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Comunicação informal nas organizações

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UNB – UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
FAC – FACULDADE DE COMUNICAÇÃO
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
HAB. EM COM. ORGANIZACIONAL
Fco. Adriano de Menezes 
13/0110825
A comunicação informal nas organizações
As implicações da rede de boatos no ambiente organizacional
Brasília,
Jun/2014
Fco. Adriano de Menezes – 13/0110825
A comunicação informal nas organizações
As implicações da rede de boatos no ambiente organizacional
Trabalho realizado para a disciplina de Metodologia de Pesquisa em Comunicação, ministrada pelo Dr. Prof. Tiago Quiroga da Universidade de Brasília.
Brasília, 
Jun/2014
SUMÁRIO
RESUMO.........................................................................................................................4
I OBJETO DE ESTUDO................................................................................................5
 1.1 Apresentação do problema de pesquisa...................................................................5
 1.2 Quadro teórico de referência…………………………………………...................6
 1.3 Hipótese……………………………………….....................................................10
II OBSERVAÇÃO…………………………………………………………………....10
 2.1 Amostragem..........................................................................................................10
 2.2 Técnicas de coleta de dados……………………………………………………..12
III ANÁLISE DESCRITIVA………………………………………………………..13
IV ANÁLISE INTERPRETATIVA………………………………………………...17
V CONCLUSÃO……………………………………………………………………..21
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………………………………...21
RESUMO
	
	A comunicação informal já tem lugar definido dentro das organizações e faz parte do cotidiano destas, porém ela pode desempenhar vários papéis dentro do ambiente organizacional, inclusive gerar conflitos. Apesar de ter nascido juntamente com a humanidade, o boato vive até os dias de hoje, no dia a dia dos indivíduos aonde eles vão. Nas organizações, rumores, fofocas e boatos, além de entreter e informar, podem atrapalhar as relações interpessoais, o processo de trabalho em si, produtividade e desempenho, assim como as relações de trabalho, gerando até a demissão por justa causa. O objetivo desse projeto de pesquisa é buscar desmistificar as implicações da chamada rede de boatos no ambiente organizacional e quais suas influências nas relações presentes nesse ambiente.
Palavras-chave: Comunicação Informal, Boatos, Organizações. 
I – OBJETO DE ESTUDO
1.1 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA
	O presente projeto de pesquisa trata da comunicação informal no âmbito das organizações e tem como objetivos, desmistificar as implicações da chamada “rede de boatos” no ambiente organizacional, identificar os lugares onde ela se insere e onde se prolifera nas organizações e suas influências no desempenho dos empregados, no processo de trabalho em si e nas relações entre empregado(s)-empregado(s) e empregador(es)-empregado(s), inclusive no que diz respeito às questões trabalhistas tratadas na legislação e que aludem ao problema da pesquisa, além de apresentar os conflitos que se estabelecem nessas relações. O objeto de estudo supracitado, diz respeito a toda mensagem que não é emitida pelos meios formais disponíveis na organização, sendo realizada normalmente, através do boca a boca, podendo acontecer por outros meios não-formais, como por exemplo, mídias sociais, e-mails, telefonemas, mensagens, etc.
	Apesar de fazer parte do ambiente organizacional, a comunicação informal ainda é tratada com descaso pelos dirigentes de muitas organizações, alguns se utilizam de meios restritivos para tentar controlar a situação, essa “lei do silêncio”, tratada como “discurso não-dito” por Artur Roberto Roman em “Organizações: um universo de discursos bem-ditos, mal-ditos e não-ditos”, gera um clima de insatisfação na equipe, atrapalhando a produtividade do proletariado, concomitantemente da empresa.
	A partir do momento em que o controle sobre as redes de comunicação informal se tornou demasiadamente difícil, muitos conflitos passaram a crescer dentro do ambiente organizacional, alguns chegando a gerar a despensa motivada ou justa causa. A “rede de boatos” ou “rádio-peão” como ficou mais conhecida no Brasil, assumiu uma imagem negativa na visão da administração em geral, primeiramente por sua natureza informal, em segundo pelo fato de ser extremamente difícil encontrar o foco do boato. 
	O que se observa frequentemente, é que os projetos voltados para a comunicação nas organizações englobam apenas a comunicação formal, deixando a comunicação informal em segundo plano, quando não a ignora completamente. Além do mais, pouquíssimos estudos discutem a problemática. Apesar desse contexto negativo, alguns artigos interessantes vem sendo publicados, buscando, principalmente conceituar a comunicação informal e localizá-la dentro das organizações. 
	Constatou-se que esse fenômeno acontece em lugares pontuais, como vão identificar Kátia Perez e Artur Roberto Roman, normalmente nos corredores, bebedouros ou no horário do cafezinho. Porém, que assuntos são tratados nesses lugares? Como são tratados? De quem ou do que se fala? Eles são importantes para o processo de trabalho? Quais são seus efeitos nas relações dentro das organizações e no processo de trabalho em si? Que conflitos ele pode gerar no ambiente organizacional?
	Para tentar elucidar ou fomentar respostas mesmo que parciais para essas e outras perguntas, será realizada uma análise de documento jornalístico, o qual trata da temática da pesquisa e traz dados, exemplos e opiniões relacionados ao estudo em questão. 
