Prévia do material em texto
Árabe I
Professor: Marcos Daud
E-mail: marcosdaud@gmail.com
1
Índice
Introdução
1- O alfabeto árabe
2- As vogais em árabe
3- Letras especiais
4- Os sinais ortográficos
5- Acento e pronúncia
6- O artigo definido árabe
7- O gênero em árabe: feminino e masculino
8- Pronomes demonstrativos
9- Fazendo perguntas em árabe
10- Os pronomes pessoais de sujeito
11- Saudações e cumprimentos
12- Os pronomes possessivos
13- Tanwin ou nunação
14- A frase nominal
15- Preposições
16- Os países árabes
17- Adjetivo nisba
18- Os numerais cardinais
19- Bibliografia
20- Sites relacionados
Anexo: Reportagem da Revista de História da Biblioteca Nacional – Julho 2009: “Árabes somos
nós” – As origens que o Brasil desconhece
2
Introdução
A língua árabe (ةَّيًب ىرىعٍلا يةىغُّملا- 'al-lughatu l-carabiyyah) pertence à família das línguas
semíticas, assim como o hebraico, o aramaico, o amhárico (etíope) etc. Sendo o idioma oficial em
22 países do Norte da África e do Oriente Médio, é também uma das línguas que possui maior
número de falantes. Constitui-se também na língua sagrada do Islã, tendo exercido notável
influência sobre os idiomas de povos não árabes que adotaram esta religião (como os turcos,
iranianos, paquistaneses, indonésios etc.) desde os primórdios de sua expansão, a partir do século
VII. O próprio português, assim como o espanhol, sofreu considerável influência do árabe durante o
domínio islâmico na Península Ibérica, incorporando em seu vocabulário centenas de palavras.
Por razões de ordem histórica, social, geográfica e cultural, a língua árabe desenvolveu duas
modalidades bem distintas de expressão (fenômeno denominado diglossia), as quais normalmente
são objeto de estudo separado nos manuais e gramáticas de árabe: uma é o árabe clássico ou
"literário", e a outra o árabe dialetal ou "coloquial".
1. O árabe clássico ou literário (ىىحٍصيفٍلا يةَّيًب ىرىعٍلا 'al-carabiyyatu l-fus-haa) é a forma erudita do
idioma, padronizada na literatura árabe clássica e, incrementada ou "modernizada" em diversos
aspectos, é hoje utilizada tanto nos meios acadêmicos, nos círculos literários e nas cerimônias de
caráter solene e religioso, como nos meios de comunicação de massas (rádio, televisão, jornais e
periódicos). O grau de domínio de um indivíduo (inclusive árabe) sobre essa forma de expressão
depende dos seus estudos e da sua frequência nos meios em que é utilizada.
2. Como modalidade do árabe falado no dia-a-dia, em situações de informalidade, o árabe dialetal
ou coloquial (ةَّيِّماىعٍلا يةَّيًب ىرىعٍلا- 'al-carabiyyatu l-caammiyya) aparece no ambiente familiar e nas
conversas cotidianas, no comércio, na música, e, ao contrário da sua variante erudita, passa por
constantes mudanças e adaptações, variando de país para país, de região para região. Como forma
de expressão natural e apreendida desde a infância, é o árabe cuja proficiência depende, para os não
naturais, principalmente da convivência e adaptação cultural do indivíduo.
Apesar dessa diferenciação, claramente definida no aprendizado da língua, a realidade é
que, no seu uso prático, ambas as formas de expressão se combinam, com preponderância ora da
linguagem literária, ora da forma mais popular - de acordo com a necessidade de uma situação mais
ou menos formal. O ideal para alguém que se proponha a uma experiência transcultural, com ênfase
no contato e na convivência com um povo árabe, seria tanto o estudo do árabe clássico como do
coloquial, a fim de que tenha acesso a todos os níveis de conversação.
Por outro lado, àqueles que se interessam pela cultura árabe no seu aspecto religioso,
literário, ou mesmo àqueles que desejam apenas entender o que lêem e escutam, o estudo do árabe
clássico deve bastar.
3
Mapa 1: Regiões onde a língua árabe é o idioma oficial e é falado pela maioria da população (verde
escuro) e regiões onde o árabe é falado por uma minoria (verde claro).
Mapa 2: Os diferentes dialetos da língua árabe
4
1- O alfabeto árabe
A escrita árabe baseia-se num alfabeto de 28 letras, que se escrevem da direita para a
esquerda e se unem umas às outras dentro de uma mesma palavra (como as nossas letras "de
mão"), assumindo formas ligeiramente diferentes de acordo com sua posição na palavra, quer seja
inicial, medial, final ou isolada.
Como nas demais línguas semíticas, o alfabeto árabe é formado exclusivamente por
consoantes, ao passo que as vogais, quando precisam ser escritas, representam-se por meio de
sinais diacríticos (escritos em cima ou embaixo das letras), que estudaremos na próxima lição.
Vejamos, por hora, o alfabeto árabe em sua forma isolada.
Letra
Nome
Transliteração
خ
khaa
kh
ح
haa
H
ج
jiim
j
ث
thaa
th
ت
taa
t
ب
baa
b
ا
álif
a
Letra
Nome
Transliteração
ص
saad
S
ش
shiin
sh
س
siin
s
ز
zaay
z
ر
raa
r
ذ
dzaal
dh
د
daal
d
Letra
Nome
Transliteração
ق
qaaf
q
ؾ
faa
f
غ
ghayn
gh
ع
cayn
c_
ظ
zaa
DH
ط
taa
T
ض
daad
D
Letra
Nome
Transliteração
ي
yaa
y
و
waaw
w
ه
haa
h
ن
nuun
n
م
miim
m
ل
laam
l
ك
kaaf
k
Como foi dito acima, as letras árabes unem-se umas às outras, adquirindo formas diferentes
de acordo com a posição em que se encontram na palavra. Os quadros a seguir mostram como fica
cada uma das letras de acordo com a sua posição, seja ela isolada, inicial, medial ou final.
1º grupo
Final Medial Inicial Isolada
ـب ــبـ ـب ب
تـ ـتـ ـت ت
ثـ ـثـ ـث ث
نـ ـنـ ـن ن
يـ ـيـ ـي ي
5
2º grupo
Final Medial Inicial Isolada
جـ ـجـ ـج ج
حـ ـحـ ـح ح
خـ ـخـ ـخ خ
3º grupo
Final Medial Inicial Isolada
سـ ـسـ ـس س
شـ ـشـ ـش ش
4º grupo
Final Medial Inicial Isolada
صـ ـصـ ـص ص
ضـ ـضـ ـض ض
5º grupo
Final Medial Inicial Isolada
طـ ـطـ ـط ط
ظـ ـظـ ـظ ظ
6º grupo
Final Medial Inicial Isolada
عـ ـعـ ـع ع
ػـ ـؽـ ـؼ غ
7º grupo
Final Medial Inicial Isolada
ؾـ ـفـ ـف ؾ
قـ ـقـ ـق ق
6
8º grupo
Final Medial Inicial Isolada
كـ ـكـ ـك ك
لـ ـلـ ـل ل
مـ ـمـ ـم م
هـ (ligado)
ه (não ligado)
ـهـ ـه ه
9º grupo (só se ligam com a letra anterior)
Final não ligada Final ligada Medial Inicial Isolada
ا اـ اـ ا ا
د دـ دـ د د
ذ ذـ ذـ ذ ذ
ر رـ رـ ر ر
ز زـ زـ ز ز
و وـ وـ و و
فيرامىت - Exercícios
1. Copie em seu caderno cada uma das 28 letras do alfabeto árabe, escrevendo-as nas formas isoladas e
ligadas, observando o exemplo a seguir:
ببب = ب + ب + ب
2- Ligue as letras abaixo:
_______________________________________ =م + ث + ت + ب
_______________________________________ =ب + م + ث + ت
_______________________________________ =ت + ب + م + ث
_______________________________________ =ث + ت + ب + م
___________________________________________ = ج +ح +خ
___________________________________________ = ح +خ +ج
7
ح+ ج+ خ = ___________________________________________
ش+ س+ ش+ س = ______________________________________
س+ ش+ س+ ش = ______________________________________
ض+ ص+ ض+ ص = ____________________________________
ص+ ض+ ص+ ض = ____________________________________
ظ+ ط = _______________________________________________ط+ ظ = _______________________________________________
غ+ ع+ غ+ ع = _______________________________________
ع+ غ+ ع+ غ = _______________________________________
ؽ+ ؼ+ ؽ+ ؼ = ______________________________________
ؼ+ ؽ+ ؼ+ ؽ = ______________________________________
ه+ ـ+ ؿ+ ؾ = ________________________________________
ؾ+ ه+ ـ+ ؿ = ________________________________________
ؿ+ ؾ+ ه+ ـ = ________________________________________
ـ+ ؿ+ ؾ+ ه = ________________________________________
ك+ ز+ ر+ ذ+ د+ ا = ___________________________________
:sarvalap odnamrof ,riuges a sartel sa eugiL .3
م+ س+ ر+ ؾ =_______________________________________
ر+ ا+ ت+ ؼ+ ـ = _____________________________________
ؽ+ ك+ د+ ف+ ص = ____________________________________
ف+ ك+ م+ ز+ ؼ+ م+ ؿ+ ت =__________________________
ؿ+ ا+ ز+ ؿ+ ز =______________________________________
ب+ ؿ+ ؾ =___________________________________________
8
___________________________________________= ؽ +ؿ +ب
____________________________________= ص +ا +ب +ك +ف
4. Desmembre as letras das palavras a seguir, escrevendo-as em sua forma isolada:
_____________________ تيب
_____________________ تنب
___________________ دلك
_________________ سكماق
_________________ ؽيدص
___________________ ديس
__________________ جكزتم
__________________ رشكم
9
2- As vogais em árabe
Como vimos no alfabeto, o árabe é essencialmente consonantal. Porém, 3 consoantes foram transformadas
em vogais longas:
ا ك
م
a longo u longo i longo
Ex.: اب
/ba:/ ou /baa/
كب
/bu:/ ou /buu/
يب
/bi:/ ou /bii/
Paralelamente a essas 3 vogais longas existem 3 vogais que possuem o mesmo som das longas sendo,
porém, breves. As vogais breves não são letras nem constam no alfabeto; são sinais diacríticos (ou acentos)
que se colocam em cima ou embaixo das consoantes. Logo, as 3 vogais breves correspondentes às vogais
longas são:
َى َي ًَ
Fatha (a breve) Damma (u breve) Kasra (i breve)
Ex.: ىب
/ba/
يب
/bu/
ًب
/bi/
Consoantes com vogais longas Consoantes com vogais breves
يب
/bi:/
كب
/bu:/
اب
/ba:/
ًب
/bi/
يب
/bu/
ىب
/ba/
يت
/ti:/
كت
/tu:/
ات
/ta:/
ًت
/ti/
يت
/tu/
ىت
/ta/
يث
/thi:/
كث
/thu:/
اث
/tha:/
ًث
/thi/
يث
/thu/
ىث
/tha/
يج
/ji:/
كج
/ju:/
اج
/ja:/
ًج
/ji/
يج
/ju/
ىج
/ja/
يح
/Hi:/
كح
/Hu:/
اح
/Ha:/
ًح
/Hi/
يح
/Hu/
ىح
/Ha/
يخ
/khi:/
كخ
/khu:/
اخ
/kha:/
ًخ
/khi/
يخ
/khu/
ىخ
/kha/
10
مد
/di:/
كد
/du:/
اد
/da:/
ًد
/di/
يد
/du/
ىد
/da/
مذ
/dhi:/
كذ
/dhu:/
اذ
/dha:/
ًذ
/dhi/
يذ
/dhu/
ىذ
/dha/
مر
/ri:/
كر
/ru:/
ار
/ra:/
ًر
/ri/
ير
/ru/
ىر
/ra/
مز
/zi:/
كز
/zu:/
از
/za:/
ًز
/zi/
يز
/zu/
ىز
/za/
يس
/si:/
كس
/su:/
اس
/sa:/
ًس
/si/
يس
/su/
ىس
/sa/
يش
/shi:/
كش
/shu:/
اش
/sha:/
ًش
/shi/
يش
/shu/
ىش
/sha/
يص
/Si:/
كص
/Su:/
اص
/Sa:/
ًص
/Si/
يص
/Su/
ىص
/Sa/
يض
/Di:/
كض
/Du:/
اض
/Da:/
ًض
/Di/
يض
/Du/
ىض
/Da/
يط
/Ti:/
كط
/Tu:/
اط
/Ta:/
ًط
/Ti/
يط
/Tu/
ىط
/Ta/
يظ
/DHi:/
كظ
/DHu:/
اظ
/DHa:/
ًظ
/DHi/
يظ
/DHu/
ىظ
/DHa/
يع
/ c i:/
كع
/ c u:/
اع
/ c a:/
ًع
/ c i/
يع
/ c u/
ىع
/ c a/
يغ
/ghi:/
كغ
/ghu:/
اغ
/gha:/
ًغ
/ghi/
يغ
/ghu/
ىغ
/gha/
يف
/fi:/
كف
/fu:/
اف
/fa:/
ًؼ
/fi/
يؼ
/fu/
ىؼ
/fa/
يق
/qi:/
كق
/qu:/
اق
/qa:/
ًؽ
/qi/
يؽ
/qu/
ىؽ
/qa/
يك
/ki:/
كك
/ku:/
اك
/ka:/
ًؾ
/ki/
يؾ
/ku/
ىؾ
/ka/
11
يل
/li:/
كل
/lu:/
لا
/la:/
ًؿ
/li/
يؿ
/lu/
ىؿ
/la/
يم
/mi:/
كم
/mu:/
ام
/ma:/
ًـ
/mi/
ـي
/mu/
ـى
/ma/
ين
/ni:/
كن
/nu:/
ان
/na:/
ًف
/ni/
يف
/nu/
ىف
/na/
يى
/hi:/
كى
/hu:/
اى
/ha:/
ِه
/hi/ ِ ه /hu/ ِه /ha/
مك
/wi:/
كك
/wu:/
اك
/wa:/
ًك
/wi/
يك
/wu/
ىك
/wa/
يي
/yi:/
كي
/yu:/
اي
/ya:/
ًم
/yi/
يم
/yu/
ىم
/ya/
فيرامىت - Exercícios
1. Transcreva as palavras a seguir em caracteres latinos, conforme o exemplo:
/kursy/ = يك ًسري
___________________ = ًم ىتفرا
__________________ = يص يدنؽك
__________________= ًت ًفيم ًزفكي
___________________= ًز ىزلؿا
___________________= ىكبم
___________________= ىقبم
_________________= ىص ًدؽي
2. Escreva em árabe as palavras transcritas abaixo, conforme o exemplo:
/qalam/ = ـىمىق
/falak/ = _________________________________
/c ayn/ = _________________________________
/dhahab/ = _______________________________
/bayt/ = _________________________________
/bint/ = _________________________________
/kita:b/ = ________________________________
/Ta:lib/ = ________________________________
/jamal/ = ________________________________
12
3- Letras especiais
3.1- Laam alif لا e لاػ
O laam seguido de álif assume a forma especial chamada laam álif. Esta forma não se liga à letra posterior,
escrevendo-se لا na forma isolada e لاػ quando ligada à letra anterior.
