Leitura e Producao Textual
61 pág.

Leitura e Producao Textual


DisciplinaInterpretação e Produção de Textos1.187 materiais17.969 seguidores
Pré-visualização14 páginas
a 
estereotipação?
- Estereoquê?
- Um chato?
- Isso.\u201d
(Luis Fernando Veríssimo)
Variedade e Unidade da Língua Portuguesa 
 
O conceito de língua é bastante amplo, englobando as manifestações da fala, com suas 
incontáveis possibilidades. Dentro desse extenso universo, há também variações que não 
são decorrentes do uso individual da língua, mas sim, de outros fatores. Esses fatores 
podem ser: geográficos, sociais, profissionais e situacionais. 
a) Geográficos: há variações entre as formas que a língua portuguesa assume nas 
diferentes regiões em que é falada. Basta pensar nas evidentes diferenças entre o modo de 
falar, por exemplo, de um lisboeta (natural ou habitante de Lisboa) e de um carioca ou na 
expressão de um gaúcho em contraste com a de um paraense. Essas variações regionais 
constituem os falares e os dialetos;
18
Leitura e Produção Textual
b) Sociais: o português empregado pelas pessoas que têm acesso à escola e aos meios 
de instrução difere daquele empregado pelas pessoas privadas de escolaridade. Algumas 
classes sociais, assim, dominam uma forma de língua que goza de prestígio, enquanto 
outras, são vítimas de preconceito por empregarem formas menos prestigiadas. Cria-se, 
desta maneira, uma modalidade de língua \u2013 a norma culta -, que deve ser adquirida durante 
a vida escolar e cujo domínio é solicitado como forma de ascensão profissional e social. O 
idioma é, portanto, um instrumento de dominação e discriminação. 
Também são socialmente condicionadas certas formas de língua que alguns grupos 
desenvolvem a fim de evitar a compreensão por parte daqueles que não pertencem ao 
grupo. O emprego dessas formas de língua proporciona o reconhecimento fácil dos 
integrantes de uma comunidade restrita, seja um grupo de estudantes, seja uma quadrilha 
de contrabandistas. Assim se formam as gírias, variantes linguísticas sujeitas a contínuas 
transformações;
c) Profissionais: o exercício de certas atividades requer o domínio de certas formas de 
língua chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, essas variantes têm 
seu uso praticamente restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros, médicos, químicos, 
linguistas e outros especialistas;
d) Situacionais: em diferentes situações comunicativas, um mesmo indivíduo emprega 
diferentes formas de língua. Basta pensar nas atitudes assumidas em situações formais 
(um discurso numa solenidade de formatura, por exemplo) e em situações informais (uma 
conversa descontraída com amigos). Em cada uma dessas oportunidades, emprega-se 
formas de língua diferentes, procurando adequar o nível vocabular e sintático ao ambiente 
linguístico em que o sujeito se encontra. 
Quando o uso da língua abandona as necessidades estritamente práticas do cotidiano 
comunicativo e passa a incorporar preocupações estéticas, surge a língua literária. Nesse 
caso, a escolha e a combinação de elementos linguísticos subordinam-se à atividades 
criadoras e imaginativas. Código e mensagem adquirem uma importância elevada, 
deslocando o centro de interesse para aquilo que a língua é em detrimento daquilo para 
que ela serve. 
(Texto de Ulisses Infante. Do texto ao texto. São Paulo. Ed. Scipione.)
Módulo
II
Texto e Textualidade
20
Leitura e Produção Textual
1. O QUE É TEXTO?
A palavra texto tem sua origem no latim textum, que significa tecido, entrelaçamento. Portanto, 
podemos dizer que o texto resulta de um trabalho de entrelaçar várias partes inter-relacionadas formando 
um todo significativo, que depende da coerência conceitual, da coesão sequencial e também da adequação às 
circunstâncias e condições de uso da língua. 
Em sentido mais abrangente, uma pintura, uma escultura, um desenho, uma foto, também são formas 
textuais, uma vez que todos esses objetos geram um todo de sentido. Desse modo, podemos falar de texto 
