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Guia Acadêmico FDCE UFMG

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e uma qualidade editorial relevante, muitas 
vezes com maior dedicação que a de muitas revistas mantidas por programas de pós-graduação. 
Além disso, no campo do Direito, todas as revistas são geridas por graduandos, ao contrário das 
outras áreas, em que há publicações conduzidas por mestrandos e doutorandos. 
Nos Estados Unidos, a situação é um tanto quanto diferentes: todas as revistas jurídicas 
de ponta são administradas por estudantes de pós-graduação, inclusive as mais prestigiadas, 
como as das universidades de Harvard, Yale, Stanford e California; ao passo que os graduandos 
administram revistas exclusivamente discentes. Costuma haver uma revista genérica da 
faculdade, a qual é a mais prestigiada, e outras com temas específicos, como gênero, ambiente, 
penal, filosofia, dentre outras. Algumas universidades costumam ter mais de uma dezena de 
títulos sob sua responsabilidade. Entre os ianques, fazer parte de uma dessas publicações conta 
muito para o currículo, inclusive em seleções de escritórios – o presidente Barack Obama, por 
 
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exemplo, fez parte do comitê editorial da Harvard Law Review – e os seus exames de seleção 
são bastante competitivos. 
No caso particular da Revista do CAAP, fundada em 1996 com o formato atual, e a 
segunda mais antiga do país, a seleção costuma se dar no começo do ano, e o seu conselho 
editorial conta com sete membros, com representantes da pós-graduação, da graduação e um 
membro indicado pelo CAAP, por meio da Diretoria de Ensino e Pesquisa (EPQ). Os 
selecionados devem cuidar das duas edições correspondentes ao ano em que entraram, 
independentemente de quando forem publicadas; as atividades incluem elaboração e 
lançamento do edital de chamada de artigos, escolha dos temas de dossiês, escolha e 
comunicação com os pareceristas, diagramação ou contratação de diagramador, dentre outras. 
Podem ser feitas outras atividades também: em 2015, a revista realizou seu primeiro colóquio, 
com lançamento da edição 2015/1 e mesa-redonda sobre o tema do dossiê do semestre. 
A outra revista mineira é a Alethes: Periódico Científico dos Graduandos em Direito da 
UFJF. Fundada em 2009/2010, ela tem a proposta de não publicarartigos que não sejam de 
graduandos, servido, por isso como um meio de reforço da posição daqueles que se iniciam na 
carreira acadêmica, mostrando a capacidade e qualidade daquilo que eles escrevem. Os 
membros de seu conselho editorial não precisam ser da Federal de Juiz de Fora – atualmente, 
existem pessoas da UFU, UFMG e UFPB participando da administração da revista; os 
conselheiros não têm tempo de mandato definido, e a seleção, que pode ser feita por qualquer 
graduando em direito, é realizada de acordo com as necessidades da revista, sem periodicidade 
fixa. É feita uma análise de currículo e uma entrevista por meio eletrônico, a qual visa avaliar 
o perfil acadêmico do candidato, suas propostas para o periódico, seu alinhamento com a 
proposta da revista, dentre outras características que se considerem relevantes. 
Na FDCE-UFMG, também está sendo criada a Revista de Ciências do Estado, um 
importante mecanismo de impulsionamento da qualidade do nosso curso-irmão; será também 
mais um relevante veículo de produção científica, inclusive para as pessoas do curso de Direito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4 - Como Apresentar em um Congresso? 
 
