Historia Economica do Brasil
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1766 a medida será ampliada e estendi-
da para a Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. 
Em suma, achava-se ainda a indústria brasileira, em princípios 
do século passado, em seus primeiros e mais modestos passos. É 
mesmo só com esforço de imaginação que podemos assimilar as rudi-
mentares atividades descritas com o que propriamente entendemos 
por "indústria".Vimos a parte de responsabilidade que cabe por is-
so à política metropolitana e que não é pequena. Mas seria um erro 
atribuí-lo unicamente às leis e atos oficiais que não constituem 
senão um aspecto, e dos menos profundos, do sistema geral que pre-
sidiu à colonização do Brasil. Se a situação política e adminis-
trativa do país, simples colônia de uma metrópole ciosa de seus 
privilégios e de vistas muito pouco largas, constitui óbice muito 
sério oposto ao seu desenvolvimento industrial, muito mais contri-
buiu para isto o regime econômico, matéria em que não teríamos a-
qui senão de repisar considerações já feitas acima e que mostram 
os estreitos horizontes desta colônia produtora de alguns gêneros 
tropicais destinados precipuamente à exportação. 
 
TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES 
 
Houve quem afirmasse que "o caminho cria o tipo social"; certo 
ou errado, uma coisa entretanto é sem dúvida verdadeira: a influ-
ência considerável que as comunicações e transportes exerceram so-
bre a formação do Brasil. As distâncias enormes, os obstáculos o-
postos ao trânsito num território como o nosso, de relevo aciden-
tado, de coberturas florestais, nos pontos estratégicos, de difí-
cil penetração, com uma linha costeira tão parcamente endentada, e 
rios, com poucas exceções, de curso cheio de acidentes e traçado 
infeliz para os rumos que a colonização tomou; de tudo isto vão 
resultar comunicações difíceis e morosas que imprimem às relações 
da colônia um ritmo lento e retardado, responsável certamente em 
grande parte por este tom geral de vida frouxa que caracteriza o 
país. 
Para compreender o sistema de comunicações da colônia, ve-
jamos, em síntese, como se formou e evoluiu. O seu desenvolvimento 
acompanha naturalmente a progressão do povoamento. Este se instala 
primeiro no litoral, e partindo daí, penetra o interior, ou pro-
gressivamente (com se deu com as fazendas de gado do Nordeste), ou 
bruscamente, espalhando por ele núcleos mais ou menos afastados do 
mar (o caso das minas de ouro é característico desta forma de dis-
persão do povoamento). As vias de comunicação terão estas mesmas 
direções iniciais. Algumas se farão por água, como no Amazonas; a 
maior parte, contudo, será por terra, porque com a exceção citada, 
nenhum outro grande rio ou sistema hidrográfico aproveitável de-
semboca na costa brasileira; particularmente na proximidade dos 
grandes centros litorâneos em que se fixou a colonização: Pernam-
buco, Bahia, Rio de Janeiro. 
Estas vias penetradoras, sejam por terra, sejam pelos rios, e 
que articulam e ligam o litoral com o interior, todas elas inde-
pendentes entre si, vão dar numa disposição fragmentária das comu-
nicações em que cada qual, por si e sem conexão direta com as de-
mais, forma um pequeno sistema autônomo constituído de seus dois 
extremos, litoral e interior, ligados pela via e levando uma vida 
mais ou menos à parte. Esses sistemas se sucedem de norte a sul ao 
longo de toda costa brasileira, desde o mais setentrional, insta-
lado na bacia amazônica, até o último ao sul, no Rio Grande. Eles 
se articulam entre si, a princípio, unicamente pela via marítima, 
que é a que mantém a unidade de todo. Mas à medida que o povoamen-
to penetra o interior, e com ele as vias que o acompanham, estas, 
embora partindo de pontos do litoral às vezes muito apartados um 
do outro, acabam convergindo no interior. Este fato, que terá 
grande importância na cimentação interna e unidade do país, se de-
ve a duas circunstâncias geográficas particulares: em primeiro lu-
gar, à configuração geral do território brasileiro, limitado por 
uma linha costeira que muda abruptamente de direção na altura de 
5º Lat. S. onde passa de NO a NE. Embora mantendo a perpendicula-
ridade à costa, as vias de penetração partidas respectivamente do 
litoral norte e leste, acabarão naturalmente unindo-se no interi-
or. É o que se observa efetivamente no território do Nordeste bra-
sileiro, desde o Maranhão até a Bahia, onde vamos encontrar uma 
série de circuitos que pelo interior unem, entre si, os núcleos 
das costas leste e norte. No mapa o leitor poderá acompanhar estes 
circuitos. 
O outro fator de convergência das linhas penetradoras é o cur-
so dos grandes rios, e portanto a orientação do relevo, que diri-
giram a marcha do povoamento. Verificamo-la nas vias que do lito-
ral Centro-Sul demandam as capitanias de Goiás e Mato Grosso, e 
que aí se encontram com outras que no litoral Extremo-Norte pene-
tram pelo Amazonas, tomando em seguida pelos grandes afluentes da 
margem direita deste: o Tocantins, o Tapajós e o Madeira, cujas 
cabeceiras são naquelas capitanias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Traçado esquemático das grandes comunicações internas, terrestres e fluviais, do Brasil colônia. 
 