1.2 QUADRO TEÓRICO DE REFERÊNCIA
Entre 1924 e 1932, os pesquisadores Elton Mayo e Fritz Roenthlisberger, juntamente com sua equipe, realizaram experiências em uma das fábricas da Western Eletric Company localizada fora de Chicago. O objetivo “era investigar a influência das condições físicas de trabalho na produtividade e eficiência dos trabalhadores”, este projeto ficou conhecido como a experiência Hawthorne (BATEMAN; SNELL, 2007, p. 39). Segundo Bateman e Snell, “produziu alguns dos mais interessantes e controversos resultados da história da administração”. (BATEMAN; SNELL, 2007, p. 39)
Durante a primeira etapa do projeto (os ensaios com iluminação), diversas condições de trabalho, especificamente a iluminação na fábrica, eram alteradas para avaliar os efeitos dessas oscilações na produtividade. Os pesquisadores não descobriram nenhuma relação sistemática entre a iluminação da fábrica e os níveis de produção. Em alguns casos, a produtividade continuava a aumentar mesmo quando a iluminação era reduzida ao nível da luz do luar. Os pesquisadores concluíram que os operários se comportavam e reagiam de formas diferentes, pois os pesquisadores estavam os observando. Essa reação é conhecida como efeito Hawthorne. Essa conclusão levou os pesquisadores a acreditarem que a produtividade pode ser mais influenciada por fatores psicológicos e sociais do que por influências físicas e objetivas. Tendo isso em mente, eles iniciaram as outras quatro etapas do projeto. Durante essas fases, os pesquisadores realizaram diversos ensaios com a equipe de trabalho e fizeram longas entrevistas com funcionários. Mayo e sua equipe finalmente concluíram que a produtividade e o comportamento do funcionário eram influenciadas pelas relações informais na equipe de trabalho (BATEMAN; SNELL, 2007, p. 39).
Segundo Kátia Perez, essas relações se dão em espaços pontuais, “nos corredores, refeitórios, máquina de café, bebedouros” (PEREZ; 2013, p. 97). Ela ainda ressalta a importâcia desses locais para a comunicação informal. Perez em seu artigo escrito na revista Organicom, “Espaços de interação nas empresas:os lugares da comunicação formal face a face”, traz a citação referente a obra do psicólogo e pesquisador Nicholas DiFonzo, “The watercooler efect” (O efeito bebedouro):
Outro dia, perguntei à minha esposa se ela tinha um bebedouro em seu escritório. “Chama-se cafeteira”, ela respondeu. Ela entendera perfeitamente minha pergunta. Eu queria saber sobre o local onde as pessoas costumam se encontrar, onde os boatos tendem a se espalhar (DiFONZO; 2008, p. 1 apud PEREZ; 2013, p. 97)
De acordo com (DiFONZO apud PÉREZ, 2013, p. 97) esses lugares pontuais, como o bebedouro, por exemplo, são vistos pelas pessoas que “trabalham e convivem na empresa” como “ponto de encontro para aqueles que buscam informações”. Artur Roberto Roman também trata esses lugares como “liminares”, onde apresentam-se “o universo dos discursos mal-ditos” (ROMAN, 2009). O autor ressalta a “velocidade” e a “intensidade” em que esses discursos se propagam dentro das organizações e aponta o papel das “redes informalizadas de comunicação corporativa” (ROMAN; 2009, p. 132), destacando o e-mail – “descentralizador e pluralístico” (ROMAN; 2009, p. 132) – como meio mais utilizado entre os trabalhadores para divulgar informações informais.
(ROMAN; 2009, p. 133) faz uma critica ao conceito de comunicação informal descrito em muitos estudos de comunicação organizacional, que o fazem generalizadamente, como sendo “toda informação não-oficial” e cita a definição proposta por Gaudêncio Torquato:
Os meios informais são aqueles não planejados pela diretoria, que fogem ao seu controle ou que ignoram, inclusive, a existência de canais formais […] As comunicações informais são todas as livres expressões e manifestações dos trabalhadores, não controladas pela administração. Caracterizam-se classicamente pela temível rede de boatos, rede que não tem estrutura, que segue caminhos diferentes e que dá margem à criação de outras redes. Vence, na rapidez com que dissemina as informações, a estática que caracteriza a rede informal de comunicação (TORQUATO; 1986, p. 63 apud ROMAN; 2009, p. 133)
Bateman e Snell ressaltam a não-oficialidade da comunicação informal quando a difere da comunicação formal: “é menos oficial. Pessoas fazem fofocas; empregados reclamam de seus chefes; falam sobre suas equipes esportivas favoritas; equipes de trabalho informam aos recém-chegados sobre como proceder” (BATEMAN; SNELL, 2007, p. 508). Roman ainda traz em seu estudo, o conceito de Restrepo e Angulo quanto a comunicação informal:
Consideram comunicação informal aquela que não faz parte dos programas institucionais nem se pode localizar no organograma porque não segue linhas funcionais. Seus processos são espontâneos, não existe um emissor com autoridade nem uma fonte reconhecida. Os canais e os espaços em que ocorre a comunicação informal não são oficiais. Predomina a conversação sem formalismo, com mensagens fragmentadas, geralmente anedóticas e de interesse pessoal para os envolvidos […] é algo que se dá naturalmente segundo a situação […] não se estabelece sistematicamente nem se controlam seus processos de difusão. (RESTREPO; ANGULO, 1992, p. 190 apud ROMAN, 2009, p. 134)
 
