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terminada) sobre respectivo suporte fático revela-se suficiente ao seu nascimento. 
Destaque-se que, segundo tal corrente, é “perfeitamente admissível representar o 
direito subjetivo através do verbo ‘ter’.” (ASSIS, Araken de. Cumulação de ações. 
p. 76). Não podem ser baralhados, todavia, direito subjetivo e pretensão. À luz da 
doutrina em destaque, enquanto o primeiro encontra-se vinculado ao verbo ter, o 
segundo identifica-se com o verbo exigir. “Certamente, na normalidade dos casos, 
há direito subjetivo e, há a respectiva pretensão, que não é outro direito, mas o pró-
prio direito subjetivo potencializado, dotado desse dinamismo capaz de torná-lo” 
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efetivo. (BAPTISTA DA SILVA, Ovídio A. Direito subjetivo, pretensão de direito 
material e ação. p. 103.) Sustenta-se, então: uma coisa é a existência do direito, 
outra a possibilidade de exigi-lo. O exemplo do direito de crédito submetido a 
termo mostra-se sempre bem-vindo à compreensão da distinção. Haverá direito 
subjetivo do mutuante em face do mutuário (pondo o suposto credor em posição 
de vantagem jurídica perante o suposto devedor), ainda que não lhe seja possível 
exigir sua satisfação antes da data pactuada para o cumprimento da obrigação. 
A pretensão é a faculdade de se poder exigir a satisfação do direito subjetivo, sen-
do tal realidade inconfundível com o direito em si. À guisa do exemplo, portanto, é 
o alcance do termo (elemento acidental do negócio jurídico) que fará surgir para o 
credor pretensão (no caso, material), potencializando seu direito de crédito. Equi-
vale-se a pretensão à mera faculdade, de maneira que poderá ou não efetivar-se. 
É plenamente possível, por exemplo, que o credor, ainda que lhe seja permitido, 
mantenha-se inerte em relação à satisfação de sua vantagem jurídica. Mas a noção 
de pretensão, segundo a doutrina dualista, não corresponde, em última análise, 
a um agir. O suposto titular de um direito subjetivo, já exigível, poderá buscar 
sua satisfação perante o suposto obrigado e o faz, por definição, mediante a pre-
mência (verbo premir) do obrigado. No estágio do efetivo exercício da pretensão 
(o premir) o titular do direito conta, sempre, com um ato voluntário do sujei-
to passivo da relação jurídica material: o cumprimento espontâneo da obrigação 
assumida. Satisfeito o direito, ponto final. Inexistindo, contudo, o cumprimento 
espontâneo, nasce para o titular do suposto direito subjetivo, segundo a doutrina 
em destaque, ação material. É precisamente nesse estágio (de desenvolvimento 
do plano material) que a mera exigência dá lugar ao agir do insatisfeito. A ação 
de direito material “é o agir para a realização do próprio direito”. (BAPTISTA DA 
SILVA, Ovídio A. Direito subjetivo, pretensão de direito material e ação. p. 104). 
O Estado moderno, como sabido, monopolizou o poder-dever de dicção/concre-
tização do direito, vendando, salvo raríssimas exceções, o agir privado. É, pois, 
esse o momento, pelo menos para a teoria dualista, de transição do plano material 
para o plano processual. Situado no plano processual afirma-se haver um direito 
subjetivo, de natureza pública – porque exercível em face do Estado – à tutela juris-
dicional, que, a rigor, não se confunde com a posição jurídica suscitada em juízo (o 
direito subjetivo material). Para além da afirmativa, sustenta tal corrente ser apli-
cável ao plano processual a distinção entre direito e pretensão (agora processuais). 
