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atividades em Artes Visuais. Nesses ateliês, os materiais devem ficar
constantemente acessíveis às crianças, em prateleiras, estantes, caixas etc., de forma a
permitir a livre escolha. É necessário também que haja lugar para a secagem dos trabalhos,
sejam eles pinturas ou objetos tridimensionais. A presença de torneiras e pias é fundamental
para a lavagem de pincéis, brochas e outros tipos de materiais, assim como as mãos, rostos
etc. Quanto ao armazenamento das produções realizadas, pastas e arquivos também podem
fazer parte desses locais que devem, inclusive, abrigar exposições permanentes das
produções.
Fotos: Anamélia B. Buoro
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Os recursos materiais
Os materiais são a base da produção artística. É importante garantir às crianças acesso
a uma grande diversidade de instrumentos, meios e suportes. Alguns deles são de uso
corrente, como lápis preto, lápis de cor, pincéis,
lápis de cera, carvão, giz, brochas, rolos de pintar,
espátulas, papéis de diferentes tamanhos, cores e
texturas, caixas, papelão, tintas, argila, massas
diversas, barbantes, cola, tecidos, linhas, lãs, fita
crepe, tesouras etc. Outros materiais podem
diversificar os procedimentos em Artes Visuais, como
canudos, esferas, conta-gotas, colheres, cotonetes,
carretilhas, fôrmas diversas, papel-carbono, estêncil,
carimbos, escovas, pentes, palitos, sucatas,
elementos da natureza etc.
Com relação às sucatas é importante que se
faça uma seleção, garantindo que não ofereçam
perigo à saúde da criança, que estejam em boas
condições e que sejam adequadas ao uso. Cada
região brasileira possui uma grande variedade
de materiais próprios, tanto naturais quanto
artesanais e industrializados. O professor pode
e deve aproveitá-los desde que sejam
respeitados os cuidados descritos.
Materiais e instrumentos, como mimeógrafos, vídeos, projetores de slides,
retroprojetores, mesas de luz, computadores, fotografias, xerox, filmadoras, CD-ROM etc.,
possibilitam o uso da tecnologia atual na produção artística, o que enriquece a quantidade
de recursos de que o professor pode lançar mão.
Observação, registro e avaliação formativa
A avaliação deve buscar entender o processo de cada criança, a significação que cada
trabalho comporta, afastando julgamentos, como feio ou bonito, certo ou errado, que
utilizados dessa maneira em nada auxiliam o processo educativo.
A observação do grupo, além de constante, deve fazer parte de uma atitude sistemática
do professor dentro do seu espaço de trabalho. O registro dessas observações e das
percepções que surgem ao longo do processo, tanto em relação ao grupo quanto ao percurso
individual de cada criança, fornece alguns parâmetros valiosos que podem orientar o
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professor na escolha dos conteúdos a serem trabalhados. Podem também, ajudá-lo a avaliar
a adequação desses conteúdos, colaborando para um planejamento mais afinado com as
necessidades do grupo de crianças.
Quando se aborda a questão da avaliação em Artes Visuais, surge inevitavelmente a
discussão sobre a possibilidade de realizá-la, posto que as produções em artes são sempre
expressões singulares do sujeito produtor e, sendo assim, não seriam passíveis de julgamento.
Em Artes Visuais a avaliação deve ser sempre processual e ter um caráter de análise e
reflexão sobre as produções das crianças. Isso significa que a avaliação para a criança deve
explicitar suas conquistas e as etapas do seu processo criativo; para o professor, deve fornecer
informações sobre a adequação de sua prática para que possa repensá-los e estruturá-los
sempre com mais segurança.
São consideradas como experiências prioritárias em Artes Visuais realizada para as
crianças de zero a três anos: a exploração de diferentes materiais e a possibilidade de
expressar-se por meio deles. Para isso é necessário que as crianças tenham tido oportunidade
de desenhar, pintar, modelar, brincar com materiais de construção em diversas situações,
utilizando os mais diferentes materiais.
