02_-_02_-_A_Razao_-_A_atividade_racional
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\u201ccor\u201d, \u201cdiferença\u201d, \u201cEuropa\u201d, \u201cpintura\u201d, \u201cliteratura\u201d, \u201ctempo\u201d, \u201cespaço\u201d, \u201ccoisa\u201d, 
\u201cquantidade\u201d, \u201cqualidade\u201d, etc. Intuímos idéias. 
Fala-se também de uma intuição emotiva ou valorativa. Trata-se daquela intuição na 
qual, juntamente com o sentido ou significação de alguma coisa, captamos também seu 
valor, isto é, com a idéia intuímos também se a coisa ou essência é verdadeira ou falsa, 
bela ou feia, boa ou má, justa ou injusta, possível ou impossível, etc. Ou seja, a intuição 
intelectual capta a essência do objeto (o que ele é) e a intuição emotiva ou valorativa 
capta essa essência pelo que o objeto vale. 
A razão discursiva: 
dedução, indução e abdução 
A intuição pode ser o ponto de chegada, a conclusão de um processo de conhecimento, e 
pode também ser o ponto de partida de um processo cognitivo. O processo de 
conhecimento, seja o que chega a uma intuição, seja o que parte dela, constitui a razão 
discursiva ou o raciocínio. 
Ao contrário da intuição, o raciocínio é o conhecimento que exige provas e 
demonstrações e se realiza igualmente por meio de provas e demonstrações das 
verdades que estão sendo conhecidas ou investigadas. Não é um ato intelectual, mas são 
vários atos intelectuais internamente ligados ou conectados, formando um processo de 
conhecimento. 
Um caçador sai pela manhã em busca da caça. Entra no mato e vê rastros: choveu na 
véspera e há pegadas no chão; pequenos galhos rasteiros estão quebrados; o capim está 
amassado em vários pontos; a carcaça de um bicho está à mostra, indicando que foi 
devorado há poucas horas; há um grande silêncio no ar, não há canto de pássaros, não 
há ruídos de pequenos animais. 
O caçador supõe que haja uma onça por perto. Ele pode, então, tomar duas atitudes. Se, 
por todas as experiências anteriores, tiver certeza de que a onça está nas imediações, 
pode preparar-se para enfrentá-la: sabe que caminhos evitar, se não estiver em 
condições de caçá-la; sabe que armadilhas armar, se estiver pronto para capturá-la; 
sabe como atraí-la, se quiser conservá-la viva e preservar a espécie. 
O caçador pode ainda estar sem muita certeza se há ou não uma onça nos arredores e, 
nesse caso, tomará uma série de atitudes para verificar a presença ou ausência do felino: 
pode percorrer trilhas que sabem serem próprias de onças; pode examinar melhor as 
pegadas e o tipo de animal que foi devorado; pode comparar, em sua memória, outras 
situações nas quais esteve presente uma onça, etc. 
Assim, partindo de indícios, o caçador raciocina para chegar a uma conclusão e tomar 
uma decisão. Temos aí um exercício de raciocínio empírico e prático (isto é, um 
pensamento que visa a uma ação) e que se assemelha à intuição sensível ou empírica, 
isto é, caracteriza-se pela singularidade ou individualidade do sujeito e do objeto do 
conhecimento. 
Quando, porém, um raciocínio se realiza em condições tais que a individualidade 
psicológica do sujeito e a singularidade do objeto são substituídas por critérios de 
generalidade e universalidade, temos a dedução, a indução e a abdução. 
A dedução 
Dedução e indução são procedimentos racionais que nos levam do já conhecido ao 
ainda não conhecido, isto é, permitem que adquiramos conhecimentos novos graças a 
conhecimentos já adquiridos. Por isso, se costuma dizer que, no raciocínio, o intelecto 
opera seguindo cadeias de razões ou os nexos e conexões internos e necessários entre 
as idéias ou entre os fatos. 
A dedução consiste em partir de uma verdade já conhecida (seja por intuição, seja por 
uma demonstração anterior) e que funciona como um princípio geral ao qual se 
subordinam todos os casos que serão demonstrados a partir dela. Em outras palavras, na 
dedução parte-se de uma verdade já conhecida para demonstrar que ela se aplica a 
todos os casos particulares iguais. Por isso também se diz que a dedução vai do geral ao 
particular ou do universal ao individual. O ponto de partida de uma dedução é ou uma 
idéia verdadeira ou uma teoria verdadeira. 
