Razao_-_2011-1
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CENTRO UNIVERSITÁRIO CARIOCA RACIOCÍNIO LÓGICO \u2013 NDCA10 
 
 
Catiúscia A. B. Borges e Sueni de S. Arouca 1 
 
 
Introdução à Razão 
 
Juízo e Raciocínio 
 
Nos dicionários encontramos o significado de juízo como bom senso, ou 
como a capacidade de distinguir o verdadeiro do falso. No entanto, 
filosoficamente a inteligência não é só a capacidade de conceber idéias, mas 
sim de estabelecer relações, e é exatamente isso que chamamos de julgar. 
 O juízo se encontra em quase todas as operações cognitivas da mente 
o que torna difícil determinar uma definição exata, no entanto Aristóteles, diz 
que juízo é o ato do espírito pelo qual este afirma ou nega uma coisa de 
outra. 
O juízo é o ato essencial da inteligência. Supõe a abstração e a 
generalização, uma vez que se baseia em uma noção comum para estabelecer 
confrontos entre idéias, e assim estabelecer novas construções. 
A natureza do juízo está ligada diretamente à origem do conhecimento, 
de como é alcançada a relação de conveniência ou não-conveniência entre as 
idéias, pela sensação e reflexão. E esta relação está ligada a \u201ccrença\u201d. 
A \u201ccrença\u201d é a persuasão da verdade, é o elemento essencial do juízo, 
ou seja, aquilo que se traduz na atitude pela reflexão da relação de 
conveniência ou não-conveniência entre duas idéias, resultante de uma 
operação intelectual. 
É costumeiro associarmos as práticas religiosas a crenças, esta 
associação está correta, mas não é única. Ao observarmos duas cédulas do 
nosso sistema monetário, temos outro exemplo prático. Compare, por exemplo, 
uma cédula de cinquenta reais e outra de dois reais, o que difere as difere? 
O tipo de tinta que é utilizada em ambas é o mesmo, o tipo de material 
que forma todas as cédulas são iguais, o que realmente faz uma cédula valer 
mais que outra é a \u201ccrença\u201d estipulada pela sociedade de que aqueles 
símbolos fazem com que os valores sejam diferentes. 
O raciocínio é o processo mental que consiste em coordenar dois ou 
mais juízos antecedentes, em busca de um juízo novo, denominado conclusão. 
O raciocínio ocorre no último avanço da mente, o qual, por meio de reflexões 
calculadas atinge conclusões distantes da idéia inicial. O raciocínio se 
aproveita das conveniências (ou conexões) havidas entre os juízos, para dali 
calcular conclusões, as quais ficam apoiadas na validade das referidas 
conexões, ou seja, em sua evidência que é uma verdade e certeza. 
Para expressarmos um raciocínio é necessário fazer uso de argumentos 
(verbais ou escritos). Argumentar é expressar verbalmente um raciocínio. 
\u201cTodo homem é um ser racional\u201d e \u201cEu sou um homem\u201d são exemplos 
de argumentações que justificam a conclusão de que \u201cEu sou um ser racional\u201d. 
Ao associarmos estas argumentações temos respaldo para uma conclusão. 
 
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A principal diferença entre a \u201ccrença\u201d e o raciocínio é que na primeira 
não há a necessidade de prova, é uma questão de aceitação ou não; na 
segunda há necessidade de prova, a aceitação depende necessariamente da 
argumentação. 
 
Razão 
A ordenação da argumentação, o raciocínio propriamente dito traz 
sentido para a palavra razão, mas este não é único. Se fizermos uso de um 
dicionário encontraremos razão como: modo de pensar próprio ao Homem; 
faculdade de raciocinar ou de estabelecer conceitos e proposições 
(argumentos) de modo discursivo (não intuitivo), segundo as regras lógicas do 
raciocínio; faculdade dos princípios; faculdade de distinguir o verdadeiro do 
falso, o bem do mal; bom senso; justiça; dever; retidão de espírito; prova por 
argumento; causa; motivo; idéia justificada; 
 
