Christiano Cassetari Elementos acidentais 06
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Christiano Cassetari Elementos acidentais 06


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Continuação de elementos acidentais: 
 
b. TERMO: é a cláusula que subordina o efeito do negócio jurídico a um evento futuro e 
certo. É a característica que difere do elemento condição. 
 
Termo inicial/suspensivo/dies a quo: é aquele que subordina a eficácia do negócio. 
Exemplo: dou um fogão em 11.11.2014 (doação); 
 
Termo final/resolutiva/dies ad quem: é aquele que subordina a ineficácia do negócio 
jurídico. Exemplo: empresto minha casa por um ano (comodato); 
 
Classificação secundária: 
 
Termo certo/certus an certus: certo quanto ao fato e certo quanto ao tempo de duração. 
Exemplo: datas; 
 
Termo incerto/certus an incertus: certo quanto ao fato e incerto quanto ao tempo de 
duração. Exemplo: morte; 
 
Termo convencional: fixado entra as partes; 
 
Termo Legal: fixado em lei; 
 
Termo judicial/termo de graça: fixado judicialmente para o cumprimento de uma 
obrigação. 
 
Termo essencial: é aquele que não admite o cumprimento fora do prazo; 
 
Termo não essencial: é aquele que admite o cumprimento fora do prazo. 
 
c. MODO OU ENCARGO: É um ônus que se impõe para a parte cumpri-lo, sob pena de 
ineficácia do negócio jurídico. Exemplo: doação modal ou com encargo: dou uma casa, se 
você cuidar do meu irmão até ele morrer. Observação: o encargo não impede a aquisição 
e nem o exercício do direito. No presente exemplo, há a possibilidade de ação de 
revogação para requerer o imóvel, caso não seja cumprido o encargo. 
 
Prescrição e Decadência 
 
Ler o artigo do professor Agnelo Amorim Filho (disponível na internet): 
\u201cCRITÉRIO CIENTÍFICO PARA DISTINGUIR A PRESCRIÇÃO DA DECADÊNCIA E PARA 
IDENTIFICAR AS AÇÕES IMPRESCRlTÍVEIS.\u201d 
 
 
 
 
 
 
Conceito de Prescrição (artigo 189 \u2013 conceito)1: extingue a pretensão (a possibilidade de se 
exigir o cumprimento de uma obrigação de dar, fazer ou não fazer). Relacionado ao direito 
obrigacional (é um direito fraco - Chiovenda, produz efeito inter partes, envolvendo o direito 
de cooperação entre as partes). O prazo prescricional começa da violação do direito, com o 
inadimplemento deste. Vide súmula n, 287 do STJ que consagra o princípio da actio nata: o 
temo inicial da prescrição começa com a ciência do fato e não com a exigibilidade do direito 
subjetivo. A aludida súmula é referendada pelo Enunciado n.14 do CJF. Entretanto, deve-se 
mencionar que a súmula é medida excepcional, utilizando-se como regra o art. 189 do CC/02, 
ou seja, a partir da violação. É um instituto de MATÉRIA DE ORDEM PRIVADA. Obs. Muito 
embora possa ser invocada a qualquer tempo e de ofício pelo juiz, esse instituto, por envolver 
direito obrigacional, tem cunho privado. 
 
Conceito de Decadência: extingue o direito potestativo (é aquele que permite ao titular, ao 
exercê-lo, afetar a outra parte, que não tem o que fazer). Exemplo: o empregador tem o 
direito potestativo de dispensar o empregado; em âmbito civil, a possibilidade de o locador 
reaver o imóvel do locatário pela denúncia vazia \u2013 sem motivo. A decadência está ligada ao 
direito fraco e atrelada à MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. 
 
Critério científico para distinguir o prazo prescricional do prazo decadencial (criado por Agnelo 
Amorim Filho): 
 
PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA 
Extingue a pretensão; 
 
Extingue o direito potestativo; 
Prazo geral: art. 205, CC/022: 10 anos; 
 
Ocorre em dias, meses e anos; 
Prazo especial: art. 206, CC/02: 
 
1, 2, 3, 4, ou 5 anos; 
 
Ocorre exclusivamente em anos 
 
Anos: 6, 7, 8, 9, 11 anos ou mais. 
ZONA HÍBRIDA 
 
1, 2, 3, 4, 5 OU 10 ANOS 
 
AÇÃO CONDENATÓRIA AÇÃO CONSTITUTIVA OU DESCONSTITUTIVA 
 
MERAMENTE DECLARATÓRIA (PURA): IMPRESCRITÍVEL 
 
 
 
 
1 Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 
205 e 206. 
2 Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. 
 
