Fisiologia Gastrointestinal
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Fisiologia Gastrointestinal


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do fluxo sanguíneo para a musculatura externa. Outras fibras que acompanham os nervos simpáticos podem ser colinérgicas; ainda outras liberam neurotransmissores que ainda não foram identificados. 
Neurônios mientéricos
A maioria dos neurônios nos gânglios mientericos é formada por neurônios motores. Os neurônios motores dos gânglios mientéricos incluem tanto neurônios excitatórios quanto inibitórios. Esses neurônios projetam-se para as células musculares lisas da muscular externa. Os gânglios mientéricos contêm, também, neurônios sensoriais e inter neurônios. Cerca de um terço dos neurônios nos gânglios mientéricos são sensoriais. Outros neurônios mientéricos projetam-se para os neurônios existentes nos gânglios submucosos ou para os efetores da mucosa. 
Os neurônios motores excitatórios liberam acetilcolina para os receptores muscarínicos existentes nas células musculares lisas; liberam também a substancia P. Os neurônios motores inibitórios liberam VIP (polipeptídio intestinal vasoativo) e NO (óxido nítrico). A maioria dos inter neurônios mientéricos liberam acetilcolina para os receptores nicotínicos existentes nos neurônios motores ou em outros Inter neurônios.Neurônios submucosos
A maioria dos neurônios nos gânglios submucosos regula a secreção glandular, endócrinas e das células epiteliais. Os neurônios que estimulam a secreção motora liberam acetilcolina e VIP para as células glandulares ou para as células epiteliais. Os gânglios submucosos também contem numerosos neurônios sensoriais. Esses neurônios constituem os ramos aferentes dos reflexos secreto motores. A maioria dos neurônios sensoriais responde aos estímulos químicos ou a deformação mecânico da mucosa. Os inter neurônios submucosos liberam acetilcolina para outros neurônios, nos gânglios submucosos, ou projetam-se para os gânglios mientéricos. Os gânglios submucosos também contem neurônios vasodilatadores, que liberam acetilcolina e/ou VIP, para os vasos sanguíneos submucosos.
Reflexos intrínsecos
Todas as células que compõem um reflexo intrínseco estão localizadas na parede do tubo gastrointestinal. Numerosos reflexos intrínsecos controlam as atividades motoras e secretoras de cada segmento do tubo gastrointestinal.
Fluxo sanguíneo gastrointestinal- \u201cCirculação Esplâncnica\u201d
Os vasos sanguíneos do sistema gastrointestinal fazem parte de um sistema mais extenso, denominado circulação esplâncnica. Essa circulação inclui o fluxo sanguíneo através do próprio intestino e os fluxos sanguíneos através do baço, pâncreas e fígado. Todo o sangue que passa pelo intestino, baço e pâncreas fluem imediatamente para o fígado por meio da veia porta. No fígado, o sangue passa através de milhões de diminutos sinusóides hepáticos e deixa o órgão por meio das vias hepáticas, que desembocam na veia cava da circulação geral. Este fluxo de sangue através do fígado, antes de retornar à veia cava, permite que as células reticulo endoteliais que revestem os sinusóides hepáticos removam bactérias e outras partículas que poderiam entrar na circulação sanguínea do trato gastrointestinal, evitando, assim, a introdução de agentes potencialmente prejudiciais para o restante do corpo.
Os nutrientes não lipídicos e hidrossolúveis absorvidos no intestino (como carboidratos e proteínas) são transportados no sangue venoso da veia porta para os mesmos sinusóides hepáticos. Aqui, as células reticuloendoteliais a as células principais do parênquima do fígado, as células hepáticas, absorvem e armazenam temporariamente de metade a três quartos dos nutrientes. Também, grande parte do processo químico intermediário desses nutrientes ocorre nas células hepáticas. Quase todas as gorduras absorvidas no trato intestinal não são transportadas no sangue portal, mas sim pelo sistema linfático intestinal e então são levadas ao sangue circulante sistêmico por meio do ducto torácico, sem passar pelo fígado. 