 Torquato vai dizer que “a rede informal abriga as manifestações espontâneas da coletividade, incluindo-se aí a famosa rede de boatos, estruturada a partir da chamada cadeia sociológica dos grupinhos” (TORQUATO, 1986, p. 55), a rede de boatos ou “rádio-peão”, como ficou mais conhecida no Brasil, são fluxos de informações informais que se difundem no ambiente interno das organizações, agindo na maioria das vezes “à sombra dos espaços institucionais e divulgados à margem dos canais convencionais de comunicação” (ROMAN; 2009, p. 132), são rumores, fofocas, boatos positivos e negativos sobre vários assuntos de cunho pessoal, emocional e inclusive pontos relacionados à própria dinâmica operacional do trabalho, acontecem em lugares pontuais, como corredores, bebedouros, na hora do cafezinho, no estacionamento, entre outros, são lugares para desabafar, falar de relacionamentos, dos colegas, da chefia, angústias, tristezas, alegrias, marcar pra tomar aquele chopp gelado com os colegas depois do serviço, contar no dia seguinte o que aconteceu nessa reunião, buscar informações sobre dúvidas no processo operacional e muito mais. “Rádio-peão”, para Bateman e Snell é a “rede social ou informal de comunicações” (BATEMAN; SNELL, p. 508) e complementam:
Redes informais de comunicação proporcionam informações às pessoas, ajudam-nas a resolver problemas e ensinam como executar suas atividades com sucesso. Você deve desenvolver uma boa rede de pessoas que tenham a vontade e a capacidade de ajudar. No entanto, a rádio-peão pode ser destrutiva quando rumores equivocados ou irrelevantes e fofocas proliferam e prejudicam as operações […] coisas embaraçosas podem tornar-se públicas, e ações de reparação por difamação de caráter e invasão de privacidade utilizam e-mails como evidência. Mas também não evite a rede informal de comunicações. Ouça, mas avalie bem, antes de acreditar naquilo que ouve (BATEMAN; SNELL, p. 508).
Segundo Jean-Noël Kapferer, no próprio título de sua obra, o boato é a mídia mais antiga do mundo. 
... o boato é antes de mais nada, uma informação: ele traz elementos novos sobre uma pessoa ou um acontecimento ligados à atualidade. Dessa forma ele se distingue da lenda que, em geral, se refere a um fato passado. Em segundo lugar, o boato está destinado a ser aumentado. Não se espalha um boato com a única intenção de divertir ou de estimular a imaginação: nisso também ele se distingue das histórias engraçadas ou dos contos. O boato procura convencer (KAPFERER, 1993, p. 5 apud GOMES; CARDOSO; DIAS, p. 6)�
A CLT não trata diretamente da comunicação informal em seu texto, porém, contém o seguinte artigo: “constituem justa causa para a rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa própria ou de outrem” (art. 482, alínea J, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT). Veremos mais à diante, que boatos, que de alguma forma, lese a “honra” ou a “boa fama” de um indivíduo, dentro ou fora da organização e gere conflito que venha a perturbar o processo de trabalho, a produtividade ou as relações de trabalho, são normalmente, motivos que dão legitimidade à dispensa motivada. 
1.3 HIPÓTESE
	Levando em consideração que o boato está ligado intimamente ao ambiente organizacional e à humanidade, o presente trabalho, defende a ideia de que rumores, boatos ou fofocas, que se disseminam, dentro da famosa rede de boatos, em ambientes pontuais, tendem a influenciar, negativa ou positivamente, as relações interpessoais dentro das organizações, assim como, o próprio processo de trabalho, de diversas formas possíveis. Desmotivação, desentendimentos, brigas, discussões e até demissão podem ocorrer por causa da rádio-peão. 
II – OBSERVAÇÃO
2.1 AMOSTRAGEM
	O estudo de caso será realizado a partir da análise do caderno de economia do jornal A Tribuna, de Vitória-ES – jornal de circulação impressa e digital que atende grande público na região sudeste e sul do país – escrito por Beatriz Seixas, que no dia 2 de novembro de 2013, publicou uma matéria sobre “comportamento no trabalho” que levantou dados, trouxe exemplos e opiniões de especialistas que dialogam com a problemática que é tratada aqui. Antes de seguir adiante com a pesquisa, trago abaixo a história do jornal, aqui usado como fonte de análise, retirada da sua própria página na internet, “Tribuna Online”.
Histórico�
A trajetória do jornal A Tribuna na conquista da liderança do mercado editorial capixaba é um capítulo à parte na história da imprensa capixaba. Ao lançar o jornal em cores, com um novo e arrojado projeto gráfico, em 1995, o jornal se lançava na briga pela liderança. O jornal A Tribuna é hoje o melhor e maior jornal do Espírito Santoe 16° do Brasil, destacando o Espírito Santo no cenário nacional. Liderança conquistada e consolidada com ética, profissionalismo e competência empresarial.
