Historia Economica do Brasil
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Historia Economica do Brasil


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matas para fornecimento de lenha e madeira 
de construção. A grande propriedade açucareira é um verdadeiro 
mundo em miniatura em que se concentra e resume a vida toda de uma 
pequena parcela da humanidade. 
O número de trabalhadores é naturalmente variável. Nos bons 
engenhos, os escravos são de 80 a 100. Chegam às vezes a muito 
mais; há notícias, embora isto já se refira ao século XVIII, de 
engenhos com mais de 1.000 escravos. Os trabalhadores livres são 
raros, apenas nas funções de direção e nas especializadas: feito-
res, mestres, purgadores, caixeiros (são os que fazem as caixas em 
que o açúcar é acondicionado), etc. São, aliás, mais freqüentemen-
te, antigos escravos libertos. 
Além do açúcar, extrai-se também da cana a aguardente. É um 
subproduto de grande consumo na colônia, e que se exportava para 
as costas da África, onde servia no escambo e aquisição de escra-
vos. A par das destilarias de aguardente anexas aos engenhos, há 
os estabelecimentos próprios e exclusivos para este fim; são as 
engenhocas ou molinetes, em regra de proporções mais modestas que 
os engenhos, pois as instalações para o preparo da aguardente são 
muito mais simples e menos dispendiosas. A aguardente é uma produ-
ção mais democrática que o aristocrático açúcar. Há no entanto 
destilarias com dezenas de escravos. 
Durante mais de século e meio a produção do açúcar, com as ca-
racterísticas assinaladas, representará praticamente a única base 
em que assenta a economia brasileira. Aliás sua importância, mesmo 
internacional, é considerável. Até meados do séc. XVII o Brasil 
será o maior produtor mundial de açúcar, e é somente então que co-
meçarão a aparecer concorrentes sérios: as colônias da América 
Central e Antilhas. Contando com tal fator, a colonização brasi-
leira, superados os problemas e as dificuldades do primeiro momen-
to, desenvolveu-se rápida e brilhantemente, estendendo-se cada vez 
mais para novos setores. E cada extensão corresponde efetivamente 
a um alargamento da área canavieira. Os dois grandes núcleos ini-
ciais estão, como já foi referido, na Bahia e em Pernambuco. Num 
segundo plano está São Vicente. De Pernambuco, a colonização se 
alargou para o sul e norte, acompanhando sempre a fímbria costei-
ra; para o interior esbarraria com a zona semi-árida do sertão 
nordestino. Na direção setentrional interrompe-se a expansão no 
Rio Grande do Norte; além, desaparecem os solos férteis, que são 
substituídos por extensões arenosas impróprias para qualquer forma 
de agricultura. Somente pequenos núcleos de importância mínima vão 
surgir esparsos na costa setentrional do Brasil: no Maranhão, na 
foz do rio Amazonas. 
Na Bahia o movimento mais ou menos estacionou em torno da baía 
de Todos os Santos; mas tomará tamanho vulto que não será superado 
por nenhum outro setor da colônia. Localiza-se aí o maior centro 
produtor. Na costa meridional da Bahia (Porto Seguro, Ilhéus) for-
mam-se pequenos centros açucareiros; mas a hostilidade permanente 
dos índios, bem como outras condições menos favoráveis, como a 
qualidade do solo, impediram qualquer progresso apreciável. No Es-
pírito Santo dá-se mais ou menos a mesma coisa. Para o sul, final-
mente, a produção de açúcar concentrar-se-á na vizinhança do Rio 
de Janeiro e em São Vicente. Também estes centros, devido sobretu-
do à sua posição excêntrica e afastamento dos mercados europeus 
onde se consumia o açúcar brasileiro, não gozarão nesta primeira 
fase da história brasileira de grande prosperidade. Até o séc. 
XVIII permanecerão num apagado segundo plano. 
Além do açúcar, embora em escala relativamente pequena, come-
çará a cultivar-se também, desde princípios do séc. XVII, o taba-
co. Trata-se, como se sabe, de uma planta indígena da América, e 
cujo produto teve logo crescente aceitação na Europa. Mas não é só 
com este objetivo que se cultivou no Brasil, e sim também para ser 
utilizada no tráfico de escravos; o tabaco servirá para adquiri-
los pelo escambo na costa da África, e será em grande parte em 
função deste negócio que se desenvolverá a cultura brasileira. 
Quando em princípios do séc. XIX começam a se estabelecer restri-
ções ao tráfico, a produção entrará paralelamente em crise. Mas 
até esta época será próspera, e embora de segundo plano e muito 
inferior à do açúcar, merece algum destaque. 
O centro principal da produção é na Bahia, e como a do açúcar 
desta região, no contorno do Recôncavo, particularmente na vila de 
Cachoeira. Outras zonas produtoras serão em Sergipe e Alagoas. 
 