Sob condições normais, o fluxo sanguíneo em cada área do trato gastrointestinal, bem como em cada camada da parede intestinal, está diretamente relacionado ao nível de atividade local. Embora a causa ou as causas precisas do aumento do fluxo sanguíneo durante a atividade gastrointestinal intensa ainda sejam obscuras, alguns fatores são conhecidos.
Primeiro várias substâncias vasodilatadoras são liberadas pela mucosa do trato gastrointestinal durante o processo digestivo. Trata-se, na sua maioria, de hormônios peptídicos, como colecistonicina, peptídeos vasoativo intestinal, gastrina e secretina. Estes mesmos hormônios controlam atividades motoras e secretórias especificas do intestino.
Em segundo lugar, algumas das glândulas gastrointestinais também liberam na parede intestinal duas cininas, calidina e bradiquinina, ao mesmo tempo em que liberam outras secreções no lúmen. Essas cininas são vasodilatadores poderosos que se supõe causarem grande parte da vasodilatação intensa que ocorre na mucosa, simultaneamente a secreção.
Em terceiro lugar, a redução na concentração de oxigênio na parede intestinal pode aumentar o fluxo de sangue intestinal em 50% a 100%; portanto, a taxa metabólica mais intensa da mucosa e da parede intestinal durante a atividade intestinal provavelmente diminui a concentração de oxigênio suficientemente para causar grande parte da vasodilatação. A diminuição de oxigênio pode ainda quadruplicar a concentração de adenosina, um vasodilatador bem conhecido que poderia ser responsável por grande parte do aumento do fluxo.
Dessa forma, o aumento do fluxo sanguíneo durante a fase de atividade gastrointestinal intensa é provavelmente uma combinação de muitos dos fatores mencionados anteriormente aliados e outros ainda por descobrir.
Transporte e mistura do alimento no tubo alimentar
As atividades digestivas ocorrem em três fases sobrepostas: fase cefálica, fase gástrica e fase intestinal. Durante a fase cefálica da digestão, as glândulas salivares produzem saliva e as glândulas gástricas secretam suco gástrico para preparar a boca e o estômago para o alimento que está preste a ser ingerido. A presença de alimento no estômago provoca a fase gástrica da digestão, que promovem a secreção de suco gástrico e a motilidade gástrica. Durante a fase intestinal da deglutição, o alimento é digerido no intestino delgado. Além disso, motilidade e secreção gástrica diminuem a fim de letificar a saída de quimo do estômago, o que impede o intestino delgado de ficar sobrecarregado com mais quimo do que pode controlar. As atividades que ocorrem durante as várias fases da digestão são coordenadas pelas vias neurais e hormônios. 
Digestão e Absorção no TGI 
As secreções lançadas na luz do TGI pelos órgãos anexos, mais as produzidas pelo estômago e pelo intestino delgado e grosso, processam quimicamente o alimento ingerido na cavidade oral. Este processamento é facilitado pela motilidade no TGI, que propicia mistura trituração e progressão do alimento no sentido cefalocaudal. O alimento é reduzido a moléculas que podem ser absorvidas, através do intestino delgado, para o meio intersticial vascular. O TGI promove a excreção anal dos produtos dos alimentos que não foram processados ou absorvidos. 
Os alimentos orgânicos da dieta ou macro nutrientes (assim denominados por serem requeridos em quantidades relativamente grandes), os carboidratos, as gorduras e as proteínas são quimicamente quebrados, por hidrólise, pelas enzimas lançadas na luz do TGI e pelas enzimas luminais. Estas enzimas são secretadas pelas glândulas salivares, estômago e pâncreas exócrino. As gorduras da dieta, os triacilgliceróis, os fosfolipídios e os ésteres de colesterol, após a hidrolise luminal, originam ácidos graxos livres, fosfolipídios e colesterol, sendo transportado através do epitélio o intestino delgado para a linfa e para a circulação sistêmica. Os carboidratos e as proteínas, além da hidrólise efetuada pelas enzimas luminais, necessitam, ainda, serem hidrolisados pelas enzimas da membrana luminal dos enterócitos do delgado, denominadas enzimas da borda em escova. Os produtos finais