LILIANA SOUSA E SILVA - Gestão Cultural
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LILIANA SOUSA E SILVA - Gestão Cultural


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Seção Gestão Cultural
Texto escrito por Liliana Sousa e Silva. Socióloga, doutora em Cultura e Informação pela 
ECA/USP. Desenvolve estudos e pesquisas em políticas culturais e gestão cultural, além de 
prestar consultoria a instituições e projetos culturais.
                                                                      
1. Apresentação
A   área   de   Gestão   Cultural   deste   site   apresenta   subsídios   para   os   processos   de 
concepção, planejamento, elaboração, gerenciamento e avaliação de projetos culturais. 
Com esses  conteúdos,  pretendemos  contribuir  para  o   trabalho  de  gestores   culturais, 
assim como fornecer material de apoio para a formação de agentes culturais locais. 
Para começar,  apresentamos uma definição de gestão cultural  e  damos  início  a uma 
conversa sobre os conceitos de cultura. Em seguida, trazemos algumas ferramentas que 
podem auxiliar  no desenvolvimento de projetos culturais.  Ao  final  de cada  tópico,  em 
\u201cPara saber mais\u201d, há indicações de sites e documentos complementares para consulta 1. 
Lembramos que os outros conteúdos do site (vídeos, debates e Saiba Mais) poderão 
ajudar  na qualificação do  trabalho dos gestores  e subsidiar  a  elaboração de projetos 
culturais.
1 Não nos responsabilizamos pela manutenção desses sites na web.
2. O que é gestão cultural?
Gestão cultural é um conjunto de atividades relacionadas à concepção, implementação, 
gerenciamento e avaliação de planos, políticas,  programas,  projetos e ações voltados 
para  a  produção,   a   distribuição  e  o  uso  da   cultura.  Ela   busca  atender   a   demandas 
culturais da sociedade e promover o desenvolvimento de suas representações simbólicas.
Os  processos  de  gestão   cultural  podem dar­se   tanto  no  âmbito   de  organizações  da 
administração pública  \u2013  como secretarias  de  cultura,  museus,  centros  culturais,  entre 
outras instituições \u2013, como também em empresas, fundações ou institutos privados, em 
organizações da sociedade civil,  ou mesmo em grupos culturais  ou comunitários.  Em 
cada   uma   dessas   instâncias,   a   gestão   assumirá   características   específicas,   com 
diferentes graus de complexidade, e poderá recorrer a ferramentas de gestão que melhor 
se adeqüem aos seus objetivos.
A administração pública,  por exemplo, pode atender a determinadas necessidades de 
grupos ou indivíduos, ou mesmo desenvolver ações de interesse público (com foco no 
desenvolvimento de uma região, na geração de oportunidades de emprego e renda, na 
ampliação do acesso aos meios de produção e fruição cultural, na melhoria das condições 
de vida  da  população,  entre  outros  objetivos).  A  gestão no  âmbito  de  uma empresa 
privada   pode   visar   aos   retornos   institucionais   que   um   projeto   cultural   é   capaz   de 
proporcionar, ou às benesses fiscais obtidas por meio do uso da legislação de incentivo à 
cultura.   Uma   empresa   que   atua   no   mercado   cultural   pode   preocupar­se   com   a 
concorrência ou com produtos e serviços que gerem lucro. Uma organização sem fins 
lucrativos, por sua vez, pode privilegiar meios para garantir  a sustentabilidade de sua 
proposta ou mesmo a sua auto­sustentabilidade. Estes são apenas alguns exemplos que 
mostram a diversidade de objetivos possíveis e a complexidade que a gestão cultural 
envolve; para cada situação, haverá ferramentas de gestão mais ou menos adequadas, 
mas é importante lembrar que não há modelos gerais a seguir. 
Tendo em vista a variedade de situações em que a gestão é requerida, assim como a 
pluralidade   de   demandas   culturais   que   possa   vir   a   responder,   a   gestão   envolve 
criatividade na busca de alternativas e  inovação. Além disso, exige uma sensibilidade 
para a compreensão e a análise de dinâmicas sociais diversas, a capacidade de entender 
os processos criativos e de estabelecer relações de cooperação com o mundo artístico e 
suas diversidades expressivas.
