UFERSA - Aula de Dir. Empresarial ALUNO 2013.2
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cambiárias são abstratas, ou seja, uma vez emitido um título, o mesmo desprende-se da sua origem (chamada de relação fundamental).
> O título é um documento constitutivo de um direito novo, não sendo consubstanciado na relação causal que o originou.
> O título basta-se a si mesmo, os direitos inerentes ao título independem de sua causa debendi. 
> O direito do seu beneficiário atual não pode ser anulado em virtude das relações existentes entre os seus antigos titulares e o devedor da obrigação.
> As obrigações decorrentes do título terão que ser cumpridas, não se admitindo a recusa baseada na causa que o originou. 
- Atenção: o princípio da abstração somente passa a viger quando o título circula por endosso.
- Abstração  -  significa que o título, uma vez endossado, liberta-se da causa que lhe deu origem.
4.3 Características dos Títulos de Crédito.
I \u2013 Cartularidade.
- Em regra, exige-se a apresentação do documento original para o exercício do direito de crédito.
- A exigência é feita para evitar que o mesmo título possa ser cobrado várias vezes.
II \u2013 Força Executiva.
- Títulos de crédito são equiparados a uma decisão judicial com trânsito em julgado ou sentença judicial irrecorrível.
- São títulos executivos extrajudiciais.
III \u2013 Circulabilidade.
- Podem ser transferidos, mudando de titularidade com muita facilidade, por meio do endosso.
4.4 Requisitos formais indispensáveis:
> Denominação do título
> Assinatura do emissor
> Identificação de quem deve pagar,
> Valor a pagar
> Data de vencimento
> Data de emissão
- A ausência destes requisitos pode gerar a nulidade do título. 
4.5 A Classificação dos Títulos de Crédito.
4.5.1 Quanto ao modelo:
a) Modelo livre: são os títulos cuja forma não precisa observar um padrão normativamente estabelecido.
> Não significa que não tenha requisitos essenciais, mas apenas que podem ser dispostos livremente no documento.
> Ex.: Letra de Câmbio e Nota Promissória. 
b) Modelo vinculado: aqueles para os quais a lei definiu um padrão formal de preenchimento dos requisitos, não podendo ser modificado pelo emissor.
> Ex.: Cheque e Duplicata Mercantil.
4.5.2 Quanto à estrutura.
a) Ordem de pagamento.
> Nesses títulos, há uma ordem de pagamento a ser cumprida por terceiros.
> É o caso do cheque, da letra de câmbio e das duplicatas mercantis.
> Neles se verifica a existência de três personagens cambiários com situações jurídicas diferentes.
> Analisando-se, por exemplo, o cheque. Nele tem-se:
1 \u2013 O emitente: é a pessoa que assina o cheque, dando assim a ordem de pagamento. Observe que no cheque vem escrito: \u201cpague por este cheque a quantia de...\u201d 
- Temos, então, uma ordem dada ao Banco, que poderia ser colocada nos seguintes termos: Banco, pague por este cheque a quantia de ...
2 \u2013 O sacado: é o Banco, ou seja, a pessoa jurídica que deve cumprir a ordem de pagamento expressa no cheque. É do Banco que será retirado (sacado) o valor escrito no cheque.
3 \u2013 O tomador ou beneficiário: é a pessoa que se beneficia da ordem de pagamento. É quem recebe o valor expresso no cheque.
b) Promessa de pagamento.
> Nesses títulos, existe uma promessa de pagamento que deverá ser cumprida pelo próprio emitente e não por terceiros.
> É o caso da Nota Promissória, somente ela!
> Observe que na nota promissória não vem escrito \u201cpague-se\u201d, mas \u201cpagarei\u201d: o verbo está na primeira pessoa do singular (eu pagarei).
> Na promessa de pagamento podemos identificar a presença de apenas dois personagens:
1 \u2013 O emitente: é a pessoa que emite a promessa de pagamento em nome próprio, isto é, na primeira pessoa do singular (eu pagarei). O emitente é o devedor da obrigação. 
2 \u2013 O beneficiário: é a pessoa que se beneficia da promessa de pagamento. É o credor do título.
4.5.3 Quanto às hipóteses de emissão.
a) Título causal.
