Fundamentos da Sociologia do Direito - Explicação
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Fundamentos da Sociologia do Direito - Explicação


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ainda a influência do protestantismo no desenvolvimento 
do capitalismo moderno. Diferentemente do catolicismo, que condenava a 
riqueza e a usura. A religião protestante teria enfatizado outros valores, tais 
como a valorização do trabalho, a afirmação da riqueza como um sinal divino 
e o isolamento social. Tais valores fortaleceram o acúmulo capitalista.
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Ademais, Weber estuda a teoria da legitimidade, diferenciando três tipos 
de legitimidade como formas de justificação do poder: a legitimidade caris-
mática (baseada no carisma personalista dos governantes \u2013 independeria do 
respeito às instituições, ex.: regime nazista), legitimidade tradicional (base-
ada na força dos costumes \u2013 como sucede na Inglaterra, onde se respeita o 
rei e a rainha pelo fato da representação de poder que a coroa possui ainda 
hoje) e legitimidade legal burocrática (baseada no respeito à legalidade \u2013 
governante que tenha sido eleito de acordo com o procedimento estabe-
lecido pela lei). Um exemplo de governante embasado nos três modelos de 
legitimidade seria Barack Obama. Ele é carismático \u2013 embora ele pareça ser 
mais prestigiado fora dos Estados Unidos do que dentro do país, \u2013 tradicio-
nal \u2013 porque o presidencialismo norte-americano está arraigado na cultura 
daquela nação \u2013 e legal burocrático \u2013 à medida que Obama foi eleito dentro 
dos procedimentos eleitorais previstos na ordem jurídica norte-americana.
Sociologismo Jurídico: a projeção da 
Sociologia na Ciência do Direito
O Sociologismo surge também no final do século XIX, no contexto históri-
co da Revolução Industrial, como uma proposta de fundamentação da ciên-
cia jurídica conforme o modelo empírico e causal preconizado por Augusto 
Comte, o pai de uma nova ciência: a Sociologia.
A ciência do direito é entendida como um mero departamento da Socio-
logia, ciência enciclopédica dos fatos sociais, que se incumbiria de estudar o 
direito no plano do ser (mundo real) e não mais na dimensão do dever-ser 
normativo (mundo ideal), valorizando assim as conexões diretas das normas 
jurídicas com os fatores econômicos, políticos e ideológicos que constiuem 
a realidade social.
O sociologismo Jurídico se espraiou por todo o mundo ocidental, pro-
jetando-se em diversas correntes de pensamento, tais como: o utilitarismo 
de Jeremy Bentham (Inglaterra); o teleologismo de Rudolf Ihering, o socio-
logismo de Eugen Ehrlich e a jurisprudência de interesses de Philipp Heck 
(Alemanha); o realismo pragmático de Oliver Holmes e a jurisprudência so-
ciológica de Roscoe Pound e de Benjamin Cardoso (Estados Unidos); a livre 
investigação científica de Francois Geny (França) e escola de Upsala, formada 
por Axel Hägerström, Karl Olivrecona e Alf Ross (Escandinávia).
