Emma Jung   anima e animus
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Emma Jung anima e animus


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Ediçllo
Título do original:
AnimusundAnima
Copyright ©1967 by Rascher &Cie. AG, Zurique.
oprimeironúmero6. esquerdaindicaa ediçlo, oureediçlo, destaobra.A primeira
dezena6.direitaindica oanoemqueestaediçlo. oureediçlo foi publicada.
Ano
Sumário
hernCID 7
Umacontribuiçãoaoproblemadoanimus 11
Introdução : 13
1.Formasdemanifestaçãodoanimus 16
2. A representaçãodo animusatravésdasimagensdoincons-
ciente 40
A animacomosernatural 55
4-5-6-7-8-9-10-11-12-13 05-06-07-08-09-10-11
Direitos detraduçlloparaa lInguaportuguesa
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Impressoemnossasoficinasgráficas.
DeniseG. Ramos
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Prefácioà Edição Brasileira
Olhos brilhantes, expressãosorridente, firme e decidida,
assimapareceEmma Jung numafoto tirada em 1911,durante
o Congressode Psicanálisede Weimar.1Entre SigmundFreud,
Otto Rank, Ludwig Binswanger,Ernest Jones, Wilhelm Stekel,
Lou Andreas-Salomée o marido Carl Gustav Jung, e outros
mais, Emma destaca-secomo mulher culta, inteligente e
bem-humorada.Anfitriã de grandesencontros entre mestres
e pesquisadoresde psicanálise,é tida como responsávelpelo
clima acolhedore harmoniosode inúmerosseminários'e deba-
tes, compensandoo temperamentomais explosivo e extro-
vertidodo marido.
Mãe de cinco filhos, ao mesmotempoqueestudavalatim,
grego, matemáticae psicologia, tornou-se uma das diretoras
do c.G. Jung Institute de Zürich, onde davapalestrase exercia
seutrabalhodeanalistae supervisora.2Seaquestãodeconciliar
trabalhoe família é aindabastanteproblemáticaparaamulher
de hoje, podemosimaginarquãodifícil eraparaumamulherdo
início do século,num país conservador,numa época onde s6
oshomensvotavam.
Em suas cartas para Freud, Emma deixa claro como se
sentia diminuída frente ao poder do marido e ressentia-sede
um certo isolamento. Queixava-sedas paixões das mulheres
por Jung, do tratamentomaternalque os homenslhe dispen-
savam,assimcomo do fato de servista somentecomo mulher
ou alunado mestre-pai.3
Nas lutasparaser conhecidapor si mesma,dois temas
parecematraí-Iamais:o mistériodo SantoGraale a questão
do femininono homeme do masculinona mulher.Os dois
assuntostransformaram-seemlivro.O primeiroresultounovo-
lumeDie Graalslegendein PsychologischerSicht[A lendado
Graaldo pontodevistapsicológico],'"obraque,devidoà sua
morteem 1955,foi terminadapor M.-LouisevonFranz;o se-
gundo,Animuse anima,sóagorapublicadoemportuguês,re-
sultoudajunçãode dois trabalhosseus:Ein BeitragzumPro-
blemdesAnimus[UmacontribuiçãOaoproblemado animus],
palestrafeita em 1931,e Die AnimaaisNaturwesen[Anima
comosernatural],publicadooriginalmenteem1955.
Parecequenuncaestiveramtãoconfusosquantoagoraos
padrõesculturaismasculinose femininos,masa clarezae obje~
tividadecomquea autoradescrevecentenasdeimagenscomas
quaisserevestemos gênerosda espéciehumanasãodeinesti-
mávelvalorno processode transformaçãopelo quala huma-
nidadepassahoje.
Atravessamosuma criseaguda,comum questionamento
crescentesobreo queé serhomeme o queésermulher,sobre
desempenhodepapéise funçãosocial.Tabuse limitessãodia-
riamenterompidospor algunssegmentosdasociedade,enquan-
to outrosse aferrama padrõesmedievais.Nestecrescimento
acelerado,toma-seimprescindívelquenosreportemosàsnos-
sasraízesa fim de mantermoso eixo da consciênciacoma
natureza.
Semseperdernamultiplicidadedasformasedoconteúdo,
Emmaextraia essênciadosmitos,lendase contosde fadasda
Antiguidadeaté a eramoderna.Emborapertençampredomi-
nantementeà culturaeuropéia,ashistóriase símbolospor ela
utilizadospodemcom facilidadeencontrarparalelona mito-
logiabrasileira.
A classificaçãodo animusem quatroestágiostomou-se
ummodeloadotadopelapsicologiaanalítica,porpermitircom-
preendertanto as defasagensentreo desenvolvimentointe-
(*) EditoraPensamento,SãoPaulo,1989.
