07 - Sentido da Audição e Equilíbrio
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07 - Sentido da Audição e Equilíbrio


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do som). Assim, 
 
 
Inclinação dos cílios 
Aumento na abertura de canais de K 
PR despolarizante 
 
 
Abertura de canais de Ca 
Entrada de Ca 
 
 
 
 
Liberação de NT excitatórios 
Potencial de repouso: -50mV 
Influxo de K 
 
 
 
 
 
 
 
 
Curso de Fisiologia 2007 Ciclo de Neurofisiologia 
Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida
 
 
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as fibras sensoriais primárias (que são mielinizadas) também só respondem com descarga máxima de PA 
para freqüências sonoras características. Além da freqüência, a amplitude de vibração da membrana 
basilar é utilizada para decodificar a intensidade dos sons. 
 
Vias auditivas 
 
As fibras aferentes auditivas de 1ª ordem cujos corpos celulares estão no gânglio espiral se juntam 
às do sistema vestibular para formar o VIII par craniano (nervo vestíbulo-coclear). O nervo chega no bulbo e 
projeta-se no núcleo coclear de onde se originam os neurônios de 2a ordem. O núcleo coclear é dividido em 
núcleos cocleares dorsal, ântero-ventral e póstero-ventral. Dos núcleos cocleares ventrais partem fibras 
para a ponte, tanto no núcleo olivar superior do mesmo lado como do lado contralateral. Já as fibras do 
núcleo coclear dorsal partem totalmente para mesencéfalo no colículo inferior do lado contralateral. 
O núcleo olivar superior é dividido em três partes: lateral, medial e corpo trapezóide (recebem 
fibras dos núcleos cocleares ventrais de ambos os lados) e emitem fibras para o colículo inferior através do 
lemnisco lateral. Do núcleo olivar também partem fibras eferentes olivo-cocleares e influenciam as células 
cocleares. O colículo inferior recebe todas as fibras auditivas ascendentes e é divido em três partes: núcleo 
central, núcleo externo e o córtex dorsal. Do núcleo central partem fibras para o tálamo homolateral 
(núcleo geniculado medial, participando da percepção 
auditiva) e dos dois outros, fibras que vão fazer parte 
dos reflexos auditivos mediados pelo tronco encefálico. 
No colículo inferior há fibras comissurais que integram 
as informações s de ambos os lados. 
O tálamo também possui três divisões: a região 
ventral
 tem neurônios cujos axônios formam a radiação 
talâmica cortical e as regiões dorsal e medial, 
possuem neurônios fazem projeções difusas 
intralaminares. 
O córtex auditivo situa-se no giro temporal 
transverso do lobo temporal e identificamos os córtices 
auditivos primário, secundários e a área auditiva 
associativa (área de Wernicke). Conforme pudemos 
acompanhar, a via auditiva tem projeção bilateral. 
Projeções corticais eferentes desta área 
partem para o tálamo e coliculos inferiores; e destes 
para os núcleos cocleares e para os complexos 
olivares. 
 
 
 
 
Peculiaridades da Via 
 
A via acústica guarda uma fiel representação tonotópica da sintonização que existe dentro da 
cóclea em cada estação sináptica até o córtex auditivo. 
 
Devido à projeção bilateral as lesões na área auditiva de um lado NÃO resultam na perda completa 
da audição do mesmo lado. Assim, uma surdez unilateral completa só ocorre se a lesão estiver localizada 
nos núcleos cocleares homolaterais ou nas suas vias aferentes primárias. Lesões em locais mais adiante da 
via causam déficits na audição, mas nunca perdas funcionais unilaterais completas. 
 
