Multiculturalismo   Charles Taylor(1)
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Multiculturalismo Charles Taylor(1)


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CHARLES TAYLOR
K. ANTHONY A!'PIAH
JURGEN HADERMAS
STEVEN C. ROCKEFELLER
MICHAEL WALZER
SUSAN WOLF
MULTICULTURALISMO
EXAMINANDO A pOLiTICA
DERECONHECIMENTO
INSTITUTO
PIAGET
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Titulo original: Multiculturalism
Autor: Charles Taylor
© Princeton University Press, 1994
Colec~ao: Epistemologia e SOciedade, sob a dlreclVao de Antonio Oliveira Cruz
Tradw;ao: Marta Machado, para Textos e Letras
Revlsao clentifica: Pedro Duarte, para Textos e Letras
Capa:DorindoCar~
Dlreitos reservados para a lingua portuguesa:
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Tel.: 837 17 25
E-mail: plaget.editora@mail.telepac.pt
Fotocomposl\;ao: Instituto Piaget
Montagem, impressao e acabamento: MlnigrMca
Deposito legal: 126541/98
ISBN: 972-771-016-6
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Para Laurance S. Rockefeller
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PREFAcIO (1994)
Desde a sua publiea(iio, em 1992, que Multiculturalism and
«The Politics of Recognition» eonheeeu ja versoes em italiano, fran-
ces e alemiio. Esta ll/tima inclui um eomenttirio alargado da autoria do
filosofo polftieo Jiirgen Habermas, que da um eontributo importante a
diseussiio, actualmente de dimensiio multinaeional, sabre a rela(iio
entre democracia eonstitucional e uma polftiea que reeonheee diversas
identidades eulturais. Convidamos K. Anthony Appiah, professor eate-
dratieo de Estudos Afro-Amerieanos e de Filosofia, de Harvard, a apre-
sen tar as suas reflexoes sabre a po/{tiea do reeonhecimento. Appiah
esereveu um ensaio brilhante sabre a rela(iio problematiea entre a reco-
nhecimento de identidades eoleetivas, a ideal da autenticidade indivi-
dual e a sobreviveneia das eulturas. Ecom prazer que incluimos ambos
as ensaios na presente edi(iio alargada.
Habermas, que se aproxima de uma perspectiva kantiana, defende
que a protee(iio igual ao abrigo da lei niio e suficiente para eonstruir
uma demoeracia eonstitueional. E que niio basta sermos iguais
perante a lei: tambem temos de nos eompreender como autores das leis
que nos vineulam. «Depois de eompreendermos verdadeiramente esta
liga(iio interna entre a democracia e a estado constitucional», escreve
Habermas, «tornar-se-a claro que a sistema de direitos niio ignora
nem as condi(oes sociais desiguais, nem as diferen(as culturais.»
o que e eonsiderado como direitos iguais para as mulheres au para as
minorias etnicas e eulturais nem sequer pode ser correetamente enten-
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dido ate os membros desses grupos «articularem e justificarem, em
discussao publica, 0 que e importante para 0 tratamento igual ou desi-
gual em casos tipicos». As discussoes democrtiticas tambem proporcio-
nam aos cidadaos a oportunidade de esclarecerem «quais as tradiroes
que querem perpetuar e quais as que querem abandonar, como e que
querem relacionar-se com a sua histaria, entre si, com a natureza,
etc.» A democracia constitucional pode medrar no conflito suscitado
por estas discussoes e conviver com as suas resoluroes democrtiticas,
sugere Habermas, desde que os cidadaos se unam atraves do respeito
mutuo pelos direitos dos outros.
Habermas dislingue entre cullura, no sentido lato, que niio precisa
de ser partilhada por todos os cidadiios, e uma cultura polftica
comum caracterizada pelo respeilo mUtuo dos direilos. A democracia
conslitucional dedica-se a esta dislinriio ao garantir aos membros das
culluras minoriltirias «direilos iguais de coexistencia» com as cullu-
ras maiorittirias. Tratar-se-ti de direilos de grupo ou de direilos indivi-
duais? Habermas sustenta que sao direitos individuais de associarao
livre e de nao-discrimina~ao, direitos esses que, por isso, niio garantem
a sobrevivencia para nenhuma cullura. 0 projecto polflico de conser-
var as culturas como se de especies em vias de exlin~iio se tratasse
priva-as da sua vitalidade e aos individuos da sua liberdade para rever
e ate mesmo rejeitar as idenlidades cullurais herdadas. As democra-
cias constitucionais respeitam um vasto leque de idenlidades cullu-
rais, mas nao asseguram a sobrevivencia a nenhuma delas.