Ex.: بلايط = alunos دلاىكىأ = crianças
3.2- TaamarbuuTa
A letra ta ت, além das formas apresentadas no alfabeto, possui uma forma variante chamada
taa marbuuTa ة. Representa foneticamente o “t” comum e gramaticalmente indica em grande parte o
gênero feminino dos nomes em árabe.
Ex.: ةَسَرْدَم escola ِرَجةَدي jornal
O ة aparece geralmente em final de palavras, tomando a forma do ه final, porém com 2 pontos sobre
ela. A consoante que o preceder levará vogal fatha.
َةـ (ligado)
ة َـ (não ligado)
Na pausa ou em vocábulos isolados pronuncia-se brevemente ou apenas com som de /a/. Todavia,
seguindo de pronome sufixo (explicado mais à frente), torna-se t comum.
ٍد ىم ىرةىس = م + ٍدىم ىر ىسيت
ًر ىج ىدي = ىؾ + ة ًر ىج ىدي ىؾيت
3.3- Álif maqSuura ى
A letra ي sem os pontos pode aparecer no final de algumas palavras e recebe o nome especial de alif
maqSuura, isto é, álif de som reduzido. Esta letra ocorre apenas no final das palavras e existe devido a razões
de origem etimológica. Da mesma forma que no ة, a consoante que a preceder levará sempre a vogal fatha.
َىلَع sobre
ىَمَر arremessar
َىفَْشتْسُم hospital
َىفَطْصُم Mustafá; o eleito, o escolhido
O ى, ao receber um pronome sufixo, transforma-se em álif normal ou yaa, de acordo com a sua
derivação etimológica.
ُهاَمَر = ُه + ىَمَر
َكيِلإ = َك + ىلإ
13
3.4- Hamza ء
É um pequeno sinal que indica uma pronúncia glotal. Pode vir no início, meio ou final das palavras,
tendo regras específicas para cada posição.
a) Em início de palavras, o hamza só aparece sob o suporte da letra álif. Pode vir em cima e receber as vogais
fatha ىأ ou damma يأ ou vir embaixo e receber a vogal kasra ًإ.
ٌـيأ mãe
ذاتٍسيأ professor
ىفيىأ onde?
رىبٍكىأ o maior
ـلاٍسًإ Islã
فاريًإ Irã
b) No meio de palavras, o hamza pode ter o suporte não só do álif como também de ي e و. Porém,
quando o ي serve de suporte para ohamza, ele perde seus dois pontos.
ىأ ؤ ئ
ٍتىلىأىس ela respondeu ؿاؤيس questão ةئٍيىى Organização
ر ِّخىأىتيم atrasado ثَّنىؤيم feminino رئًب bem
c) Quando o hamza aparece no meio de palavras, após a letra و como vogal longa ou após o álif
com som de /a/, ele fica sem suporte de nenhuma letra.
ىؿىءاىت ele perguntou ةىءكريم valor
d) No final de palavras, o hamza pode vir:
sem nenhum suporte, se precedido de vogal longa:
ءكديى calma ءانيم porto ءمرىب livre
sem nenhum suporte, se precedido de consoante com sukuun ْـ :
ءٍبًع carga, fardo ءٍيىش coisa ءٍذ يج parte, divisão
com suporte de ا , ك ou م se vier precedido de vogais breves correspondentes à essas letras:
ؤُّبىنىت profecia ئًفاد quente أ ىدٍب ىم princípio
14
4- Os sinais ortográficos
4.1- Sukuun ﹿ
É um minúsculo zero que se coloca em cima das consoantes para indicar que estas não
possuem vogal breve.
A letra que levar sukuun formará sílaba com a anterior.
lição darsu يسٍرىد
4.2- Shadda ﹽ
É um sinal parecido com um minúsculo w que se coloca sobre as consoantes, fazendo com que
estas fiquem dobradas ou geminadas.
mãe ‘umm ٌـيأ
4.3- Alif madda ﺁ
Equivale, aproximadamente, à crase em português, sendo o resultado da contração de um
hamza vocalizado em fatha com um álif.
Tem a mesma duração de tempo na fala do álif e pode aparecer no início, meio ou final das
palavras.
يؿيكآ
(eu como)
فآريقلا
(Alcorão)
4.4- WaSla ﭐ
É um pequeno sinal parecido com o “Sad” inicial que se coloca somente sobre o álif no
início da palavra, em substituição ao hamza de separação, indicando, assim, a elisão de sua vogal,
de modo que os dois vocábulos se pronunciam como se fossem uma só palavra. Denomina-se
hamza(t) aluaS, isto é, hamza de ligação.
a porta da casa ba:bulbayti يبابﭐ ًتٍيىبٍل
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
5. Acento e pronúncia
Não existem sinais gráficos para indicar o acento tônico das palavras em árabe. Dividindo-se em sílabas,
pode-se determinar onde o acento cairá.
As palavras constituem-se de 2, 3 ou 4 sílabas, podendo ser divididas em breves ou longas. A breve consiste
em consoante + vogal breve; a longa em consoante + vogal longa, sendo que ambas as sílabas podem vir
acompanhadas por uma consoante “sukunada”.
REGRAS:
I- Em duas sílabas breves, a tônica é a penúltima e, em três ou quatro, é a antepenúltima.
Tradução Transcrição Palavra
lição darsu يسٍرىد
ele viu ra’a لىأىر
ele escreveu kataba ىبىتىك
degrau darajatu ية ىجىرىد
os livros dele kutubuhu يويبيتيك
ele partiu ‘intalaqa ىؽىمىطٍنًإ
II- As letras dobradas devem ser destacadas, mas sem serem alongadas, mesmo que as preceda uma sílaba
longa.
fazer
escrever
kattaba ىبَّتىك
rapaz sha:bbu ُّباش
III- Na pausa, a acentuação final pode ser omitida, assim como o dobramento final.
casa
baytu
bayt
يتٍيىب
تٍيىب
doméstico
bayti:u
bayti:
ُّيتٍيىب
ٌيتٍيىب
44
IV- A sílaba longa pode ser estendida à vontade.
apóstolo rasu:lu يؿكسىر
carros say:a:ratu يتاراٌيىس
V- O acento nunca cairá na última sílaba, mesmo que esta seja longa (incluindo os casos e finais de verbos),
com exceção dos duais, mas cairá na penúltima ou antepenúltima.
meu livro kita:bi: يباتًك
meus livros kutubi: يبيتيك
eles
escreveram
katabu: اكبىتىك
VI- O acento nunca cairá no artigo determinado “al”, pois trata-se de elemento separável da palavra.
45
6- O artigo definido árabe
O artigo definido para todos os gêneros, números e casos é ؿىأ (o, a, os,as). É escrito ligado ao nome.
باتًك - باتًكٍلىأ
Porém, ao utilizar o artigo ligado a um nome, deve-se considerar a divisão das letras do alfabeto árabe em
14 lunares e 14 solares.
Letras lunares: não causam nenhuma alteração quando ligadas ao artigo e o lam é pronunciado
normalmente.
ب أ م ك ق ـ ؾ ؽ ؼ غ ع خ ح ج
camelo jamalu يؿىم ىج
o camelo al-jamalu يؿىم ىجٍلىأ
Chamam-se lunares porque fazem parte do grupo da letra “qaf”, que inicia a palavra qamar (lua).
Letras solares: quando o palavra a ser determinada é iniciada por uma consoante dita solar, o lam do artigo
perde o sukuun e não é pronunciado, assimilando-se à consoante solar, a qual recebe o sinal shadda ﹽ ِ
ف ؿ ظ ط ض ص ش س ز ر ذ د ث ت
rio nahru يرٍيىن
o rio annahru يرٍيَّنلىأ
Chama-se solares porque fazem parte do grupo da letra “shin”, que inicia a palavra shams (sol).
Exercício:
Determine as palavras a seguir com o artigo definido, observando se a letra inicial é lunar ou solar.
ٌر ىض
(dano,prejuízo)
ٌدىسىأ
(leão)
باغيض
(uivo do lobo)
ساٍجًإ
(pera)
46
فكي ىض
(gato)
فيذيأ
(orelha)
بىمىط
(pedido)
بىدىأ
(educação,cultura,literatura)
بًلاط
(aluno)
تٍيىب
(casa)
دارًط
(caça)
ؿاقيتٍريب
(laranja)
ٌؿًظ
(sombra)
ضٍيىب
(ovo)
ىأ ىمىظ
(sede)
فكيزًفًمًت
(telefone)
ةَّميظ
(toldo)
حافيت
(maçã)
فيىع
(olho)
جات
(coroa)
بىنًع
(uva)
جٍمىث
(gelo)
دكماع
(poste)
رٍكىث
(touro)
بًلاغ
(vencedor)
ـكث
(alho)
ءارٍب ىغ
(terra, solo)
سىرىج
(sino)
ةىفاَّرىغ
(garrafa)
بًراىك ىج
(meias)
ؾىمىف
(constelação)
ؿىم ىج
(camelo)
شًئاف
(fanfarrão)
ةىمًفاح
(ônibus)
ة ىحاَّتىف
ةَّي ىح
47
(saca-rolhas) (cobra)
بٍمىق
(coração)
فاصًح
(cavalo)
ـىمىق
(caneta)
ـًتاخ
(anel)
ةىمًباىق
(parteira)
ةىمًداخ
(empregada doméstica)
بٍمىك
(cachorro)
ٌمركيد
(animal doméstico)
ءيًفىك
(par)
رىتٍفىد
(caderno)
باتًك
(livro)
راد
(lar)
حٍكىل
(quadro)
بىىىذ
(ouro)
ةىداَّبيل
(gorro)
ةىناَّبيذ
(mosca)
فىبىل
(coalhada)
ركرىذ
(pó)
بكتٍكىم
(destino)
كيًدار
(rádio)
حاتٍفًم
(chave)
بًىار
(monge)
ٌثىم
(suor)
ٌبير
(compota,doce de fruta)
ؿًدان
(garçom)
ؿازٍلًز
(terremoto)
دًقان
(crítico)
ةىيناز
(adúltera)
ذيبىن
(vinho)
فكبىز
(cliente, freguês, amante)
48
ؼًتاى
(telefone)
ؿًحاس
(litoral,praia)
ةىبٍديى
(cílio)
ةىعاس
(hora, relógio)
ٌيقكطٍرىى
(herege)
ة ىحٍبىس
(pântano)
ؽىرىك
(papel)
سٍمىش
(sol)
حاك
(oásis)
بًراش
(bigode)
ثًراىك
(herdeiro)
كبٍماش
(xampu)
ةىطًفاىي
(placa)
ؽكدٍن يص
(baú)
ـامىي
(pombo)
ةىكٍب ىص
(paixão juvenil, desejo
ardente)
سابىي
(seca)
ٌيًف يحيص
(jornalista)
49
7- O gênero em árabe: feminino (ثَّنيؤيم) e masculino (رَّكىذيم)
Os substantivos e adjetivos em árabe sempre têm um gênero definido, podendo ser masculino ou
feminino. O árabe distingue duas categorias de substantivos: aqueles que se referem a seres humanos e
aqueles que se referem aos não-humanos. O gênero dos substantivos humanos, tais como ذاتسأ ou
ةىبًحاص, incluindo nomes próprios, como ايم e ديمحىم, segue o sexo da pessoa.
Na categoria de objetos inanimados, cada substantivotem o seu próprio gênero, que não muda.
Vale lembrar que uma palavra feminina em árabe não necessariamente será feminina em português e vice-
versa.
Não existe gênero neutro em árabe; você sempre terá de se referir a uma palavra em árabe usando
“este” ou “esta”, “ele” ou “ela”, “aquele” ou “aquela”, dependendo do gênero do substantivo a que você
estiver se referindo.
O gênero da palavra deve ser aprendido, porém a forma da própria palavra quase sempre indica se
ela é masculina ou feminina. A letra que determina o gênero feminino na grande maioria das palavras em
árabe é ة. É importante prestar atenção ao gênero dos substantivos, pois adjetivos, pronomes e verbos que
se referem a esses substantivos devem concordar em gênero com eles.
professora ةىسِّرىديم
escritora ةىبًتاك
Há nomes femininos que não provêm do masculino.
tribunal ةىمىكٍحىم
paraíso ةَّن ىج
Há alguns nomes femininos terminados em ل, ءا e ا.
lembrança لىرٍكًذ
amarela ءارٍف ىص
mundo اينيد
São femininos os nomes que indicam partes ou membros duplos do corpo:
olho فيىع
50
mão دي
orelha فيذيأ
pé ؿٍجًر
Consideram-se alguns nomes femininos por conta do seu significado:
mãe ٌـيأ
irmã تٍخيأ
noiva سكرىع
Alguns nomes são femininos por convenção:
fogo ران
sol سمىش
São femininos os nomes de cidades:
Beirute تكرٍيىب
Damasco ؽشىمًد
Cairo ةىرًىاقٍلا
Há alguns nomes que podem ser femininos e masculinos.
caminho ؽيرىط
alma حكر
51
Exercícios
1- Reescreva as palavras a seguir no feminino (ثَّنيؤيم), traduzindo-as para o português:
دىل ىك
(menino)
دًلاك
(pai)
ؿىمٍرىأ
(viúvo)
ٌـ ىع
(tio paterno)
بًحاص
(namorado)
ؿاخ
(tio materno)
ٌبىأ
(pai – papai)
ٌد ىج
(avô)
فٍبًإ
(filho)
ديف ىح
(neto)
ٌخىأ
(irmão)
دٌيىس
(senhor)
ؿيجىر
(homem)
جٍك ىز
(marido)
بٌيطىخ
(noivo)
ؽَّمىطيم
(divorciado)
2- Reescreva as palavras a seguir no masculino (رَّكىذيم) e traduza-as para o português:
ةىميٍكىط
(longa)
ةىريبىك
(grande)
ةىفيطىل
(gentil)
ةىميم ىج
(bonita)
ة ىضيرىم
(doente)
ةىديد ىج
(nova)
ةىناعكج
(faminta)
ةىريغ ىص
(pequena)
ةىنلاعىز
(triste)
ةَّيب ىرىع
(árabe)
52
3- Associe os substantivos da 1ª coluna com os adjetivos da 2ª, respeitando a concordância de
gênero entre eles.