O jornal A Tribuna foi fundado em 22 de setembro de 1938, na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo. Com ele, inaugurava também um novo estilo de fazer jornal: manchetes em corpo enorme nas capas e nas páginas centrais, muitas ilustrações, farta cobertura esportiva, linguagem forte, publicações de muita informação de utilidade pública, um autêntico jornal popular.
O jornal A Tribuna funcionou inicialmente na Esplanada Capixaba, hoje Av. Jerônimo Monteiro. Já em 1941, estampava em sua capa o slogan "O jornal do Espírito Santo". Em 1945 o controle da empresa passa para o grupo dirigido pelo Partido de Representação Popular. Posteriormente é vendido a políticos ligados a Ademar de Barros e anos depois, em 1968, o jornal é adquirido pelo Grupo João Santos. Em 1971 o jornal é transferido para a sede própria, na Ilha de Santa Maria. Fechado em 1972, a primeira edição na nova sede só acontece em 7 de outubro de 1973.
Em 02 de fevereiro de 1987, o jornal A Tribuna circula pela primeira vez em formato tablóide.
A grande virada do jornal A Tribuna começa em 22 de novembro de 1995. Um novo projeto gráfico é especialmente encomendado à Universidade de Navarra, Espanha. O jornal vem moderno, arrojado, pela primeira vez em cores. O jornal investiu também em recursos técnicos, adquirindo a mais moderna impressora do Estado, com capacidade para imprimir até 45.000 exemplares de até 48 páginas por hora.
No ano seguinte, em 16 de setembro de 1996, A Tribuna vence mais uma etapa e começa a circular também às segundas-feiras, tornando-se definitivamente um veículo competitivo em todos os sentidos.
Paralelamente, esforços são concentrados em outras áreas importantes do jornal. O setor de Circulação é renovado e novas técnicas e sistemas de controle de distribuição são implantados. Há um esforço de todas as áreas para o cumprimento de prazos e horários. A redação é informatizada, novos servidores são disponibilizados e o jornal ganha em velocidade e qualidade gráfica. A impressão do jornal continua sendo até hoje a melhor do Estado.
Em 1997 o jornal A Tribuna obtém o maior índice de crescimento em percentual do País, com médias de 47,95% em dias úteis e 79,34% aos domingos, de acordo com o IVC - Instituto Verificador de Circulação. Também nesse ano, A Tribuna conquista o prêmio Colibri de Ouro, sendo eleito Veículo de Comunicação do Ano.
Em 1999 o jornal se consolida como LÍDER EM CIRCULAÇÃO NA GRANDE VITÓRIA, em vendas e em número de leitores, de segunda a sábado, comprovado pelo IVC - Instituto Verificador de Circulação - e pelo IBOPE. E no ano 2000 conquista a liderança em todo o Estado.
Atualmente com média de 88.113 exemplares vendidos aos domingos e 56.702 exemplares vendidos nos dias úteis, A Tribuna é líder em circulação em todo o Estado, de domingo a domingo, e ocupa a 17ª posição no ranking brasileiro de jornais, estando entre os principais estados brasileiros em circulação: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul (IVC Dez/08).
O melhor time de colunistas do Brasil está diariamente nas páginas de A Tribuna: Mírian Leitão, Clovis Rossi, Pedro Maia, Lair Ribeiro, Maurício Prates, Fernando Calazans, Elio Gaspari, Paulo Octávio, Claudio Humberto, Giba Um, Engel Paschoal e muito mais informação, todos os dias.
A Tribuna foi eleita o melhor jornal do Espírito Santo pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas - CNDL em 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. 
 
2.2 TÉCNICA DE COLETA DE DADOS
Para que se tenha uma base prática do fenômeno relatado, será usada a análise de documento pertinente ao estudo em questão, a qual, dará embasamento para a análise interpretativa, que juntamente com tudo o que foi descrito acima devem estabelecer diálogos, e ao juízo de valores deste autor em relação aos resultados da pesquisa
III – ANÁLISE DESCRITIVA
A manchete do caderno de economia do jornal A Tribuna, de Vitória-ES, traz o seguinte dado, “9.698 perdem emprego por fofoca”
E continua dizendo que “bochichos sobre a vida sexual dos colegas, comentários maldosos ou intrigas com chefes causam até demissão por justa causa”. O assunto gera conflito e por essas e outras precisa ser melhor discutido, é o que faz a jornalista Beatriz Seixas, quando descreve exemplos reais e traz opiniões especializadas sobre ele.
A jornalista enfatiza “que repassar segredos e fazer comentários maldosos podem não só criar atritos e prejudicar a reputação de alguém como colocar o emprego em risco”. A reportagem do jornal juntamente com especialistas em recursos humanos e em direito trabalhista e do Ministério do Trabalho levantaram dados importantes e chegaram ao número de quase 10 mil demissões no ano de 2013 por causa de “fofocas, traições e vinganças”.