A partir dos quatro e até os seis anos, uma vez que tenham tido muitas oportunidades,
na instituição de educação infantil, de vivenciar experiências envolvendo as Artes Visuais,
pode-se esperar que as crianças utilizem o desenho, a pintura, a modelagem e outras formas
de expressão plástica para representar, expressar-se e comunicar-se. Para tanto, é necessário
que as crianças tenham vivenciado diversas atividades, envolvendo o desenho, a pintura, a
modelagem etc., explorando as mais diversas técnicas e materiais.
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LINGUAGEM ORAL E ESCRITALINGUAGEM ORAL E ESCRITA
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INTRODUÇÃO
A aprendizagem da linguagem oral e escrita é um dos elementos importantes para as
crianças ampliarem suas possibilidades de inserção e de participação nas diversas práticas
sociais.
O trabalho com a linguagem se constitui um dos eixos básicos na educação infantil,
dada sua importância para a formação do sujeito, para a interação com as outras pessoas, na
orientação das ações das crianças, na construção de muitos conhecimentos e no
desenvolvimento do pensamento.
Aprender uma língua28 não é somente aprender as palavras, mas também os seus
significados culturais, e, com eles, os modos pelos quais as pessoas do seu meio sociocultural
entendem, interpretam e representam a realidade.
A educação infantil, ao promover experiências significativas de aprendizagem da
língua, por meio de um trabalho com a linguagem oral e escrita, se constitui em um dos
espaços de ampliação das capacidades de comunicação e expressão e de acesso ao mundo
letrado pelas crianças. Essa ampliação está relacionada ao desenvolvimento gradativo das
capacidades associadas às quatro competências lingüísticas básicas: falar, escutar, ler e
escrever.
28 A língua é um sistema de signos histórico e social que possibilita ao homem significar o mundo e a realidade.
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Iolanda Huzak
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PRESENÇA DA LINGUAGEM ORAL
E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL:
IDÉIAS E PRÁTICAS CORRENTES
A linguagem oral está presente no cotidiano e na prática das instituições de educação
infantil à medida que todos que dela participam: crianças e adultos, falam, se comunicam
entre si, expressando sentimentos e idéias. As diversas instituições concebem a linguagem
e a maneira como as crianças aprendem de modos bastante diferentes.
Em algumas práticas se considera o aprendizado da linguagem oral como um processo
natural, que ocorre em função da maturação biológica; prescinde-se nesse caso de ações
educativas planejadas com a intenção de favorecer essa aprendizagem.
Em outras práticas, ao contrário, acredita-se que a intervenção direta do adulto é
necessária e determinante para a aprendizagem da criança. Desta concepção resultam
orientações para ensinar às crianças pequenas listas de palavras, cuja aprendizagem se dá
de forma cumulativa e cuja complexidade cresce gradativamente. Acredita-se também
que para haver boas condições para essa aprendizagem é necessário criar situações em que
o silêncio e a homogeneidade imperem. Eliminam-se as falas simultâneas, acompanhadas
de farta movimentação e de gestos, tão comuns ao jeito próprio das crianças se comunicarem.
Nessa perspectiva a linguagem é considerada apenas como um conjunto de palavras para
nomeação de objetos, pessoas e ações.
Em muitas situações, também, o adulto costuma imitar a maneira de falar das crianças,
acreditando que assim se estabelece uma maior aproximação com elas, utilizando o que se
supõe seja a mesma \u201clíngua\u201d, havendo um uso excessivo de diminutivos e/ou uma tentativa
de infantilizar o mundo real para as crianças.
O trabalho com a linguagem oral, nas instituições de educação infantil, tem se
restringido a algumas atividades, entre elas as rodas de conversa29. Apesar de serem
organizadas com a intenção de desenvolver a conversa, se caracterizam, em geral, por um
monólogo com o professor, no qual as crianças são chamadas a responder em coro a uma