Aprendizagem_e_comportamento_humano
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figuras sob controle
condicional da palavra ditada (ensino de relações condicionais audi-
tivo-visuais AB); posteriormente é realizado um pós-teste de no-
meação de figuras (BD) e de leitura de palavras (CD); a seguir, o
participante é exposto ao ensino de relações entre palavra ditada e
palavra impressa (AC), seguido, novamente, pelos pós-testes de
nomeação de figuras (BD) e de leitura de palavras (CD); após o se-
gundo pós-teste de nomeação, é verificada a formação de classes pela
emergência das relações BC e CB, seguido pelos mesmos pós-testes
de nomeação de figuras (BD) e de leitura de palavras (CD); final-
mente, é realizado o ensino da seleção de sílabas (AsCs), seguido
pelos pós-testes de vocalização.
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Os delineamentos adotados por Terra (2010) e por Catunda
(2010) consistem na manipulação dessa sequência de duas formas:
no primeiro caso, o ensino é iniciado pela relação entre palavra dita-
da e palavra impressa (AC), seguido pelo ensino da relação entre
palavra ditada e figura (AB), testes de formação de classes (BC e
CB) e ensino da seleção de sílabas (AsCs), todos intercalados por
pós-testes de nomeação (idem, ibidem); e no segundo caso, o ensino
é iniciado pela relação entre palavra ditada e palavra impressa (AC),
seguido pelo ensino da seleção de sílabas (AsCs), relação entre pala-
vra ditada e figura (AB) e testes de formação de classes (BC e CB)
também intercalados por pós-testes de nomeação (Terra, 2010).
Esses estudos encontram-se em andamento e têm como partici-
pantes crianças de cinco a 13 anos. A Tabela 1 exibe as principais
variáveis controladas nos estudos de Anastácio-Pessan (2010) e
Catunda (2010), assim como os resultados gerais obtidos nos pós-
testes de vocalização conduzidos após cada etapa.
Embora esses estudos ainda estejam em andamento, os dados
ilustrativos do desempenho dos participantes, exibidos na Tabela 1,
evidenciam uma melhora progressiva na qualidade da realização de
tarefas de vocalização da primeira até a última sondagem do pós-
teste de nomeação. Uma hipótese explicativa para esse aumento na
porcentagem de acertos poderia ser em função das exposições su-
cessivas aos blocos de ensino seguidos de testes de nomeação, mais
do que pela inserção da variável palavra ou sílaba impressa, se forem
considerados os estudos de Anastácio-Pessan (2010) e de Catunda
(2010). Isso porque a melhora no desempenho de nomear é obser-
vada, gradualmente, ao longo das etapas de ensino e não há um
aumento na porcentagem de acertos após a aprendizagem de uma
relação condicional em particular. Os resultados do delineamento
conduzido por Mares (2009), em um estudo em andamento, aliados
aos demais resultados com um maior número de participantes nes-
ses delineamentos, poderão revelar os efeitos sobre a nomeação após
o ensino de deleção de palavras impressas e de sílabas.
Ainda considerando a melhora no comportamento de nomear
figuras, outra pergunta pertinente é se a imitação vocal seria condi-
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ção suficiente para que a nomeação ocorresse em implantados
cocleares pré-linguais. Estudos mais sistemáticos sobre essa condi-
ção e que são conduzidos por esse grupo serão descritos a seguir.
(b) Modelagem da resposta vocal pela imitação de palavras.
Ao se considerar as condições de estabelecimento da fala inteli-
gível, não há como se negar o papel da emissão de respostas sucessi-
vas do vocalizar para que estas sejam, gradativamente, emitidas com
a topografia mais próxima das convenções estabelecidas pela comu-
nidade verbal de que o indivíduo participa. Considerando a topo-
grafia vocal como alvo de intervenção, há estudos que têm como
objetivo verificar se a imitação de palavras seria condição para que o
repertório em nomeação após o ensino de seleção de figuras ocorres-
se com maior correspondência pontual.
O ensino da imitação de palavras poderia se constituir em uma
condição importante para a emergência da nomeação se três rela-
ções fossem estabelecidas: (1) se uma resposta vocal é colocada sob
controle da palavra ditada (categoria de comportamento verbal de-
finida como ecoico); (2) se a seleção de uma figura ocorresse sob con-
trole condicional da palavra ditada correspondente; e se (3) a vocali-
zação com correspondência pontual à palavra ditada fosse emitida,
agora, na presença da figura.
Eikeseth & Nesset (2003) investigaram a eficácia do ensino de
imitação vocal em crianças com distúrbios fonoaudiológicos (forma
inadequada de produzir e usar os sons, ou ainda, omitir sons das
palavras. Por exemplo, dizer faca em vez de vaca e dizer peda em vez
de pedra). Os resultados mostraram que o treino de ecoico melho-
rou a articulação em todos os participantes e essa melhora se mante-
ve após seis meses. No entanto, é importante observar que essa po-
pulação tinha dificuldades na linguagem expressiva, e não que não
possuía nenhum tipo de distúrbio em relação à audição.
Considerando os baixo desempenho em nomeação obtido em
estudos anteriores (Almeida-Verdu et al., 2008a; Battaglini, 2010;
Gaia, 2005), um estudo preliminar explorou se o comportamento
ecoico afetaria de forma positiva o desempenho de nomeação de fi-
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guras após o ensino de relações auditivo-visuais (Almeida-Verdu et
al., 2008b).
Almeida-Verdu et al. (idem) ensinaram o comportamento ecoico
para crianças pré-linguais em duas condições: 1) durante o estabele-
cimento de discriminações condicionais e 2) antes do estabelecimento
de discriminações condicionais. Após o ensino do ecoico, os partici-
pantes receberam o ensino de relações auditivo-visuais e foram ava-
liados em formação de classes e nomeação de figuras. Foram demons-
trados resultados positivos em todas as etapas de ensino e teste e, no
caso particular de nomeação de figuras, demonstrou-se que após o
ensino sistematizado de imitação vocal, independente da condição,
o desempenho em testes de nomeação melhorou consideravelmen-
te. O ensino do comportamento ecoico antes ou durante as relações
auditivo-visuais foi condição relevante para que a nomeação de fi-
guras com correspondência ponto a ponto com as convenções esta-
belecidas pela comunidade verbal fosse obtida.
Com o objetivo de explorar o papel do comportamento ecoico de
forma mais sistemática, Souza (2010) fez um delineamento que con-
sistiu de (1) um pré-treino com a finalidade de ensinar a tarefa de
emparelhamento de acordo com o modelo; (2) um pré-teste que ava-
liou o repertório de entrada em reconhecimento auditivo, nomeação
e ecoico e selecionou três palavras com baixa porcentagem de acer-
tos que foram utilizadas no ensino; (3) o ensino de seleção de uma
figura dentre três possíveis sob