Historia Economica do Brasil
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Historia Economica do Brasil


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foi ministro de Estado 
e diretor geral da política portuguesa até sua morte, ocorrida em 
1817, meter-se-á no Brasil em grandes negócios, adquirindo estân-
cias de gado no Rio Grande do Sul e envolvendo-se no comércio de 
couros. O próprio Regente, logo depois Rei D. João VI com a morte 
da Rainha sua mãe, ocorrida em 1816, não escondia suas preferên-
cias pela nova pátria. Homem pacífico e indolente por natureza, 
sorria-lhe muito mais a suave existência que desfrutava no Rio de 
Janeiro, longe dos angustiosos problemas em que se debatia a Euro-
pa, que enfrentar as atribulações e agitações que o esperavam em 
Lisboa. Somente se decidirá a partir quando a revolução portugue-
sa, vitoriosa em 1820, abala-lhe os fundamentos do trono e lhe põe 
em risco a coroa. 
Nestas condições, é compreensível que a política e administra-
ção portuguesas com relação ao Brasil, caracterizadas até então 
pela ignorância completa de seus interesses próprios, e dominadas 
unicamente por influências metropolitanas, pendessem agora mais 
para a colônia. Assim se verifica efetivamente, pois ao mesmo tem-
po que vemos os interesses portugueses ao abandono (como se deu no 
citado exemplo das tarifas alfandegárias), os brasileiros eram 
tratados com atenção. No terreno econômico, sucedem-se as medidas 
que não somente libertam a colônia dos entraves que três séculos 
de sujeição tinham acumulado em oposição ao seu livre desenvolvi-
mento (entre outras a revogação da lei que proíbe as manufaturas), 
como também as que procuram estimular as atividades do país. Cons-
troem-se estradas (as primeiras de boa qualidade no Brasil), me-
lhoram-se os portos (como o de Recife), introduzem-se novas espé-
cies vegetais (entre outras o chá), promove-se a imigração de co-
lonos europeus, tenta-se aperfeiçoar a mineração do ouro. Estes 
são apenas exemplos colhidos quase ao acaso. De um modo geral, a 
administração da corte portuguesa no Brasil velará, embora dentro 
das possibilidades limitadas de um aparelhamento burocrático one-
roso, complexo e muito ineficiente, pelos interesses da colônia. 
Os resultados, muitas vezes sobrestimados, não deixaram contudo de 
contribuir para o desenvolvimento econômico do Brasil; e sobretudo 
assinalam um primeiro passo nesta grande transformação que se ia 
operar no país. 
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Efeitos da Libertação 
 
 
 
 
O ESTÍMULO econômico trazido pela liberdade comercial e demais 
medidas resultantes da transferência da corte para o Brasil, se 
revela nos dados do comércio exterior, índice fundamental numa e-
conomia como a nossa. As estatísticas que possuímos para a época 
não são completas nem muito seguras. Pode-se contudo aceitar algu-
mas pelo menos para orientação. Assim em 1812, a exportação cifra-
se em cerca de 4.000 contos de réis, e a importação em 2.500; em 
1816 estes números sobem respectivamente para 9.600 e 10.300; e em 
1822 (ano em que foi proclamada a Independência), 19.700 e 22.500. 
A ascensão continua em seguida ininterruptamente. Isto se deve em 
parte, é verdade, à desvalorização da moeda que em ouro vai num 
contínuo declínio. Mesmo contudo com esta desvalorização monetá-
ria, o progresso do intercâmbio exterior do Brasil é muito gran-
de
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. 
Aliás o progresso econômico do país é geral, e em todos os se-
tores sente-se o influxo da grande transformação operada pela re-
vogação da política de restrições que até 1808 pesara sobre a co-
lônia. O depoimento deixado por grande número de viajantes estran-
geiros que por esta época percorreram o Brasil graças à tolerância 
antes inexistente e que agora lhes abria as portas do país, é o 
mais positivo e concludente. Mas este desdobramento de atividades 
econômicas não deixa de ser acompanhado de graves perturbações. A 
mais geral e profunda observar-se-á na balança comercial externa. 
Dentro da antiga mediocridade da vida colonial, e graças a ela, 
achavam-se ao menos equilibradas as nossas contas externas. A uma 
produção embora sem grande vulto, e ainda amputada largamente no 
seu valor e rendimento pelos proveitos extorsivos do comércio por-
tuguês e pela voracidade do fisco, que drenavam para a metrópole 
boa parte deles, correspondia um padrão de vida na colônia também 
medíocre. A pequena entrada efetiva de numerário era assim compen-
sada por importações também reduzidas. 
A franquia dos portos e a transformação dos hábitos que re-
sulta dos novos contactos com o estrangeiro e do exemplo de uma 
corte que embora longe de faustosa, aberrava contudo inteiramente 
de quanto a colônia conhecera até então, estimulam largamente as 
necessidades e o consumo do país; e isto muito mais ativa e rapi-
damente que sua capacidade produtiva, cujo progresso dependia de 
fatores mais complexos que operariam lentamente. Deriva daí, como 
conseqüência imediata que se faria profundamente sentir, o dese-
quilíbrio da vida financeira do país. O comércio internacional do 
Brasil se torna quase permanentemente deficitário. Entre 1821 (a 
 
