ARBITRABILIDADE_PARECER_TALAMINI
11 pág.

ARBITRABILIDADE_PARECER_TALAMINI


DisciplinaNegociação, Mediação e Arbitragem31 materiais259 seguidores
Pré-visualização8 páginas
já era adotada pelo ~uprem~ Trib~nal con~nua sendo se-
-( uÚa pelo Superior Tribunal de Justiça, _que lIlcluslve edltou a .S?mu~a 1~9,.se­~ do a qual nas execuções fiscais não cabe a intervenção do Mmlsté~lo Publtco, ~~:cisamente por reputar-se que em tais casos o interesse controvertido é mera-
. mente patrimonial. 
25. Some-se a tudo isso a consideração da base da di.sputa entre as partes. Tra-
ta-se de saber se existe desequilíbrio econômico financelfo a ser recomposto e em 
quais limites. 
Ora, uma vez constatado o desequilíbrio é dever do eu.te contrata~te restaurar 
á original equação, voluntariamente, através de todos os ajustes que se façam n~­
cessários. Frise-se: não se trata de a Administração poder recompor a equaçao 
S ante slIa· tem o dever de assim proceder (cf., por todos, MARÇAL JUSTEN 
fuHO, Cdmentários à Lei de Licitações, 7' ed., S. Paulo, Dialética, 2000, p. 556). 
. Trata-se, portanto, de medida que pode e de:e ser adotada independentemen-
te de intervenção judicial. Pode ser composta ~lfetamente. entre as part:s contra-
tantes. Logo, é compatível com O processo arbitral (v. tÓpiCOS 4 e 5, aCima). 
d b> 
7.3 As especificidades técnicas da llwtéria controvertida 
26. De resto - não é demais notar - as pr.6prias características da matéria obje-
to do litígio aconselhavam o emprego da arbitragem. 
A influência do direito material sobre o processo é um ~specto semp~e pre-
sente, em maior ou menor grau. O di~eito. process~IaI, na medld~ em que é 1Ilst~~ 
mento de realização do direito maten~l, ~ofre os l.nfluxos deste, ten~e a ser .mo 
dado conforme as características do dtrelto matenal que ele se propoe a aplIcar. 
No que tange à arbitragem e à opção por seu empr~go, não é dif~re~te. A 
escolha dessa via de composição tende a ocorrer sobretudo quando o lItígIO. en-
volve matérias cujas peculiaridades possam vir a ser adequadamente refletIdas 
no processo arbitral. . 
Nesse sentido, ELIO FAZZALARI já se OCl1~OU de realçar a íntima relação 
existente entre direito material e a opção pela arbItragem. Constatou, por exem-
plo, que a arbitragem internacional, por seu caráter "a-estatal", tende a ser o me-
152 REVISTA DE ARBITRAGEM E MEDIAÇÃO ~ 5 
canismo, ?,e composi~ão por excelência dos conflitos surgidos-em um 
me:cant~l deS~Ilvolvldo em determinados setores da atividade e~;:~;::~b; aph~a l~ls .de.dl~e.rentes países ou é regido por práticas comerciais 
(Isfltuz/01lI dI dmtto processuale civile, Pádua, Cedam, 1992, p. 478). 
?ut:
0 terr~no para o,qual a arbitragem reyela-se especialmen~~~eJ!:~~i~;~~l~ dos htíglOS cUJ,a ~?mposlç~o·envolve o enfrentamento de questões cífic-"~. A,po~slbllIdad~ de mdicar árbitros que detenham amplo 
matena tecmca Incentiva as partes a optar pelo processo arbitral. 
Foi o que ocorreu no caso em exame. As questões relativas àl :j~t~;~:~ ~~~~ 
tua! envolv:m a consideração de uma série de detalhes técnicos n 
de mstalaç,ao ?e tubulações de gás e atividades conexas. Bem por isso, 
das partes l~dICOU co~o árbitro um profissional com larga experiência 
e esses árbl~os selecIOnaram um terceiro com semelhante currículo (todm"ci~ 
ampla atuaçao na área de gás canalizado, especialmente nos quadros da PetrobtilS 
8. A confirmação doutrinária ejurisprudencial do cabimento da al'l>i!Jrag;ellí 
27. Tem prevalecido de modo marcante nos tribunais, ,e~n~a~d~d~our;t~n;': nl:,a~:o;ã~'~~W~:"~ 
menta da possibilidade de arbitragem envolvendo entes d . . 
