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Conteúdo das aulas 1 a 10 para imprimir: História e Fundamentos da Fisioterapia

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AULA 1 
Conceito de Fisioterapia 
A sociedade não sabe, na verdade, o que é Fisioterapia e com que ela trabalha. A sociedade acha 
que trabalhamos com fraturas, problemas de derrames (acidente vascular encefálico), crianças 
que têm problemas para andar (encefalopatias crônicas da infância), problemas respiratórios 
(enfisema ou pacientes internados em hospitais), dentre outras complicações e técnicas de 
tratamento. 
 
Diante disso, vamos iniciar nossa aula explicando o que é Fisioterapia, mas caberá a você levar 
essas informações para a sociedade como um futuro fisioterapeuta. 
 
Vejamos a definição de Coffito: 
 
"É uma ciência da saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais 
intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por 
traumas e por doenças adquiridas, na atenção básica, média complexidade e alta complexidade. 
Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da 
biologia, das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da bioquímica, da 
biofísica, da biomecânica, da cinesia, da sinergia funcional, e da cinesia patológica de órgãos e 
sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais" (COFFITO, 2013). 
 
Retomemos a introdução de nossa aula e o exemplo que demos do encontro entre você e sua tia. 
Acreditamos que sua resposta, quando questionado(a) sobre o que era a fisioterapia, foi: trata-se 
de uma ciência. Estamos certos? 
 
Normalmente, achamos que Fisioterapia é uma técnica, movimentos ou, até mesmo, 
reabilitação, mas estamos errados. A Fisioterapia é uma Ciência e, como Tal, 
tem como base as pesquisas desenvolvidas na área e está sempre em evolução. 
 
No Brasil, ela existe há quase 50 anos - é muito nova, se a compararmos com a medicina ou 
enfermagem - mas já evoluiu muito, como veremos em nossa disciplina. 
 
Vejamos algumas outras observações que devemos considerar 
a respeito do conceito de fisioterapia: 
Tratamento e prevenção 
A fisioterapia não somente trata, mas estuda, promove saúde funcional e previne disfunção de 
órgãos e sistemas de todo o corpo humano. A sociedade sempre a enxerga como tratamento e 
recuperação de lesões, mas a fisioterapia também previne e esse é um ponto positivo e 
importante, visto que quando prevenimos, não teremos pessoas incapacitadas funcionalmente e 
um menor número de pessoas internadas ou acamadas. Então, como futuros profissionais de 
saúde, temos que visualizar a prevenção e a promoção em saúde 
Cinesia 
O objeto de estudo da fisioterapia é a cinesia, o movimento relacionado à função de órgãos e 
sistemas do corpo humano. E por isso nosso diagnóstico é chamado de “diagnóstico 
cinesiológico funcional”, que teremos oportunidade de estudar mais à diante. Nosso olhar 
sempre será para detectar a função e a disfunção dos diversos órgãos. Para o médico, o 
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diagnóstico do paciente pode ser uma tendinite, mas o fisioterapeuta terá que investigar a causa 
(disfunção) que levou o paciente a adquirir a tendinite. Não tratamos a tendinite, mas sim, a sua 
causa – a disfunção, propriamente, dita. Daí, a nossa grande diferença dos outros profissionais 
de saúde. 
Atenção aos três níveis de complexidade 
A fisioterapia tem ações nos cuidados à saúde do indivíduo nos três níveis de complexidade. Na 
atenção básica, junto à promoção de saúde, com ações de educação na saúde, junto à prevenção 
de disfunções, de forma individual e coletiva. Também atua na atenção à saúde na média 
complexidade, em clínicas e consultórios, quando tratamos nossos pacientes e na alta 
complexidade, quando atuamos nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), em Institutos do 
Câncer e em Clinicas de Reabilitação, junto a equipes multidisciplinares. 
Mecanismos terapêuticos 
A fisioterapia faz uso de mecanismos terapêuticos próprios de sua área, com base nas ciências 
básicas. Utiliza procedimentos que envolvem o conhecimento de recursos físicos e naturais, de 
ação isolada ou conjunta, como a eletroterapia – uso da corrente elétrica, crioterapia – uso do 
gelo, termoterapia – uso do calor, hidroterapia – uso da água, fototerapia – uso da luz, 
massoterapia, cinesioterapia e mecanoterapia – uso do movimento, da cinesia - que teremos 
oportunidade de discutir nas aulas 6 e 7, exclusivas para discussões sobre recursos terapêuticos. 
Modelo biopsicossocial 
Outro aspecto relevante em seu conceito está relacionado à sua perspectiva que tem como 
referência o modelo biopsicossocial, com visão global do aspecto físico dos sistemas do corpo 
humano, além dos aspectos comportamentais e sociais. Ela proporciona uma visão integral do 
ser e do adoecer que compreende as dimensões física, psicológica e social. O ser humano não é 
só físico. Ele tem aspectos psicossociais que deverão ser levados em conta, tanto na avaliação, 
quanto em seu tratamento. Ele tem estória de vida, que deverá ser relevante, tanto em sua 
avaliação, quanto em seu tratamento. 
História da fisioterapia no mundo 
A Fisioterapia é uma ciência tão antiga quanto o homem. Surgiu com as primeiras tentativas de 
nossos ancestrais de diminuir uma dor esfregando o local dolorido e evoluiu ao longo da história 
da humanidade com a sofisticação, principalmente, das técnicas de exercícios terapêuticos, que 
eram largamente utilizados na recuperação dos soldados feridos na Grécia antiga e como 
ginástica de manutenção da saúde em Esparta. 
 
