Fundamentos da Sociologia do Direito - Explicação
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Fundamentos da Sociologia do Direito - Explicação


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ontem e 
hoje igual. Desponta no bojo do Iluminismo a contribuição de Montesquieu. 
Em seu livro Espírito das Leis nos oferece a primeira grande obra acerca da No-
mogênese Jurídica. Mas é em Montesquieu que o tema das leis vai ser objeto 
especial de considerações causais de espírito generalizador, em que o clima, 
a religião, os costumes, a extensão geográfica que se propõe a evidenciar a 
influência desses fatores políticos, sociais, culturais, religiosos na conformação 
das leis, é, portanto, um estudo pioneiro na área da Sociologia do Direito.
Correntes sociológicas clássicas
O Positivismo científico de Augusto Comte e o 
surgimento da Sociologia
Coube a Auguste Comte (1798-1857), ilustre pensador francês, propor a 
Sociologia como um saber científico capaz de descrever objetivamente os 
processos de organização da vida social.
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Como bem assevera Maria Cristina Costa (1987, p. 42), a primeira corrente 
de pensamento sociológico propriamente dita foi o positivismo, delineado 
por Auguste Comte, que concebeu a Sociologia como uma nova ciência para 
explicar, com exatidão, a vida humana em sociedade.
O positivismo era uma doutrina cientificista que acreditava na ciência 
como a única via para o alcance da verdade, espelhando o momento das 
grandes descobertas científicas trazidas pela Revolução Industrial.
Na visão de Comte, o modelo de ciência verdadeiro seria o modelo das 
ciências experimentais, baseado na análise indutiva dos fenômenos naturais 
ou sociais, na preservação da neutralidade valorativa e na busca do distan-
ciamento do cientista em face do objeto do conhecimento. Nesse sentido, o 
modelo das ciências naturais poderia ser empregado no campo das ciências 
sociais, inclusive para a nascente Sociologia.
Segundo ele, a ciência positivista permitiria um controle absoluto das 
forças naturais e sociais, possibilitando a realização de uma plena felicidade 
material e espiritual. Daí se pode entender a célebre frase de Comte: \u201csaber 
para prever, prever para prover\u201d.
Augusto Comte formulou uma importante lei sociológica de evolucionis-
mo linear e intelectualista: a lei dos 03 (três) estados. O primeiro estado de 
evolução da sociedade seria o estado teológico, caracterizado pela ênfase 
na religião, como um conhecimento irrracional e abstrato. O segundo estado 
seria o metafísico, marcado pela ênfase na filosofia como modalidade de um 
conhecimento racional e abstrato. O terceiro estado alcançado pelas socie-
dades europeias do século XIX seria o científico, marcado pela primazia da 
ciência, a qual permitiria um conhecimento racional e concreto capaz de ofe-
recer verdades absolutas.
Para Augusto Comte, a Sociologia seria uma ciência enciclopédica que 
englobaria todos os conhecimentos aplicados à sociedade, despontando a 
economia, a ciência política, a antropologia e o próprio direito como meras 
ramificações do conhecimento sociológico. Apresentava-se também como 
uma espécie de \u201cfísica social\u201d capaz de descrever com neutralidade e distan-
ciamento os padrões das interações humanas no mundo social. Seria, assim, 
um saber tecnocrático que ofereceria respostas absolutas para a organiza-
ção social pelos poderes constituídos, possibilitando a formulação e execu-
ção de políticas públicas para o planejamento e a organização perfeita da 
sociedade.
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Segundo ele, o fenômeno jurídico seja como teoria, seja como prática 
social, só se revelaria necessário até a etapa do estágio metafísico. No está-
gio científico, o direito, a moral e a religião desapareceriam porque a ciência 
supriria todas as necessidades éticas, ao trazer o pleno progresso material e 
espiritual.
