a maioria se concentra na faixa de dois e seis salários mí-
nimos (43,3%).
Esses resultados, além de indicarem a menor participação da
mulher no exercício de atividades remuneradas, podem refletir a
desvalorização do trabalho feminino e, por consequência, sua me-
nor remuneração, se comparada àquela recebida por trabalhos reali-
zados por homens.
Dos 240 alunos que realizaram matrícula no ano de 2007, 127
disseram possuir algum tipo de problema de saúde. A proporção
entre homens e mulheres com relação à presença de problemas de
saúde é bastante próxima (56,5% dos homens e 52,1% das mulheres
disseram apresentam problemas de saúde). Com o avanço da idade,
há o aumento da presença de problemas de saúde para homens e
mulheres. Contudo, observa-se aumento maior no grupo feminino,
o que se deve, como explica Veras (1994) e Peixoto (2000), à maior
sobrevida das mulheres.
Entre os problemas de saúde mais citados pelos alunos, a hiper-
tensão arterial ocupou o primeiro lugar. Apareceram também pro-
blemas como artrose, diabetes, osteoporose, cardiopatias diversas e
a categoria outros problemas de saúde, a qual contemplava, entre
alguns problemas de saúde citados, problemas psiquiátricos, meta-
bólicos, neoplasmas malignos, alterações em níveis de colesterol e
triglicerídeos no sangue. Cerca de 40% dos alunos (ou 49 alunos)
que responderam afirmativamente a essa questão disseram possuir,
no mínimo, dois tipos de problemas de saúde.
O que os alunos esperam da Unati?
Para avaliar a satisfação dos alunos e os benefícios percebidos a
partir da frequência no programa, e assim obter indicativos a res-
peito do que buscam os alunos idosos ao ingressarem em uma Unati,
todos os alunos matriculados no período em que se deu a coleta de
dados foram convidados a responderem à Escala de Expectativas em
relação ao programa, instrumento elaborado por Neri & Cachioni
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(1999),5 com o objetivo de conhecer em que grau a frequência à Unati
atende às expectativas dos alunos e afeta a experiência do envelheci-
mento em relação ao bem-estar subjetivo e à autoimagem. As análi-
ses que se seguem foram realizadas a partir do cálculo da média arit-
mética dos valores atribuídos pelos alunos aos itens da escala.
Nessa etapa do estudo, participaram trinta alunos idosos dos 175
matriculados no segundo semestre de 2007. Àqueles que aceitaram
participar do estudo foram apresentadas informações sobre o traba-
lho e sobre o caráter voluntário de sua participação, firmado por meio
do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com base na Lei
196/96. Dos participantes, 11 eram do gênero masculino, e 19, do
feminino. A média de idade foi de 63,5 anos.
Percebeu-se que os alunos da Unati avaliaram de maneira muito
similar os quatro primeiros itens da escala, que se referem à satisfa-
ção em frequentar as atividades. A ocupação do tempo livre apare-
ceu como o item melhor avaliado (3,73 em uma escala de cinco pon-
tos, com variação de 0 a 4), seguido pela busca de