Aprendizagem_e_comportamento_humano
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Aprendizagem_e_comportamento_humano


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2000.
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176 TÂNIA GRACY MARTINS DO VALLE E ANA CLÁUDIA BORTOLOZZI MAIA (ORGS.)
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RECONSTRUÇÃO CONCEITUAL
DO PRESTAR ATENÇÃO NA
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO1
Bruno Angelo Strapasson e Kester Carrara 2
Introdução
A \u201catenção\u201d, seja como uma capacidade mental, como um com-
portamento ou como uma condição para um comportamento, é um
termo largamente utilizado tanto na linguagem coloquial quanto na
científica. Na literatura psicológica, seu uso é comum e refere-se,
normalmente, a algum processo cognitivo de seleção dos estímulos
aos quais um organismo deve responder. A Análise do Comporta-
mento (AC), de B. F. Skinner, é uma perspectiva psicológica que
rejeita explicações cognitivas como entidades iniciadoras do com-
portamento e, portanto, rejeita a noção de que o \u201cprestar atenção\u201d
possa ser entendido como uma instância mental selecionadora de
estímulos. Por outro lado, Strapasson & Dittrich (2008) indicam que
Skinner atribuía grande importância ao estudo do tema, interpre-
tando teoricamente esse fenômeno em diversos momentos de sua
1 Este texto é derivado da dissertação de mestrado do primeiro autor, sob
orientação do segundo. Os autores agradecem à Fapesp e ao CNPq pelo apoio
recebido.
2 Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Apren-
dizagem da Unesp \u2013 Bauru.
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178 TÂNIA GRACY MARTINS DO VALLE E ANA CLÁUDIA BORTOLOZZI MAIA (ORGS.)
obra. Entretanto, Skinner nunca pesquisou empiricamente quais
seriam as propriedades desse comportamento.
Este trabalho pretende analisar os usos da expressão \u201cprestar
atenção\u201d na literatura da AC na tentativa de avaliar a coerência en-
tre as propostas de estudo do tema desenvolvidas por analistas do
comportamento inspirados em Skinner e a filosofia que subjaz à AC,
o Behaviorismo Radical. Espera-se criar, com este texto, subsídios a
serem utilizados (1) pelo professor que ensina AC quando este é
imbuído da tarefa de ensinar o que é o \u201cprestar atenção\u201d para esta
perspectiva e (2) pelo professor de outras áreas que precise explicar
qual é a visão da AC para o referido fenômeno.
A AC como disciplina científica deve avaliar as práticas de seus
próprios membros nos mesmos termos que utiliza para avaliar os
comportamentos de outrem, cientistas ou não (Hineline, 1992).
Nesse sentido, a avaliação do \u201cprestar atenção\u201d na AC perpassa a
análise do comportamento verbal dos próprios analistas do compor-
tamento. Tal tarefa se mostra importante ao se constatar que diver-
sos autores da área utilizam a expressão \u201cprestar atenção\u201d sob con-
trole de eventos diferentes. Por vezes tenta-se estabelecer uma
identidade entre o \u201cprestar atenção\u201d e alguns processos comporta-
mentais como controle de estímulos (Skinner, 1953/1965, 1971/
2002; Donahoe, Palmer & Burgos, 1994; Sério, et al., 2002), o que
tornaria a expressão desnecessária. Outras vezes o \u201cprestar atenção\u201d
é considerado como um comportamento em si mesmo, como um caso
de resposta de observação (Wyckoff, 1952; Skinner, 1954/1999;
1957/1999; 1961/1999; 1968; Shahan, et al., 2003). Há, ainda, quem
defenda que o \u201cprestar atenção\u201d deve ser interpretado como um pro-
cesso cerebral, não observável diretamente, ainda que, hipotetica-
mente, seja governado pelos mesmos princípios do comportamento
operante aberto (Dinsmoor, 1985).
A diversidade de interpretações disponíveis denuncia a dificul-
dade da AC em explicar os eventos tradicionalmente considerados
mentais. O desacordo entre os analistas do comportamento sobre
quais relações comportamentais estão envolvidas no fenômeno
\u201cprestar atenção\u201d dificulta também a comunicação entre os próprios
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pesquisadores e entre eles e as comunidades científicas afins: Psi-
quiatria, Neurologia etc. Neste texto, utilizar-se-á da estratégia de
reconstrução conceitual, tal como proposta por Zuriff (1985), para
avaliar o quanto as proposições conceituais presentes na literatura
da AC sobre o \u201cprestar atenção\u201d são coerentes com os pressupostos
filosóficos do Behaviorismo Radical.
Considerações preliminares
Como demonstraram Strapasson & Dittrich (2008), Skinner trata
do \u201cprestar atenção\u201d em diversos momentos de sua obra. Entretan-
to, dispõe diferentes interpretações em seus textos. A possibilidade
de se encontrar uma coerência interna na obra do autor foi analisada
alhures (idem, ibidem). Neste trabalho, os argumentos de Skinner
serão considerados apenas na medida em que contribuírem para a
reconstrução conceitual aqui empreendida. Outra consideração a ser
explicitada é que este texto é produto de uma análise sistemática da
literatura (Strapasson, 2008), entretanto a abrangência e estratégias
metodológicas adotadas em tal revisão não serão aqui apresentadas.
Essa opção se expressa no uso seletivo da bibliografia, de modo que
se fará referência apenas às exposições mais emblemáticas dos argu-
mentos aventados. Caso o leitor se interesse por detalhes da revisão
ou por quais são os textos representativos de cada posição discutida,
sugere-se recorrer a Strapasson (2008).
O \u201cprestar atenção\u201d na AC
Os analistas do comportamento têm investigado o \u201cprestar aten-
ção\u201d a partir de três níveis diferentes de análise: (1) como equivalen-
te à relação de controle de estímulos, (2) como equivalente à respos-
ta de observação e (3) como um comportamento precorrente
encoberto capaz de interferir no estabelecimento da relação de con-
trole de estímulos.
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