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Atividades Acessórias 
 
 
 
 
NUMA ECONOMIA como a brasileira \u2014 particularmente em sua pri-
meira fase \u2014 é preciso distinguir dois setores bem diferentes da 
produção. O primeiro é dos grandes produtos de exportação, como o 
açúcar e o tabaco, que vimos no capítulo anterior; o outro é das 
atividades acessórias cujo fim é manter em funcionamento aquela 
economia de exportação. São sobretudo as que se destinam a forne-
cer os meios de subsistência à população empregada nesta última, e 
poderíamos, em oposição à outra, denominá-la economia de subsis-
tência. A distinção é muito importante, porque além das caracte-
rísticas próprias que acompanham um e outro setor, ela serve para 
conclusões de grande relevo na vida e na evolução econômica da co-
lônia. No primeiro capítulo em que procurei destacar o caráter ge-
ral da colonização brasileira, já se verificou que ele é o de uma 
colônia destinada a fornecer ao comércio europeu alguns gêneros 
tropicais de grande expressão econômica. É para isto que se cons-
tituiu. A nossa economia subordinar-se-á por isso inteiramente a 
tal fim, isto é, se organizará e funcionará para produzir e expor-
tar aqueles gêneros. Tudo mais que nela existe, e que, aliás, será 
sempre de pequena monta, é subsidiário e destinado unicamente a 
amparar e tornar possível a realização daquele objetivo essencial. 
Inclui-se aí a economia de subsistência de que trataremos ago-
ra. Ao contrário da cana-de-açúcar, onde encontramos a exploração 
em larga escala, neste setor são outras formas e tipos de organi-
zação que vamos observar. Eles são aliás variáveis. Encontramos a 
produção de gêneros de consumo, em primeiro lugar, incluída nos 
próprios domínios da grande lavoura, nos engenhos e nas fazendas. 
Estes são em regra autônomos no que diz respeito à subsistência 
alimentar daqueles que os habitam e neles trabalham. Praticam-se 
aí, subsidiariamente, as culturas necessárias a este fim, ou nos 
mesmos terrenos dedicados à cultura principal, e entremeando-a, ou 
em terras à parte destinadas especialmente a elas. Parte é reali-
zada por conta do proprietário, que emprega os mesmos escravos que 
tratam da lavoura principal e que não estão permanentemente ocupa-
dos nela; outra, por conta dos próprios escravos, aos quais se 
concede um dia por semana, geralmente o domingo, e até às vezes, 
no caso de um senhor particularmente generoso, mais outro dia 
qualquer, para tratarem de suas culturas. Assim, de um modo geral, 
pode-se dizer que a população rural da colônia ocupada nas grandes 
lavouras e que constitui a quase totalidade dela, provê suficien-
temente a sua subsistência com culturas alimentares a que se dedi-
ca subsidiariamente, e sem necessidade de recorrer para fora. 
Não está nestas condições a urbana. É certo que no primeiro 
século e meio da colonização os centros urbanos são muito peque-
nos. Assim mesmo, incluem uma população dedicada sobretudo à admi-
nistração e ao comércio que não tem tempo nem meios para ocupar-se 
de sua subsistência, e cujo número é suficiente para fazer sentir 
o problema da sua manutenção. Em parte, abastecem-na com