verbal, texto visual, texto pictórico, etc. No entanto, apesar da importância de todos os tipos de texto, para 
o nosso estudo, vamos priorizar o texto verbal, aquele que utiliza a palavra.
\u201cEntende-se por texto todo componente verbalmente enunciado de um ato de 
comunicação pertinente a um jogo de atuação comunicativa, caracterizado por uma 
orientação temática e cumprindo uma função comunicativa identificável, isto é, 
realizando um potencial elocutório determinado.\u201d (SCHMIDT, S. J. Linguística e 
teoria do texto. São Paulo: Pioneira, 1978 
Podemos definir texto como uma unidade básica de organização e transmissão de ideias, conceitos e 
informações, ou seja, uma unidade linguística com propriedades estruturais específicas.
Um texto não é, portanto, uma sequência de frases soltas. Existem características que diferem um 
texto de um aglomerado de frases: estrutura, organização, propósito, coesão, caráter sociocomunicativo, etc. 
Ao descrever os mecanismos de estruturação textual, Mira Mateus et al (1983) denominam 
textualidade o \u201cconjunto de propriedades que uma manifestação da linguagem humana deve possuir 
para ser um texto\u201d e consideram esse conjunto formado das seguintes propriedades: conectividade, 
intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, intertextualidade, informatividade. 
Vamos compreender melhor cada uma dessas propriedades:
\u2022 Conectividade é a interdependência semântica de ocorrências textuais. Essa interdependência 
se estabelece a partir de dois mecanismos: COERÊNCIA E COESÃO
A coerência é essencial, faz com que uma sequência linguística qualquer seja vista como um texto. É 
a coerência, através de vários fatores, que permite estabelecer relações (sintático-gramaticais, semânticas e 
pragmáticas) entre os elementos da sequência (morfemas, palavras, expressões, frases, parágrafos, capítulos, 
etc), permitindo construí-la e percebê-la, na recepção, como constituindo uma unidade significativa global. 
Portanto é a coerência que dá textura e textualidade à sequência linguística, entendendo-se por textura ou 
textualidade aquilo que converte uma sequência linguística em texto. Assim sendo, podemos dizer que a 
coerência dá início à textualidade.\u201d (KOCH, I.V. & TRAVAGLIA L. C. A coerência textual. São Paulo, 
Contexto, 1995. p.45)
A coesão, segundo o Dicionário de Linguagem e Linguística, de R. Larry Trask \u201cé a presença em um 
discurso de ligações linguísticas explicitas que criam estrutura\u201d. Em outras palavras, a coesão ocorre quando 
a interpretação de algum elemento no discurso depende da interpretação de um outro elemento.
21
 Curso de Graduação a Distância
\u2022 Intencionalidade diz respeito ao empenho do produtor em construir um discurso coerente, 
coeso e capaz de satisfazer os objetivos que tem em mente numa situação comunicativa 
(informar, convencer, pedir, impressionar, ofender, etc);
\u2022 Aceitabilidade é a disposição que o receptor tem para aceitar o que está sendo dito (contrato 
de cooperação entre os interlocutores);
\u2022 Situacionalidade diz respeito aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância 
do texto em relação ao contexto em que ocorre, ou seja, é a adequação do texto à situação 
sociocomunicativa. Vale dizer que o contexto pode definir o sentido do discurso e orienta tanto 
a produção quanto a recepção;
\u2022 Informatividade diz respeito à seleção e apresentação das informações que o texto veicula;
\u2022 Intertextualidade é a relação entre um texto e outros textos que constituem a experiência 
compartilhada pelo produtor e pelo recebedor.
É necessário compreender que cada fator depende dos demais, não podendo ser entendido de modo 
isolado.
ATIVIDADE DE APRENDIZAGEM: 
Sobre coerência e coesão:
I- Atenção! Leia a sequência abaixo para responder as questões que 
seguem :
\u201cHavia um menino muito magro que vendia amendoins numa esquina de uma 
das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraquinho, que mal podia carregar a cesta 
em que estavam os pacotinhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um