 
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Localização espacial da fonte sonora 
 
Acima dos núcleos cocleares, os neurônios da via auditiva central respondem a ambas as orelhas, 
ou seja, possuem campos receptivos biaurais que vão contribuir com o mecanismo de localização da fonte 
sonora e o ser humano pode distinguir fontes separadas por 1o! O mecanismo envolve dois processos 
diferentes: ·(a) localização horizontal (da esquerda ou da direita) 
b) localização vertical (de cima e abaixo da cabeça) 
 
 
O SENTIDO DO EQUILIBRIO 
 
Estando o nosso corpo todo, ou parte dele, parado 
ou em movimento, os proprioceptores garantem que 
tenhamos a percepção cinestésica. O sentido vestibular ou 
do equilíbrio também está intimamente associado a esta 
sensibilidade, pois seus receptores detectam os 
movimentos originados exclusivamente na cabeça. A 
sensação de equilíbrio/desequilíbrio do corpo e os 
movimentos de rotação da cabeça são detectados pelo 
sistema vestibular
 que é considerada uma forma de 
propriocepção especial. 
 
O sistema vestibular situa-se dentro do osso 
temporal, adjacente a cóclea e faz parte da orelha interna. 
É formado por um labirinto ósseo dentro do qual 
membranas formam três canais semicirculares 
(horizontal, superior e posterior), e dois órgãos otolíticos 
(sáculo e o utrículo). O interior dos canais e dos órgãos 
otolíticos é preenchido pela endolinfa como na escala coclear média enquanto a perilinfa banha o espaço 
entre o labirinto ósseo e o membranoso. Os respectivos neuroepitelios que contem os órgãos sensoriais 
são protegidos de distorções mecânicas irrelevantes como aquelas causadas pela contração muscular ou a 
pulsação dos vasos. 
 
CANAIS SEMICIRCULARES 
 
Os três canais semicirculares de cada lado estão orientados perpendicularmente entre si, sendo co-
planares em relação aos do lado oposto o que garante uma abstração tri-dimensional do espaço. Esse 
design garante que qualquer movimento espacial de rotação da cabeça possa ser detectado. Cada canal 
possui uma dilatação em sua extremidade denominado ampola. Dentro de cada ampola está o 
neuroepitélio (cristas ampulares) que contém as células sensoriais ciliadas. Os cílios dessas células 
estão mergulhados numa cúpula gelatinosa que quase obstrui a luz do canal. Todas as vezes que a 
 
Acima, esquema a orelha interna, mostrando o 
aparelho vestibular. Abaixo, detalhes da crista 
ampular horizontal indicando o movimento da cabeça 
e do liquido endolinfático. 
 
Detalhes de uma crista ampolar 
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cabeça é rotacionada (para cima, para baixo ou para os lados) a endolinfa no interior dos canais se move 
em sentido contrário devido à inércia e causa uma deformação mecânica na cúpula. Em resposta à 
deformação mecânica, os cílios são tracionados e respondem com alterações na condutância iônica de 
membrana, ou seja, com despolarização ou hiperpolarização, conforme o sentido de movimento do liquido. 
As células sensoriais ciliadas fazem sinapses excitatórias com as fibras aferentes vestibulares do 
VIII par craniano. A freqüência de despolarização das fibras aferentes primárias vai, assim, depender da 
quantidade de neurotransmissores liberados como acontece com as células sensoriais ciliadas acústicas. 
 
Como a densidade da gelatina 
cupular e da endolinfa são as mesmas, 
a primeira não é afetada pelas forças 
de aceleração linear devido à 
gravidade. Os cílios de cada ampola 
estão orientados todos numa mesma 
direção. 
Observe o movimento de 
rotação da cabeça para a esquerda na 
figura ao lado (seta vermelha). Repare 
que os cinecílios de cada crista dos 
canais semicirculares horizontais estão 
todos orientados em direção ao utrículo 
(conjunto de setinhas pequenas). As 
setas em curvas (verde) representam 
os movimentos passivos do liquido 
linfático no sentido contrário ao 
movimento da cabeça. No lado 
esquerdo o liquido se move em direção 
à ampola e no lado direito, afastando-
se dela. 
 
Acompanhando as respostas dos canais horizontais, verificamos que as células sensoriais do lado 
esquerdo são excitadas devido ao movimento dos cílios em direção ao utrículo.