27.1. Na jurispmdência, destaca-se a célebre decisão do S:up,relllo' TI,ibIJtiilÍ\i 
Federal no "caso Lage": 
"In~orporação ~ Bens e direitos das Empresas Organização Lage e do 00 \u2022\u2022 ',"'1"; 
de Henn~ue Lage - Juízo Arbitral- Cláusula de irrecorribilidade _ Juros da 
- Correçao monetána. UHOla "f 
<11_ Legalidade do Juízo Arbitral, que o nosso Direito sempre admitiu e 
sagrau, até ~esmo nas causas contra a ~azenda. Precedente do Supremo Tribunal 
Federal.( ... ) (AI 52.191, Pleno, reI. Mm. BILAC PINTO, em RTJ 68/382). ,;'~ 
~e~elhante posicionamento encontra-se em acórdão do Tribunal de Justiça 
dOÁDlstnto Federal, relatado pela hoje Ministra do Superior Tribunal de Justiçà' 
F TIMA NANCY ANDRIGHI: A 
&quot;MAN~ADO DE SEGURANÇA. Pólo passivo. Tempestividade. Licitaçã~. I~t,;,r~sse publIco mdlsponíveI. Juízo arbitral. Dec.-1ei 2.300 e Lei 8.666/93 P , , 
slbllIdade. . os in 
( ... ) 
&quot;lII - Pelo ar!. 54, daLei 8.66~/93, os con,tratos administrativos regem-se pela~ 
su~s cl~usulas e p;eceltos de drreIto público, aplicando-se-lhes supletivamente-oi 
prmcíplOs da teona ~e:~1 dos contratos e as disposições de direito privado, o qJ~ 
vem refo:~~r a pOSSIbIlIdade de adoção do juízo arbitral para dirimir questõd~ 
contratuals (MS 1998002003066·9 - Conselho Especial- TJDF - j. 18.05.1999 
- rela. Desa. Nancy Andnghl - DJ 18.08.1999, em Revista de Direito Bancário&quot; 
do Mercado de Capitais e da Arbitragem 8, 2000, p. 359). ' 
3. PARECERES 153 
27.2. Na doutrina, além do exato ensinamento de CAIO TÁCITO, já citado, 
dovo ser mencionado ainda o escólio de ADILSON DALLARI: 
, {f! , . l'Em primeiro lugar, cabe ressaltar que ao optar pela arbitragem o contratante 
público não está transigindo com o interesse público nem abrindo mão de instru-
mentos de defesa de interesses públicos. Está, sim, escolhendo uma forma mais 
expedita, ou um meio mais hábil, para a defesa do interesse público. Assim como 
RJU~z, no procedimento judicial, deve ~er imparcial, também o árbitro deve deci-
#rr.çom imparcialidade. O interesse público não se confunde COIl&quot;!- o mero interes-
s~ da Administração ou da Fazenda Pl1blica; o interesse públicq estfi na correta 
aplicação dalei, e se confunde coma realização concretadaJustiça. Inúmeras vezes, 
_ para defender o interesse público, é preciso decidir contra a Administração Públi-
ca&quot; (&quot;Arbitragem na concessão de serviço público&quot;, emRTDP 13, 1996, pp. 8-9). 
I!&quot; . 
, Outra não é a opinião de DIOGO DE FIGUEIREDO MOREIRA NETO: 
&quot;Consigne-se, finalmente, que a competência para negociar e contratar a res-
peito de interesses patrimoniais disponíveis de adllÚnistração pública implica na 
correlata competência para pactuar preventivamente a solução de controvérsias 
por meio de arbitramento. Tal é anonlla do ar!. l° da Lei 9.307, do 23 do setembro 
de 1996, daí decorrendo que a competência para a escolha das regras de direito 
(ar!. 2°, § 1°), bem como para escolha dos árbitros (ar!. 13, § 2.&quot;) segue-se como 
çorolário&quot; (uArbitragem nos contratos administrativos&quot;, em RDA 209, 1997, p. 89). 
Idêntico ainda é o pensamento, entre outros, de LEON FREJDA SZKLARO-
WSKY (&quot;A arbitragem e a Administração Pública&quot;, divulgado na internet, na pá-
gina do autor), ARNOLDO WALD (&quot;A arbitragem e os contratos administrativos&quot;, 
divulgado na internet: www.camarbra.com.br/wald.htm) e CARLOS ALBERTO 
CARMONA (Arbitragem e processo: 11m comentário à Lei 9.307/96, Malheiros, 
1998, pp. 52 e ss.). 
27.3. O Tribunal de Contas da União também já se pronunciou pela admissibili-
dade da arbitragem em contratos administrativos. Trata-se da D~cisão 188/95 (pro-
cesso Te 006.098/93-2), que consiste em importante precedente sobre essa matéria. 
Naquela oportunidade, em reexame de decisão anterior, admitiu-se a arbi-
tragem em contrato de concessão (inequivocamente sujeito às regras de direito 
público), apenas com a ressalva de que não fossem incluídas &quot;cláusulas que não 
observem estritamente o princípio da legalidade e a indisponibilidade do inte· 
resse público&quot;. 
9. Os princípios da boa·fé c da moralidade administrativa 
28. Por último, não se pode deixar de notar que a postura adotada pela Com-
pagás, com a devida venia, configura um venire contrafacl/lm propriiwI. Ela se 
volta agora contra um encaminhamento de solução que ela mesma, antes, houvera 
sugerido e de cuja formulação participara. 
Na lição do FRANCISCO MUNIZ: 
· , 
rI 
! 
154 REVISTA DE ARBITRAGEM E