ةىنلاعىز ( ) ةىراٍيىس (1)
ؿيٍكىط ( ) ةىبًلاط (2)
ةَّيب ىرىع ( ) تٍيىب (3)
ةىريبىك ( ) تٍنًب (4)
ؼيطىل ( ) عًراش (5)
ريغ ىص ( ) ؿيجىر (6)
Vocabulário extra
ةىرٍسيأ
(família próxima e imediata: pais e irmãos)
ةىمًئاع
(família completa: pais, irmãos, avós, tios, primos e
cunhados)
ةىسًنآ
(senhorita)
كم ىح
(sogro/sogra)
53
8- Pronomes demonstrativos
Os pronomes demonstrativos podem ser de proximidade ou de afastamento e podem assumir a
função de sujeito ou predicado na frase. Devem concordar em gênero com o ser/objeto a que se
referem.
Pronomes demonstrativos de afastamento Pronomes demonstrativos de proximidade
ىؾًلىذ
(aquele)
اذىى
(este/esse)
ىؾٍمًت
(aquela)
ًهًذىى
(esta/essa)
Exemplos:
. اذىى هدىل ىك
(Este é um menino.)
... يدىل ىكٍلىأ اذىى
(Este menino...)
. ًهًذىى ًب هتٍن
(Esta é uma menina.)
... ًهًذىى ًبٍلىأ يتٍن
(Esta menina...)
. ىذ ىؾًل هباتًك
(Aquilo é um livro.)
... ىذ ىؾًل يباتًكٍاىأ
(Aquele livro...)
. ىؾٍمًت هةىلًكاط
(Aquilo é uma mesa.)
... ىؾٍمًت يةىلًكاٌطلىأ
(Aquela mesa...)
Observações:
1) Note que o ser/objeto ao qual o pronome demonstrativo se refere pode estar determinado por artigo ou
não e, dependendo disso, teremos estruturas diferentes com significados também diferentes.
2) Embora tenhamos pronomes demonstrativos especificamente masculinos e femininos, na tradução para
o português, por exemplo, isso pode se alterar, fazendo com que um pronome masculina seja traduzido
como feminino. Isso acontece porque palavras masculinas em árabe não necessariamente serão masculinas
em português e vice-versa.
.ةىراٍيىس ًهًذىى (Feminino em árabe)
Este/isto é um carro. (Masculino em português)
54
9- Fazendo perguntas em árabe
O árabe possui dois tipos básicos de perguntas:
questões que exigem uma resposta “sim” ou “não”;
questões que requerem uma informação sobre quem, o que, quando, por que e como.
9.1- Perguntas cujas respostas são sim ou não
Há perguntas que exigem como resposta ـىعىن (sim) ou لا (não). O árabe forma questões usando a mesma
ordem das palavras e estrutura, modificando apenas a entonação, como fazemos no português. No árabe
falado, tais perguntas são formuladas variando a entonação, de acordo com a região. Já no árabe formal,
questões de sim/não são introduzidas pela partícula interrogativa ؿىى, que não tem tradução em
português.
؟ةَّيرٍصًم ايم
؟ةَّيرٍصًم ايم ؿىى
. َّيرٍصًم ايمة
؟ةىبًلاط ًتٍنىأ
؟ةىبًلاط ًتٍنىأ ؿىى
.ةىبًلاط ًتٍنىأ
9.2- Perguntas de informação
Estas questões servem para obter uma informação específica e, para realizá-las, utiliza-se das seguintes
partículas interrogativas:
O quê? (em questões
sem verbos) ؟ام
O quê? (em questões
com verbos) ؟اذام
Qual? ؟ ٌّمىأ
Quem? ؟ٍفىم
Onde? ؟ ىفٍيىأ
Como? ؟ ىؼٍيىك
Quando? ؟ىَّتىم
Quanto? ؟ ٍـ ىك
55
A seguir têm-se algumas preposições que são muito usadas em perguntas:
com ىعىم
em يف
de (origem) ٍفًم
para ىلًإ
Alguns exemplos de vários tipos de perguntas em árabe:
O que é isso? (masculino) ؟اذىى ام
O que é isso? (feminino) ؟ًهًذىى ام
O que Maha estuda? ؟ايم يسيرٍدىت اذام
Em qual universidade Maha estuda? ؟ايم يسيرٍدىت ةىعًماج ِّمىأ يف
Com quem Maha estuda? ؟ايم يسيرٍدىت ٍفىم ىعىم
Quem é ela? ؟ ىيى ٍفىم
Onde mora Maha? ؟ايم يفوكٍسىت ىفٍيىأ
De onde você é? ؟تٍنىأ ىفٍيىأ ٍفًم
Como dizemos? ؟يؿكقىن ىؼٍيىك
Como estão as coisas? ؟ؿاحلا ىؼٍيىك
Exercícios de diálogo: Objetos na sala de aula
؟ًهًذىى ام؟ ىؾٍمًتام ؟ ىؾًلىذ ام ؟اذىى ام
هةىلًكاط
(mesa)
هرادًج / هطًئاح
(parede)
هةىذًفىن
(janela)
هرىتٍفىد
(caderno)
65
لىٍمبىةه
)adapmâl(
ًكتابه
)orvil(
كىرى قىةه
)lepap(
قىمىـه رىصاصه
)sipál(
ًمٍمحاةه
)ahcarrob(
طىٍبشكره
)zig(
ًمٍبراةه
)rodatnopa(
كيٍرسيه
)ariedac(
57
10- Os pronomes pessoais de sujeito
Os pronomes pessoais podem servir como sujeito da oração nominal, ou como elemento
disjuntivo (separando e distinguindo) entre um sujeito e um predicado determinados. Na oração
verbal, empregam-se apenas para ênfase do sujeito.
Dual Plural Singular
- يفٍحىن
Nós
انىأ
Eu
اميتٍنىأ
Vocês dois
ٍـيتٍنىأ
Vocês (masculino)
ىتنىأ
Você (masculino)
اميتٍنىأ
Vocês duas
َّفيتٍنىأ
Vocês (feminino)
ًتنىأ
Você (feminino)
اميى
Eles dois
ٍـيى
Eles
ىكيى
Ele
اميى
Elas duas
َّفيى
Elas
ىيًى
Ela
58
11- Saudações e cumprimentos
! ىحاب ىص ركُّنلا
(Bom dia!) resposta
! ىحاب ىص رٍي ىخٍلا
(Bom dia!) durante a manhã
! نلاٍىىأ نلاٍيىس ىك
(Seja bem vindo!)
! ٍـ يكيرايىن ديعىس
(Bom dia!) a partir das 12h até as 18h
! ىءاسىم ركُّنلا
(Boa noite!) resposta
! ىءاىسىم رٍي ىخٍلا
(Boa noite!)
! ناب ىحٍرىم
(Oi! Olá!)
! نلاٍىىأ
(Oi! Olá!)
! انىأ رٍي ىخًب
(Estou bem!)
ىؼٍيىك ؟ؾيلا ىح
(Como você está?)
!انرٍكيش
(Obrigado!)
! انرٍكيش نلايز ىج
(Muito obrigado!)
! ٍفًم ؾًمٍصىف
(Por favor! Por gentileza!Com licença!)
!انكفىع
(De nada! Desculpe!)
!انٍف َّرىشىت
(Prazer em conhecê-lo/la!)
!ؿَّضىفىت
(Tenha a bondade! Por gentileza!)
ام ًا؟ ىؾيمٍس
(Qual o seu nome?) para homens
ام ًا؟ًؾيمٍس
(Qual o seu nome?) para mulheres
! ىىلًإ ءاقِّملا
(Até logo!)
... انىأ يًمٍسًا
(Meu nome é...)
! ٍـلاىس
(Tchau!)
! ىعىم ةىملاَّسلا
(Até logo!)
! ـى يكٍيىم ىع ـلاَّسلا
(Que a paz de Deus esteja contigo!)
Resposta
! ـيلاَّسلا ٍـيكٍيىم ىع
(Que a paz de Deus esteja contigo!)
Saudação islâmica
59
12- Os pronomes possessivos
Os possessivos possuem a forma de sufixos e são derivados dos pronomes pessoais. Quando
sufixados a um nome (substantivo ou adjetivo) correspondem aos nossos possessivos de fato.
Plural Singular
انيػ ( يفٍحىن)
nosso, nossa
يًػ (انىأ)
meu,minha
ـيكيػ( ٍـيتٍنىأ)
vosso, vossa, de vocês
ىؾيػ ( ىتنىأ)
seu, sua (masculino)
ًؾيػ ( ًتنىأ)
seu, sua (feminino)
ـيييػ ( ٍـيى)
deles, delas
يويػ ( ىكيى)
dele
( ىيًىاييػ )
dela
Exemplos:
انيت ىراٍيىس
(nosso carro)
يًتىراٍيىس
(meu carro)
انيتيىب
(nossa casa)
يًتيىب
(minha casa)
ٍـ يكيت ىراٍيىس
(vosso caro,
carro de vocês)
ىؾيت ىراٍيىس
(seu carro)
ـيكيتيىب
(vossa casa,
casa de vocês)
ىؾيتيىب
(sua casa)
ًؾيت ىراٍيىس
(seu carro)
ًؾيتيىب
(sua casa)
ٍـيييت ىراٍيىس
(carro deles)
يويت ىراٍيىس
(carro dele)
ـيييتيىب
(casa deles
يويتيىب
(casa dele)
اييت ىراٍيىس
(carro dela)
اييتيىب
(casa dela)
Observação: Ao acrescentar um pronome sufixo em palavra terminada por ة, este se transforma
em ت para receber o sufixo.
60
13- Tanwin ou nunação / Os casos em árabe = Posição sintática na oração
são marcados no final da palavra, na última letra;
Genitivo
(Objeto indireto, adjunto
adnominal ou adjunto adverbial)
Som: “ i ”
ِ
Acusativo
(Objeto direto)
Som: “a”
ِ
Nominativo
(Sujeito/predicativo do sujeito)
Som: “u”
ِ
ًبًلاٌطلىأ ىبًلاٌطلىأ يبًلاٌطلىأ
ًةىبًلاٌطلىأ ىةىبًلاٌطلىأ يةىبًلاٌطلىأ
nos exemplos acima, a tradução da palavra dada é “o aluno”ِna 1ª linha e “a aluna” na 2ª linha; o que
muda em cada coluna é a sua função sintática, a qual vai variar de acordo com o acento final da palavra;
os acentos de caso são duplicados quando queremos INDETERMINAR os nomes; é a ocorrência do
chamado tanwin ou nunação:
Tanwin em Kassra ou
Kassratan
Som: “in”
ٍ
Tanwin em Fatha ou
Fathatan
Som: “an”
ٍ نا
Tanwin em Damma ou
Dammatan
Som: “un”
ٍ
وبًلاط ًابِلاط * هبًلاط
وةىبًلاط نةىبًلاط هةىبًلاط
as traduções das palavras são “um aluno” na 1ª linha e “uma aluna” na 2ª. Novamente, o que muda em
cada coluna é a função sintática de cada palavra. Note que um nome, ao ser indeterminado, deve perder o
artigo definido.
61
* Obs.: Note que ao ocorrer a nunação em fatha (acusativo/objeto direto), a palavra ganhou um álif
ortográfico após a letra final. É obrigatório acrescentar esse álif ortográfico quando ocorrer tanwin em
fatha, EXCETO se o nome a ser indeterminado terminar com hamza precedido de vogal longa ou
tamarbuta:
نةىعاس
(uma hora)
نةىذاتٍسيأ
(uma professora)
نءاسىم
(uma noite)
نءامىس
(um céu)
نلاىم ىج
(um camelo)
انذاتٍسيأ
(um professor)
انباتًك
(um livro)
انتٍيىب
(uma casa)
Exemplos: :ةىمًثٍمىأ
1- O aluno saiu. . ىؾىرىت يبًلاٌطلىأ
2- Visitei o aluno. . يتٍر يز ىبًلاٌطلىأ
3- Ele saiu com o aluno. . ىؾىرىت ىعىم ًبًلاٌطلىأ
x
4- Um aluno saiu. . ىؾىرىت هبًلاط
5- Visitei um aluno. . يتٍر يز نابًلاط
6- Ele saiu com um aluno. . ىؾىرىت ىعىم وبًلاط
62
14- A frase nominal
Recebem esse nome todas as frases que, em árabe, começam por um nome. Embora em árabe a ordem
preferencial das frases seja VERBO + SUJEITO + OBJETOS (caso de uma frase verbal, pois começa com
verbo), essa ordem pode se modificar e começar pelo SUJEITO, tornando a frase nominal. Porém, esse caso
será estudado a partir do Árabe II; vamos nos limitar por enquanto ao estudo das frases nominais de
estado, ou seja, as que indicam estado ou qualidade (como em português). Observe os exemplos:
. ىكيى يف ًراطىملا
(Ele está no aeroporto.)
.داريم ٍفىس ىح انىأ
(Eu sou Hasan Murad.)