Decerto, a Sociologia, na obra de Augusto Comte, nasceu, em estado de hosti-
lidade ao direito, vislumbrando o fenômeno jurídico como uma manifestação da 
etapa metafísica e posteriormente desaparecendo no período positivo ou cientí-
fico, quando a humanidade teria um aparato de controle social que seria científi-
co (política positiva) e não mais metafísico (direito). Sendo assim, embora Comte 
tenha sido o pai da Sociologia Geral, não dedicou em seus estudos grande aten-
ção ao desenvolvimento de uma específica Sociologia do Direito.
Examinando-se criticamente o positivismo científico de Augusto Comte, 
pode-se afirmar, em favor do ilustre pensador francês, que ele teve o mérito 
de fundamentar as bases científicas da Sociologia, tornando-a um saber 
científico autônomo diante da filosofia social precedente, demonstrando a 
instrumentalidade desse novo conhecimento sociológico para a organiza-
ção da vida social pelos poderes públicos.
O positivismo científico de Augusto Comte sofre, contudo, refutações à luz 
da teoria do conhecimento contemporânea, visto que a ciência não logrou 
a previsão absoluta das forças naturais e sociais, frustrando as expectativas 
de um conhecimento exato e invariável. Ademais, torna-se muito difícil con-
ceber uma Sociologia neutra e distante do objeto da investigação científi-
ca, visto que o Sociólogo pertence à própria realidade social estudada, não 
conseguindo afastar completamente suas impressões pessoais e pendores 
subjetivos. Por fim, alerta-se para o risco de um etnocentrismo na formula-
ção da lei dos 03 (três) estados, ao propiciar uma pretensa hierarquização de 
culturas com base na forma do conhecimento prevalecente nas sociedades.
A Escola Objetiva Francesa e o nascimento da 
Sociologia do Direito
Embora Comte seja considerado o pai da Sociologia Geral, inclusive por 
tê-la assim batizado no plano etimológico, Émile Durkheim (1858-1917) é 
apontado como um de seus primeiros grandes teóricos e mentor da própria 
Sociologia do Direito.
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Como salienta A. L. Machado Neto (1987, p. 166), a fundação definitiva da 
Sociologia do Direito teve que aguardar o movimento renovador do comtis-
mo que a Escola Objetiva Francesa , composta por Durkheim e seus discípu-
los como Lévy-Bruhl, Fauconnet, Davy e Mauss, iria empreender, para vir à 
tona como um campo específico de estudos sociológicos.
Decerto, a Sociologia do Direito se inicia no final do século XIX com um 
movimento intelectual denominado de \u201cEscola Objetiva Francesa\u201d. Seu maior 
expoente foi um importante discípulo de Augusto Comte, Émile Durkheim, o 
qual pode ser considerado o pai da sociologia jurídica.
Com efeito, o referido pensador propõe a aplicação do modelo positivista 
ao sustentar que os fatos sociais são realidades objetivas, que devem ser tra-
tadas como se fossem coisas.
Na visão de Durkheim, a sociedade seria uma realidade substancial ob-
jetiva, distinta, portanto, da figura do indivíduo. O fato social, na visão de 
Durkheim, é exterior aos indivíduos e coercitivo, no sentido que condiciona 
a liberdade humana dos indivíduos às necessidades coletivas.
Fatos sociais
Indivíduos
Para ele, o Direito seria o fato social mais coercitivo porque a ordem jurídi-
ca, através da previsão abstrata de sanções patrimoniais e pessoais, projeta-
ria um maior receio ou temor no psiquismo dos agentes sociais, prevenindo 
a ocorrência de infrações éticas como a ilicitude.
Ademais, Durkheim aprofunda esse estudo da coercitividade dos fatos so-
ciais, ao demonstrar como as práticas suicidas apresentam uma origem social, 
resultando da pressão exercida pela realidade social sobre os indivíduos.
Outro aspecto de grande relevância do pensamento de Durkheim diz 
respeito ao seu estudo sobre o fenômeno da solidariedade. Para ele solida-
riedade
Pedro
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