História da América 1 Cederj
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da capacidade de compreensão dos europeus. E não era menos 
estratégica a prática de oferecer auxílio ritual e mágico dos sacerdotes 
nativos para os europeus e os mestiços, pois as aproximações entre 
as diferentes formas de conceber a religiosidade também contribuíram 
para transformar a América colonial em uma sociedade marcada 
pela mestiçagem cultural. Saberes e práticas, europeus e cristãos, 
deveriam ser dominantes, de acordo com os principais agentes do 
colonialismo. Mas a capacidade de resistência e a inventividade 
dos índios davam novos sentidos ao cristianismo, pregado pelos 
missionários e doutrinadores, tornando-o mais dinâmico. A Virgem 
de Guadalupe, aparecida no México, segundo a tradição cristã e 
indígena, é apenas um exemplo deste dinamismo que trouxe para 
o cristianismo traços característicos do mundo dos índios.
Como já propôs o historiador Steve Stern, a noção de resistência 
adaptativa é um bom modo de qualifi car a ação de muitos dos nativos 
que viveram nas sociedades coloniais nas Américas. Este conceito 
ajuda-nos a pensar que os nativos elaboraram estratégias de contato com 
os europeus, levando em conta suas próprias motivações e interesses. 
Não sendo possível e nem sempre desejável resistir frontalmente, 
a resistência indígena nas Américas foi quase sempre mais sutil e 
cotidiana, realizando-se através de uma capacidade de adaptação aos 
modos coloniais que revelava habilidades políticas notáveis. 
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História da América I
Atividade Final
Atende aos Objetivos 1 e 2
Mais uma vez, convidamos você a preparar uma atividade que simula o trabalho de um 
professor de História. Desta vez, a ideia é criar um roteiro de análise, a partir de um trecho 
retirado da obra de Diego Durán, missionário dominicano já comentado nesta aula, e também 
na anterior. Pense em um roteiro adequado para alunos bem jovens, como os da sétima 
série do ensino fundamental, aos quais se estivesse apresentando o tema das idolatrias na 
América indígena.
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\u201c...nós que nos ocupamos de evangelizar os índios, nunca 
acabaremos de ensiná-los a conhecer o verdadeiro Deus, 
se primeiro não forem apagadas e arrancadas de sua 
memória as superstições, cerimônias e cultos falsos dos 
falsos deuses que eles adoravam...Isto está claro pela 
natureza da nossa fé católica, que como é uma apenas, na 
qual está estabelecida uma igreja que tem por objeto um 
só Deus verdadeiro, não admite consigo adoração nem fé 
de outro Deus.\u201d (Trecho retirado da obra do missionário 
dominicano Diego Durán, intitulada Historia de las 
Indias de Nueva España e Islas de la Tierra Firme, escrita 
no século XVI).
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Aula 6 \u2013 Resistência indígena e \u201cidolatrias\u201d na América espanhola
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Resposta Comentada
O roteiro que apresentamos neste comentário é apenas uma sugestão, pois se trata de uma 
atividade que depende muito da criatividade e do potencial didático de um professor em 
fase de formação. O roteiro de análise da fonte poderia ser assim organizado:
 Identifi que o autor e a época em que foi escrito o documento apresentado. 
 Como missionário, Diego Durán se ocupava de uma tarefa específi ca nas terras da 
América. Que tarefa era esta? 
 Durán fala de um \u201cverdadeiro Deus\u201d e de \u201cfalsos deuses\u201d. O que queria dizer com estas 
palavras? Quais seriam o verdadeiro Deus e os falsos deuses na visão deste missionário?
 Na sua opinião, por que ele considerava falsos os deuses cultuados pelos índios?
 Estas palavras foram escritas há muitos séculos e testemunham que os cristãos só viam 
valor nas suas próprias crenças, considerando falsas as crenças dos índios. Nos dias 
de hoje, essa atitude seria considerada uma intolerância religiosa. Você conhece algum 
exemplo atual de intolerância religiosa no Brasil ou em outra parte do mundo? Descreva 
esse exemplo para depois comentá-lo com a turma.
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História da América I
RESUMO 
Os missionários e padres, envolvidos com a evangelização dos 
ameríndios, tinham como objetivo central destruir as idolatrias. À medida 
em que conheciam os antigos cultos e práticas, chamados por eles de 
idolatrias, os evangelizadores mandaram destruir grande parte das 
imagens, locais sagrados e pinturas referentes aos rituais religiosos 
dos índios. As idolatrias eram vistas como práticas religiosas falsas, 
demoníacas, bestiais e, portanto, afastadas da \u201cverdadeira fé\u201d, que 
para os missionários era a fé cristã.
 Já para os historiadores contemporâneos, em contrapartida, 
a idolatria pôde ser vista como uma forma de resistência dos índios 
frente à religião e aos novos costumes impostos pelos colonizadores. 
Tais historiadores mostraram-nos que, diante da invasão do imaginário 
cristão trazido pelos europeus, os índios criaram diferentes formas de 
resistência, em nome de seus antigos deuses e de suas práticas religiosas 
mais estimadas. A Igreja na América criou vários mecanismos para 
combater qualquer traço das religiões praticadas antes da conquista, 
mas os índios foram hábeis ao reconstituir, sempre que possível e 
desejável, certas práticas de suas antigas crenças. Outras vezes, 
combinaram elementos novos, introduzidos pelos europeus, com 
seus saberes e crenças antigas, produzindo formas de religiosidade 
tipicamente mestiças e coloniais.
Informação sobre a próxima aula
Em nosso próximo encontro, vamos tratar das relações entre o 
governo colonial e as cidades construídas na América. Até lá!
Aula 7
Poder e cidade na 
América espanhola 
colonial
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História da América I
Meta da aula
Apresentar a relação entre a fundação de cidades e a formação de uma estrutura 
administrativa na América espanhola dos séculos XVI e XVII. 
Objetivos 
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
1. caracterizar as relações entre poderes centrais e locais na América espanhola;
2. relacionar a urbanização com a introdução dos símbolos do poder espanhol na 
América.
Pré-requisito
Para melhor acompanhar o conteúdo desta aula, você deve dispor
de um dicionário para eventuais consultas. 
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Aula 7 \u2013 Poder e cidade na América espanhola colonial
INTRODUÇÃO
 Para bem governar, é preciso construir cidades. Essa ideia 
certamente era parte do pensamento político dos governantes 
espanhóis na época da conquista e colonização dos territórios 
americanos. Em parte, o apego às áreas urbanas era uma tradição 
hispânica de longa data, vinculada ao entendimento da cidade como 
uma espécie de \u201cteatro de ações\u201d de toda a sociedade a sua volta. 
Na Península Ibérica, as cidades estavam fortemente integradas 
às áreas que as circundavam, formando os territórios onde muitos 
habitantes da região tinham suas propriedades. Assim, os moradores 
das aldeias vizinhas eram tão cidadãos da cidade-província