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O TEXTO RADIOFÔNICO

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mencionar, neste ponto, que não se deve começar uma notícia diretamente com uma citação, como no exemplo: "Existe uma aliança espúria contra 
o real, disse o Presidente Fernando Henrique Cardoso"; mas, sim, com: "Opresidente 
Fernando Henrique Cardoso denuncia que existe uma aliança espúria contra o real". Isso porque, com o uso da primeira construção, o ouvinte é levado a pensar - num primeiro momento - que a afirmação é do próprio apresentador. 
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Considerações finais As obras consultadas mencionam a correção gramatical, obediência às regras gramaticais, como fundamental para a decodificação da mensagem radiofônica. Na seqüência, todavia, ilustram com passagens de textos que contrariam a disciplina gramatical e apresentam, na continuidade das explicações, certas especificidades do 
veículo. Diante disso, surgem recomendações não gramaticais, mas que atendem à 
normatividade técnico-lingüística. No rádio, como há tendência ao imediatismo, a atualidade influi diretamente na extensão da notícia. Assim, o uso da forma verbal no presente é praticamente obrigatório, para dar atualidade à notícia, cabendo aos marcadores adverbiais ser responsáveis pela definição temporal, como no exemplo: "Os Rolling Stones chegam amanhã ao Brasil". Dessas consultas e das observações empíricas, pode-se afirmar que a construção do texto radiofônico requer adequação de linguagem. Para dar conta dessa adequação, devem coexistir normas técnicas, gramaticais e lingüísticas, que, em separado, consistem em: (a) a norma técnica pode variar de uma emissora para outra, sem, no entanto, desconsiderar as especificidades do texto radiofônico e as facilitações necessárias da emissão, principalmente, porque o texto é escrito para ser falado - e 
não dito em tom de leitura - e para ser ouvido; (b) a norma gramatical (ditada pela disciplina gramatical) é, por vezes, rompida para atender a um maior grau de comunicabilidade, imposto pelas características do veículo e pela norma lingüística imperante; (c) a norma lingüística está atrelada a fatores referentes à emissão e à recepção, tais como idade, classe social, ideologia... Considerando que a normatividade técnica e a normatividade gramatical estão 
atreladas à normatividade lingüística e esta, por sua vez, está diretamente correlacio-nada ao tipo de programa e ao tipo de ouvinte, é preciso não se estabelecer regras muito rígidas, posto que é necessário trabalhar a criatividade acima do preestabele-cido. Além disso, nem a tipologia de programas deve ser muito rígida, uma vez que um programa pode ser, ao mesmo tempo, musical e falado, ao utilizar e combinar dois componentes: a música e a palavra, a canção e o radiodrama, quer dizer, ao utilizar e combinar a palavra cantada e a palavra falada. 
CABELLO, A. R. G. Construction of the radio text: the speaking and listening style. Alfa (Sao 
Paulo), v.39, p.145-152, 1995. 
• ABSTRACT: Based on bibliographic examination and empirical observation, the article shows that the 
construction of the radio text, which is written to be spoken and heard, requires the use of a proper 
speaking and listening style, and that is obtained through the use of techno-linguistic and grammar-
linguistic patterns. 
• KEYWORDS: Radio text; techno-linguistic normativeness; grammar-linguistic normativeness. 
Alfa, São Paulo, 39: 145-152,1995 151 
Referências bibliográficas 
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