o ensaio de Appiah apresenta ainda outras razoes para a reflexiio
sobre a necessidade de sobrevivencia cullural entendida como uma
garanlia politica de que qualquer cullura continua a exislir atraves de
gera~oes futuras indefinidas. Appiah partilha da opiniiio de Taylor ao
afirmar que existem «objeclivos colectivos legitimos cuja concretiza-
~iio exigirti dedica~iio a um mero processualismo», mas a sobrevivencia
cultural indefinida niio consta desses objectivos. Ao explicar porque,
Appiah expressa 0 ideal da autonomia individual ao explorar a dificil
rela~ao com a identidade colectiva.
Appiah pede-nos para medilarmos sobre 0 facto de as idenlidades
colectivas - a identificariio das pessoas como membros de um determi-
nado sexo, rara, etnia, nacionalidade ou sexualidade - <<implicarem a
no~ao de como uma pessoa concreta se comporta segundo a sua identi-
dade: niio euma questiio de existir s6 uma maneira de os homossexuais
ou os negros se comportarem, mas sim de haver vtirias maneiras de
cada grupo se comportar.» As dimensoes pessoais de idenlidade - ser-se
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espirituoso, prudente e atencioso - niio se manifestam tipicamente da
mesma maneira que as dimensDes colectivas. Estas, escreve Appiah,
<jornecem aquilo a que poderfamos chamar de guiDes: narrativas que
as pessoas podem usar para planearem as suas vidas e contarem as
suas hist6rias. Na nossa sociedade (mas talvez niio na Inglaterra de
Addison e Steele), ser-se espirituoso niio tem aver, assim, com 0 guiiio
relativo a &quot;espirituosidade&quot;».
No que respeita as mulheres, aos homossexuais, aos negros, aos
cat6licos, aos judeus e a outras identidades colectivas, os guiDes tem
sido frequentemente negativos, criando obslticulos, em vez de oportu-
nidades, a uma vida socialmente dignificada e de tratamento igual em
rela~iio a outros membros da sociedade. A necessidade de reconheci-
mento poUtico pode ser vista como uma forma de rever a importancia
social herdada das suas identidades, de construir guiDes positivos
onde antes existiam guiDes negativos. «Pode ser inclusive necessario
em termos hist6ricos, estrategicos,» especula Appiah, «que as hist6rias
sigam esse rumo.» Mas, acrescenta este autor logo a seguir, quem
optar conscientemente peIa autonomia niio deveria ficar satisfeito se a
sua hist6ria terminasse desta maneira, pois niio se trataria nesse caso
de «substituirmos um tipo de tirania por outro»? Niio sera a eficiencia
estrategica de uma poUtica de reconhecimento tambem um mal, na
perspectiva da autonomia individual? Appiah rejeita 0 reconheci-
mento de grupo como um ideal, porque prende demasiado os indivf-
duos aos guiDes sobre os quais tem muito pouco controlo criativo.
«A po[{tica de reconhecimento», Appiah insiste, «exige que a cor da
pele, 0 corpo, sejam reconhecidos politicamente de forma a impedir que
sejam tratados como dimensoes pessoais do ser. Pessoal niio significa
secreto, mas sim niio demasiado conformado a um guiiio.»
Sera que pode existir uma poUtica de reconhecimento que respeite a
pluralidade de identidades culturais e que niio restrinja demasiado a
vida de uma pessoa a um guiiio? Tanto Appiah como Habermas apre-
sentam respostas complexas a esta questiio, apontando para a possi-
bilidade de haver uma especie de democracia constitucional que
proporcione essa poUtica, baseada, niio na classe, na ra~a, na etnia, no
sexo, ou na nacionalidade, mas sim numa cidadania democratica de
liberdades, oportunidades e responsabilidades iguais para os indivfduos.
AMY GUTMANN
25 de Marro de 1994
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PREFAcIO E AGRADECIMENTOS
A presente obra
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