Estas tantas definições de razão podem ser organizadas em quatro 
grupos: 
\uf0b7 Quando dizemos: \u201cEu tenho certeza, eu estou com a 
razão\u201d, identificamos razão e certeza, uma vez que a verdade é racional. 
\uf0b7 Quando dizemos: \u201cEla recuperou a razão, estava fora de 
si\u201d, identificamos razão e lucidez, considerado o ato de estar ou não são, 
bom senso. 
\uf0b7 Quando dizemos: \u201cJoão tem as suas razões\u201d, identificamos 
razão e motivo, considerando que nossas atitudes, ações estão sempre 
pautadas em motivos, nossa vontade é racional. 
\uf0b7 Quando dizemos: \u201cQual é a razão disso?\u201d, identificamos 
razão e causa, uma vez que a realidade opera segundo as relações 
causais. 
 
Todos estes sentidos formam a nossa idéia de razão. A razão não é 
apenas uma capacidade moral ou intelectual, mas também está ligada a 
realidade. A razão ligada a capacidade moral ou intelectual dos seres humanos 
é chamada de razão subjetiva, e a razão ligada a realidade, sabendo que a 
realidade é racional em si mesma é chamada de razão objetiva. 
 
A razão de modo geral é regida por regras, por leis fundamentais. Estas 
leis fundamentais são quatro e chamadas de Princípios Racionais. Todos nós 
obedecemos estes princípios, já que somos seres racionais. 
Princípio da Identidade: Uma coisa, seja qual for, só pode ser 
conhecida e pensada se for percebida e conservada. 
Para entender melhor este princípio pegue duas canetas de marcas 
distintas. Observe ao máximo a aparência delas, mesmo que você encontre 
muitas diferenças elas ainda são canetas. Existe algo mais relevante que cor, 
 
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marca, escrita, que fez você reconhecê-las como canetas, estas propriedades 
são conhecidas, pensadas e percebidas, o ato de conservá-las faz com que 
reconheça qualquer tipo de caneta. 
Observe o seguinte abaixo, 
Nele podemos observar dois retângulos, 
um triângulo e um paralelogramo. Esta 
observação pode ser feita, pois reconhecemos 
como triângulo, por exemplo, toda linha poligonal 
fechada formada por três lados. 
Estas formas nos foram apresentadas em 
algum momento da vida (conhecidas), ao 
observá-las guardamos determinadas 
propriedades (pensadas, percebidas e 
conservadas). 
O princípio da identidade se refere ao ato de definir determinada coisa 
ou idéia. 
 
Princípio da Não-Contradição: é impossível que uma coisa ou idéia 
seja e não seja alguma coisa, ao mesmo tempo. 
A blusa é toda azul e não é toda azul. A segunda frase entra em conflito 
com a segunda uma vez que o conectivo e faz com que as duas idéias sejam 
adicionadas, as estas idéias juntas se contradizem. 
O princípio da não-contradição afirma que uma coisa ou uma idéia que 
se negam a si mesmas se autodestroem, desaparecem, deixam de existir. 
 
Princípio do Terceiro-Excluído: ou uma coisa ou idéias possui 
determinada propriedade ou não possui. 
Partindo do exemplo anterior, \u201cA blusa é toda azul ou a blusa não é toda 
azul\u201d. 
 
 
 
 
 
Ao associarmos o primeiro elemento com o segundo, ou seja, tomando 
como verdade \u201cA blusa é toda azul\u201d, necessariamente o terceiro elemento é 
excluído, é tomado como falso. Da mesma forma, ao associarmos o primeiro 
elemento com o terceiro, tomando como verdade \u201cA blusa não é toda azul\u201d, 
necessariamente o segundo elemento é tomado como falso. 
O princípio do terceiro-excluído complementa o anterior, exige uma 
escolha entre duas alternativas, considera uma verdadeira e outra falsa. 
 
BLUSA 1º 
É TODA AZUL 2º NÃO É TODA AZUL 3º 
 
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Princípio da Razão Suficiente ou Princípio da Causalidade: através 
da razão conexões entre coisas ou idéias são estabelecidas. 
 
Se um evento, então outro acontece. 
 
Pense em um número.