Por exemplo, se definirmos o triângulo como uma figura geométrica cujos lados somados 
são iguais à soma de dois ângulos retos, dela deduziremos todas as propriedades de 
todos os triângulos possíveis. Se tomarmos como ponto de partida as definições 
geométricas do ponto, da linha, da superfície e da figura, deduziremos todas as figuras 
geométricas possíveis. 
No caso de uma teoria, a dedução permitirá que cada caso particular encontrado seja 
conhecido, demonstrando que a ele se aplicam todas as leis, regras e verdades da teoria. 
Por exemplo, estabelecida a verdade da teoria física de Newton, sabemos que: 1) as leis 
da física são relações dinâmicas de tipo mecânico, isto é, se referem à relações de força 
(ação e reação) entre corpos dotados de figura, massa e grandeza; 2) os fenômenos 
físicos ocorrem no espaço e no tempo; 3) conhecidas as leis iniciais de um conjunto ou 
de um sistema de fenômenos, poderemos prever os atos que ocorrerão nesse conjunto e 
nesse sistema. 
Assim, se eu quiser conhecer um ato físico particular - por exemplo, o que acontecerá 
com o corpo lançado no espaço por uma nave espacial, ou qual a velocidade de um 
projétil lançado de um submarino para atingir um alvo num tempo determinado, ou qual 
é o tempo e a velocidade para um certo astro realizar um movimento de rotação em 
torno de seu eixo -, aplicarei a esses casos particulares as leis gerais da física 
newtoniana e saberei com certeza a resposta verdadeira. 
A dedução é um procedimento pelo qual um fato ou objeto particulares são conhecidos 
por inclusão numa teoria geral. 
Costuma-se representar a dedução pela seguinte fórmula: 
Todos os x são y (definição ou teoria geral); 
A é x (caso particular); 
Portanto, A é y (dedução). 
Exemplos: 
1. 
Todos os homens (x) são mortais (y); 
Sócrates (A) é homem (x); 
Portanto, Sócrates (A) é mortal (y). 
2. 
Todos os metais (x) são bons condutores de eletricidade (y); 
O mercúrio (A) é um metal (x); 
Portanto, o mercúrio (A) é bom condutor de eletricidade (y). 
A razão oferece regras especiais para realizar uma dedução e, se tais regras não forem 
respeitadas, a dedução será considerada falsa. 
A indução 
A indução realiza um caminho exatamente contrário ao da dedução. Com a indução, 
partimos de casos particulares iguais ou semelhantes e procuramos a lei geral, a 
definição geral ou a teoria geral que explica e subordina todos esses casos particulares. A 
definição ou a teoria são obtidas no ponto final do percurso. E a razão também oferece 
um conjunto de regras precisas para guiar a indução; se tais regras não forem 
respeitadas, a indução será considerada falsa. 
Por exemplo, colocamos água no fogo e observamos que ela ferve e se transforma em 
vapor; colocamos leite no fogo e vemos também que ele se transforma em vapor; 
colocamos vários tipos de líquidos no fogo e vemos sempre sua transformação em vapor. 
Induzimos desses casos particulares que o fogo possui uma propriedade que produz a 
evaporação dos líquidos. Essa propriedade é o calor. 
Verificamos, porém, que os diferentes líquidos não evaporam sempre na mesma 
velocidade; cada um deles, portanto, deve ter propriedades específicas que os fazem 
evaporar em velocidades diferentes. Descobrimos, porém, que a velocidade da 
evaporação não é o fato a ser observado e sim quanto de calor cada líquido precisa para 
começar a evaporar. Se considerarmos a água nosso padrão de medida, diremos que ela 
ferve e começa a evaporar a partir de uma certa quantidade de calor e que é essa 
quantidade de calor que precisa ser conhecida. Podemos, a seguir, verificar um 
fenômeno diferente. Vemos que água e outros líquidos, colocados num refrigerador, 
endurecem e se congelam, mas que, como no caso do vapor, cada líquido se congela ou 
se solidifica em velocidades diferentes. Procuramos, novamente, a causa dessa diferença 
de velocidade