RCNEI
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reorientar sua
prática.
O trabalho com a escrita pode ser enriquecido por meio da utilização do computador.
Ainda são poucas as instituições infantis que utilizam computadores na sua prática, mas
esse recurso, quando possível, oferece oportunidades para que as crianças tenham acesso
ao manuseio da máquina, ao uso do teclado, a programas simples de edição de texto, sempre
com a ajuda do professor.
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OBSERVAÇÃO, REGISTRO E
AVALIAÇÃO FORMATIVA
A avaliação é um importante instrumento para que o professor possa obter dados
sobre o processo de aprendizagem de cada criança, reorientar sua prática e elaborar seu
planejamento, propondo situações capazes de gerar novos avanços na aprendizagem das
crianças.
A avaliação deve se dar de forma sistemática e contínua ao longo de todo o processo
de aprendizagem. É aconselhável que se faça um levantamento inicial para obter as
informações necessárias sobre o conhecimento prévio que as crianças possuem sobre a
escrita, a leitura e a linguagem oral, sobre suas diferenças individuais, sobre suas
possibilidades de aprendizagem e para que, com isso, se possa planejar a prática, selecionar
conteúdos e materiais, propor atividades e definir objetivos com uma melhor adequação
didática.
As situações de avaliação devem se dar em atividades contextualizadas para que se
possa observar a evolução das crianças. É possível aproveitar as inúmeras ocasiões em que
as crianças falam, lêem e escrevem para se fazer um acompanhamento de seu progresso. A
observação é o principal instrumento para que o professor possa avaliar o processo de
construção da linguagem pelas crianças.
Em uma avaliação formativa é importante a devolução do processo de aprendizagem
à criança, isto é, o retorno que o professor dá para as crianças a respeito de suas conquistas
e daquilo que já aprenderam. Por exemplo: \u201cVocê já sabe escrever o seu nome\u201d, \u201cVocê já
consegue falar o nome do seu amigo\u201d, \u201cVocê já consegue ler o nome de fulano\u201d etc. É
imprescindível que os parâmetros de avaliação tenham estreita relação com as situações
didáticas propostas às crianças.
São consideradas experiências prioritárias
para as crianças de zero a três anos a utilização
da linguagem oral para se expressar e a
exploração de materiais escritos. Para isso, é
preciso que as crianças participem de situações
nas quais possam conversar e interagir
verbalmente, ouvir histórias contadas e lidas pelo
professor, presenciar diversos atos de escrita
realizados pelo professor, ter acesso a diversos
materiais escritos, como livros, revistas, embalagens
etc. Há um conjunto de indícios que permitem
observar se as oportunidades oferecidas para as
crianças dessa faixa etária têm sido suficientes para que
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elas se familiarizem com as práticas culturais que envolvem a leitura e a escrita. Por exemplo,
se a criança pede que o professor leia histórias, se procura livros e outros textos para ver,
folhear e manusear, se brinca imitando práticas de leitura e escrita. O professor pode também
observar se a criança reconhece e utiliza gestos, expressões fisionômicas e palavras para
comunicar-se e expressar-se; se construiu um repertório de palavras, frases e expressões
verbais para fazer perguntas e pedidos; se é capaz de escutar histórias e relatos com atenção
e prazer etc.
A partir dos quatro e até os seis anos, uma vez que tenham tido muitas oportunidades
na instituição de educação infantil de vivenciar experiências envolvendo a linguagem oral
e escrita, pode-se esperar que as crianças participem de conversas, utilizando-se de
diferentes recursos necessários ao diálogo; manuseiem materiais escritos, interessando-se
por ler e por ouvir a leitura de histórias e experimentem escrever nas situações nas quais
isso se faça necessário, como, por exemplo, marcar seu nome nos desenhos. Para que elas
possam vivenciar essas experiências, é necessário oferecer oportunidades para que façam
perguntas; elaborem respostas; ouçam as colocações das outras crianças; tenham acesso a
diversos materiais escritos e possam manuseá-los, apreciá-los e incluí-los nas suas
brincadeiras; ouçam histórias lidas e contadas pelo professor ou por outras crianças; possam
brincar de escrever, tendo acesso aos materiais necessários a isso.