. ًهًذىى هةىراٍيىس
(Isto é um carro.)
. ىيًى ٍفًم ايركيس
(Ela é da Síria.)
Note que em todas essas frases nominais:
o verbo ser/estar não está escrito no presente; ele é subentendido;
o predicativo do sujeito (palavra que qualifica o sujeito) sempre vem no caso nominativo, recebendo
duas dammas;
quando existe uma preposição, ela leva a palavra seguinte ao caso genitivo (kasra).
Frase nominal Sentença nominal
. يتٍنًبٍلىأ هةىقًداٌص
(A menina é sincera.)
هةىقًداص هتٍنًب
(uma menina sincera)
يتٍنًبٍلىأ يةىقًداٌصلىأ
(a menina sincera)
63
15- Preposições
Elementos de ligação entre os termos de uma oração;
leva o nome que rege ao caso genitivo.
Lista das principais preposições usadas em árabe:
de, desde (origem)= فًم Para = ىلًإ
para = ًؿ
É usada ligada ao nome
Em = يف
sobre =ىم ىع com (para pessoas) = ىعىم
sem = لاًب com (para objetos) = ًب
É utilizada ligada ao nome
64
16- Os países árabes
O mundo árabe ou arabofonia refere-se ao conjunto de países que falam o árabe e se distribuem
geograficamente do oceano Atlântico, a oeste, até o mar Arábico, a leste, e do mar Mediterrâneo, a norte
da África, até o nordeste do oceano Índico. É constituído por 22 países e territórios com uma população
estimada em 360 milhões de pessoas, abrangendo o Norte de África e a Ásia Ocidental.
A denotação linguística e política inerente ao termo "árabe" é geralmente dominante sobre as
considerações genealógicas. Assim, os indivíduos com pouca ou nenhuma ascendência direta da Península
Arábica poderiam identificar-se ou serem considerados como árabes, em parte por força da sua língua de
origem. Essa identidade, no entanto, é contestada por muitos povos de origem não-árabe. A Liga Árabe,
uma organização regional de países destinada a enquadrar o mundo árabe, define um árabe como sendo:
"(...) uma pessoa cuja língua é o árabe, que vive em um país de língua árabe e que tem simpatia com
as aspirações dos povos de língua árabe."
Capital País
ضايرلا
daiR
ةيدكعسلا
Arábia Saudita
رئازجلا
Argel
رئازجلا
Argélia
ةمانملا
aiaiai
فيىرٍحىبلا
Bahrein
ينكركم
Moroni
رمقلا
Comores
65
يتكبيج
Djibouti
يتكبيج
Djibouti
ةرىاقلا
Cairo
رصم
Egito
يبظ كبأ
Abu Dhabi
ةدحٌتملا ةٌيبرعلا تاراملإا
Emirados Árabes Unidos
ءاعنص
Sana
فىمىيلا
Iêmen
دادغب
Bagdá
ؽارعلا
Iraque
فامع
Amã
ةٌيٌندرلأا
Jordânia
تيككلا
Kuwait
تيككلا
Kuwait
تكريب
Beiruteفاىنٍبيل
Líbano
سمبارط
Trípoli
ايبيل
Líbia
طابرلا
Rabat
ةيبرغملا
Marrocos
طكشكاكن
Nouakchott
ايناتيركم
Mauritânia
طقسم
Mascate
فامع
Omã
ةيقرشلا سدقلا
Jerusalém Oriental
(reivindicada)
فيطسمف
Palestina
ةحكدلا
Doha
رطق
ritiC
فكيعلا
El Aaiún
ءارحصلا
Saara Ocidental
66
يؽشىمًد
Damasco
ةيركس
Síria
كشيدقم
Mogadíscio
ؿامكصلا
Somália
ـكطرخلا
Cartum
فادكسلا
Sudão
سنكت
Túnis
سنكت
Tunísia
67
17- Adjetivo nisba(t)
A palavra nisba(t) refere-se gramaticalmente à classe de adjetivos formados a partir de nomes
pelo acréscimo do sufixo ٌم para o masculino e ةَّي para o feminino. Esses adjetivos indicam origem
ou nacionalidade.
Adjetivo feminino Adjetivo masculino Nome
ةَّيًس ىرٍدىم
(escolar)
ٌيًس ىرٍدىم
(escolar)
ةىسىرٍدىم
(escola)
ةَّيعًماج
(universitária)
ٌيعًماج
(universitário)
ةىعًماج
(universidade)
ةَّيرٍصًم
(egípcia)
ٌمرٍصًم
(egípcio)
رٍصًم
(Egito)
No árabe formal o shadda no ya’ final do adjetivo nisba(t) é claramente pronunciado; porém no
árabe coloquial normalmente não é pronunciado para o masculino.
Muitos nomes de família vêm de adjetivos nisba(t) e referem-se à cidade natal do grupo familiar:
de Fez ٌيسافلىأ
Para se formar o adjetivo nisba(t) a partir de um nome de lugar, siga os seguintes passos:
1º) Remova o artigo definido, TaamarbuuTa ou álif final, se houver, no nome de lugar;
2º) Acrescentar ٌم para o masculino e ةَّي para o feminino.
86
sianidrac siaremun sO -81
ًصفر ٠ 0
كاحد ١ 1
اثنىاف ٢ 2
ثىلاثة ٣ 3
أربعة ٤ 4
خى ٍمسىة ٥ 5
ًسٌتة ٦ 6
سىبعة ٧ 7
ثماًنية ٨ 8
ًتسعة ٩ 9
عىشىرة ٠١ 01
69
19- Bibliografia
AL-BATAL, M.; AL-TONSI, A.; BRUSTAD, K. Alif Baa: Introduction to Arabic Letters and Sounds. 3rd Edition.
Washington DC: Georgetown University Press, 2010. 251p. (Al-Kitaab Arabic Language Program).
__________. Al-Kitaab fii Tacallum al-cArabiyah, al-juz’ al-awwal - Part One. 2nd Edition. Washington DC:
Georgetown University Press, 2004. 493p. (Al-Kitaab Arabic Language Program).
Duruus fi l-carabiyah. London: Linguaphone InstituteLimited, 1977.
Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha e Consejería de Educación. Diccionario básico castellano-
árabe. Disponível em: <http://www.educa.jccm.es/educa-jccm/cm/recursos/tkContent?idContent=10857>.
Acesso em 01 de fev. de 2013.
KRAHL, G.; REUSCHEL, W.; SCHULZ, E. Standard Arabic: An elementary-intermediate course. Cambridge:
Cambridge University Press, 2004. 641p.
SABBAGH, A.N. Dicionário árabe-português-árabe. Rio de Janeiro: UFRJ PROED e Ao Livro Técnico, 1988.
__________. Dicionário árabe-português. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional e Almádena, 2011.
WEHR, H. Dictionary of Modern Written Arabic. 4ª ed. Ithaca, NY: Spoken Language Services. [1979] 1994.
70
20- Sites relacionados
http://www.aljazem.com/arabic-english-dictionary
Dicionário online árabe inglês.
http://www.al3arabiya.org
Site de download de diversos materiais, gramáticas, métodos e livros para aprendizado da língua árabe.
http://www.aljazeera.com
Página da emissora de TV catarense Al-Jazeera em Inglês. É possível assistir à programação ao vivo.
http://www.almadrasa.org
Curso online de árabe com diversos materiais. Em espanhol.
http://www.arabic-keyboard.org
Teclado árabe virtual.
http://www.bibliaspa.com.br
Página da Biblioteca América do Sul – Países Árabes.
http://www.ccab.org.br/arabe-brasil/br/home.fss
Página da Câmara de Comércio Árabe-brasileira.
http://www.ibeipr.com.br/index.php
Página do Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos.
http://www.icarabe.org
Página do Instituto da Cultura Árabe, sediado em SP.
http://ihdina.net/pt-br/alcorao
Página onde é possível ouvir e baixar o Alcorão recitado em árabe e português.
http://www.islam.com.br
Página do Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu (PR).
http://www.letrasorientais.fflch.usp.br/arabe
Página da pós-graduação em Língua, literatura e cultura árabe da USP.
http://www.livestation.com/ar#
Site onde é possível assistir a vários canais de TV de notícias em árabe, como Al-Jazeera, BBC Arabic, DW
Welle e CNBC Arabia.
http://orientaiseeslavas.blogspot.com.br
Página do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.
http://www.paroquiasaobasiliorj.com.br
Página da Igreja Católica Melquita de São Basílio, no Rio de Janeiro. Missas em árabe.
http://www.purposegames.com/ww-search.php?q=arabic
Página de jogos didáticos diversos para aprendizado da língua árabe.
t
I
Íq
ruUUUlmtUtUU[ ttuuutltl
AtCAN
ls
OTEBIBLI
t-{
rn
ú
DA
ÂNo 4 na 46 | ns 8,9o I JULHo 2oo9
::, ' I
rlìÌ
..: ,
-
,',...
.
OSWALDO TRUZZI
Verd€,omorelo,
szule mouro
Mot''canLe-s cln ri{)-\.irì L'rlf rilri Lie-'ijg rt
cal onizttçao, o.s ii t'ri li.':, sd ii tÌ il Irii I l'il lll
nu"útabem n,o ljrr-çf i, fJ l lÌrirsri rl úlrs
EJA poR sua pRoFUNDa rNrruÊxcra rlr Ponrucer,
seja pela forte imigração no último século, a cultura
árabe tem presença garantida na história e na socie-
dade brasileiras.
Junto com os colonizadores, no sécuio XVI, de-
sembarcaram heranças de sua língua, música, culi-
nária, arquitetura e decoração, técnicas agrícolas e
de irrigação, farmacologia e medicina. É que os
árabes dominaram por quase oito séculos a Penín-
sula Ibérica. Significativamente, Granada, seu últi-
mo reduto em solo europeu, foi conquistada pelos
cristãos em L492, mesmo ano em que Colombo
chegava à América.
Foram os árabes que inÍoduziram na Europa
coisas tão básicas como os algarismos decimais
-
ein substituiçáo aos romanos, dificeis de usar para
iálculos
-, jogos, como o xadrez, e a própria arte
raligráfica, pois encaravam a palawa escrita como
o meio por excelência da reveÌação divina. Na culi-
rária, difundiram o uso do café, de doces próprios
e produtos de pastelaria, do azeite, em substituição
a proibida gordura de porco, e de muitos outros
Iemperos, como o aça6:ão, a noz-moscada, o cravo,
e canela e Pimentas.
Recebemos tudo isso indiretamente, úa coloni-
zação, em uma ampla variedade de aspectos. Até
rÌesmo o bom costume da limpeza pessoal, que
mÌritos atribuem somente aos indígenas, deve um
[ibuto aos árabes. Foi Gilberto Fre).re, em seu Co-
:a-Crende E S€nzQio, quem apontou o contraste da
-nigiene verdadeiramente felina dos maometanos
com a imundície dos cristâos".
Na música, o alaúde teve vasta descendência
nas Arnéricas, procriando verdadeiras farníüas de
rnsÌr-umenlos caribenhos, o bandolim e o cavaqui-
nho brasileiros, â charanga do altiplano ãndino e o
banjo dos negros norte-americanos. A gaita áÍabe é
possível antecessora da gaita ibéricã, e o adufe, pre-
cursor do pandeiro.
A aridez dos solos desérticos capacitou-os como
iÌìestres nas técnicas agrÍcolas e de irrigação. im-
portando para a Europa o moinho d'água, avô do
engenho colonial, e 1á semeando o algodão, a la-
lanjeira, a cúação do bicho-da-seda, o cultivo do ar-
loz e da tão "bÌasileiE" cana-deaÉcar. As próprias
récnicas construtivas, como a telha de baïro do ti
po capa e canal, ou ainda a taipa de pilão, tão do-
minante nos primeiros séculos do Brãsil, são de in-
fl uência nitidamente fu abe.
O segundo movirnento marcante foi a chegada
direta de imigrantes, sobretudo sírios e libaneses,
a pârtir do final do século XIX. É possível que â vi-
sita do imperâdor D. Pedro ÌI a Beirute e a Damas-
co, em 1876, tenha servido como primeira aproxi-
mação cultural entre as áreas de origern da
imigração árabe e o Brasil. Mas essa circunstância,
poÍ si só, nãoseria capaz de lançar tantos espíri-
tos inquietos na âventura de uma odisseia tão dis-
tante. A pretensão Ínicial era uma migïação tem-
porária, para amenizar as dificuÌdades financeiras
enfÍentadas por suas famílias. Viüam um tempo
de restrições econômicas, por conta da entrada de
produtos industrializados europeus (que minou a
renda derivâda da produção artesanal), de algu-
mas pragas agrícolas e da necessidade de mais ter-
d\
i) t:it:..':,i;: lr" ;tt11t.11ria.tirÌ1a.;,,rrji,.! i) iliiittt-t)r,;ir., I t)
(-iì'.1ttl:itì:i:.) r'ttr:ti.l,: ii;,,.t I't t ia a l 1 t'.:.i r tii) t.'0iit!\.1]t)
"t';"
ç'
',
*,"'.#-
rrilfl
É ",'"'-,
ras para a incorpoÉção de herdefuos. Além desses
motivos econômicos, outros fatoÍes re1€vântes in-
fluenciaram â decisão de partir, como a competi-
ção por südrüs entre famílias nas aldeias e os fÌe-
quentes conflitos religiosos entre cristãos e
muçulmanos. Preocupante também era o reüuta-
mento militar obrigatório empreendido pelos tur-
cos, em uma época de riscos provocados pela de-
cadência do Império Otomâno.