Segundo a pesquisa, “do total de 323.282 desligamentos de janeiro a agosto, 3% foram fruto dos burburinhos e ‘puxadas de tapete’ que acontecem no dia a dia profissional”. Em seguida, o juiz do trabalho Marcelo Tolomei, faz um comentário dizendo que “infelizmente, notamos a existência de incompatibilidades, ressentimentos e ódios no ambiente do trabalho, daí a existência das fofocas, que, dependendo do contexto, poderá ter gravidade considerável”, segundo ele a demissão nesses casos tem legitimidade, cabendo até a justa causa. 
Quais são os motivos?
	
Os bochichos envolvem, em geral, assuntos como a vida sexual ou afetiva dos empregados, os motivos de uma demissão, o fato de alguém fazer “corpo mole” no trabalho ou “que fulano” é o preferido dos chefes. Outras “faíscas” para as intrigas são quando os trabalhadores pegam atestados médicos, ficam afastados por motivos de saúde e colocam apelidos nos colegas. Tem ainda o “veneno” para quando alguém é promovido.
 (Marcelo Tolomei, juiz do trabalho em A Tribuna)
Esse comportamento é estimulado por inveja, individualismo, competitividade, jogo de interesses e egoísmo. “Muitas vezes quando alguém se destaca na empresa ele se torna alvo das fofocas.” 
 (Elias Gomes, consultor de carreira e diretor da Acroy em A Tribuna)
Em geral, uma fofoca não resulta na justa causa, mas conforme a dimensão que ela toma na companhia, pode ser aplicada. “A empresa tem outros meios de aplicar sansões, seja com uma advertência verbal, por escrito, ou com suspensão. Mas em situações extremas a justa causa é indicada. 
(Alberto Nemer, advogado trabalhista e sócio do escritório Da Luz, Rizk e Nemer Advogados em A Tribuna) 
O que as empresas devem fazer?
“Embora os buxixos estejam presentes em todos os tipos de empresa e sejam considerados como natural do ser humano, especialistas em RH afirmam que o gestor jamais deve ignorar os boatos que ‘circulam’ pelos corredores”. A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo (ABRH-ES), Danielle Quintanilha, explica que a empresa deve tomar uma posição e acabar com as fofocas antes que elas tomem grandes proporções. “É importante o líder intervir. Se algo está gerando algum tipo de discussão, cabe ao líder ficar atento e tomar uma atitude, que pode ser desde uma conversa com a equipe ou particularmente.”Danielle comenta que de acordo com o estilo de comunicação da empresa, vai haver um ambiente de pouca ou muita intriga. Para ela, quando não há uma comunicação clara com os funcionários as chances de boatos são maiores. “Se ninguém sabe o que está acontecendo e a empresa trata tudo de forma velada, começam a surgir especulações, que muitas vezes passam a ser a 'verdade'. ”A presidente cita que temas como demissão, corte de benefícios e mudança de setor acabam virando “terreno fértil” para a rádio-peão. “Isso tem o poder de mudar o clima organizacional.” ( A Tribuna)
O que está acontecendo dentro das organizações?�
Dedurado: O motorista de uma desinsetizadora acabou demitidodepois de ter sido dedurado por colegas de trabalho. As conversas de corredor dizendo que o motorista usava o carro da empresa para passear e outros fins pessoais chegaram aos ouvidos do dono do negócio. O chefe verificou que os boatos procediam e demitiu o funcionário por justa causa. O empregado entrou na Justiça pedindo a reversão e foi feito acordo.
Cobra venenosa: Uma estudante pleiteando estágio de Psicologia foi indicada por sua professora, então consultora de uma empresa de manutenção. Seis meses depois de a estagiária ser contratada, a chefe a mandou conhecer a matriz da empresa em outro estado. Passados dois dias, o diretor liga da matriz, perguntando à supervisora se ela estava criando cobra venenosa, já que a estagiária espalhou que a “bruxa da supervisora a impossibilitava de mostrar seu trabalho, que a limitava e que já não aguentava mais a forte perseguição”. Como o diretor já conhecia o trabalho da supervisora, de imediato demitiu a estagiária.
Roubo de tecido: Costureiras começaram um “zum zum zum” na empresa acusando uma funcionária de roubar tecidos. O ambiente ficou contaminado pela fofoca, e a chefe decidiu checar a história. Descobriu que tratava-se de intriga das colegas. Mesmo assim a vítima se sentiu ofendida e entrou na Justiça pedindo R$ 20 mil de danos morais, mas a Justiça indeferiu e justificou que a averiguação é um direito se for feita sem expor a empregada.
Café a dois: Depois de ter muitos problemas com boatos e picuinhas entre funcionários, uma empresa da Grande Vitória tomou uma medida restritiva. O espaço do cafezinho, que sempre foi disputado por funcionários, passou a ter uma regra: os trabalhadores só podiam frequentar o local de dois em dois. A norma foi adotada com o objetivo de minimizar o surgimento de fofocas na empresa.
Demitido por chamar colega de corno: A vida pessoal do funcionário de uma empresa da região metropolitana foi parar “na boca” e nas piadas de outros trabalhadores. Um auxiliar de serviços gerais espalhou que o “colega” havia sido traído pela esposa. A fofoca chegou ao conhecimento da empresa, que deu advertência verbal, por escrito e até suspensão para o fofoqueiro. Mas, mesmo com as punições, o auxiliar continuava a espalhar que o colega era corno. A empresa não teve outra saída a não ser demiti-lo por justa causa.
