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ATRIBUIÇÕES DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL

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ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E 
DO SENADO FEDERAL 
 
SANTOS, Anderson de Paula 
DE ALMEIDA, Disael Rodrigues 
MENDES, Eliton Mello 
CHUERI, Leandro Antonio R. 
JUNIOR, Mario Sydow 
ARAUJO, Matheus Aparecido de Lima 
LOPES, Miguel Arcanjo França 
Acadêmicos do curso de Graduação em Direito da Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva 
JUNIOR, Jorge dos Santos 
Especialista em Direito, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva 
 
RESUMO 
Montesquieu em seu livro Do espírito das leis definiu e propagou o Princípio da Separação dos 
Poderes, se tornando um dogma Constitucional da Revolução Francesa a ponto da Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 declarar que não teria Constituição a sociedade que não 
assegurasse a separação dos poderes, tal o entendimento que este princípio constituiu técnica de 
extrema relevância para a garantia dos Direitos do Homens, como ainda o é. Assim, com a cisão dos 
Poderes, temos uma tripartida ramificação, sejam o Poder Executivo, Poder Legislativo e o Poder 
Judiciário, sendo que a cada um compete funções típicas e funções atípicas, entretanto há funções 
ou competências que são estritamente privativas. Tais funções exclusivas é o tema da presente 
pesquisa científica 
Palavras-chave: Congresso Nacional, Câmara dos Deputados e Senado Federal, atribuições 
privativas. 
 
ABSTRACT 
Montesquieu in his book laws spirit defined and propagated the separation of powers principle, 
becoming a constitutional dogma of the French Revolution to the point of the Declaration of the Rights 
of Man and of the Citizen of 1789 states that there wouldn’t a Constitution society not ensured 
separation of powers as the understanding that this principle constituted extremely important 
technique for the guarantee of the Men Rights, and still is. Thus, with the separation of powers, we 
have a three-way branch, are the Executive, Legislature and the Judiciary, and each competes 
functions typical and atypical features, though there are functions or powers that are strictly private. 
Such unique features is the theme of this scientific research 
Keywords: Congress, House of Representatives and the Senate, exclusive duties. 
 
 
 
 
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1. INTRODUÇÃO 
 
 
 Cada Poder Estatal possui suas atribuições particulares e específicas, típicas 
ou atípicas, privativas ou não, entretanto tal divisão clara de competências dos 
Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nem sempre se deu dessa forma, como 
hoje é instituído pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a 
classificada Constituição Cidadã. 
Preliminarmente, cumpre ressaltar que os doutrinadores da matéria são 
uníssonos ao revelarem que não foi Montesquieu o primeiro autor a tratar da 
tripartição de poderes. Aristóteles, em sua obra Política, conjecturava a existência de 
três funções distintas exercidas pelo soberano, a saber: a função de editar normas 
gerais oponíveis a todos, a de aplicar essas normas e a de dirimir conflitos oriundos 
da execução dessas no caso concreto (LENZA, 2011, p. 433). 
A gênese da separação de poderes se encontra sugerido em Aristóteles, Jonh 
Locke e Rousseau, que veio a ser definida e propagada por Montesquieu em seu 
livro De l’esprit des lois (Do espírito das leis). Teve objetivação positiva nas Cartas 
Magnas das ex-colônias inglesas da América, concretizado em definitivo na 
Constituição dos Estados Unidos de 17 de setembro de 1787 (AFONSO DA SILVA, 
2006, p. 109). 
 Se faz mister não olvidar que o princípio da separação dos poderes se tornou 
um dogma constitucional na Revolução francesa, a ponto do artigo 16 da Declaração 
dos Direitos do Homem e do Cidadão de 26 de agosto de 1789 declarar que não 
teria Constituição a sociedade que não assegurasse a separação dos poderes, tal o 
entendimento que este princípio constituiu técnica de extrema relevância para a 
garantia dos Direitos Humanos. 
 A relação deste princípio da separação dos Poderes com o tema da presente 
pesquisa é estreita e íntima, a final, é por meio dessa separação que cada Poder 
possui sua função estrita e privativa, assim trazendo o chamado check and balance, 
ou seja, freios e contrapesos, onde cada Poder impõe limites ao outro ao passo que 
contribui harmonicamente com o outro Poder para que a Democracia se desenvolva 
e se concretize ainda mais. Tais funções privativas, especificamente do Poder 
Legislativo, é o bojo do trabalho em epígrafe. 
 