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lectuale afetivocomopreverasetapasdecrescimentodaper-
sonalidade.Bastanteatual,também,é suaênfaseemabordara
animacomoum serdanatureza,atitudequevemaoencontro
dosmaisrecentesmovimentosecológicose naturalistas.O ho-
memconscientedesuaanimamantémumvínculoderespeito
eamorparacomaterra.
Finalmente,Emmademonstraquesomentea conscienti-
zaçãode nossasprojeçõespodeliberaro outrode nossopró-
prioinconscientee sombra,permitindoumarelaçãoplena,har-
moniosaesaudávelcomo mundoeconoscomesmos.
SãoPaulo,7 demarçode1990.
Referênciasbibliográficas
1. McGuire, William (org.) - TheFreud/JungLetters.Princeton
UniversityPress,Princeton,1974,p. 445.
2. van der Post, Laurens- Jungandstoryof our time.Penguin
Books.Londres,1988.
3. McGuire,William(org.).op.citop. 457.
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UMA CONTRIBUIÇÃO AO PROBLEMA DO ANIMUS
Conferênciafeitano ClubedosPsicólogosdeZurique,emnovembrode 1931.
PublicadaemWirklichkeitderSeele[A RealidadedaAlma]deC. G. Jung. Aplicações
e progressodanovaPsicologia[EnsaiosPsicológicosIV]' Rascher,Zurique1934.No-
vasediçõesem1939e 1947.
-
Introdução
Na concepçãonaturalprimitivaa almanão é bemu:
unidade,e sim um complexomúltiplo indeterminado.E~
fato expressa-senas representações,encontradasentre t
dos os povos,de espíritosou almasquehabitamaspessOG
sejapor teremse introduzidoantesou duranteo nascimel
to ou por teremse apoderadodo indivíduoem alguftla01.
tra ocasiãoposteriorpara nele exibir suaatividade.As V{
zes elessão consideradosespíritosdos antepassadosou d;
tribo, outras, como os assimchamadosespíritosda mata:
que emborapertençama determinadapessoa,são pensados
comohabitandoanimais.1 Em nossascrençaspopulares,em
mitos e contosde fadas,os gigantese anõesbons e maus,
fadase magos,e freqüentementetambémos espíritosdos
mortose àsvezesde animaistêmum significadosemelhante.
Estas representaçõesoriginam-sena experiênciadire-
ta conhecidade cadaum de queàsvezessomostomadospor
estadose emoçõesque despertamem nós impulsos,senti-
mentos,pensamentose imagensque nos parecemtotalmen-
te estranhos.Freqüentemente,tais emoçõessão diametral-
menteopostasaos nossospontosde vistaou intenções,de
tal formaque dão a impressãode setratarde manifestações
deumsercomexistênciaprópria,diferentedenós.
QuandoPaulo diz: "O bem que eu quero,esteeu não
faço, maso mal que eu não quero,esteeu faço",2 est:ll>V
pressandoa mesmaexperiência.011 "l>;~, ou seja, aquela que \u20acs vezes
nos faz notar em nós uma vontadeestranha,que faz o con-
trário daquilo que nós queremosou aprovamos.Não é ne-
cessariamenteo mal o que faz essaoutra vontade, pois ela
pode querer o melhor, sendo sentidaentão como um ser su-
perior dirigente ou inspirador, como espírito protetor ou
gênio no sentido do Daimonion socrático. Freqüentemente
também não se trata de algo bom ou mau, mas simplesmen-
te de um Outro diferente, que surpreendentementefaz se
valer por si mesmo, com vontade e opinião próprias, dando
a impressãode que se está tomado ou possuído por espíri-
tosestranhos.
A experiênciadireta que também é concedida a todos,
representadapela atividade do sonho e da fantasia, é uma
outrafonte dessasrepresentações.
Depois que o racionalismo científico esqueceuo signi-
ficado dessascoisas e a consciênciado eu se apossouda to-
talidade da psique, novamentevolta-se a requerer da psico-
logia médica moderna concepçõesque têm um parentesco
surpreendente com as concepções primitivas mencionadas
acima. Na verdade,teve-seque assumirque o eu consciente
é apenasum aspectoda psique; pois certas aparições,espe-
cialmente na vida anímica anormal, praticamentenão podem
ser esclarecidasde outra maneira que não seja a existência
de regiões da alma externas à consciênciado eu, e que não
apenas os sonhos, mas muitas outras aparições e sintomas
devem ser atribuídos aos conteúdos e atividadesaí existen-
tes. Essas áreasda alma externasà consciênciasão