O que diz a legislação? 
Justa causa em caso de boato ofensivo
PUNIÇÃO:
FOFOCAS no trabalho podem resultar, de acordo com a gravidade, em punições que vão de advertência verbal ou por escrito, suspensão a até demissão por justa causa.
JUSTA CAUSA:
FOFOCAS ofensivas abrangendo colegas, superiores ou inferiores hierárquicos, patrões ou clientes podem gerar demissão por justa causa.
SERÁ CONSIDERADA justa causa quando ocorrer “ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa própria ou de outrem”, conforme prevê o artigo 482, alínea J, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
HONRA:
QUANDO A FOFOCA atinge a honra do empregador ou do superior hierárquico ela não é tolerável nem mesmo fora da empresa (numa festa, por exemplo), segundo redação do artigo 882, alínea K, da CLT.
JÁ O EMPREGADO que for vítima de fofoca poderá requerer dano moral contra a empresa, se a mesma partiu do empregador ou dos superiores.
 Fonte: Marcelo Tolomei, juiz do Trabalho em A Tribuna.
	Estes e outros casos acontecem diariamente nas organizações e apesar de fazerem parte do cotidiano das empresas, não se pode ignorá-los. Como pode-se observar, o objeto de estudo, definido no início da pesquisa, ocupa vários espaços dentro da organização e faz parte dela.
IV – ANÁLISE INTERPRETATIVA
	Levando em consideração tudo o que foi levantado sobre o assunto em questão, chega o momento de interpretar a comunicação informal e a rede de boatos, de forma crítica e embasada em conceitos e aspectos que não se tinha total conhecimento, ou ainda, a visão inicial do autor com relação ao objeto de estudo era equivocada e contaminada por “achismos” e pelo senso comum. 
	Com referência ao que diz Kapferer a respeito do boato, pode-se concluir que este está intimamente ligado à humanidade, pois segundo o autor o boato nasceu juntamente com o surgimento dos indivíduos e é descrito por ele como “a mídia mais antiga do mundo”. Desde os primeiros humanos na terra a procura por informação se tornou necessária, sobretudo, para se encontrar alimentos e proteger-se. Logo os indivíduos foram se agrupando até constituir-se as primeiras civilizações. Contudo, o boato nunca deixou de fazer parte da vida das pessoas e continua presente até os dias de hoje, e provavelmente nunca deixará de ser assim. 
	Nas organizações não é diferente, como ressalta Artur Roberto Roman e Kátia Perez, existem, dentro das organizações lugares pontuais, onde o boato é disseminado com maior velocidade e alcance que as informações formais, àquelas transmitidas pela administração, através dos meios institucionais.
	È devido a esse ambiente que está inserido nas organizações, que nasceu a ideia deste autor de estudar as implicações que as informações difundidas dentro da chamada rede de boatos, estabelecidas nos processos e relações que permeiam o ambiente organizacional, buscando encontrar os conflitos gerados dentro desse ambiente pela problemática da pesquisa descrita inicialmente.
	Os conflitos que foram observados, além de perturbar as relações interpessoais, levando a intrigas e até mesmo a brigas corporais, podem também atrapalhar o desempenho nas atividades pelos empregados, na produtividade e ainda, no faturamento das empresas, já que esses conflitos podem envolver questões legais, de cunho trabalhistas, como danos morais e dispensa, inclusive por justa causa, aumentando despesas com novas contratações e multas rescisórias e judiciais. 
	Um dado importante, que embasa o que foi dito no parágrafo anterior, é divulgado na manchete do jornal A Tribuna. No ano passado, 9.698 trabalhadores perderam seu emprego por motivos de fofoca, traições e vinganças, 3% do total de 323.282 demissões entre janeiro e agosto de 2013. A jornalista Beatriz Seixas frisa que essas demissões são causadas por “bochichos sobre a vida sexual dos colegas, comentários maldosos ou intrigas com chefes”. 
	Bateman e Snell vão dizer que a comunicação informal se estabelece, entre outros aspectos, quando “pessoas fazem fofocas; empregados reclamam de seus chefes” (BATEMAN; SNELL, 2007, p. 508). Nota-se que a cultura das organizações ainda está muito centrada no respeito à hierarquia, isso fica mais claro em organizações onde críticas não são bem aceitas, nesses casos, os empregados são induzidos, muitas vezes pelo medo, a não falarem, sobretudo mal, dos seus chefes ou então sofrerão as consequências, que podem provocar advertências verbais e até levar à demissão.
	Outra campeã nas demissões e conflitos nas organizações, são as fofocas, como é salientado no estudo de caso, pelo menos dois dos exemplos citados no jornal (roubo de tecido e demitido por chamar colega de corno), a enfatizam.como tal. A fofoca está inserida na rede de boatos e “consiste no ato de fazer afirmações não baseadas em fatos concretos, especulando em relação à vida alheia”�. Bateman e Snell, quando conceituam a rádio-peão, fazem menção à fofoca, segundo os autores, “a rádio-peão pode ser destrutiva quando rumores equivocados ou irrelevantes e fofocas proliferam e prejudicam as operações […] coisas embaraçosas podem tornar-se públicas, e ações de reparação por difamação de caráter e invasão de privacidade utilizam e-mails como evidência” (BATEMAN; SNELL, 2007, p. 508).
