Livro Sistema Plantio Direto Bases para o Manejo da Fertilidade do Solo.pdf
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SISTEMA PLANTIO DIRETO:
BASES PARA O MANEJO DA
FERTILIDADE DO SOLO
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SISTEMA PLANTIO DIRETO:
BASES PARA O MANEJO
 DA FERTILIDADE DO SOLO
 Afredo Scheid Lopes
 Sírio Wiethölter
 Luiz Roberto Guimarães Guilherme
 Carlos Alberto Silva
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ANDA
Associação Nacional para
Difusão de Adubos
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APRESENTAÇÃO
O Brasil possui a segunda maior área plantada no mundo sob sistema
plantio direto (SPD). Esse fato representa uma grande conquista para a
sociedade brasileira em termos de preservação do meio ambiente, uma vez
que, em área sob SPD, a perda de solo por erosão é drasticamente reduzi-
da e o estoque de matéria orgãnica é aumentado.
Essas mudanças implicam em melhoria da fertilidade e da qualidade
do solo e em maior eficiência de uso de água e de nutrientes, o que se
traduz em maior produção de alimentos com as mesmas quantidades de
fertilizantes e de corretivos usadas atualmente.
Como resultado desses benefícios, o SPD experimenta, atualmente,
um avanço acelerado em todos os estados brasileiros, já que, de início, as
áreas sob SPD concentravam-se no sul do Brasil.
Todos esses aspectos resultaram de um grande esforço da pesquisa
brasileira no sentido de entender os processos fundamentais para o estabe-
lecimento do SPD em diferentes solos e biomas, sobretudo nas questões
associadas ao manejo da fertilidade do solo. Cabe também ressaltar a con-
tribuição que os agricultores, os extensionistas e as empresas de fabrica-
ção de máquinas e de insumos deram para a expansão do SPD no Brasil.
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ÍNDICE
1. Introdução........................................................................................... 1
2. Principais alterações químicas no solo decorrentes do sistema plantio
 direto................................................................................................. 3
2.1. Matéria orgânica.............................................................................. 3
2.2. Acidez do solo e toxidez de alumínio ............................................... 5
2.2.1. Respostas à aplicação de calcário ................................................ 8
2.2.2. Efeitos da calagem superficial nas camadas subsuperficiais do
 solo............................................................................................. 17
2.3. Fósforo........................................................................................... 21
2.4. Nitrogênio ...................................................................................... 32
2.4.1. Aplicação antecipada de nitrogênio............................................... 39
2.4.2. Perdas de nitrogênio por volatização............................................. 53
3. Antes de netrar no sistema plantio direto............................................. 54
3.1. Calagem......................................................................................... 55
3.2. Gessagem....................................................................................... 58
3.3. Adubação corretiva......................................................................... 61
3.3.1. Adubação fosfatada corretiva....................................................... 61
3.3.2. Adubação potássica corretiva....................................................... 68
3.3.3. Adubação corretiva com micronutrientes....................................... 70
4. Manejo da fertilidade no sistema plantio direto..................................... 71
4.1. Amostragem do solo para fins de avaliação da fertilidade.................. 71
4.2. Calagem.......................................................................................... 75
4.3. Adubação nitrogenada..................................................................... 79
4.4. Adubação fosfatada e potássica....................................................... 83
4.5. Adubação com enxofre e micronutrientes......................................... 87
4.6. A importância da cobertura do solo................................................. 90
5. Considerações finais.......................................................................... 92
6. Literatura citada................................................................................. 96
7. Apêndice - Classes de solo utilizadas no texto, figuras e tabelas -
 nomenclatura anterior e atual..............................................................110
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SISTEMA PLANTIO DIRETO: BASES PARA O
MANEJO DA FERTILIDADE DO SOLO
Alfredo Scheid Lopes 1
Sírio Wiethölter 2
Luiz Roberto Guimarães Guilherme 3
Carlos Alberto Silva 4
1. Introdução
Um dos maiores avanços no processo produtivo da agricultura
brasileira foi a introdução do Sistema Plantio Direto (SPD) no Sul do Brasil,
a partir do início da década de 1970. Seu objetivo básico inicial foi controlar
a erosão hídrica. O desenvolvimento desse sistema só se tornou possível
graças a um trabalho conjugado de agricultores, pesquisadores, fabricantes
de semeadoras, e técnicos interessados em reverter o processo acelerado
de degradação do solo e da água verificado em nosso país. Em solos de
igual declividade, o SPD reduz em cerca de 75% as perdas de solo e em
20% as perdas de água, em relação às áreas onde há revolvimento do solo
(Oliveira et al., 2002).
Com crescimento inicial pouco expressivo, em termos de área,
foi a partir da década de 1990 que ocorreu grande expansão da área sob
SPD, tanto na região sul como na região do Cerrado, onde o SPD começou
apenas a ser utilizado nos anos 1980 (Figura 1). Atualmente são cultivados
no Brasil cerca de 20 milhões de hectares sob plantio direto (Cervi, 2003),
estando 25% dessa área localizada na região do Cerrado. Em nível mundial,
a área sob SPD é de 64 milhões de hectares e o Brasil ocupa a segunda
maior área, sendo os Estados Unidos o país que apresenta a maior área sob
esse sistema. Regionalmente, o SPD já vem sendo adotado de modo
sistemático nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná
(3,8, 0,8 e 4,5 milhões de hectares, respectivamente) havendo, nos anos
1. Engo Agro, PhD, Professor Emérito do Depto de Ciência do Solo, Universidade Federal da Lavras, Lavras,
MG e Consultor Técnico da ANDA, São Paulo, SP, e-mail: ascheidl@ufla.br
2. Engo Agro, PhD, Pesquisador, Embrapa Trigo, Passo Fundo, RS, e-mail: siriow@cnpt.embrapa.br
3. Engo Agro, PhD, Professor Adjunto do Depto de Ciência do Solo, Universidade Federal da Lavras, e-mail:
guilherm@ufla.br
4. Engo Agro, Dr, Professor Adjunto do Depto de Ciência do Solo, Universidade Federal da Lavras, e-mail:
csilva@ufla.br
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recentes, uma maior adoção do SPD em outros estados brasileiros, prin-
cipalmente em Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A expansão
relativamente rápida do SPD no Brasil pode ser explicada, também, pelo menor
custo de produção e facilidades de operação de práticas de campo verificados
nesse sistema de cultivo, aliado a uma maior proteção do solo, da água e da
fauna.
Figura 1. Evolução da área cultivada sob plantio direto na região do Cerrado e no Brasil.
1975-2002 e expectativa para 2003. Fonte: Cervi (2003) e FEBRAPDP (2003).
As informações obtidas em alguns experimentos de longa duração,
implantados principalmente na região Sul do Brasil, permitiram concluir que o
SPD não é apenas um sistema eficiente de conservação do solo. Áreas sob
SPD apresentam inúmeras características próprias, e que, por conseqüência,
exigem um manejo diferenciado, principalmente em relação à fertilidade do
solo. Essas características são decorrentes dos seguintes fatores: a) do não
revolvimento do solo e do acúmulo progressivo de restos