Em relação às práticas de oralidade pode-se observar também se as crianças ampliaram
seu vocabulário, incorporando novas expressões e utilizando de expressões de cortesia; se
percebem quando o professor está lendo ou falando e se reconhecem o tipo de linguagem
escrita ou falada.
Em relação às práticas de leitura, é possível observar se as crianças pedem que o
professor leia; se procuram livros de histórias ou outros textos no acervo; se consideram as
ilustrações ou outros indícios para antecipar o conteúdo dos textos; se realizam comentários
sobre o que \u201cleram\u201d ou escutaram; se compartilham com os outros o efeito que a leitura
produziu; se recomendam a seus companheiros a leitura que as interessou.
Em relação às práticas de escrita e de produção de textos pode-se observar se as
crianças se interessam por escrever seu nome e o nome de outras pessoas; se recorrem à
escrita ou propõem que se recorra quando têm de se dirigir a um destinatário ausente.
O professor deve colecionar produções das crianças, como exemplos de suas escritas,
desenhos com escrita, ensaios de letras, os comentários que fez e suas próprias anotações
como observador da produção de cada uma. Com esse material, é possível fazer um
acompanhamento periódico da aprendizagem e formular indicadores que permitam ter
uma visão da evolução de cada criança.
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Mesmo sem a exigência de que as crianças estejam alfabetizadas aos seis anos, todos
os aspectos envolvidos no processo da alfabetização devem ser considerados. Os critérios
de avaliação devem ser compreendidos como referências que permitem a análise do seu
avanço ao longo do processo, considerando que as manifestações desse avanço não são
lineares, nem idênticas entre as crianças.
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Adriana Klysus
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NATUREZA E SOCIEDADENATUREZA E SOCIEDADE
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INTRODUÇÃO
O mundo onde as crianças vivem se constitui em um conjunto de fenômenos naturais
e sociais indissociáveis diante do qual elas se mostram curiosas e investigativas. Desde
muito pequenas, pela interação com o meio natural e social no qual vivem, as crianças
aprendem sobre o mundo, fazendo perguntas e procurando respostas às suas indagações e
questões. Como integrantes de grupos socioculturais singulares, vivenciam experiências e
interagem num contexto de conceitos, valores, idéias, objetos e representações sobre os
mais diversos temas a que têm acesso na vida cotidiana, construindo um conjunto de
conhecimentos sobre o mundo que as cerca.
Muitos são os temas pelos quais as crianças se interessam: pequenos animais, bichos
de jardim, dinossauros, tempestades, tubarões, castelos, heróis, festas da cidade, programas
de TV, notícias da atualidade, histórias de outros tempos etc. As vivências sociais, as histórias,
os modos de vida, os lugares e o mundo natural são para as crianças parte de um todo
integrado.
O eixo de trabalho denominado Natureza e Sociedade reúne temas pertinentes ao
mundo social e natural. A intenção é que o trabalho ocorra de forma integrada, ao mesmo
tempo em que são respeitadas as especificidades das fontes, abordagens e enfoques advindos
dos diferentes campos das Ciências Humanas e Naturais.
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Iolanda Huzak
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PRESENÇA DOS CONHECIMENTOS SOBRE
NATUREZA E SOCIEDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL:
IDÉIAS E PRÁTICAS CORRENTES
Determinados conteúdos pertinentes às áreas das Ciências Humanas e Naturais
sempre estiveram presentes na composição dos currículos e programas de educação infantil.
Na maioria das instituições, esses conteúdos estão relacionados à preparação das crianças
para os anos posteriores da sua escolaridade, como no