Para parcela da doutrina, inclusive, o “direito à tutela jurídica” já “nasce dotado de 
pretensão”, ou seja, exigível. Não nos parece, contudo, seja a afirmativa universa-
lizável. Seja como for, consoante tal corrente, é do efetivo exercício da pretensão à 
tutela jurídica estatal (ou pretensão processual) que nasce relação jurídica diversa 
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da supostamente existente no plano material: a relação jurídica de direito proces-
sual. “Existe, portanto, o direito público à jurisdição, provido da pretensão à tutela 
jurídica, a qual, exercida, põe o Estado a dever a prestação jurisdicional.” Segundo 
a doutrina dualista, a “demanda estabelece a relação processual, que tem por sujei-
to ativo o autor, e por passivo, o Estado.” (ASSIS, Araken de. Cumulação de ações. 
p. 85.) E mais: a demanda conduz à satisfação do direito à prestação jurisdicional, 
ou seja, do direito subjetivo público pertencente a todo e qualquer jurisdicionado, 
oriundo da vedação estatal à realização da justiça privada. Nesse diapasão, inde-
pendentemente da procedência ou improcedência do pedido, o direito de acesso 
aos tribunais encontrar-se-á satisfeito.
2. Interesse de agir. Na tradição pátria, dada à influência da doutrina profes-
sada por Enrico Tullio Liebman, é possível afirmar que o conceito de interesse de 
agir, identifica-se com a lição sustentada pelo renomado jurista. O interesse pro-
cessual consuma-se mediante a verificação da necessidade e da utilidade da tutela 
jurisdicional requerida. 
3. Legitimidade para a causa. La titolarità (ativa e passiva) dell’azione. Trata-
se, segundo a tradição engendrada no direito pátrio, do elemento verificador da 
pertinência subjetiva da ação. A legitimação indica para cada processo as justas 
partes, as partes legítimas, ou seja, as pessoas que devem estar presentes, para que 
o juiz possa enfrentar, meritoriamente, determinado caso concreto.
4. Manutenção da teoria eclética do direito de agir? Qual a teoria da ação 
albergada pelo NCPC?
Artigo 18:
1. Legitimação ordinária. Regra. Processo Civil individual. Salvo expressa au-
torização legal, o acesso aos tribunais deve ser realizado em nome próprio para 
benefício próprio. 
2. Legitimação extraordinária. Substituição processual. Exceção. Processo 
Civil individual. Pleiteia-se, mediante expressa autorização de lei, em nome pró-
prio visando-se benefício alheio. 
3. Legitimação extraordinária. Processo Coletivo. Tutela Coletiva dos Direi-
tos Individuais. Direitos acidentalmente coletivos. O ordenamento brasileiro nega 
legitimidade ao cidadão comum, individualmente considerado, para a propositura 
da ação coletiva que tenha por objeto a proteção/promoção de direitos individuais 
homogêneos. A prerrogativa, entre nós, pertence exclusivamente a determinados 
entes ideais que, processualmente falando, atuam na condição de substitutos dos 
verdadeiros beneficiários da tutela jurisdicional. 
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Artigo 19:
1. As ações, tradicionalmente, são classificadas a partir da averiguação da efi-
cácia preponderante da tutela jurisdicional requerida. De um lado, os defensores 
da teoria quinária reconhecem cinco eficácias possíveis: declaratória, constitutiva, 
condenatória, mandamental e executiva lato sensu; de outro, os adeptos da teoria 
ternária reduzem-nas a três: declaratória, constitutiva e condenatória. 
2. Diz-se, a despeito da teoria adotada, que com a propositura de uma ação 
(meramente) declaratória o máximo que o autor poderá obter (uma vez que juiz 
julga pedido!) é uma sentença de procedência com eficácia preponderantemen-
te declaratória. As ações (meramente) declaratórias têm por objeto, tão somente, 
versar acerca (a) da (in)existência ou do modo de ser de uma relação jurídica (ma-
terial) ou, (b) examinar a autenticidade ou a falsidade de determinado documento. 
A sentença que acolhe o pedido do autor é, por definição, autosatisfativa. 
Artigo 20:
1. O Código admite que o interesse do demandante se limite à obtenção de 
tutela meramente declaratória (por definição, reitere-se, autosatisfativa), cingin-
do-se o objeto da demanda à declaração requerida, a despeito da comprovada 
ocorrência de violação a direito inerente a relação jurídica material que serviu de 
base ao pleito declaratório. 
TÍTULO II
DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL 
E DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
CAPÍTULO I
DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações 
em que:
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado
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