"Quando um homem se machucava durante a caça ou luta, ele esfregava o local com as mãos, 
para aquecê-lo, e mergulhava o membro machucado na água para aliviar a dor", na verdade, são 
os dois princípios básicos da fisioterapia até hoje: a massoterapia (massagem com as mãos) e a 
hidroterapia (tratamento com água). 
 
 
 
 
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Vamos ver a história da fisioterapia relacionada aos diversos 
momentos: 
 
Antiguidade 
 
período compreendido entre 4.000 a.C. e 395 d.C. - havia uma forte preocupação com as 
pessoas que apresentavam as chamadas "diferenças incomodas"; um termo utilizado para 
abranger o que na época era considerado "doença". Havia uma preocupação em eliminar essas 
"diferenças incomodas” através de recursos, técnicas, instrumentos e procedimentos. Os agentes 
físicos já eram utilizados para reduzir essas diferenças. Não existiam fisioterapeutas, mas os 
médicos na Antiguidade conheciam os agentes físicos e os empregavam em terapia. Já 
utilizavam a eletroterapia sob forma de choques com um peixe elétrico no tratamento de certas 
doenças (REBELATTO e BOTOMÉ, 1999). 
 
Idade Média 
 
Relembrem das aulas de História no ensino média - as doenças eram consideradas como algo a 
ser exorcizado. Foi um período onde ocorreu uma interrupção dos estudos na área da saúde. A 
cultura e dominação religiosa eram muito presentes, gerando inúmeras consequências, dentre 
elas, a desvalorização do corpo e da própria saúde, pois, sendo o corpo considerado apenas 
como um mero recipiente do espírito caberia os cuidados e a valorização apenas ao espírito, a 
alma. Segundo Lindman (1975): 
 
“As ordens religiosas eram inimigas do corpo. Os hospitais da Idade Média tinham caráter 
eclesiástico, estavam junto dos mosteiros mais importantes e suas salas de enfermos 
encontravam-se imediatamente ao lado das capelas, havia, inclusive, altares na sala dos 
enfermos, não havendo local apropriado para a realização de exercícios”. 
 
Renascimento 
 
Volta a aparecer alguma preocupação com o corpo saudável, por ter sido um período marcado 
por transformações em muitas áreas da vida humana (artes, filosofia e ciências). A 
cinesioterapia, um dos recursos da fisioterapia, ganhou teóricos e adeptos, a ponto de, no século

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