N.ì prnrLril dc Pedro
Américo (1884), r
bela lnstrumento i€
oigem árabe
Libà'ìo, dócãda dc De qualquer modo, os migrantes não erâm
l95o.Apesar de aventureiros isolados, mas indiüduos inseridos
acostumados aô tra num contexto familiar, dispostos a acumul capi-
bâho rurà enr seus tal durante certo tempo e depois voltar ao seio da
Dàis.s .rs a ibcs .hc
- iamíUa e da aldeia de origem. Entretanto, o quepar'am ão B,asìl o:ìra Dretendia ser provisóúo acabou se tonando per-
ser-.m don')s de
manente: em vez de o imigËnte retornar, em mui-
serrs prof,rlol rrego
.or.au,,o, o port^ tos casos foi o restante da família que veio se jun-
dc santos torado Lom tar a ele no Brasil.
a chegacìa dc imigran Redes de palentes, amigos e contemâneos se ar-
tes no;Íìícto cJo sécu- ticularam, fornecendo referências valiosas aos que
lo XX decidiam vir Na mente de cada emigrante formou-
i)jltlt' t!ltt'1 illrf i.lj fj:.i ,5:., i.'Ì I , f lli;ll aÌlItrri','ìíl.i aj,:,
, .,,, . t . , \.i, : I ,,, , ,r, rl
,
j :,,. .1 l,.l',:l , .. r "', ,
se uma geografia imaginária: um tio em São Pau-
lo tomava aquela capiul brasileira ntais próxima
de sua aldeia na Sída ou no Líbano do que a Es-
panha, ali do outlo lado do Mediterrâneo. Inte-
resses e favores dos muitos conhecidos propícia-
vam o início da vìda rlo novo país: casa, trabalho,
escola para os fllhos. Muitos dos já estabelecidos
ofereciam um crédito inicial
-
sob a forma de
mercadorias, por exemplo
-
aos recém<hega-
dos. Esse intenso movimento migïatório alcan-
çoü os rincôes mais remotos do continente.
Onde quer que chegassem, eram chamados
da mesma forrna; "turcos". Uma confusão que
os olendia duplamenre
-
pelo equívoco geo-
gráfico e por referir-se a seus dominadores his-
tóficos. Culpa dos passapones que usavam,
até a Pdmeira Guena MundiaÌ (191+1918)ex-
pedidos pelo Ìmpédo Otomano.
No Brasil, a maioda era de origem libanesa ou
síria. Sua principal ocupação nos países de origem
havia sido a agricultura, nas por aqui abraçararn
como profissào o comércro. Perseguiam a autono-
mia de gerir seu própdo negócio, âinda que este
fosse minúsculo a ponto de caber em uma caixa de
vendedor ambulante. A nlâior concentração ocor-
reu em São Paulo, mas os "turcos" se espalharam
por todo o pais. Exemplo curioso ciessa abrângên-
cia geogÍáfica: foi unÌ mâscate libanês quem fil-
rnou as únicas imagens conhecidâs do cangaceiro
lampião, na década de 1930. Benjamin Abrahão,
que era tambén fotógrafo e homem de confiança
do padre Cícero, infiltrou-se no bando e gravou mo-
mentos do seu cotidiano, como narra o filrne "Baile
perÍìrmado" (Paulo Caldas e Lírio Ferreira, 1996).
Os árabes mascateavam também pelas zonas ru-
rais, mas fixaram-se sobretudo nas ciclades. inicial-
2
õ
õ
Í â a â l=
Na tágina segulnte.
inleg.aíÌtes da fã'ìi|a
de imgraatcs Cassrb
em lrcnlc ão l'luseu
do lplrangà Alé hoje
São Paulo é urÌr dos
Ìnâiores Ìedutos de
dcscendenles .ie ára
i:
mente em cortiços, moradias populares com cômo-
dos para alugar, onde se aglomeravam famílias in-
Ìeiras em espaço reduzido. Á vida giravâ em torno
da família e do trabalho. Lojâ na ÍÌente, casa nos
tundos ou no ândar de cima do sobrado, família
-mourejando", trabalhando "como mouros".
Mas o balcão das lojas não seda o ponto de che"
gada de suas trajetódas. De mascates a pequenos
comerciantes, depois varejistas, atacadistas e in-
dustriais. Vencidas as dificuldades da primeira ge-
ração, os pioneiros trataram de buscar para seus fi-
lhos a ascensão socioeconômica via educação.
Queriam vêìos como doutores - especialmente
médicos e advogados
-, e assim muitos o fizeram,
aproveitando-se, no início, de clientelas cultivadas
na própria colônia, depois estendidas a outros es-
tratos sociais.
A partir de então, a inserção privilegiada e o
amplo conhecimento social angariado desde os
tempos de mascate, aliados à legitimidade que um
diploma conferia, frutificaram em caneiras públi-
cas. Em todo o continente menciona-se o grande
número de descendentes de áÍabes na poütica, co-
mo os presidentes Turbay Ayala na Colômbia, Ab-
dalá Bucaram no Equador e Carlos Menem na Ar-
gentina. De posições destacadas em áreas como a
ünguística e â medicina, a presença árabe chegou
ao que há de mais popuÌar no Brasil: o futebol, o
jogo do bicho, as escolas de sambâ. O que demons-
tra, apesar da origem cultural relativamente dis-
tante, uma extraordinária capacidade de adapta-
ção à nova telra.
Outla peculiaddade que ilustra essa integração
vigorosa é a incorporação de iguarias à culinária 1o-
cal. Em São Paulo, de acordo com o Sindicato de
Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, um qua.rto
das refeições servidas provém da culinária árabe.
Algumas receitas difundidas pelos imrgrantes irÌte-
gïam hoje a dieta habitual da classe média brasilei-
ra, como o quibe, a esiila, o tabule, a coalhada. o
babaganouche, o pão sírio e a lentilha. Restaurantes
especializados em cozinha árabe {ou em âdapta-
ções inspiradas nelâi proÌiferãrâm de ta1 forma que
não há guiâ gastronômico sem uma seção dedicada
a eles ou shoppirxg center em cuja praça de alimenta-
ção um deles não esteja presente.
Até hoje, mais de um século após a únda dos
prirneiros imigrantes, nas entrevistas coÌhidas en-
tre os mais velhos, entre aqueles capazes de olhar
para trás conscientes das dificuldades enfientadas
e do caminho percorïido, o balanço da trajetória e
da vida não deixa de registrar depoimentos emo-
cionados, 'Na yida brasileira a gente adquire desde
a inf;ância uma tolerância que não existe lá (...) Eu
estou satisfeito da minha vida, confio no Brasil,
aqui é minha teüa".
Esse sentimento de $atidão e confiança, em
geral embalado por uma considerável mobilidade
socioeconômica, resume a bem-sucedida história
dos imigrantes sírios e libãneses no Brasil, um
país tributário da culturã árabe desde a alvorada
da colonização. H
Soibd líois
FREYRE Gilbe.to. Cosú-
G/orde & Senzolo. Rio de
Olympio Êditora, 1969.
GREIBÊR, BeÌt/ Loeb et
àlii. Menótios do lniqo
çôÕ-íbonesesesírios
em 5õo Pdula São PãuLo:
Discurso Ediiorial, 2000.
KAMf1,l.I Um ollro
orobescoi err'cdddê e'úo-
lboneso no Srosrl neolbe-
/dl 5ão Pàulo. l',]adìns
Fonter2008.
KNOWLTON, Ciark S 5É
rios e libúnesesr mobllido-
de soc,ol € especioi. São
Paulo:Anhambi, 1961.
A inflLrêníâ árãbe
Íìcar:o csludantc bÌà-
3leìro toca o derbd(k.
instí.ljmento de per
oswALDoïRuzzI É PROFESSOR DA UNIVERS]DADE CI]sSàO' SEU SOM ÍTC
FÊDERAL DE SÃo cARLos E AUïOR DE pÀÌRíc,Os , jiRtos E çu-'nternenle embalâ
LIBANESES EM sÃa pAULa (NUctrEC )997) dançarìnâs do venrre.
I
3
9
9
ü
é
õ
.8"1
+t
*:.
h,
&
lJil
:,"
Li
i
JOHN TOFIK KARAM
Estátúã na Rua da
Alfândega, no Rro de
Janeìro. O ponto, qle
servia de enlreposlocomerciãl pafa os
mâscaies no início do
século XX, é marcâ
do pelo cômércio
popuÌar alé hoje.
Fios orobes,
tecido brosileiro
Desde o início da semlo XX, .iírir;s, iil*nísgs
e palestittos exercein sx"LLi ilsLucitt füttiJÍ"1ILì]
nos qual.ro canLls clo 1r111'.
CoMERCTANTËS ESpERTos, o "mascate"
árabe e o "turco da lojinha" são persG
nagens que perambulam pelos contos
de Cornélio Pires, pela poesia
de Carlos Dmmmond de An-
drade e pelos romances de
Jorge Arnado. A fama vai
além dâ imaginação litÈ
rária. Passando por cam-
pos, estuadas e igarapés,
os imigrantes áÍabes e
seus descendentes também
marcaram a ramificação do ca-
pitaüsmo tardio no pâís.
No final do século XD( a
produção cafeeira em São Pau-
1o serviu de contexto pâra a
chegada de sírios, libaneses,
palestinos. Ao contÌário de
outros imigÌantes da época,
estes não únÌÌam trabalhar
nas lavouras, e sim abastecer
como mascates (vendedores
itinerantes) os moradores das
roças e fazendas
-
de peões a
fazendeiros. A iniciaüva ga-
rantiu aos árabes um
vhtual monopólio da-
quele comércio de
pôrta em porta: em
1895, eles representavam 90% dos mascates
oficialmente listado-ç na cidade.
Um dos mais farnosos foi o libanês Benja-
min Jafet. Em 1887, ele se rocou para o interior
paulista mascateando linhas, agulhâs, tecidos e ou-
tÍos artigos de armarhìo. Com o lucro acumula-
do, juntou-se aos imãos para estabelecef na ca-
pital uma das maiores indúsrias rêxteis do país.
Assad Abdalla e Najib Salem foram outros pionei
ros, abrindo na década de 1890 um "armazérn de
revenda" na atual Rua 25 de :\larço, bem no cen-
tÌo da cidade. Esses rrês negociaÍÌtes faziam
parte de uma rede de fornecimento de produ-
tos para seus conÌerâÍìeos que mascatea-
vam nas periferias. Áté
1930. muitos desses mas-
cates se transformariam
também em'donos de loji-
nha". dominando o
amcado de tecidos
e amadnhos em
grande quantida-
de. Em pouco tem-
po eram centenas,
e. concenhados na
25 de Março, res-
pondiam poÌ me
tade dos lucros do
atacado no setot
têxtil brasileiro.
Não se restringiam ao coméÌcio: quândo a soúe
lhes sorria, adquiriam suas próprias indústrias. Em
1945, estavam no comando de 27% das fábricâs
paulistas de fiâção e tecelagem de algodão, seda,
rayon, li e linho. Completavam, assim, toda a ca-
deia de produção e distribuição: os industriais ven-
diam seus rolos de tecidos aos atacadistas majorita-
riamente iíËbes, que então os revendiam aos
donos de confecções.
O Rio de Janeiro também tinha a sua 25 de Mar-
ço. Como em São Paulo, os primeiros sírios e liba-
neses que aportaÌam na capital carioca no final do
século XIX instalaram-se em pontos próximos à Íe-
de ferroviária e ao porto. Em pouco tempo, a Rua
da Alfând€ga servia de enbeposto de fornecimento
e revenda, onde os mascates iam aceÍar suas con-
tas e buscar as miudezas que vendiam nas fregue-
sias urbanas e rurais. Em meados do século )ü, o
comeÌciante libanês Jorge Tanus Bastani e seu pai
costumavam encher seus baús de "meias, linha, al-
godão, quinquilhaÌias, anéis, medalhões e pulsei-
ras de fantasia, aglúhas, pentes, sabão e uma infi-
nidade de ouúos objetos", antes de partir "em
direção às fazendas".
Como ocorreu em São Paulo, mascates como o
pai de Bastani viÍaram lojistas na Alf,ândega e nas
redondezas, dominando o comércio atacadista de
tecidos e artigos de armarinho. Em 1962, decidi
ram se juntar e fundar uma associação, a Socieda-
de dos Ámigos e Adjacências dã Rua da Alfândega,
ou simplesmente Sâara, siglâ que acabou batizan-
do todâ a área. Segundo seu fundador, DemétÍio
Charl Habib, o objetivo inicial era defender a re.
gião de um plano de renovâção urbana do recém-
cdado Estado da Guanabara: a reforma atravessa-
ria o meio da rua- quase uma década depois, os
comerciantes árabes de São Paulo também cria-
ram sua associação, a Uniúnco, União dos Lojistas
da 25 de Março. Hoje em dia, esses lugares são si-
nônimo de comércio populãr e ficaram marcados
com monumentos em homenagem à figura do
vendedor itinerante áÌabe. Na região da Saara é
"O Mascate"; na área da 25 de Março é a "Amizade
Sírio-Libanesa".
Se no Sudeste esses imigïantes foram atraÍdos
pela industrialização, na Grande Amazônia os ne
gócios se enhelaçarãm com a produção da bona-
cha. Ao chegarem à região no final do século XIX,
os vendedores itinerantes árabes ficaram conheci-
dos como "regatões". Na primeira década do sécu-
lo )OL já haviam alcançado boa parte das margens
fluüais do Rio Amazonas. À sornbra das frrmas es-
trangeiras exportadoras, muitos regatões pÌospera-
ram no incipiente mercado de consumo da Íegião,
Nos anos 1920, com a queda do preço da borracha,
alguns dos chamados "turcos" comprâÍam Êrmas
de lmigrantes já estabelecidas em Belém do Pará.
Outros preferiram ficar no comércio na fronteira
Brasil-Boiíviã. A inauguração da Zona FÍancâ de
Manaus, em 1957, facilitou âindâ mâis a abertum
de novos negócios.
Meu bisavô, Abdo Bichara Ghosn, foi um dos
que tÍocaram o Iíbano por Porto Velho, no atual es.
tado de RondônÌa, logo após a ürada do século XX.
No BËsil, ficaria conhecido como Abidão Bichara.
Junto com dois cunhâdos, desceu o Rio Madeim até
os povoados de AbEnã e Guajará-Mfuim. Â empr€sa
famiüar encomendava a mercadoria, principal-
mente secos (grãos), de Manaus e Be1ém perto do fi-
nâl da época das chuvas. Estocava o material em
um armazém no centÌo de Porto Velho e aguardã-
va o início do peúodo da seca. quando os estoques
de outlas lojas já €stãvam esgotados, aí, sim, Bicha-
ra e seus cunhados punham sua mercadoria à ven-
da, por um preço elevado.
