Fundamentos da Sociologia do Direito - Explicação
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Fundamentos da Sociologia do Direito - Explicação


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seria na verdade um modo de organização dos indivíduos em socie-
dade. A sociedade primitiva seria caracterizada pela solidariedade mecânica 
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(predomínio do todo coletivo sobre os indivíduos), havendo uma ênfase no 
direito penal (natureza punitiva), com a imposição de sanções pessoais (por 
exemplo, morte, banimento). Com o incremento da divisão do trabalho e a 
repartição das funções sociais, as sociedades mais avançadas conheceriam 
um novo modelo de solidariedade: a solidariedade orgânica, caracterizada 
pelo predomínio dos indivíduos em face da coletividade. Em tais sociedades, 
haveria uma ênfase do Direito Civil (natureza restitutiva), com a imposição 
mais frequente de sanções patrimoniais (por exemplo, indenização).
Sociedades Primitivas
Solidariedade Mecânica
Direito Penal
(Feição Punitiva) 
Direito Civil
(Feição Restitutiva) 
Solidariedade Orgânica
Sociedades Avançadas
A Escola Objetiva Francesa foi também constituída por outros ilustres 
discípulos de Durkheim, tais como Paul Fauconnet, Georges Davy e Léon 
Duguit.
Paul Fauconnet desenvolveu o estudo acerca da evolução da responsa-
bilidade penal coletiva e objetiva para a responsabilidade penal individual e 
subjetiva. Isso porque não havia nas sociedades primitivas uma preocupação 
com a individualização da pena, nem tampouco importava identificar a auto-
ria do delito. Qualquer integrante do grupo social do infrator poderia sofrer 
o peso da sanção penal. Nas sociedades mais complexas, a responsabilidade 
penal passa a depender da identificação da autoria, da verificação do grau de 
culpabilidade e da aferição da imputabilidade, como decorrência da afirma-
ção do indivíduo no cenário das sociedades de solidariedade orgânica.
Georges Davy examinou a evolução do status para o contrato como de-
corrência do fenômeno da solidariedade. Segundo ele, nas sociedades pri-
mitivas, regidas pela solidariedade mecânica, as obrigações e os direitos já 
estariam preestabelecidos pelos costumes da comunidade. Tais patamares 
jurídicos precederiam os indivíduos e não poderiam ser modificados pela 
vontade individual. Com a afirmação do individualismo no cenário social, re-
sultante da solidariedade orgânica, a vontade humana se tornou capaz de 
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criar novos patamares de obrigações e direitos. O contrato se tornou assim 
um instrumento normativo capaz de gerar, modificar e extinguir obrigações 
e direitos.
Léon Duguit investigou, valendo-se dos estudos de Durkheim acerca da 
solidariedade, a transição do direito estrutural para o direito funcional. Se-
gundo ele, nas sociedades de solidariedade orgânica os direitos subjetivos 
não seriam apenas faculdades para a realização de interesses privados, de-
vendo, portanto, cumprir funções sociais para garantir a própria dinâmica 
interna das sociedades humanas. Como cada indivíduo cumpre com uma 
função na solidariedade orgânica, o direito subjetivo cumpriria uma função 
relevante para a coletividade. Esse pensamento influenciou o direito público, 
como se verifica na incorporação do princípio da função social da proprieda-
de nas constituições sociais do início do século XX.
Examinando-se criticamente o pensamento de Émile Durkheim, pode-se 
asseverar, em favor desse grande pensador francês, que ele teve o mérito de 
definir a autonomia científica da Sociologia do Direito no quadro geral dos 
saberes humanos. Ademais, o seu fecundo estudo sobre o fenômeno da so-
lidariedade e de suas conexões com o Direito revela-se bastante válido para 
a compreensão das transformações ocorridas na ordem jurídica no ocidente, 
que se tornou gradativamente menos repressiva e mais restitutiva.
Em sentido contrário, argumenta-se que Durkheim enfatizou excessiva-
mente a dimensão coercitiva do Direito, sem considerar a possibilidade da 
ordem jurídica influenciar os comportamentos humanos sem a imposição 
do medo da imposição de uma sanção negativa, através, por exemplo, das 
chamadas sanções positivas ou premiais. Ademais, a partir de um paradigma 
multicultural, pode-se afirmar que o Direito nem sempre é o fato social mais 
coercitivo, porquanto, em muitas sociedades orientais, cede o fenômeno jurí-
dico seu posto de instância ética mais coercitiva para a moralidade religiosa.
O materialismo histórico-dialético de Karl Marx
O materialismo histórico e dialético é uma proposta teórica de apreensão 
da evolução histórica da humanidade a partir de uma interpretação econo-
micista. Foi uma concepção desenvolvida pelo maior expoente do socialis-
mo científico do final do século XIX, Karl Marx (1818-1883), no contexto da 
crise do capitalismo industrial, com a exploração dos trabalhadores e com-
prometimento da sua dignidade humana.
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O socialismo científico se coloca num meio termo entre o anarquismo e o 
socialismo utópico. O socialismo científico não nega a necessidade do poder, 
pois este deveria ser exercido pelos trabalhadores, e, por outro lado, Marx 
descreve objetivamente, com rigor científico, como o sistema capitalista de 
produção se alimenta da produção do trabalho e, consequentemente, da ex-
ploração do trabalhador.
O materialismo proposto por Marx é histórico porque ele estuda a evolu-
ção das sociedades humanas (comunismo primitivo, sociedade antiga, socie-
dade medieval, sociedade moderna, ditadura do proletariado, comunismo 
evoluído). É também dialético porque na visão marxista o motor da história 
seria a luta entre as classes sociais (os proprietários dos meios de produção e 
os trabalhadores \u2013 escravos, servos ou assalariados).
Como salienta José de Souza Martins (1992, p. 4), o que Marx faz é mostrar 
que a História é um processo ordenado, produto da atividade humana, e que 
são as formas sociais que determinam a consciência do homem e não o con-
trário. Como o modo de produzir se altera em consequência dos resultados 
acumulados do trabalho, as relações sociais necessárias para levar a efeito a 
produção também se alteram e, do mesmo modo, as concepções que justifi-
cam e interpretam essas relações.
A premissa básica é a compreensão da estrutura social como sendo com-
posta por duas instâncias: A infraestrutura econômica e a superestrutura 
política e ideológica. Na visão ortodoxa do Marxismo, a infraestrutura eco-
nômica influenciaria a superestrutura política e ideológica, ou seja, a eco-
nomia plasmaria o Estado, o direito, a moral, a religião, a ideologia, toda as 
instituições sociais teriam uma matriz econômica. A economia seria um fator 
preponderante das relações sociais. O conflito de classes sociais refletiria a 
história no âmbito da infraestrutura econômica.
Marx nos ensina que os homens travam em sociedade relações necessá-
rias e independentes de sua vontade, essas relações são as de produção, soli-
dárias do grau de desenvolvimento social. Esse conjunto de relações formam 
a infraestrutura econômica da sociedade, que constituem a base real a qual 
se eleva a superestrutura jurídica, política e ideológica. Sendo assim, admite-
-se que o modo de vida econômico, o estilo de produção de bens, condiciona 
toda a vida social, política e intelectual das sociedades. É o que se depreende 
da seguinte representação gráfica:
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Superestrutura
politico-ideológica
Infraestrutura
econômica
Moral
Religião
Direito
Estado
Como se depreende do exposto,
Pedro
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