Considerando que não existem modelos gerais, a gestão cultural precisa criar referenciais 
próprios   de   ação,   adaptados  às   suas   particularidades,   a   partir   do   conhecimento   do 
contexto no qual vai atuar. Como agente de mudança, o gestor precisa estar atento ao 
cenário cultural,   identificando demandas, potencialidades, desejos e fragilidades locais, 
assumindo, dessa forma, um papel de mediador que opera entre atores diversos.
A gestão cultural pode envolver uma perspectiva de curto, médio ou longo prazo; pode 
efetivar­se no âmbito de políticas, programas, projetos, ou mesmo em eventos ou ações 
pontuais. Neste site, a gestão será abordada sob o ponto de vista de um projeto cultural 
específico,   com   começo,   meio   e   fim   determinados,   e   serão   apresentadas   algumas 
ferramentas que podem contribuir para a sua viabilização.
2.1 Para saber mais:
BARROS, José  Márcio. \u201cDiversidade cultural  e gestão: apontamentos preliminares\u201d.  IV 
ENECULT   \u2013   Encontro   de   Estudos   Multidisciplinares   em   Cultura,   Faculdade   de 
Comunicação / UFBA, 2008. 
Disponível em http://www.cult.ufba.br/enecult2008/14323­01.pdf. Acesso em 07/12/2009.
O que o debate sobre a proteção e a promoção da diversidade cultural tem a ver com a 
questão da gestão cultural?  Deve­se buscar  uma gestão da diversidade cultural  ou a 
pluralização dos modelos de gestão?
CUNHA,  Maria  Helena.   \u201cGestão  cultural:   construindo  uma   identidade  profissional\u201d.  III  
ENECULT   \u2013   Encontro   de   Estudos   Multidisciplinares   em   Cultura,   Faculdade   de 
Comunicação / UFBA, 2007. 
Disponível   em  http://www.cult.ufba.br/enecult2007/MariaHelenaCunha.pdf.   Acesso   em 
07/12/2009.  
Reflexão  sobre  o  processo  de  constituição  da  profissão  em gestão  cultural,   desde  a 
década   de   1980,   período   de   institucionalização   do   setor   público   de   cultura   e   da 
complexificação do mercado de trabalho.
MARTINELL, Alfons. \u201cLos agentes culturales ante los nuevos retos de la gestión cultural\u201d. 
Revista Iberoamericana de Educación, n. 20, mai/ago 1999.
Disponível em http://www.rieoei.org/rie20a09.htm. Acesso em 07/12/2009.
Reflexão crítica sobre o conceito de agente cultural utilizado nos países ibero­americanos.
Revista Observatório Itaú Cultural/OIC \u2013 n.6 (jul./set. 2008). São Paulo SP: Itaú Cultural, 
2008. 
Disponível   em  http://www.itaucultural.org.br/bcodemidias/000991.pdf.   Acesso   em 
07/12/2009.
Reflexão   sobre  os  caminhos  para   formação  profissional   do  gestor   cultural.  Quais   os 
desafios que o setor público e as instituições privadas enfrentam para a formação e a 
qualificação de profissionais no campo da cultura?
SOUSA E SILVA, Liliana. \u201cGestão cultural na e para a cidade\u201d. Cultura e Mercado. Artigo 
escrito para o Observatório Itaú  Cultural,  em maio de 2008, em colaboração de Lúcia 
Maciel Barbosa de Oliveira. 
Disponível   em  http://www.culturaemercado.com.br/ideias/gestao­cultural­na­e­para­a­
cidade. Acesso em 07/12/2009.
A gestão cultural na e para a cidade parte da idéia de que os cidadãos são criadores de 
sua própria cultura, não apenas espectadores, o que implica em atuar com a cultura no 
plano do cotidiano. 
3. Gestão cultural e conceitos de cultura
Quando falamos em gestão cultural, a que cultura estamos nos referindo? Essa é uma 
questão que se colocará  para o gestor cultural,  pois ele  se verá  diante de diferentes 
concepções de cultura e terá que fazer uma escolha. A cultura não é uniforme em suas 
propostas e conseqüências; ela pode envolver até mesmo visões diferenciadas (por vezes 
conflitantes) sobre  o que é  cultura  ou  o que se deve fazer com ela.  Assim, a gestão 
cultural vai além da simples aplicação de ferramentas de gestão; ela envolverá sempre 
uma escolha do \u201ctipo\u201d de cultura que se quer promover. 
O debate mais comum sobre conceitos