> É aquele que somente pode ser emitido se ocorrer o fato que a lei elegeu como causa possível para a sua origem e emissão.
> É o caso da Duplicata Mercantil.
> A emissão de Duplicata Mercantil somente pode decorrer de uma relação de compra e venda ou de prestação de serviço por parte de empresário a terceiro também empresário.
b) Título não-causal (ou abstrato).
> É aquele para o qual a lei não exige origem ou causa específica, podendo se originar a partir de qualquer situação jurídico-obrigacional que possa ser representada por título de crédito.
> É o caso do cheque, da nota promissória e da letra de câmbio.
4.5.4 Quanto à circulação.
a) Ao portador.
> É aquele no qual não consta o nome do beneficiário. 
> Presume-se que o titular é a pessoa que estiver com a posse do mesmo.
> Sua transferência ocorre facilmente, através da simples tradição. 
> Têm grande facilidade de circulação.
> Ex.: Cheque ao portador. 
b) Título nominativo.
> É aquele no qual consta o nome do beneficiário.
> Trata-se de título emitido em nome de pessoa determinada.
> Sua transferência não pode ocorrer através da simples tradição, mas sim através do endosso ou da cessão de civil de crédito aliada à tradição.
> Ex.: Cheque nominal.
Obs.: Os títulos nominativos podem ainda ser de dois tipos:
I \u2013 Nominativos \u201cà ordem\u201d.
> São aqueles que contêm a ordem escrita da seguinte forma: \u201cPague-se a José Pereira ou à sua ordem.
> A cláusula \u201cà ordem\u201d significa que o título pode circular pelo endosso somado à tradição.
> Geralmente trata-se de cláusula tácita, mas especificamente no cheque é sempre expressa.
II \u2013 Nominativos \u201cnão à ordem\u201d.
> São aqueles nos quais o seu emitente expressou o desejo de que o título não circule com facilidade pelo endosso.
> É cláusula que tem que estar expressa.
> Uma vez inserida esta cláusula, o título não mais pode circular pelo endosso aliado à tradição, somente circula por meio da cessão civil de crédito.
> O seu titular ou beneficiário não pode transferir a titularidade do documento pelo endosso somado à tradição.
> É cláusula de exceção do direito cambiário, uma vez que dificulta a circulação do título.
> No cheque pode vir inserido depois do nome do beneficiário.
> A duplicata e a LC não podem conter esta cláusula.
4.6 Os principais atos cambiários.
4.6.1 Saque.
> É o ato que tem como objetivo criar um título de crédito. Saque é sinônimo de emissão. 
> O sacador é coobrigado ou codevedor.
> Sacador é o emitente do título.
4.6.2 Aceite.
> É o ato cambiário pelo qual o sacado reconhece a validade da ordem de pagamento.
> Consiste na assinatura do sacado no próprio título (anverso), admitindo-se também no verso, desde que contenha a expressão \u201caceito\u201d. 
> Apresentação para aceite: É o ato de submeter uma ordem de pagamento ao reconhecimento do sacado. 
> O título pode ser apresentado para aceite até a data do seu vencimento. 
> Só existe apresentação para aceite quando o título de crédito for letra de câmbio ou duplicata. 
> O aceitante passa a ser o devedor principal do título, ficando o sacador como codevedor.
> O aceite é facultativo para a letra de câmbio. Se não for dado, provoca o vencimento antecipado do título. 
> Para a duplicata, o aceite é obrigatório.
> O aceite somente é utilizável no caso de ordem de pagamento a prazo. 
- Aceite Parcial: É possível na LC., neste caso, o sacado aceita pagar somente uma parte do título.
- O aceite parcial provoca o vencimento antecipado do título, de forma que o beneficiário poderá cobrar de imediato o pagamento, por parte do sacador, referente à parte não aceita. 
- Aceite Modificativo: É possível na LC. e ocorre quando o aceite é dado, porém com alteração de alguma condição prevista no título, como o lugar do pagamento ou a data do pagamento.
- O aceite modificativo provoca o vencimento antecipado do título, de forma que o beneficiário poderá cobrar de imediato o pagamento, por parte do sacador.
4.6.3 Protesto.
> É o ato público formal extrajudicial, que prova o inadimplemento ou a falta de aceite (para LC e Duplicata),