Memórias semelhantes têm os descendentes de
árabes que vìviam no Oeste do PaËná e na região
da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argen-
tina. Embora essâ zona fosse âtravessada por mas-
cates desde o final do século XIX, sírios e libaneses
só se instalaram de modo defiútivo em 1951. Os
éí4
(^-
I
k\r
\,6
:1
J'
9
-2
4
-l
_9
:J,
p
Í
Soibo Mois
LE5SËR Jêfi-rey Negociún-
da o ldenüdade Norìonol:
lnigúntes, Minüias e o
Luto pelo EtÌicidade no
8/osiJ. 5ão Paulo. Êditora
Unerp,2001.
TRLTZZI, Oswâldo 5íri6
e Libdnesesi Ndíotiyos de
Paulo: Companhia Edito-
ra Nacional,2005.
Das vendas de porta
ern Porta no século
XlX. os mascates tor,
naram-se lojistas e
industriais. lornal Aboü
Houl em 1939.
Na página seguinte:
nâ Região Nofte, os
enriqueceràm com a
queda do preço da
borracha. Na foto,
lota de árÀbes em
Catranhal, Pârá.
úFW"
primeiros haüam pârtido de Ba11ou1e de Lala, duãs
cidades úzinhas do Vale do Bekú, no Líbâno. Per-
conendo as ruas sem asfalto de Foz do Iguâçu e de
Ciudad Presidente Stroessner {hoje Ciudad del Es-
te), no Paraguai, ofereciam seus produtos de porta
em porta. Como haüa poucos armarinhos, confec-
ções e manufaturados nacionais na região, decidi-
ram abú, no centro de Foz do lguaçu, as primeiras
lojas para atender clientes brasileiros e paraguaios.
A partir clos anos 1970. com a chegada contí,
nua de patrícios do ïale do Bekaá e do sul do Li
bano, os árabes dominaram o comércio nos bair-
ros próximos à PonÌe da funizade, que une as
cidades dos dois países. Como Ìíderes do chamado
"comercio de exporiar ào-. revendiam para os im-
portadores paraguaìos produros das índústrias de
São Paülo ou de SanÌâ Caiadna. Ás leis federais de
incentivos fiscais à expoúação de manuíaturados,
criadas na década de 1960. só aümentaram seus
lucros. E ainda diminuíram os preços dos produ-
tos. Nos anos 1980. os árabes estavam à fiente de
muitas das 600 empresas exporradoras de Foz do
Iguaçu, suposramente envoii'endo 70% da popula-
çào economicamente atrva do município.
Enquanto os álabes que r.iriam em São Pau-
lo, no Rio de Janeiro e na Grande Amazônia de-
senvolviam seus negócios à sombra do impe-
rialismo econômico do Norte. no Paraná e na
zona fronteiriça da.\mérica do Sul seusconter-
râneos matcavam a ascensào do Brasil como po-
der regionai sui-americano depois da Segunda
Guerra Mundial. H
9
=
Damas.o, Ì960. A
Rua da Allândega (RJ)
e a 25 de lYarço (SP)
toanaram-sc redutos
genuinos de conìér
aio, co ìo os t.ad cìo
nais nìercados árâbes.
JOHN ïOFIK ..r
-\j./SRSIDADE
DIPAU: El :-- : :_ ::_-a: l:
-.'OUÍROÁRÂBES-
co Ëi\ralj:i j: ,
-:r ::_ , ::i_ .!i_r3EÊÁl
(r,rARrir.s :l -,: :
-t ::
ìt
PAULO GABRIEL HILU DA ROCHA PIN
Todo formo deÍé
# IJ'Ìrií{,{..i liil, iilttl4t"ctt
ri ii Ì i rl,s'" Mtt ril rí tl.í.is, i; t"ï r;drixí )s ilii r y', u t tii n1 ts.ftas
)iiil"! i{"}il'ïi.itiÍtJr.tlic-ç srgti{111'1.fïi'iii'::; t.:ititiu hr;fr ' ,
ì.
!
í
a
.ìttL/"-ì i".r,;t;ti_Ílti!.t14L.1.t--ì ,1\-(,,t,r. Ét:
.j rr r r r.ì!-.r t,t i r rt4.rJ rrdl-JL
,:ilk
..+-: t'
?Ê\sAR quÊ roDo ÁR,{BE É uuçuruano é um gerações. Os ritos e dogmas das igrejas oti"ft"it,
equívoco reconente ainda hoje. Os povos árabes do no entanto, câusavam estranhamento na sociçalade
Cdente Médio ostentam uma eDorÍne diversidade brasileira, que pressionava os imigraltes ár$es$'
deüâdiçõesecrençascristãs'muçulmanasejudai-adotaremaspIáticasdocatolicismoromano.
cas. Os milhares de imigrantes sírios, libaneses e A comunidade ortodoxa foi uma das prímeiras a
lalestinos que desembarcararn no país enüe o fim criar instituições próprias no Brasil. Cristã, mas não
io século XIX e as primeiras décadas do XX contri" católica, ela contava com ÍecuÍsos Íansnacionais Prirìre;ro ìemplo
buíram parâ ampliar a pluralidade religiosa na so- da I$eja Ortodoxa Anúoquina, cuja origem temete muçulmano em estio
.iedade brasileira. aos primórdios do cristianismo. Liderada pelo Pa- á,:bê do Nô\'o
Até meados do sécu1o xx, â imigração prove- úiarca de Antióquia, foi controlada por monges lYundo' a llesqLJita
niente do Oriente Médio foi predominantemente grcgos até o século XIX, quando o surgimento dos Brasrl (arlnìa nlma
idsrã. Marcnitas, melquitas, ortodoxos do dto an- ideais de nacionaüsmo entre os fuabes levou à ele! maquete) ío corìs
rioquino, siÌíacos, católicos romanos e protestan- ção de um patriarca dessa origem. Na rnesma épo- truida em são Palrlo
res. A maioria dos libaüeses era maronita, enquân- ca, a lgreja Antioquina também estabeleceu rela- na dócadã de 1950
to os sÍrios costumavam ser oúodoxos. Entre 1908 ções com a Rússia, o que levou a um processo de
e 1947, 65% dos sírio-libaneses que entraËm pelo renovação religiosa em língua árabe. Foi a casa real
porto de Santos erâm mâronitâs, melquitas e cató- da dinastia Íussa dos Romanov que financiou, em
licos romanos, 20% eram cdstãos ortodoxos e 15%,
muçulmanos. Estes podiam ser sunitas, xiitas, irrl ,r illllitj!Íirl l'/i:i:{i íJ{i:ì iiiiìÌli,iittI i.;ilc /tliilr .1,,1.
alauítas ou drusos- Havia ainda imigrantes judeus r,jil l.tìll, 1i i t'ìiiÌ ,li{lti! ìiJ i;i tltlf!í-i.) i{'ÌlÌillij
de fala e cultura arabe.
A pleservação da identidade religiosa era im- irlii)i]alii) lli' ijl,l:lil
pofiante para aqueles que permaneciam ligados à
comunidade sírio{ibanesa ou mantinhãm laços 1917, a construção do primeiro templo ortodoxo do
com o território de origem. Já no início do século Brasil: a Igreja de São Nicolau, no Rio de Janeiro.
XX, diferentes instituições religiosas começaram a Mas desde 1897 essa comunidade já possuia uma
ser criadas pelos árabes no Brasil. No princípio sociedade própria, em São Paulo. Hoje os ortodoxos
eram sociedades beneficentes, sociedades de se- se otganizam em torno de dois arquimandritas (re
nhoras e "centros de juventude", para só depois presentantes patriarcais)
-
um no Rio e outro em
inaugurarem seus locais de culto. A intenção era São Paúo
-
com jurisdição sobre paróquias lidera-
promover formas de solidadedade entre os mem- das por padres em ouüos estados: P aná, Goiás,
bros e compartilhar suãs tradições com as novas Rio Gmnde do Sul e Minas Gerais. A liturgia era ini-
Catolicismo eÌì eíilo
árabe: interìor da
igrcja nrarrnitã de
Nossa Senhola do
janeirc. por ocasião
da vlsita do patriarcã.
eÍì 1997.
cialmente feita em árabe com trechos em gÌego,
mas desde 1938 é celebrâda em português, embora
tenham sido mantidos trechos em árabe e grego e
os cantos que a carâcterizam. A adoção do portu-
glrês mosfa a crescente importância da segunda e
da teÌceiË geração de descendentes de imigrantes.
A primeira Sociedade Maronita de Beneficência
tâmbém surgiu em 1897, em São Paulo, e o templo
foi erguido seis anos depois. A liturgia maronita se
parece bastante com a dos católicos lomanos, mas
é conduzida com ritual próprio em português, com
'i .. rri i,.', ., ,/,
trechos em aramaico. Essa Igreja deriva da prega-
ção de São Marun, que viveu no século IV na Síriâ.
Como os cristãos ortodoxos perseguiam os maroni-
tâs como heréticos, eles se rcfugiaram no Monte Lí-
bano e criaram sua lgreja a partir do século tr1[. Du-
rante âs Cruzadas, os maronitas entralam em
contato com o catolicismo romano, e no século XV
aceitaram a autoridade papal, preservando, porém,
suâ autonomia eclesiástica.
Os melquilas. :a:rr€T. ::::.-ri:-ìs- til,eram pre-
sença imponanre e:aË :,r :::-:::::::les árabes desde
o século Xl\. Ì-nai ;i=:::::= ; ãarÍrar sua auto-
nomia denÍo do ca:c::,:::=r
--ras;leìro - sua pri-
meira igreja, a de )ài 3-:*..1 :r: R-o de Janeiro, se-
da erguida somenie i::- 19-i Desde então
surgiram templos tai:l:É=.::- S5o Paulo, Minâs
Gerais e Ceará. -\ pala',r.
=el:.:::a çem do árabe
maliki, que quer djze. -aq:r:. :.. ao rei/impera-
doÌ". Este era o nome c-:r- l!]a onodoxos, cris-
tãos fiéis ao imperador ìrrza:l:ro.
-\pós um cisma
na lgÌeja OÍtodoxa nc ser.*;lq \-r lii. pane do clero
e seus fiéis ãceitaram a ai:r3riiàce rapal, manten-
do suas diferenças tnlta.". i r:rou-se assim a
lgïeja Melquita, com setle er:: Daaasco. Às cerimô-
nias melquitas sâo celebrada: en com:guês, com
algumas passagens em árabe
Outras comuúdades reLig:to!ãs rnenos nume&
sas também se organizaram ;]a pr,rrleira metade do
século XX, corno os judeus .-idos no Rio de Janeiro,
os árabes protestantes em Sào Paulo e os cristãos si-
úacos isirirm) em São Paulo e Belc Horizonte.
Os árabes muçulrnanos criararn suas instituições
reügiosas mais taÌdiamente que os crisÌãos. A Socie-
dade Beneficente Muçulmana cie 5ão Paulo foi cria-
da em 1929. Ernbora fosse marcadamente sunita,
{ ì ir),r 1r l)
.{)iìl', l-i,íiil': ir.r i'ìjri ,,. ! lij t!itití:t r,.ti
'ilit, i|: itt,;t'jrr-r
1 li jli:ir.1..t,' i\.iriii:rlijrr
5
Na pá9. seguinte. unì
postal reh_ata Lríìa
Ìnulher judia 5rì iar1 5iÍìal
de unr rirundo onde
c'enças e PcÌ_Ìenças
rclrêiosas ulirapassam
âs í,-oni€ ràs élnicâr.
eLa também era referência para os xiitas. que não
contavam com uma instituição própria. Ês-
sas duas correntes sectárias do Islã sur-
gAam após a morte de Maomé, no
século VII. Os sulitas foram os
que aceitaram a sucessão do
profeta por Abu Bakr, que
durant€ o exílio de Maomé
havia sido encarregado
por ele de dirigir as ora-
cões comunitárias em seu
lugar. O termo sunita prG
i'ém de sunno cl-nabi e sig-
nifica "hadição do profetâ".
os sunitas comespondem a
cerca de 85% dos muçulrnanos
de todo o mundo. Os xütas
-
'partido de Ali"
-
defendiam que a
liderança da reügião deveria ser exerci-
da por descendentes de Maomé. AIi era pdmo e
genro do profetâ. Em São Paulo, os rituais islâmicos,
como as orações diárias e a festa do fim do Râmadã
tmês do jejum), eram celebrados no salâo da Socieda-
de Beneficente até 1950, quando passaram a ocupar
a Mesquita Brasil, a primeila do paÍs, cuja construção
se estendeu de 1942 a 1960.
Como não se identificam com a interyretação do
Islã praticada pelos sunitas, os muçulrnanos drusos
e alauítas também criamm suas próprias institui
ções, Os aÌauítas são uma seita xiita que segue os
ensinamentos de Muhammad lbn Nusalr, um disci
pulo do 11" Imã (descendentede Maomé). A Socie-
dade Beneficente Alauíta foi fundada em 1931 no
Rio de Janeiro. Os drusos, que se autodenominam
"unitaristâs", surgirarn no século X e têm uma in-
terpretação esotéúca do Islã. Possuem doutrinas
que lhes são específicas, como a crença na reencar-
nação. Como a principâl árca de imigação dos dru-
sos foi Minas Cerãis, lá se concentaram suas insti-
tuições. Em 1929, foi fundada a Sociedade
Beneficente Dmziense ern Oliveira (MG), transferi-
da para Belo Horizonte em 1956. Em 1969, foi cria-
do o Lar Druso Brasileiro em São Paulo, e mais re-
centemente, um Lar Druso em Foz do Iguaçu.
A vinda de árabes para o Brasil entrou em decli
nio após 1940, devido a medidas restdtivas do go-
verno brasileiro, que impôs cotas à imigração, e à
independência da Síria e do Líbano. Porém, com a
guerra civil libanesa (1975-1990), as guerras árabe-
israelenses, a ocupação isÍaelense dos territórios pa-
lestiaos e do sul do Líbano (1982-2000) e a crise eco-
nômica, novas levas migÌatórias cheganm ao Brasil
a partir dos anos 1970. Desta vez, eram muçulma-
nos em sua maioria. Nas últimás duas décâ-
das, foram erguidas mesquitas sunitas
no Paraná, em Sâo Paulo, Mato
Grosso, Goiás e Minas Gerais. A
do Rio de Janeúo só passou a
abrigar as orãções em 2007,
estaqdo ainda em constu-
ção. Mesquitas xiitas tam-
bém foram construídas
em São Paulo e Foz do
lguaçu. Algumas comuni-
dades muçuLmanas, como
a de Curitiba, tornaÌam-se
mistas sunita/xiita.