30 Em libras esterlinas-ouro os dados são os seguintes: 
ANOS EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO 
1812........................ 1.233.000 770.000 
1816........................ 2.330.000 2.500.000 
1822........................ 4.030.000 4.590.000 
partir de quando possuímos estatísticas anuais e regulares) e 1860 
(quando por causas que ainda veremos a situação se inverte) só ex-
cepcionalmente ocorrem anos com balanços positivos; e este período 
se encerra com um deficit global de 233.923 contos de réis. E no-
temos que aí não está computada a importação de escravos africanos 
que representa cifras consideráveis, embora difíceis de precisar. 
Podem-se avaliar as perturbações produzidas por este desequi-
líbrio comercial crônico num país que não contava com outros in-
gressos exteriores normais além dos provenientes da exportação. O 
deficit será saldado pelo afluxo de capitais estrangeiros, sobre-
tudo empréstimos públicos, que efetivamente começam a encaminhar-
se para o Brasil desde que o país é franqueado ao exterior. Mas 
isto representava apenas solução provisória que de fato ia agra-
vando o mal para o futuro, pois significava novos pagamentos sob 
forma de juros, dividendos, amortizações, e portanto novos fatores 
de desequilíbrio da balança externa de contas. A economia brasi-
leira ficará na dependência de um afluxo regular e crescente da-
queles capitais estrangeiros de que não poderá mais passar sem as 
mais graves perturbações; e estas se verificarão cada vez que por 
um ou outro motivo tal afluxo é interrompido ou diminui seu ritmo. 
Mas este mesmo afluxo não impedirá a drenagem de todo ouro e-
xistente e daquele que continuava a ser produzido no país. Pouco 
depois da transferência da corte, o ouro terá desaparecido da cir-
culação, e a produção das minas brasileiras, aliás muito reduzida, 
não chegava nem a aparecer nela. Substituem-no a princípio os já 
referidos pesos espanhóis de prata; mesmo estes contudo começarão 
logo a escassear, e em seu lugar aparecerá uma moeda depreciada de 
cobre; e finalmente papel-moeda de valor instável e sempre em ace-
lerado declínio. 
Nestas condições toma-se evidentemente impossível o estabele-
cimento de um sistema monetário sólido e são. Já não me refiro ao 
controle do volume da circulação que dependerá sempre de circuns-
tâncias ocasionais e estranhas às verdadeiras necessidades das 
transações; mas ao valor da moeda cujas oscilações serão da maior 
violência e precipitando-se numa rápida linha descendente. Em 1808 
o mil-réis valia em moeda inglesa (é a equivalência oficial