 
 
 
 
 
ARTIGOS COMENTADOS: 
 
Artigo 190. \u201cA exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão.\u201d. 
Exemplo: artigo 4763 (exceptio nom adimpleti contractus - exceção do contrato não cumprido). 
Ainda, apresenta-se a exceptio nom rite adimpleti contractus \u2013 exceção do contrato 
parcialmente cumprido, cumprimento inexato da obrigação. Nesse caso, ninguém é obrigado a 
cumprir a sua obrigação se a outra parte cumpriu de forma incompleta ou equivocada, 
equivalendo-se ao inadimplemento. É utilizada, normalmente, como matéria de defesa. 
Entretanto, é possível utilizar as referidas exceções como matéria de ataque na ação de 
resolução contratual, a qual tem por objetivo a extinção do contrato. Por exemplo, o prazo 
para cobrar os honorários advocatícios é de 5 anos. Também será o mesmo prazo para o 
cliente do advogado ingressar com a ação de resolução contratual, fundamentado no contrato 
não cumprido (advogado não entrou com a ação que havia sido contratado). 
 
Artigo 191. \u201cA renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem 
prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se 
presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição.\u201d 
Renúncia da prescrição é ato privativo do devedor: pode ser expressa ou tácita (quando o 
devedor, sem saber, age de forma incompatível com a prescrição, que poderia lhe favorecer, 
por exemplo, quando pede parcelamento ou prorrogação de dívida já prescrita). A renúncia 
somente valerá se o devedor não prejudicar outro credor (terceiro a relação). A renúncia não 
pode ocorrer de forma prévia, somente é possível quando esta se consumar. 
 
Artigo 192. \u201cOs prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes.\u201d 
 
Artigo 193. \u201cA prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição pela parte a quem 
aproveita.\u201d. 
Observação: ao alegar a prescrição em 2º instância, o desembargador acolherá a prescrição e 
o réu fará o pagamento de todas as despesas processuais, em razão da má fé constatada. 
Outrossim, mesmo que o STJ não seja um grau de jurisdição (3º grau), a jurisprudência 
entende ser possível a alegação de prescrição junto ao Superior tribunal de Justiça. 
 
 
 
 
3 Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do 
outro. 
 
 
 
 
 
Artigo 194 (REVOGADO pela lei n. 11.280/2006)4: Vide o artigo 219, § 5º do CPC5. 
A referida lei revogou o artigo 194 do CC/02 e remeteu ao CPC, no seu artigo 219, § 5º, o qual 
prevê que o juiz pode declarar a prescrição de ofício. Entretanto, a mencionada lei omitiu o 
momento em que o juiz está permitido a declarar eventual prescrição. 
Assim, verificam-se problemas decorrentes da revogação do artigo 194 do CC/02: 
1. Em relação à possibilidade de renúncia da prescrição do artigo 191: o juiz não poderá, de 
maneira afoita, declarar a prescrição, dando a chance de ocorrer a renúncia da prescrição. 
O momento ideal é a fase saneadora do processo. 
 
2. O artigo 195: os vulneráveis (relativamente incapazes e pessoas jurídicas). Há a 
possibilidade de ingressar com a ação contra a pessoa responsável por ter apontado a 
prescrição e não o fez, prejudicando-o. Considerando que o juiz também tem o dever de 
declarar de ofício a prescrição, se não o fizer, pode este ser responsabilizado civilmente, 
por ter prejudicado os vulneráveis. 
 
Artigo 196. \u201cA prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor.\u201d. 
Exemplo: Se passou 8 anos de um prazo prescricional de 10 anos, ainda tem 2 anos de prazo 
para ajuizar ação contra o sucessor. Observação: essa regra serve também para a sucessão 
empresarial (empresa A