Constituem-se assim as grandes linhas de comunicação trans-
continental que de costa a costa, pelo interior da colônia, a en-
trelaçam de norte a sul num vasto sistema que duplica a linha ma-
rítima e costeira, a única existente de início. Tal processo, que 
vem desde os primeiros anos da colonização, completando-se por 
partes sucessivas, chega a seu termo na segunda metade do séc. 
XVIII. É neste momento que se abrem as comunicações pelos grandes 
tributários do Amazonas (Tocantins, Tapajós, Madeira). Estava rea-
lizada a grande obra de articulação interior de todo o território 
da colônia. Pela mesma época instalar-se-á também um caminho ter-
restre ligando o Rio Grande do Sul a São Paulo, e englobando assim 
no sistema de comunicações interiores do Brasil a sua extremidade 
meridional. 
É esta, em linhas gerais, a estrutura fundamental da viação 
interna do país. Pode-se desde logo imaginar, dada a sua conside-
ráve1 extensão relativamente à reduzida população colonial, suas 
precárias condições técnicas. Dois tipos de vias eram utilizadas: 
fluviais e terrestres. Os rios brasileiros, como referi acima, são 
com raríssimas exceções muito impróprios à navegação. Salva-se u-
nicamente uma parte (se bem que considerável) da bacia amazônica. 
Quase todos os demais rios brasileiros, correndo em território em 
regra muito acidentado, têm seu curso interrompido continuamente 
por saltos e corredeiras. Daí a impossibilidade do emprego de em-
barcações de vulto, pois é necessário contornar aqueles obstáculos 
por terra, levando às costas as barcas e suas cargas. Acresce que 
apesar do volume das águas, elas se espalham freqüentemente em su-
perfície, dando calado pequeno. Usam-se por isso "canoas", tipo de 
embarcação indígena de fundo chato, talhada num único tronco in-
teiriço de árvore, e que oferece por isso dupla vantagem: grande 
resistência e pequeno calado. Há canoas cujo comprimento atinge 50 
a 60 pés, com 5 de largo, e 3 a 4 de fundo. 
A navegação ainda é dificultada pela extrema irregularidade do 
regime fluvial em clima tropical como o do Brasil. Na estação das 
chuvas, as águas se avolumam e tomam caráter semitorrencial; na 
seca, pelo contrário, o leito do rio fica meio descoberto, as ro-
chas do fundo afloram na superfície, semeando o percurso de obstá-
culos perigosos, não raro intransponíveis,