Apost. Introd. Engenharia Civil
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fica sujeito à "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART). 
 
O QUE É ART 
 
a) É o documento que define para os efeitos legais os responsáveis técnicos por uma 
obra ou serviço nas áreas da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, conforme 
determina a Lei 6.496/77 e a Resolução 425/98 \u2013 Confea; 
 
b) É um instrumento básico para a fiscalização do exercício da profissão, permitindo 
identificar se uma obra ou serviço está sendo realizado por um profissional habilitado; 
 
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c) É a garantia técnica e contratual ao profissional e ao cliente na prestação de serviços 
e/ou obras de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. 
 
 
A Importância da ART para a Sociedade: 
 
a) Permite que a sociedade identifique os responsáveis por determinado 
empreendimento e as características do serviço prestado; 
 
b) Em caso de sinistro e acidentes, a ART identifica, individualmente, os profissionais 
responsáveis auxiliando na acareação dos responsáveis junto ao poder público; 
 
c) a ART garante os direitos básicos estabelecidos no Código de Defesa do Consumidor 
(Lei 8.076/90 \u2013 Art. 6º, inciso I). 
 
A Importância da ART para o Profissional: 
 
a) Garante os direitos autorais; 
 
b) Funciona como contrato de trabalho/serviço entre as partes; 
 
c) Define os limites de responsabilidade e viabiliza o Acervo Técnico. 
 
 
6. Responsabilidades Decorrentes da Construção 
 
 6.1. Responsabilidades Civis 
 
 A seguir apresentam-se de forma resumida alguns tópicos relativos às 
responsabilidades que o engenheiro civil possui sobre projetos e construções. 
 Segundo Meirelles (1979): Da construção, como realização material e 
intencional do homem, podem resultar responsabilidades diversas do construtor para 
com o proprietário da obra, e deste para com vizinhos e terceiros que venham a ser 
prejudicados pelo só fato da construção ou por ato dos que a executam. 
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 A construção de obra particular ou pública, além das responsabilidades 
estabelecidas no contrato, pode acarretar outras para o construtor, para o autor do 
projeto, para o fiscal ou consultor, e para o proprietário ou Administração contraente. 
 São responsabilidades legais e extracontratuais, de ordem pública, decorrente da 
lei, de fatos da obra e da ética profissional, e, por isso mesmo, independente de 
convenção das partes. Daí a necessidade de ser apreciada separadamente cada uma 
dessas responsabilidades, para se fixar com precisão os encargos de todos os 
participantes da obra, e de quem a encomendou. 
 Cabe ao Poder Publico (Prefeituras e demais órgãos públicos) conceder o Alvará 
de Construção, desde que a obra se enquadre dentro do Código de Obras e das leis que 
regem aquele tipo de empreendimento. 
 O Alvará de Construção é concedido ao responsável pela execução da obra 
(engenheiro civil), transferindo para o profissional todas as responsabilidades 
decorrentes da construção. 
 Vale observar que quando um engenheiro civil submete um projeto à aprovação 
junto ao poder publico (prefeitura ou outro órgão), o alvará de construção é concedido 
em nome do engenheiro civil responsável pela obra. Pois dele é a responsabilidade 
integral pela segurança e integridade da obra. Aos demais profissionais que atuam na 
obra como pedreiros, eletricistas, armadores, carpinteiros encanadores, entre outros, não 
cabem responsabilidades pela segurança e solidez, cabendo única e exclusivamente ao 
engenheiro civil responsável, pois este é profissional habilitado e registrado no CREA. 
 
 Nesta ordem de idéias, serão examinadas as seguintes responsabilidades: 
 
a) Responsabilidade pela Perfeição da Obra: a responsabilidade pela perfeição 
da obra é o primeiro dever legal de todo profissional ou firma de engenharia 
civil ou arquitetura, sendo de se presumir em qualquer contrato de 
construção, particular ou publica, mesmo que não conste de nenhuma 
cláusula do ajuste. Isto porque a construção civil é modernamente, mais que 
um empreendimento leigo, um processo técnico de alta especialização, que 
exige além da peritia artis do passado, a peritia technica do profissional da 
atualidade (Meirelles, 1979). 
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Tanto o autor do projeto, quanto o construtor respondem pela imperfeição da 
obra, até que se apure a quem cabe a incorreção profissional, equiparável à 
culpa comum. 
 
b) Responsabilidade pela Solidez e Segurança da Obra: a responsabilidade pela 
solidez de obra particular ou publica é de natureza legal. De acordo com o 
Novo Código Civil, Lei no 10.406, de 10/01/2002, Capítulo VIII \u2013 DA 
EMPREITADA, têm-se os principais artigos: 
Art. 610. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ele só com seu 
trabalho ou com ele e os materiais; 
§ 1º A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou 
da vontade das partes. 
§ 2 º O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de 
executá-lo, ou de fiscalizar-lhe a execução. 
Art. 611. Quando o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os 
riscos até o momento da entrega da obra, a contento de que a encomendou, 
se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta 
correrão os riscos. 
Art. 612. Se o empreiteiro só forneceu mão de obra, todos os riscos em que 
não tiver culpa correrão por conta do dono. 
Art. 613. Sendo a empreitada unicamente de lavor (art. 610), se perecer antes 
de entregue, sem mora do dono nem culpa do empreiteiro, este perderá a 
retribuição, se não provar que a perda resultou de defeito dos materiais e 
quem em tempo reclamar contra a sua quantidade ou qualidade. 
Art. 614. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se 
determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique 
por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o 
pagamento na proporção da obra executada. 
Art. 615. Concluída da obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, 
o dono é obrigado a recebê-la. Poderá, porém, rejeite-la, se o empreiteiro se 
afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas 
em trabalhos de tal natureza. 
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Art. 616. No caso da segunda parte do artigo antecedente, pode que 
encomendou a obra, em vez de enjeitá-la, recebê-la com abatimento no 
preço. 
Art. 617. O empreiteiro é obrigado a pagar os materiais que recebeu se por 
imperícia ou negligencia os inutilizar. 
Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções 
consideráveis, o empreiteiro de materiais e execução responderá, durante o 
prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim 
em razão dos materiais, como do solo. 
Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o dono da obra 
que não propuser a ação contra o empreiteiro, nos cento e oitenta dias 
seguintes ao aparecimento do vício ou defeito. 
Art. 621. Sem anuência do seu autor, não pode o proprietário da obra 
introduzir modificações no projeto por ele aprovado, ainda que a execução 
seja confiada a terceiros, a não ser que, por motivos supervenientes