Desde a década de 1990,
cresce também o número de bra-
sileims não árabes convertidos ao
Islâ e, em menor escala, às igrejas OÍto-
doxa e Maronita. O poftuguês passou a ser ado
tado no sermão das sextas-feiras em comunidades
muçulÍranas com grande número de convertidos,
como a do RÍo de Janeiro, e é crescente a oferta de
cursos de língua árabe. A entrada de brasileiros não
árabes nas comunidades religiosas criadas pelos imi
gÌantes árabes mostra como elas já fazem parte da
paisagem religiosa da sociedade brasileira. H
Sdiba Mois
KARAÍ John. Um O!.io
Anbes.a: Lthiedod. Si ia
L,bonesd ro 8r0Ír Neol,
Derol. São Paulo: lÍailins
Fontes,2009.
KNOWLTON. Clark. 5í
rios e tócieses, Mobildo
de lo.ióÍe Espo.ial5ão
PãuÌo:Anhambi Ì960
LESSER Jelïrcr Á Nego-
ooçAô do lde.Írdade No-
.,ôroi /mr!,drtes
€
ütrÌo.
Etnrcdode no B,úri. Sâo
PaLrlo:Uncsp, 2001 .
SAFAIJY Jorge A lúi8,"-
(I88o l97I).Tese de
dôúorado em História:
FFLCH/UsE I972.
tYudd ;ì t)iì \Jgenì rch
br asricir .r: ro ìbàixo. .i
paulo caBRrEL H.LU DA RocHA prNTo . pRor L\5oR | 1r | ' 'l' r' /
DE ANTRopoLoGtA NÂ uNrvÊRsTDADE FEDERAL LguaçL <k'romít.rr1,t
FLUI'I|NENSE (uFF) Ê CoORDINADOR Do NúcLEo DE Ornì' li),ì,Ai KhiìÌ;rl) c
ESruDos sogRE o oRrENÌE ptÉDlo (NEot1/uFF). coní,!úlr €nì tg8t
{rï;.
, d;&:
j
a.,.)Ò.)---.r.
êÌ
PAULO DANIEL FARAH
in"|luint:i.u
ri
.l
ì
t
.1 ú)
Alicerces, recifes
e ocepPes
U tí.ntbe tcnt
A
Ntair, recém-caso.d.a, mora nos aftabaldes de [ma oldeia
do interior, põe o seulestià.o de chita e o xale. Pega o garo-
to, um azougue de menino,lala-o e passe-Ihe talco, Se o ga-
roto tosse, dó-Ihe uma colher de xarope, empapq o olgod,ão
em cânfora e faz massagem nas nns costas. Vai à cistema,
prende a azêmola na atgola da manjoïa, põe óguo na
modesta jarïa. Uai Jazer mfé e adoça-o com so.boroso oçu-
car-cande- O msrido, um mameluco, conhecido pela alcu-
rha Boca-Torta, bem cedinho, jó se levonta com enxaqxe-
co, põe as ceroula5 o temo cóqui, bemlavadínho com anil,
toma um trago de coÌthaErc de alcah^o São João da Bof-
ra ou, se não o tem,llai ao alambique, sorve um gole d.e je-
ropiga. Toma o tíftqÍa e vai pescar no aqtde. jutras lezes,
prefere caçar jovalí; limpa o azinhavre d.a espingard.a de
m a,t t utïrb ern ! t f er tírio,'r'rl li:-l osrt rr r'Ì I 1i r r r i i I
tÌ1.ïrúi pi'ir-,siÌì{:r.i liii iilt.,;lii iri)/ lll {itasú1.
L[1tt cl1(g,ll í.i(i ]ìl'írsii r iitrgil,;iii-rt.
Srosso calibre, sai $m 0 i-d l(i isÌr.i',) úi:!l rtlad o Sultão e vol-
ta com algumas otl obds oc i.,.-:i .:j .
'çrus. Á hí)rc d0 ei-
moço, Altair lhe tr?z urÌlds (1:-?it,-ìÌl.i-r. süttlì-se com €l€, e
pincípiam umo solodn de alliicc i'err; regqtlo a ozeite. Vem
depois o espínafi'e, a cabideÌrt, d .rì ìrìi oir 0 pc ixe escabeche,
ou com alcapan'a, que ingrru conl rrn o: ben soltínho. EIa
Ihe oÍerece um prato coÌn ítrelg.Ì. qlri ! et.itd. Prefere alca-
chofra, por catsa do figodo. \/d i torì o ri íio Ì'l tidi co de tamo-
rindo. À sobremesa, umaboaloronjü sel.]td.
A pr€sença dãs palawas de origem árabe na lín-
gua poÌt-rguesa é tão vasta que ,{ÍÌrônio José Che-
diak pronunciou um discur'.o no Í esrival Á.rabe de
1972 no qual utilizon m núnìero impressiona[te
de vocábulos com essa o genr.
Em sua permanência de quase oiro séculos na
Peninsula lbérica. os árabes conrribuíram com cen-
tenas de vocábulos para o lérìco da língua poúu-
guesa, ainda durante seì.ì período de formação. Se-
gundo Antônio Houaiss {1915-19991. do total de
cetca de três miÌ palawas do ponì.lsuès primit ivo.
no mínimo 800 têm origem áÌabe.  paÌtir do sé-
culo XII, quando começa a esbocar-se a consolida-
ção da línguâ portuguesa conlo raÌ. o árabe estava
presente, mas com esta dualidade: enquanto o ára-
be da Península lbérica era o de úma Ìíngua de cu!
tura, o português, ou aquilo que de\.eril ser o por-
tugì.rês da Península lbérica. era uma língua
natural, O árabe, como tal, teria rodas as condições
para prevalecer, e estava yisil'elmente prevalecen-
do na Peninsula lbérica, onde se radicara. Foi só
rY
P
z
5
I
com a Reconquista que houve a expulsão dos ára-
bes e dos arabizados, graças ao que o português pô-
de conquistar teneno', expÌica Houaiss.
As contribuições lexicais árabes se fazem perce-
ber em áreas diversas. como as ciências exatas, a
âdministração, a religião, a agricultura, a arqúte-
tuÌa, a cuÌináda e a literatura. Em portug!ês, é ex-
pressivo o número de palawas que começam pela
letra "a" e que têm origem árabe
-
entÌe muitas ou-
tÌas, alvará (documentada em poÍtuguês desde
1331), alfaiate, açúcar, arroz, azeite, alface, alfân-
dega, alÍnofada, almôndega, açude, aldeia, algema,
ãlgodão, alicerce e alquimia.
"Á1" é o artigo definido em árabe
-
independen-
temente do gênero e do número. Com ÍÌequência,
os porrugueses o incorpotavam às palavras que ou-
viam, sem compreender que se tratava do artigo.
Ao compararmos a palavra "al-godão" com cotÍol1,
em inglês, coüon, em ftancês, ou cotone, em italiano,
isso fica claro. O mesmo se verifica qüando compa-
Íamos a palaua "âr-roz" com rice, em inglês, riz,
em francês, ou riso, em italiano. A única diferença
é que, por uma questâo fonética. ocorre uma assi-
miÌação
-
como acontece no caso das letras ditas
solarcs. Assim, não se fala "al-ruzz" em árabe, mas
"aÌ-ruzz" (daí "arroz").
Na passagem do árabe para o portu$tês, é co-
mum enconbar redirecionamentos semânticos
-
ou seja, palawas cujo sentido soÍieu algum tipo
de alteração. É o caso de "acepipe" (petisco), que
odginalmente (az-zebtb ou az-zqbíb\ designava "pas-
sa de uva", bastante apreciâda rras regiões árabes,
como comprova o ditado "Dú1rb a.l-hahíb, atJ qz-
zabíb"
-
"A bordoada de al$Ìém querido é como
degustar uva-passa".
A mesma alteração de sentido ocorreu com
"açougue", que vem do árabe as-súq, ou .merca-
do". Ainda hoje, é comum a referência ao merca-
do árabe como siq. Em português, virou local que
vende carne. "Álarife" (mestre de obras, arquiteto,
construtor) tem como origem o árabe al-aif,
"aquele que sabe e está bem infomado.. .'Ácool",
() ito;ttr,i.iu r I I r i I r : i i j r. i i j i: i ; i' i i ri i í .i . r I j I I i i I a , ,.!l ji tt il,ir ri..r_ilil
il.l-sSílii .ì a1(.ri!11{t; {t j I I i Ì í lr) I í I atí{ì iiii iliiiti. l:ii;i
iÌci lÌIii;(.r !,,j, ('/i "íIIj;tii i:,Ì1ì{,"
composto que, por extensâo, passou a denominarqüâÌquer bebidâ alcoólica, em árabe é al-U.;uhirt,
forrna vulgar de aÌ-kíhül: "ântimônio,, ou ..colírio
feito em pó de antimônio". "Aìfândega", do árabe
al-lunduqa (nome de unidade de at-Íunduq), é para
os árabes uma estalagem, hospedaria ou hote1.
"Álfarrábio" {tiwo antigo ou velho, de pouca ou
nenhuma importância; ou lirrro há muito
€ditado
e que tem valor por ser antigo) vem de úm senti-
do totalmente diferente: do âtabe al-Farãhi, "no-
me de notável filósofo, músico e sociólogo origi-
nário de Farab".
Na página anterior
bárco desenhádo á
partì. de paìavrâs de
fé ern Deus.Ao lãdo,
arabesco no Paìácio
dos Comarres em
Alhambm. Cl?nada.
PaÌ? os árabes, à arte
caligniíìca tem grande
mportância, poìs é
pela palavm que à
revelação divina se
Soibo Mois
HATOUM, Mrlton. Reídro
de lni .eno Ore.le São
Paulo: Compà.:ìia dâs
Letrâs 1990.
NASSAR, Raduan. Lúvoü.
Companhìâ das Letras,
t998.
CHEDIAKAntô.ro losé
Reproduçào lnlegral do
disc!.so no Fesavd ÁÈ
be de 1972. lN. RevisÌo
hk ie ktudos Árcbes.
Americdnos Seção Con-
Íìuênciàs, P' 145. São Pau-
lo: BibliASPA, 2008
.çÌÌe
Bib iAspa:
wÉjb'iepa com br
A palawa "arrecife" (ou recife) foi outra que gâ-
nhou novo sentido em português; seu ancestral
árabe íÌÍ"rostfquer dizer "estrada pavimentada com
rochedos". "Almanaque", por sua vez, antes de ser
a diversificada publicação que conhecemos, nasceu
do termo árabe ql-munaU$, "lugar onde o camelo
ajoelha", "clima".
Não é novidade que houve inestimáveis conhi-
buições árabes à matemática. O que nem todos sa-
bem é que a origem de muitos termos da área é
uma Íeverência explícita a esse legado. Um dos pio-
neiros dos estudos da álgebrâ foi o matemático e
âstrônomo do século MII Al-Khwarizmi, originário
de KlÌwadzm (atual Uzbequistão) e membro da Ca-
sa da Sabedoria, em Bagdá, Teve tanto reconheci-
mento que seu nome passou a designar a numera-
ção decimal em arábico, sendo adotado pelo latim
medievel (sEorismüJ) por influência do grego arith-
mó5 e chegando ao poftuguês como "algarismo" e
"algodtmo" {processo de cálculo ou tarefas para a
solução de um problema).
É importantc obsewar que em português exis-
tem muitas palawas de origem árabe que não se
iniciam pela letra "a": café, leilão,
xarope, javali, zênite, xerife, xeque
(ou xeique), oxalá, rabeca, rês, tâma-
ra e tarifa, entre várias outras.-. Tam-
bém nesses casos, o sentido de muitas
palalras se modificou. "Cadimo", que
em português quer dizer costumeiro
ou ardiloso, vem do árabe qadlm, "an-
tigo", "Xarope", no Brasil um remédio,
vem do árâbe chorrib, "qualquer líquido
vam na Europa, em panicular na Península lbérica,
fortaleceu esse vÍncr-rlo a presença de escravos mu-
çuLnanos no Brasil (no tocante à literatura reügiosa)
e de migmntes árabes (em gêneros literários e estílos
diferentes). Aqri cabe ressallaÌ o papel modernizan-
te do encontÌo enne literâtos árabes e brãsileiros.
Muitas sào as inspiraçòes e as personagens ára-
bes na literatura brasileira. Um dos autores que
mais se valeram delas foi Jorge Arnado. Na obra Ga-
bnela, Crovo e Caneld, o mascate Nacib cumpre fun-
ção didática:
Á
No 5itê RHBN que se ingere". "Faquir", indMduo que publica-
mente se submete a jejuns rigorosos e a duras pro-
vas de soÍiimento fisico sem dar sinais de sensibili
dade, no árabe (idqir) é usado para designar alguém
pobre, miserável. Já "Javali" é o originário da mon-
tanha, montanhês (iabdl;y).
A princípio os própÍios árabes, e posteriormen-
te a epopeia marítima portuguesa, carregaram es-
ses vocábulos para difelentes regiões do globo, en-
tue as quais o Brasil- Mais recentemente, a partir
dos movimentos migÌatórios do século X[X, os ára-
bes levaram para suas regiões alguns termos do
poúuguês do Brasil que se incorporaram aos fala-
res de parte de sírios, libaneses e palestinos.
A influência que a üteratura árabe exerce em ou-
tras liteÍãtuüs segue um percurso similar, dircto ou
indireto. É certo que a litemtura portuguesa e tam-
bém a brasileila sorveram da fonte literária árabe:
além desse contato, por meio das obras que cacuh-
-Turcoéamãe!
-
Mdt Ndcib...
- Tudo o que quiser, menos turco. Brasìleiro - baüI.
com o mdo enonne no peito cabeludo
- frIho de síios, gra-
ças a Deus.