	Marcelo Tolomei, juiz do trabalho, em A tribuna, faz comentários que explicam como a CLT trata a fofoca e os boatos ofensivos. Segundo o juiz, “fofocas no trabalho podem resultar, de acordo com a gravidade, em punições que vão de advertência verbal ou por escrito, suspensão a até demissão por justacausa”. No caso de justa causa a fofoca ou boato ofensivo deve culminar em “ato lesivo da honra ou da boa fama” do indivíduo, conforme o texto do art. 482, alínea J da CLT. Em complemento, o art. 882, alínea K, da mesma legislação, diz que “quando a fofoca atinge a honra do empregador ou do superior hierárquico ela não é tolerável nem mesmo fora da empresa, já o empregado que for vítima de fofoca poderá requerer dano moral contra a empresa, se a mesma partiu do empregador ou dos superiores”. 
	Outros, assim como Tolomei, vão mencionar alguns dos motivos para os conflitos descritos acima que desencadeiam-se nas empresas. A rede de boatos engloba “assuntos como a vida sexual e afetiva dos empregados, os motivos de uma demissão, o fato de alguém fazer ‘corpo mole’ no trabalho ou que ‘fulano’ é preferido dos chefes”. Assim como o afastamento do trabalho por motivos de saúde e apelidos, além “do ‘veneno’ para quando alguém é promovido” como salienta Marcelo Tolomei. Para Elias Gomes�, “esse comportamento é estimulado por inveja, individualismo, competitividade, jogo de interesses e egoísmo”.
	Relacionando-se com o que disse Kapferer� a respeito do boato, especialistas em recursos humanos vão suscitar os comentários de Danielle Quintanilha�, quando descrevem os boatos como íntimos de todos os tipos de organizações e são “considerados como natural do ser humano”, por isso não devem ser ignorados pela administração. Segundo ela, “a empresa deve tomar uma posição e acabar com as fofocas antes que elas tomem grandes proporções” e atenta para o diálogo aberto entre gestores e empregados como forma mais eficiente para evitar ou diminuir as especulações. Porém, como foi anteriormente dito, há um descaso por parte dos gestores em manter esse diálogo. Para Quintanilha, “isso tem o poder de mudar o clima organizacional” (A Tribuna).
	Relacionando os exemplos trazidos no jornal A Tribuna com a problemática da pesquisa, conclui-se que, a rede de boato exerce influências no ambiente organizacional, que podem ser de âmbito interno, como medidas restritivas por parte da administração, no caso do “café a dois”, assim como podem gerar conflitos entre os empregados e com a própria administração, nos casos de “demitido por chamar colega de corno” e “cobra venenosa”, esses tipos de boatos perturbam as relações interpessoais nas organizações, já que têm o caráter de criar inimizades que embora sejam internas, podem transcender o âmbito interno e tomarem dimensões maiores, ocasionando a demissão por justa causa e processos por danos morais e difamação, por isso devem ser tratadas de uma forma a não sair do controle da empresa. 
	No âmbito externo, como foi frisado na reportagem do jornal A tribuna, a rede de boatos, têm causado a demissão de muitos trabalhadores (vide manchete do jornal), além de ser motivadora de processos trabalhistas que englobam a justa causa e danos morais e difamação, nos casos de “dedurado” e “roubo de tecido”, os conflitos começaram dentro da organização, mas devido os fatos, se transformaram em processos legais. Inclusive, a CLT, já tem uma concepção apurada do assunto e como foi comentado pelos especialistas que prestaram entrevista ao jornal, o seu texto, possui mecanismos legais que previne e protege aqueles que são vítimas da rede de boatos.
	Dessa forma, a hipótese levantada inicialmente por este autor, pode ser classificada como verdadeira, apesar de não englobar todas as implicações discutidas pela pesquisa. Observa-se que a rede de boatos exerce várias influências dentro da organização. Além de ser o lugar para descontrair e fugir um pouco do trabalho, ela possui aspectos que embora forme e/ou fortaleça laços, também pode desconstruí-los, arruiná-los e gerar conflitos internos que atrapalham o desenvolvimento das atividades laborais, desmotivar, causar desentendimentos, brigas, discussões, podendo dar sentido a uma demissão por justa causa. Esses conflitos observados, quando alcançam uma dimensão muito grande na organização, ou de alguma forma, lese a honra ou a boa-fama do indivíduo, podem sair do âmbito interno e serem resolvidos no âmbito legal, nos processos trabalhistas que envolvem as demissões e danos morais. 
	Com isso, acredito que as questões que suscitaram o projeto de pesquisa, foram total ou parcialmente respondidas. Os assuntos tratados dentro da rede de boatos, como pôde ser analisado no estudo de caso, abrangem a vida sexual ou afetiva dos indivíduos que fazem parte da organização, motivação para a demissão de um empregado, “corpo-mole”, preferências de funcionários por parte dos chefes, atestados médicos e apelidos, além da inveja contra quem é promovido.
