2011   Clicar, arrastar, girar O conceito de interatividade em revistas para iPad
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2011 Clicar, arrastar, girar O conceito de interatividade em revistas para iPad


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comum ao ambiente online, com a 
característica da atualização contínua. Seu conteúdo é também o mesmo da versão 
impressa, com a inclusão de elementos multimídia, como inclusão de fotos ou vídeos, 
ou infográficos dinâmicos ao produto \u2013 ampliando os recursos multimídia no produto. 
 
 
 
SBPJor \u2013 Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 
9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo 
(Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011 
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Investigam-se, neste trabalho, as possibilidades de interação disponíveis nos 
aplicativos de revistas brasileiras para tablet. Essa característica é escolhida por dois 
motivos: a utilização do termo interatividade nos manuais de uso e navegação nos 
aplicativos destas revistas, que reforçam as formas de utilização do produto; assim 
como as iniciativas de inclusão e participação dos leitores no debate e a formação de 
comunidades em torno dos temas da publicação (GUEDES; BARROS; NATANSOHN, 
2009). Portanto, é interessante revisar o conceito de interatividade no jornalismo digital 
antes de prosseguir à avaliação desta característica nas revistas online e para iPad. 
 
3. O conceito de interatividade no jornalismo digital 
 
Sobre a discussão das características do jornalismo digital, Mielniczuk (2003) já 
fala em uma multi-interatividade, uma vez que esta pode incluir diversos processos 
interativos, \u201co usuário estabelece relações: a) com a máquina; b) com a própria 
publicação, através do hipertexto e c) com outras pessoas \u2013 seja autor ou outros leitores 
\u2013 através da máquina\u201d (p. 18). Ainda assim, é o caráter de interação entre pessoas \u2013 ou 
seja, leitores com jornalistas, e dos leitores entre si \u2013 o mais destacado nas pesquisas 
sobre interação. 
Em uma discussão sobre o estado da arte do conceito de interatividade, Díaz 
Noci (2006) apresenta algumas definições, entre as quais se destacam alguns pontos 
comuns. Considera-se que, por exemplo, para haver interatividade, \u201cse precisa una 
intervención efectiva del usuario, más allá de la opción sí/no. Su intervención debe 
poder modificar el discurso hipertextual, por ejemplo, o la información que recibe\u201d 
(DIAZ NOCI, 2006, p. 10) 
Guedes, Barros e Natansohn (2009) também apresentam diversas definições de 
interatividade, atentando para distinções entre as que possibilitam uma troca 
bidirecional entre os interagentes da ação comunicativa e aquelas que funcionam em 
\u201cum sistema de estímulo-resposta, fechado e totalmente previsível\u201d (2009, p. 5). 
É interessante perceber as distinções realizadas entre duas formas principais de 
interatividade: uma primeira, em que o leitor participa da construção de sentido e 
 
 
 
SBPJor \u2013 Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 
9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo 
(Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011 
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controla a dinâmica do hipertexto; e outra, que permite apenas a escolher entre 
alternativas pré-determinadas. 
Destacamos entre essas propostas a distinção proposta por Primo
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 (2003; 2007), 
que as classifica entre Interação Mútua, \u201ccaracterizada por relações interdependentes e 
processos de negociação, em que cada interagente participa da construção inventiva e 
cooperada do relacionamento, afetando-se mutuamente\u201d e Interação Reativa, que seria 
\u201climitada por relações determinísticas de estímulo e resposta\u201d (PRIMO, 2007, p. 57). 
Percebe-se, portanto, uma distinção \u2013 por vezes até valorativa \u2013 entre a interação 
exploratória, limitada pela estrutura do texto (ou hipertexto) e aquela que se mais se 
aproxima da comunicação face-a-face, em que os interagentes atuam de maneira mais 
livre, autônoma e dialógica. Vê-se necessária uma discussão mais detalhada de ambos 
os tipos de interação. 
 
a) interação mútua 
 
Algumas investigações destacam que a interatividade pode ser encontrada \u201cpela 
troca de e-mails entre leitores e jornalistas, através da disponibilização da opinião dos 
leitores, como é feito em sites que abrigam fóruns de discussões, por meio de chats com 
jornalista\u201d (PALACIOS, 2003, p. 3-4). Ou seja, destacam-se, principalmente, as formas 
de interação mútua (PRIMO, 2007). 
Principalmente quando se discute a inclusão do leitor no processo noticioso \u2013 o 
jornalismo colaborativo ou participativo \u2013 a característica da bidirecionalidade recebe 
maior destaque. Belochio (2009) exemplifica esse posicionamento, considerando \u201ca 
colaboração inerente à interação mútua [...] enquanto a participação é vista como uma 
ação mais geral, que pode passar, também, por interações reativas\u201d (BELOCHIO, 2009, 
p. 63). Vê-se que mesmo quando se encontra a interação reativa, esta se dá de coloca de 
forma secundária, uma interação pela qual a participação pode passar, mas que não é 
necessária ou definidora. 
 
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 O autor utiliza o termo Interação Mediada por Computador. 
 
 
 
SBPJor \u2013 Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 
9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo 
(Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011 
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Também Brambilla (2006), ao propor o modelo de jornalismo open-source 
indica que para o colaborador do OhMyNews
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 se tornar um cidadão-repórter, é 
necessário chegar às vias de interação mútua. A autora destaca ainda a \u201cinteração de 
todas estas instâncias como fator fundamental para que o OhMyNews e o jornalismo 
open-source existam\u201d (BRAMBILLA, 2005, p. 95). 
Primo e Träsel (2006) também destacam a interação mútua no processo 
participativo e afirmam que \u201ca diferença principal do jornalismo tradicional e do 
webjornalismo participativo está em contar com interações mais profundas com e entre 
os colaboradores\u201d (p. 15). 
As formas de participar e interagir com o veículo de comunicação são diversas, 
desde o comentário ou apontamento de erros, ou com novas informações, ao envio de 
conteúdo produzido pelos usuários. Tem crescido ainda a atuação dessas pessoas 
\u201cformerly known as the audience\u201d (ROSEN, 2006) na distribuição das informações: 
Guedes, Barros e Natansohn (2009) identificam a utilização de sites de redes sociais 
como espaço de interação entre os leitores de um determinado produto midiático. 
Vale destacar, no entanto, que as possibilidades de participação hoje se têm 
espalhado por todas as etapas do processo produtivo da notícia (HERMIDA, 2011), e 
que a valorização da interação mútua e da participação do leitor no processo produtivo 
do jornalismo não é apenas uma proposta acadêmica, mas uma tendência que se 
identifica nas redações (NEWMAN, 2009; SINGER, 2011). Como ressalta o editor do 
jornal inglês The Guardian, Alan Rusbridger: a interação entre leitores e veículo, 
através da troca de informações contribui para construir \u201ca form of collaborative 
journalism that I can describe best as a mutualised newspaper\u201d (RUSBRIDGER, 2009, 
p.21). A importância dessa interação mútua se revela inclusive no título do texto de 
Rusbridger: I\u2019ve seen the future and it\u2019s mutual. 
 
 
 
 
 
 
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 Site de jornalismo colaborativo sul-coreano estudado pela pesquisadora,