 Além da publicação em revistas científicas, a apresentação em congressos acadêmicos 
é um outro meio importante de veiculação de resultados de pesquisa e de fomento de debates. 
Nesta seção, de forma muito breve, buscaremos descrever alguns dos principais pontos relativos 
a esse tipo de evento, os quais podem ajudar a entender como tais fóruns funcionam, bem como 
a maneira de fazer o melhor uso possível deles. 
 Os congressos são organizados, via de regra, ou por universidades, ou por associações 
científicas, e sua intenção é a de congregar estudiosos em uma determinada área para que os 
últimos desenvolvimentos de um certo campo do saber circulem de forma mas rápida dentro da 
comunidade e possam ser digeridos, de modo a serem absorvidos ou rejeitados. É frequente, 
também, que sejam realizados de forma periódica, normalmente em base anual ou bianual; os 
eventos mais antigos indicam consolidação e prestígio junto aos pares, de modo que há mais 
chance de que os grandes nomes da área estejam ali presentes para colocar em debate suas mais 
recentes pesquisas. 
 Os espaços de debate que costumam aparecer mais são as palestras ou conferências; os 
grupos de trabalho; e os mini-cursos. Também pode haver outros, como lançamentos de livros, 
apresentações culturais, etc. 
 As conferências são preleções, normalmente c de cerca de meia hora, proferidas por 
grandes nomes da área, para todos os presentes no evento, em um auditório. Podem tanto ser 
realizadas por um único palestrante, quanto por dois ou três em sequência, com mediação de 
um outro professor, e debate entre os componentes da mesa. É comum que se siga um espaço 
para perguntas da plateia e discussão. As conferências são uma boa oportunidade para conhecer 
pessoalmente as grandes referências de um campo de estudo em pessoa, mas normalmente 
tratam de temas genéricos, por se destinarem a todos os participantes, e o espaço para debate é 
muito restrito, visto que há muitas pessoas buscando dialogar com o conferencista. 
 Os mini-cursos são um espaço disponível em um número menor de eventos, mas 
também frequente, sobretudo naqueles encontros voltados para estudantes. Neles, um professor 
ministra aulas, seja apenas em um dia, seja em mais, para um grupo restrito de congressistas 
em uma sala, à moda dos cursos regulares que há na graduação. No entanto, há um recorte bem 
específico no tema, e o foco é a apresentação aprofundada de um campo novo e específico do 
conhecimento por um pesquisador – muitas vezes em início ou fase intermediária da carreira, 
mas quase sempre professor – para estudantes que buscam conhecimento na área, ou que 
 
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trabalham com temas correlatos. O diálogo costuma ser mais amplo, com debates e 
possibilidade de perguntas, já que a intenção é se aprofundar em um tema particular de pesquisa. 
Ademais, sempre se disponibilizam vários mini-cursos diferentes, possibilitando que se opte 
pelo tema de maior afinidade. 
 Já os grupos de trabalho são provavelmente o espaço em que o diálogo é mais horizontal. 
São definidos temas específicos para cada um deles, e quaisquer interessados, desde garduandos 
até professores doutores, podem submeter artigos para apresentação; esses trabalhos são 
admitidos mediante avaliação segundo o método double blind peer review (descrito na seção a 
respeito de publicação acadêmica). Nos grupos – que contam, normalmente, com entre seis e 
oito expositores – cada um vai apresentar seu trabalho, em um tempo que varia de 10 a 20 
minutos, havendo um tempo superior para debates, o qual costuma girar entre 5 e 10 minutos. 
Esses detalhes podem vir discriminados no edital ou ser definidos na hora, em comum acordo. 
O debate também pode ser feito após cada apresentação, ou em bloco, ao final de todas. 
 O foco dessa apresentação não é debater em profundidade os temas de pesquisa, mas 
possibilitar que outras pessoas que tratam de temas aproximados, mas não iguais, conheçam o 
que vem sendo feito e possam dar algumas sugestões genéricas. Assim, é importante na 
apresentação detalhar o referencial teórico de forma rápida – normalmente, são grandes autores 
cujas obras são de conhecimento daqueles que se encontram no recinto -, apresentar a 
metodologia empregada, e passar para o desenvolvimento da pesquisa e sua conclusões, com 
essas duas últimas partes ocupando a maior parte da apresentação, já que são elas que trazem a 
essência da pesquisa. Cumpre ainda acrescentar que é muito importante treinar antes a 
apresentação,