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2. DO CONGRESSO NACIONAL E SUA ORGANIZAÇÃO BICAMERAL 
 
 
 Na Democracia representativa, onde o povo elege seus representantes, como 
no Brasil, tradicionalmente o Legislativo é confiado a órgão que devem representar o 
povo e por ele decidir em questões federais. 
 O egrégio doutrinador Ferreira filho (2001, p. 165) cita a lição de Montesquieu: 
 
 
“Como, num Estado livre, o homem, que se reputa ter alma livre, 
deve ser governado por si próprio, seria preciso que o povo tivesse o 
poder legislativo. Mas como isso é impossível nos grandes Estados, 
e sujeito a muitos inconvenientes nos pequenos, é preciso que o 
povo faça por seus representantes tudo o que não pode fazer por si 
próprio”. 
 
 
Todavia, seria uma utopia esperar que o poder legislativo estivesse nas mãos 
do povo, logo, esse poder fora entregue ao corpo de representantes organizados em 
duas câmaras, por meio da soberania popular, ou seja, sufrágio universal do voto. 
A função legislativa, ou seja, a competência de criar e publicar novas normas 
em nível nacional é de competência da União, sendo exercido, tal poder, pelo 
Congresso Nacional, que se constitui da Câmara dos Deputados e do Senado 
Federal, integrados respectivamente por Deputados e Senadores (AFONSO DA 
SILVA, 2014, p. 513). 
 Na Carta Magna Brasileira é tradicional a organização do Poder Legislativo 
cindido em duas câmaras (ou duas casas), tal divisão é classificado como 
bicameralismo, sistema esse que possui sua gênese, digo, origem desde o Império 
no Brasil, com exceções nas Constituições de 1934 e 1937, que se utilizaram do 
unicameralismo, sistema em que o Poder Legislativo é composto por apenas uma 
única câmara. 
 Discute-se deveras as vantagens e desvantagens de um sistema em face do 
outro (bicameralismo versus unicameralismo). Não obstante, desde da promulgação 
da Constituição dos Estados Unidos da América (EUA), surge esse dogma que 
repele a ideia do unicameralismo, haja visto que o bicameralismo (sistema aplicado 
ao Brasil), possui a câmara dos deputados, que é o representante do povo, e, do 
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outro lado, o Senado Federal, este contendo representantes dos Estados da 
Federação. A regra geral é o bicameralismo, isto é, a existência de duas Câmaras 
que, em pé de igualdade ou não, participam do desempenho das tarefas 
ordinariamente confiadas ao Legislativo (FERREIRA FILHO, 2001, p. 165). 
 Os que defendem o unicameralismo aduzem que este sistema é menos 
conservador que o bicameralismo, pois naquele ocorre um maior avanço 
democrático, na medida que canaliza e exprime melhor os anseios sociais, tendo em 
vista que o crivo para se aprovar medidas seria apenas em uma câmara, diminuindo 
a possibilidade de divergências e conferindo maior celeridade aos trabalhos 
legisferantes (AFONSO DA SILVA, 2014, p. 513-514). 
 Se faz necessário expor que no bicameralismo nacional não há 
predominância de uma câmara sobre a outra. Legalmente e formalmente, contudo, a 
Câmara dos Deputados goza de certa primazia no que concerne à iniciativa 
legislativa, pois é em face dela que o (a) Presidente da República, o Supremo 
Tribunal Federal (STF), os Tribunais Superiores e os cidadãos promovem a iniciativa 
do processo de elaboração das leis, em consonância com o art. 61, § 2º, e art. 64, 
ambos da Constituição da República Federativa do Brasil