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Dentre os diversos caracteres do Sociologismo Jurídico, podem ser elen-
cados os seguintes elementos teóricos comuns:
oposição ao formalismo e ao abstracionismo conceitual do positivis- \ufffd
mo legalista;
tratamento do direito como fato social observável no mundo concreto \ufffd
segundo as leis de casualidade empírica (lógica do ser);
conversão na ciência do direito numa verdadeira sociologia jurídica, \ufffd
ocupada com o estudo das relações biunívocas entre normas e fatos 
sociais;
negação do direito natural e de qualquer proposta de fundamentação \ufffd
metafísica da ordem jurídica;
afirmação de que as regularidades comportamentais permitem indu- \ufffd
zir a norma social regente (o \u201cser\u201d desemboca em \u201cdever ser\u201d);
ênfase depositada na dimensão de efetividade ou eficácia social da \ufffd
normatividade jurídica;
defesa do pluralismo jurídico, à medida que se vislumbra o direito \ufffd
como um produto da sociedade, e não como uma ordem normativa 
produzida e imposta somente pelo Estado;
investigação das necessidades e interesses subjacentes às relações ju- \ufffd
rídicas, porquanto o direito é visto como produto dialético que resulta 
dos conflitos sociais, e não como reflexo espontâneo e consensual de 
costumes populares;
negação da completude, da coerência e da perfeição racional do sis- \ufffd
tema legislativo;
reconhecimento da possibilidade do fenômeno da \u201crevolta dos fatos \ufffd
contra os códigos\u201d, com o comprometimento da validade jurídica pela 
influência do costume contra legem;
valorização da jurisprudência, mormente nas correntes anglo-ameri- \ufffd
canas, como fonte capaz de expressar, diferentente da lei, um direito 
mais vivo, concreto e atual;
valorização do modelo hermenêutico objetivista e do método socioló- \ufffd
gico de interpretação do direito;
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denúncia, no plano hermenêutico, das deficiências semânticas da lin- \ufffd
guagem jurídica, tais como a vagueza, a ambiguidade e a textura aber-
ta dos modelos normativos.
Fazendo-se um balanço das teses preconizadas pelo sociologismo jurídi-
co, pode-se afirmar que o movimento sociologista merece aplausos por de-
monstrar a íntima relação do direito com o mundo dos fatos sociais, afastan-
do o conhecimento jurídico, a exemplo do que sucedera com o historicismo, 
da tendência idealista do positivismo legalista.
Inobstante o quanto exposto, muitas críticas podem ser levantadas ao 
Sociologismo Jurídico, em face das seguintes razões: a valorização da di-
mensão fática do direito não ofereceria a segurança e a objetividade neces-
sárias ao funcionamento do Estado Democrático do Direito; a relativização 
da legalidade potencializaria a fragmentação da sociedade; a subordinação 
ao modelo teórico da Sociologia comprometeria a autonomia científica do 
conhecimento jurídico; o modelo sociologista abriria espaço para a instru-
mentalização político-ideológica do direito; e a perspectiva sociologista 
confundiria a causalidade com a imputação, bem como a efetividade com a 
validade das normas jurídicas.
O funcionalismo sociológico de 
Niklas Luhmann: a nova vertente 
da Sociologia do Direito
Ao longo do século XX, a Sociologia do Direito sofreu novos aperfeiçoa-
entos, em contato com as mais recentes contribuições das Ciências Sociais. 
O exemplo mais emblemático continua sendo o funcionalismo sociológico, 
que encontra sua mais acabada expressão na teoria dos sistemas preconiza-
da por Niklas Luhmann, para quem o direito se afigura como um subsistema 
social, comunicativo e dotado de natureza autopoiética.
Segundo Niklas Luhmann (2002, p. 380), a teoria de sistemas deve poder 
tudo explicar (universalidade), inclusive o próprio ato de teorizar (reflexivida-
de), o que faz explicando tudo como sendo sistema (autorreferência) e o que 
não configura esse sistema \u2013 o ambiente. Por sua vez, o sistema autopoiético é 
autônomo porque o que nele se passa não é determinado por nenhum com-
ponente do meio circundante, mas por sua própria organização sistêmica.
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Esta autonomia do sistema pressupõe sua clausura, pois os elementos 
interagem através dele próprio. A seu turno, o sistema jurídico se propõe a 
reduzir a complexidade do ambiente, absorvendo a contingência da inter-
subjetividade humana e garantindo a generalização congruente de expec-
tativas comportamentais, a fim de fornecer uma imunização simbólica de 
expectativas contra outras possibilidades sociais de conduta.
Conforme o magistério autorizado de Willis Guerra (1997, p. 63), o sistema 
jurídico integra o sistema imunológico das sociedades, imunizando-as de con-
flitos surgidos já em outros sistemas sociais.
Pedro
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