-
Árabe, turco, sÍrio. E tudo í mesìno coiso.
-
A mesma coisq, um coffio! Isso é ignorância sua. É
íã.0 conhecer históia e geografia-.
-
)ra, Nacib, não se zangue. Nõo foi pra lhe ofender. E
que essas coisas das estranjas pra gente é tudo igual'. H
PAULO DANIEL FARAH E PROTESSOR DA USP. DìRETOR DA
BIBLIOIECA E cENÌRo DE PESQT]IsA AyÉRIcA Do sUL,
pAÍsEs ÁRAsEs (BtBLlAspA) E AUToR DE ôÊLÊJTË Do
F,SIRANGEIRA EM IUDO O QUE I EsPÁNIOSO E
^iARAY1LHO'A:ESIUDO DÊ UM RÊIAIO DÊ Y'A6ÉM BÁ6DALI (ARCÉ1, CARACA5
E RlO DE JANEÌRO BIBLIASPA, FBN, BNC E BNA,2OO7).
á!abo Fadlrl
^bd,ìllir
(:
a c:ìbocla lu1lara pcÌ_
Io.ír(r Cturìiie, de
I
t
ROSSEND CASANOVA
TTUADO NA PRArA DE BoTAFoco, às margens da
Baía de Guanabara e de costas para a entrada do Tú-
nel do Pasmado, no Rio de Janeiro, o moderno Cen-
tro Empresarial Mourisco domina a área com sua
fachada totalmente espelhada. O prédio, assim co-
mo várias lojas do bairro e algum condomínio vizi-
nho, é chamado de "Mourisco", em referência ao
pavilhão que existiu ali. Do antigo edificio só restou
o nome. Sua imponência e sua originalidade arqui-
tetônica foram apreciadas por menos de um século:
entre 1907 e 1952.
Mas o que fazia um pavilhão árabe na beira do
mar, numa das áreas mais chiques da cidade naquela
O'poinf muçulmsno
{)tim ctt^ié, {es.t.üLLrarlïe, ïea.lro e u,Lti
v'iyt,ü,:Le tj.t puïin.u,cÌ)n, tt Pttvilh.at
Mirr.rr"r.srri t'rfl tt lactú tl.n m0([ú" nü
Rlrr i'rr; virtstlo rh sécr.t[a
época? No início do século XX, o prefeito Francisco
Peleira Passos deu início a um plano modernizador
da capital do país. Entre outros problemas, era pre
ciso melhoral a con-Ìunicação entre o Centro e os
bairros situados na Zona Sul, para onde a cidade se
expandia. Para isso foi construída a Avenida Beira-
Mar, no grande areal que ia do firn da Avenida Chi
le (atual Cinelândia) até a Praia de Botafogo. Inau-
gïrada em 1906, tinha mais de cinco quilômetros
de extensão e 25 metros de largura
-
espaço de so
bra para os plimeiros automóveis que começavâm
a circular nã cidade. Marcando o fim da bele aveni-
da, foi erguido o Paúlhão Mourisco.
De formas orientais, exuberantes e caprichosas,
a arquitetura muçulmanâ (ou "mourisca") únha in-
íiuenciando haüa séculos as constJ-uções europeias,
via Peninsula lbérica. No tempo de Pereira Passos,
triunfava no Brasil a arquitetura historicista, uma
revisão dos estilos do passado atualizâdos para a so-
ciedade modema, Elementos do período colonial e
da úadiçâo hlsGbrasileira eram deliberadamente
rejeitados e destÌuídos. Em seu lugar, ganÌrou peso
o desejo de europeizar-se, imitando os mais diversos
estilos. Daí o surgimeDto dos estilos "neo": neorro-
mântico, neoárabe, neonolmando, neogótico, neoe-
gípcio. Era o tempo do ecletismo, das releituras, en-
fim, da quebÌa definitiva com a velha tradição.
O Pavilhão Mourisco seguia essa tendência. O
prédio neomoulisco foi concebido pelo arquiteto
Alfredo Burnier, então chefe da Seção de Arquitetu-
ra da Diretoria Geral de Obras e Viação, para servir
de cafe e r-estaÌrrante. O tÌ'abalho de construção fi-
cou a cargo do rnaior Thomé d€ Moura e a instalâ-
ção eìétÍica {uma grande sensação na época) foi fei-
ta pela Companhia Brasileira de Eletricidadê. A
parte decorâtiva foi realizada pelo artista italiano
Orestes Sercelìi, radicado no Brasil desde 1896. Ser-
celli e seu filho Bruno seriâm autores também, en-
tre outras obras, da decoÌâção da lgreja Matriz de
São Paulo nas primeiras décâdas do século XX.
O prédio era de plantã rctangular e tinha em ca-
da extremo uma ton:e hexagonal que se etguia sG
breesbeltas colunas de inspüeção árâbe, lembrando
o Pátio dos Leões da Alhambra de Granada, na Espa-
nha. Cada torle tinhâ uma aipula dourada em for-
ma de bulbo. No corpo central despontava uma tor-
re maior, que, assim como as outlas, acabava com
/11;tltÌ, li L
'irr :r,. :,;,/,: r','lr,;t;,rl r,JiirlÌ j,,j( r/,iil,r\ 1.
íjr'.:1 i il irlrJ i it' .1 it irr1,,1; ,,iti '.1itr trlt 1r ,'.:iii1r'; ' ;11'rr"
lr,
"
I
elementos de metal coroados com a meìa{ua. As cú-
pulas eram cobertas de cerâmicas com reflexo me-
tálico, o que produzia um efeito bdlhante sob a luz
do sol, Lembravam ouúas cúpulas produzidas pela
arquitetura islâmica, como a da mesquita Al Askad,
em SamaIIa (Iraque), erguida em 1905
-
talvez ins-
piração para o projeto cariocâ. Sobre o corpo central
de alvenaria surgia uma armação metálica, com ter-
raços sustentados por coÌunas de ferro fundido.
As cerâmicas e os azulejos artísticos que reves-
tiam e decoravam toda a parte externa eram im-
portados de Valência, na Espanha. A cidade espa-
nhola foi, tradicionalmente, um dos principais
centros produtores de cerâmica. Dali surgiu a châ-
mada "cerâmica de Manises" (século )(V), caracte-
BoÌabqo coíÍÌ o
nàugurÂio er' 907,
dLirantc a ielorm;ì dÍl
Íàre r.i l'rssrs, o prt
rnoirrisco servirã cle
t. . v
t
I
rizada pelo esmalte corn reflexos metálicos e mui.
to usada por muçulmanos andaluzes. Ás cerâmicas
do Pavilhão Mourisco provavelnent€ foram feitas
pela fábrica la Ceramo, fundada em 1855, que prG
duzia e vendiâ pera a América do Sul peças muito
parecidas com aquelas cripulas e fachadas.
Em cada lado das torres havia portas verticais
que terminavam em arco de ferradura, e nos corpos
lateÍais, os três acessos ünham fofma de ferradura
iluminação noturna do exterior Em todas as aber-
turas hâüa útÍais de cores que prcvocavam belos
efeÍtos de luz no salão intemo. Nele funcionava o
Íestaurante, que contava com quatro toÌTes como
sâlões reservados. Elementos arabescos - com for-
mas de folhas, floÌes, fiutos e cintas
-
de várias co-
res cobriam paredes, colunas e teto. O interioÌ da
cúpula central era sustentado por quatrc colunes
centÌais com apliques de luz elétrica. Do teto pen-
diam várias luzes de sete lâmpades. O piso era fei-
to em paÍquê, com peçâs de madeira paraleias. Â
cozinha, a copa e o bufê ficãvam no térreo, sendo
os fregueses seÍvidos por meio d€ um elevador dü-
plo instalado no meio do salào.
No exterior do Paülhão encontreva-se o Teatri-
nho de Guignol, um local aberto para a eúbição de
títeres e marionetes, cuja boca de cena ficava vol-
tada para o Pavithão, de modo que os pais podiam
assistir ao espetáculo (e observar seus filhos) da va-
randa. Também foi construído um rinque de pati-
nação, ao redor do qual foram plantadas áwores,
que anos depois ganharam altura.
O Pavilhão ficou rapidamente conhecido como
ponto da moda do bairro de Botafogo. Em novem-
bro de 1906, dois dias antes de terminar seu man-
dato, o presidente Rodrigues Alves (1848-1919) ú-
sitou a obra, quase pÍonta. O Jomal do Brasil
noticiou em detalhes a üsita, aproveitando para
elogiaÌ a mais nova joia arquitetônica de cidade:
"Esse restaurante ainda não está concluÍdo, mas o
conjunto de suas líneas é belíssimo efeito, e a
combinação das cores, de ouro a prata, até a mati-
zação dos azulejos, produz no espectador um efei-
to de um cromô artístico e bem cuidado". Inaugu-
rado no iúcio do ano seguinte, o Pavilhão passou
a ser muito frequentado, seryindo de abrigo para
o carioca se reÍiescar do calor do verão e passar as
tardes com a íamília, depois de passeios pela Ave
nida Beira.Mar e pelo Jardim dâ Praia, com suas
735 árvores,380 plantas e 6.230 arbustos oÌnã-
mentais. À quintas-feiÌas, as damas do bairÌo en-
cerravam ali seus passeios em vistosas carruagens
puxadas por cavalos.
O Paülhão não era o único prédio de estilo neo-
mourisco na cidade. quese simultaneamente ao de
Botafogo, foi erguido o palácio do Instituto Oswal-
do Cnrz, em ManguiDÌìos lver RHBN n95, ounfuro de
2004, projetado pelo aÌquiteto português Lús Mc
raes Júnior (1868-1955). Outro belo exemplo é a Ba-
sílica do Imeculado Coração de Meria, no Méier, de
autoria do arquiteto espanhol Adolfo Morales de
los Rios (1858-1928).
í
0
ú
ó
é
9
a
Reunião das
lnstituiçôes Nacionàìs
de Prcvidência em
um dos salões do
Pavilhão. Por voltâ
dos ãnos 1920/1930.
o prédro pàssou a
ser usado para ativF
dades que fugiâm ao
proleio original.
O teitLrinho tn.iatú.íl ïíitlto tt itot:a dt' t:tntt Ì/í)lrrriì(r irrir.,i
o Puvi!1-tao. Assitit rt-ç p.li,! p0í.liLrn1 rrssistir íÌ0 r5-1.)cf.ír liÍr
{r: r.rlrsr'r'rrt l srn.\ ./ilhi}sJ dtt vurttnC.ü
apontada. No alto da entrada pÍincipal epareciam,
escritas em áÌâbe, as palavras "Café Cantante".
ïï€s gand€s teraços destinados ao café fica-
vam na parte ftontal e nas lateEis, com duas esca-
darias de acesso, acompanhâdas por postes pâra a
a
é
I
i Ì;-'-l
Soibo Mois
CZAIKOWSKI, lorge
(ary.). Cuia da aquiÌetu ro
ectéú.o no Rio de loneiío.
Rio de laneiro: Centlo de
Arquitetrrâ e Uóanismo,
2000.
RlCCl, Cláudia Thurler
''sob a inspiràção de Clìd
o historìcirÍo nã obl3 de
lYoralÊs de Los Rios .lN.
GóveaRuisto de HlstÁtìo
doÁrte e Áquiteru,o. Rio
de Janejro, vol. ls, juìho
de 1997.
TELLES, Pedro Carlos dâ
Silva. Htstórío dd Engenho-
na no B.osìt (séorlo xx}
Rio de Jaoêim: Clavero
Editoíãçãq I 993.
Cartão-postaí reÌra-
tando o lÍourisco:
demolido por "exi-
gência do progresso"
em
'952,
o exemplar
da arquitetuÌ? muçül-
mana deu lugar a um
moderno centro
empresarial (abaixo).
Ouúos prédios ficaÌam conhecidos como "mou-
riscos" por efIos de identificação, uma vez que a
população não estava habituadâ a perceber as dife-
renças entre estilos arquitetônicos. loi o caso do
"Café Mourisco", construído em 1905 na esquina
da Avenida Rio Branco com a Rua do RosáÌio. O no-
me popülar dado ao câfé não condizia com a obra,
assinada pelo mesmo Adolfo Morales de lÕs Rios.
Foi ele quem veio a público esclarecer que se tÌata-
va, na verdade, de um prédio neopersa.
Nos anos 1920, o restaurânte mourisco de Bota-
fogo já tinha saído de moda. Em 1934, foi converti-
do em Biblioteca Infantil do Distrito Federal, onde
mais tarde trabalharia a poeïa Cecíüa Meireles, em
atividâdes que incluíam cinema, música, desenho
e jogos. Jovem por dentÍo mas velho por fora, o pa-
ülhão não resistiu às mudanças bruscas da moder-
nidade. Depois de servir por um tempo para abri-
gar entidades espoftivas, foi posto abaixo em 19F2,
na administração do prefeito João Carlos Vital. De-
molido por "eúgência do progresso", daria espaço
ao Túnel do Pasmado, que abÍe câmbho enhe BG
tafogo e Copacabâna.
O terreno ficou vazio por três décadas, até que
nos anos 1990 foi ediÊcado no lugar o Centro Em-
presarial Moudsco. A obra, concluída em 1998, cor-
respondia aos princípios estéticos do pós-modernis-
mo: grandes volumes geométricos, cores
contÍastadas e acabamentos sofisticados e brilhan-
tes, produzidos pelos viúos belgas da fachada, com
seü âlto poder de reflexão. Com cerca de 54 mü me
trcs quadrados, doze pavimentos, dos quais sete an-
dares comerciais, dois subsolos de estacionamento
e até um heliporto, o edificio não conseguiu (nem
tentou) mudar o nome do seu antecessor.
Pelo menos na mernória fica o registro de um
tempo em que a arquitetura muçulmana ocupou
um dos endereços mais nobres do Rio de Janeiro. H
RossÉND casaNova É pRoFËssoR DF HsróRtA DA ARTE
NA EscoLA uNrvERstrÁRlA DE TURtsMo SANT tGNASt, EM
BARCÊLONA, E co-Auro DE GAUDí 2002. MtscELLANy
(EDJÌORÍAL PLANETA, 2OO2).