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publicidade e eficiência), todos aplicáveis às EPs e às SEMs, 
mesmo quando exploram atividades econômicas. Essas entidades também 
se sujeitam ao concurso público para contratação de pessoal (CF, art. 37, 
II). Ademais, para o desempenho de suas atividades-meio, como a 
aquisição de material de escritório, obrigam-se a realizar licitação pública 
(CF, art. 37, XXI; e art. 173, §1º, III). A organização dessas entidades 
também depende de regras de direito público, uma vez que dependem de 
lei para autorizar sua criação ou extinção, ou mesmo para criação de 
subsidiárias, neste último caso, mesmo que ocorra de forma genérica (CF, 
art. 37, XIX e XX). Por fim, essas entidades submetem-se ao controle e 
fiscalização do Tribunal de Contas (CF, art. 71) e do Congresso Nacional 
(art. 49, X). 
Por outro lado, as empresas públicas e sociedades de economia mista, 
quando atuarem na prestação de serviços públicos, submetem-se 
predominantemente, às regras de direito público. Isso fica muito mais 
evidente quando as entidades realizam suas atividades-fim, ou seja, 
quando estão prestando o serviço público para o qual foram criadas. 
Menciona-se, por exemplo, o princípio da continuidade do serviço 
público e outros. 
Dessarte, podemos resumir da seguinte forma. Todas as empresas 
públicas e sociedades de economia mista possuem personalidade jurídica 
de direito privado e regime jurídico híbrido. Porém, quando explorarem 
atividade econômica, sujeitam-se predominantemente ao regime de direito 
privado. Por outro lado, quando prestam serviços públicos, subordinam-se 
predominantemente a regras de direito público. 
Por fim, a atividade preferencial das empresas estatais é a exploração 
de atividade econômica. Dessa forma, se a questão não definir qual a área 
de atuação, devemos partir do pressuposto que é a exploração de atividade 
econômica. Logo, o regime predominante será de direito privado. 
 
Se a questão não definir a área de atuação da 
EP ou da SEM, o regime predominante será de 
direito privado. 
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Benefícios fiscais 
O §2º, art. 173, CF, dispõe que as empresas públicas e as sociedades 
de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não 
extensivos às do setor privado. Todavia, a mencionada regra encontra-
se no art. 173, que se aplica somente às empresas públicas e sociedades 
de economia mista que exploram atividade econômica. 
Com efeito, o dispositivo não veda toda concessão de privilégios fiscais, 
mas tão somente aqueles aplicados exclusivamente às empresas públicas e 
sociedades de economia mista. Assim, se o ente conceder um privilégio 
fiscal a todas as empresas de determinado setor, independentemente se 
são estatais ou não, não haverá vedação. 
Ademais, quando a empresa atuar em regime de monopólio, não 
existirá nenhuma vedação da concessão do privilégio, ainda que a empresa 
explore atividade econômica. O entendimento é muito simples, uma vez 
que há monopólio, não existirão empresas do ramo no setor privado. 
Imunidade tributária 
Nesse ponto, vale trazer um importante entendimento do Supremo 
Tribunal Federal sobre a imunidade tributária recíproca. O art. 150, VI, 
³D´\ufffd\ufffd GD\ufffd &)\ufffd\ufffd HVWDEHOHFH\ufffd TXH\ufffd é vedado à União, aos estados, ao Distrito 
Federal e aos municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou 
serviços, uns dos outros. O §2º do mesmo art. dispõe que essa regra se 
estende às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder 
Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados 
a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. 
Em nenhum lugar há menção às empresas públicas e sociedades de 
economia mista. Contudo, o Supremo Tribunal Federal vem apresentando 
entendimento de que a imunidade tributária recíproca aplica-se às 
empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços 
públicos. O primeiro julgamento do STF nesse sentido ocorreu com a 
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ± EBCT, no julgamento do RE 
\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd56\ufffd\ufffdTXDQGR\ufffdD\ufffd&RUWH\ufffdHQWHQGHX\ufffdTXH\ufffdD\ufffdHPSUHVD\ufffdp\ufffd³prestadora de 
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serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado´\ufffd
motivo pela qual está abrangida pela regra da imunidade tributária2. 
Na mesma linha, o STF entendeu que a imunidade tributária recíproca 
se aplica à Infraero, empresa pública federal, uma vez que presta serviço 
S~EOLFR\ufffd ³em regime de monopólio´\ufffd\ufffd &RQWXGR\ufffd\ufffd R\ufffd HQWHQGLPHQWR\ufffd GR\ufffd
Supremo Tribunal Federal, ao decidir o caso da Infraero, aparenta-se ser 
bem mais amplo que o caso da EBCT, vejamos3: 
A submissão ao regime jurídico das empresas do setor privado, inclusive 
quanto aos direitos e obrigações tributárias, somente se justifica, como 
consectário natural do postulado da livre concorrência (CF, art. 170, IV), se 
e quando as empresas governamentais explorarem atividade econômica em 
sentido estrito, não se aplicando, por isso mesmo, a disciplina prevista no 
art. 173, § 1º, da Constituição, às empresas públicas (caso da 
INFRAERO), às sociedades de economia mista e às suas 
subsidiárias que se qualifiquem como delegatárias de serviços 
públicos. (grifos nossos) 
Em recente posicionamento, o STF firmou entendimento ainda mais 
amplo, aplicando a imunidade tributária recíproca à sociedade de economia 
mista prestadora de ações e serviços de saúde, ou seja, que nem mesmo 
atuava como delegatária de serviço público4. Vale dizer, o serviço de saúde, 
quando prestado pelo Estado, enquadra-se no conceito de serviço público, 
no entanto não ocorre mediante delegação, dada sua livre exploração pelas 
entidades privadas (CF, art. 199). 
Diante do exposto, só podemos concluir que a imunidade tributária 
recíproca, conforme posicionamento recente do Supremo Tribunal Federal, 
possui uma amplitude genérica, alcançando as empresas públicas, 
sociedades de economia mista e suas subsidiárias prestadoras de 
serviços públicos. Por outro lado, as empresas públicas e as sociedades 
de economia mista que exploram atividade econômica não possuem 
imunidade tributária. 
Vamos exercitar um pouco! 
 
 
2 RE 407.099/RS. No mesmo sentido: RE 354.897/RS, RE 398.630/SP, ACO 765/RJ, e outros; quando a Corte 
destacou que a \ufffd\ufffd\ufffdd\ufffd ?é prestadora de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, motivo 
por que está abrangida pela imunidade tributária recíproca ? \u5800 
3 RE 363.412/BA. 
4 RE 580.264 RS. 
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12. (Cespe ± Técnico Judiciário/TJ-RR/2012) Embora possuam capital 
exclusivamente público, as empresas públicas são pessoas jurídicas a que se 
aplicam, preponderantemente, normas de direito privado. 
Comentário: como a questão não definiu a área de atuação da EP, devemos 
partir do pressuposto que ela explora atividade econômica, afinal essa é a 
atividade primordial das empresas estatais. Assim, as normas de direito 
privado serão aplicadas preponderantemente. 
Gabarito: correto. 
13. (Cespe ± Técnico em Administração/TJ-AC/2012) A empresa pública criada 
com a finalidade de explorar atividade econômica deve ser, necessariamente, 
formada sob o regime de pessoa jurídica de direito privado. 
Comentário: em qualquer hipótese as empresas