	Esses assuntos normalmente são tratados de maneira informal, com deboches e de forma descontraída. Se fala de tudo e de todos, não há discriminação de gênero, raça, cor, etnia, religião, nível hierárquico ou classe econômica, incluem desde o auxiliar de serviços gerais até a chefia. Normalmente as fofocas não têm muita importância para o processo de trabalho, mas a comunicação informal também possui o seu viés informativo, como salienta bem Kapferer, “… o boato é antes de mais nada, uma informação: ela traz elementos novos sobre uma pessoa ou um acontecimento.” (KAPFERER, 1993, p. 5 apud GOMES; CARDOSO; DIAS; p. 6). Para Bateman e Snell, “redes informais de comunicação proporcionam informações às pessoas, ajudam-nas a resolver problemas e ensinam como executar suas atividades com sucesso”. Por exemplo, os novos contratados, normalmente, tendem a procurar informações pertinentes a realização do trabalho, com a própria equipe de funcionários, por se sentirem mais a vontade para tirar suas dúvidas.
	Como observou-se, a rede de boatos pode influenciar negativa ou positivamente as relações interpessoais, além de formar e fortalecer laços, também pode arruiná-los. No processo de trabalho, desentendimentos e brigas podem desmotivar os indivíduos e atrapalhá-los na elaboração das atividades. Observou-se, também que vários conflitos são acarretados pela rede de boatos, desde conflitos pessoais à conflitos legais que, inclusive, dão legitimidade para processos por danos morais e demissão por justa causa.
V – CONCLUSÃO
	A experiência de fazer um trabalho como este foi muito desafiador desde o início. A falta de tempo e as primeiras dificuldades encontradas, como fazer? O que fazer? Onde procurar? Foram obstáculos que aos poucos sumiram, à medida que a compreensão do assunto e das diretrizes para a realização da pesquisa se tornaram claras. Cada fase foi uma experiência a parte e a cada fase, o conhecimento do objeto de estudo me excitava. E foi assim desde o início, ainda antes da proposta de realização do trabalho. A inspiração veio da matéria de planejamento, ministrada pela prof. Liziane Guazina. O texto de Artur Roberto Roman� me chamou atenção no momento em que li e foi ali que senti a necessidade de conhecer melhor a comunicação informal. Me sinto realizado em concluir essa pesquisa e apesar das dificuldades sinto que amadureci em relação a pesquisa em geral e ao assunto tratado acima. Agradeço ao prof. Tiago Quiroga pelas orientações, que desde sempre me deu apoio, obrigado!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BATEMAN, Thomas S.; SNELL, Scott A.; Administração: Liderança e Colaboração no Mundo Competitivo; 7ª Ed., AMGH Editora, 2007
KAPFERER, Jean-Noël; Boatos: O Mais Antigo Mídia do Mundo; Forense Universitária, 1993 apud GOMES, Vanessa Guimarães; CARDOSO, Isabel Cristina Dias; DIAS, Simone Aparecida Vinhal; O Poder da Comunicação Informal – “O Boato”
PEREZ, Kátia; Espaços de Interação Nas Empresas: Os Lugares da Comunicação Formal Face a Face; Revista Organicom, Comunicação Interna: Processos e as Interações nas Organizações, São Paulo, Ano 10, N. 19, 2013
ROMAN, Artur Roberto; Organizações: Um Universo de Discursos Bem-Ditos, Mal-Ditos e Não-Ditos; Comunicação Organizacional, Vol. 2, Saraiva, 2009
TORQUATO, Gaudêncio; Comunicação Empresarial/Comunicação Institucional: Conceitos,Estratégias, Sistemas, Estrutura, Planejamento e Técnicas; 8ª Ed., Summus Editorial, 1986
OUTRAS REFERÊNCIAS: 
Arts. 482, alínea J e 882, alínea K da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT 
Jornal A Tribuna, Vitória-ES, versão digital, 2 de Novembro de 2013
Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fofoca acesso em 15/06/2014
Tribuna Online: http://www.redetribuna.com.br/jornal/historico acesso em 15/06/2014
� Retirado do trabalho das alunas, Vanessa Guimarães Gomes; Isabel Cristina Dias Cardoso e Simone Aparecida Vinhal Dias, da Faculdades Unificadas da Fundação Educacional de Barretos; Orientador: Prof. Antônio Nardi. O Poder da Comunicação Informal – “O Boato”
� Tribuna Online, disponível em: � HYPERLINK "http://www.redetribuna.com.br/jornal/historico acesso em 15/06/2014" ��http://www.redetribuna.com.br/jornal/historico acesso em 15/06/2014�
� Todos os exemplos citados neste tópico estão descritos no jornal A Tribuna, em 2 de novembro de 2013, versão impressa e digital.
� Wikipédia, disponível em � HYPERLINK "http://pt.wikipedia.org/wiki/Fofoca acesso em 15/06/2014" ��http://pt.wikipedia.org/wiki/Fofoca acesso em 15/06/2014�
� Consultor de carreira e diretor da Acroy 
� Boatos – O Mais Antigo Mídia do Mundo, 1993
� Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES)
� Organizações: um universo de discursos bem-ditos, mal-ditos e não-ditos, 2009

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