História da América 1 Cederj
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dominar e controlar 
a religiosidade indígena preexistente.
RESUMO
A urbanização foi um traço marcante da implantação do 
domínio espanhol no Novo Mundo. Uma tradição anterior à conquista 
das Américas já era notável entre os espanhóis: a valorização da 
cidade como centro político e lugar dos cidadãos. Durante a 
conquista e colonização, a preocupação com a urbanização fez 
parte das ordenações do rei e da iniciativa dos conquistadores. Na 
cidade do México, por exemplo, reconstruída como uma cidade 
hispânica sobre a antiga cidade índia, foi determinado um padrão 
de urbanização seguido em outras áreas americanas: o traço reto, 
a praça maior no centro, os prédios públicos e religiosos também 
centralizados, e a distribuição dos solares de acordo com o prestígio 
dos habitantes. Na cidade do México, foi idealizado também o 
padrão de separação entre os bairros espanhóis e os bairros dos 
índios, ligados, mas fi sicamente separados no espaço urbano.
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Aula 7 \u2013 Poder e cidade na América espanhola colonial
Nas cidades coloniais, desenvolveram-se as redes que 
interligavam os órgãos do poder central e dos poderes locais. Os vice-
reinos, as governadorias, as audiências e os cabildos concentravam 
funções e poderes sobre diversos assuntos americanos. Abrigavam 
também uma camada de funcionários letrados ou de membros das 
famílias principais que residiam nas áreas colonais, como era o 
caso dos cabildos. No entanto, a existência de uma vasta estrutura 
burocrática, governando em nome da metrópole, não deve nos levar 
a simplesmente reproduzir velhos saberes escolares. Nesse sentido, 
deve-se sempre lembrar que a metrópole contava com os súditos que 
viviam nas colônias para exercer a autoridade espanhola sobre o 
espaço colonial. A noção de \u201cautoridades negociadas\u201d, sugerida 
pelo historiador John Elliott, é um conceito central, portanto, para o 
debate sobre o poder e governo na América espanhola. 
Informações sobre a próxima aula
A economia da América espanhola já foi tema de debates 
historiográfi cos aprofundados. Na próxima aula, você conhecerá 
um pouco mais sobre o sistema econômico colonial nas Américas. 
Até lá!
Aula 8
O sistema 
econômico 
colonial: terra, 
trabalho e 
comércio
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História da América I
Meta da aula
 Caracterizar o processo de conquista, ocupação e exploração do território americano 
a partir do movimento de expansão política e comercial dos 
Estados europeus na época moderna.
Objetivos 
Após o estudo do conteúdo desta aula, você deverá ser capaz de:
analisar o processo e os mecanismos de conquista da América colonial, 1. 
caracterizando os meios de ocupação do território e os debates em torno do uso 
da mão de obra autóctone;
caracterizar os sistemas de trabalho utilizados pelos colonos europeus na América, 2. 
analisando os refl exos sociais e demográfi cos de tais práticas no mundo colonial 
americano;
descrever as relações comerciais entre o mundo colonial e os Estados europeus.3. 
Pré-requisito
Para melhor compreensão desta aula, torna-se necessário que você tenha 
compreendido bem a breve revisão do tema da expansão comercial e política 
europeia nos séculos XV e XVI, apresentada na Introdução.
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Aula 8 \u2013 O sistema econômico colonial: terra, trabalho e comércio
INTRODUÇÃO
Sem colonização não há uma boa conquista, e se a terra não 
é conquistada, as pessoas não serão convertidas. Portanto, o 
lema do conquistador deve ser colonizar (GÓMARA, 1852, 
p. 181). 
A frase acima é de Francisco Lopez de Gómara que, ao se 
dedicar à história do Novo Mundo, captou a fi losofi a que inspirou 
a empresa ultramarina da Espanha, no século XVI. Contudo, o 
sucesso da empreitada que levou milhares de homens a se lançarem 
ao desconhecido, não era certo nem foi conseguido sem esforços. 
Portanto, compreender o processo político-econômico que desemboca 
na expansão, conquista e colonização da América Latina entre os 
séculos XVI e XVIII é tarefa árdua. Para tanto, é essencial entendermos 
o variado mundo do trabalho resultante da interação das estruturas 
econômicas e sociais ibéricas, indígenas e africanas. 
Compreender a heterogeneidade do conjunto a que chamamos 
América Latina implica antes analisar o caminho das transformações 
na expansão ultramarina europeia dos séculos XV e XVI. O processo 
de conquista e colonização da América se dá como desdobramento 
de uma ampla empreitada comercial nos anos iniciais do século XV, 
onde reinos, como Portugal, começavam a despontar no comércio 
marítimo, efetuado primeiramente ao longo das ilhas costeiras e 
posteriormente no litoral continental africano.
A concorrência comercial intensifi cou as buscas por novas 
rotas comerciais, principalmente quando da expansão do Império 
Otomano pelo Oriente e pela conquista de Constantinopla, em 1453, 
principal centro de intercâmbio fi nanceiro e comercial da região. 
Para Portugal, a conquista de novas áreas produtivas 
possibilitou uma recuperação parcial da economia e do equilíbrio 
social que se encontravam abalados desde fi nais do XIV. Já para 
a Espanha, a conquista da América criou a possibilidade do 
primeiro império genuinamente mundial na história da humanidade. 
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História da América I
A América, ou melhor, as minas de prata americanas, acrescentaram 
uma nova dimensão ao poder do rei da Espanha. 
Contudo, apesar das motivações comerciais, a expansão 
ultramarina justifi cou-se por outros motivos. Dentre as diversas \u201ccausas\u201d 
da expansão, devemos destacar três: as causas instrumentais, as formais 
e as materiais.
Em relação à primeira causa, destaca-se o desenvolvimento 
da marinha lusa e do comércio marítimo sob a chamada \u201cprimeira 
dinastia\u201d. O legado da civilização árabe, com inventos à vela 
latina e saberes astronômicos, o desenvolvimento das técnicas de 
navegação com o invento da bússola e a ampliação das construções 
navais no Atlântico também devem ser entendidos como fatores 
relevantes de explicação do processo. Entretanto, como lembrou o 
autor, as causas instrumentais são necessárias, mas não sufi cientes 
para a produção de um efeito tão amplo quanto a expansão 
marítima europeia.
Quanto às causas formais, ligadas aos fatores ideológicos 
que dariam fi sionomia à expansão ultramarina, temos a ideia de 
cruzada. A Reconquista, movimento dos reinos cristãos da Península 
Ibérica para o sul, região ocupada pelos mouros, foi uma guerra 
que ampliou os limites da fé. Para os portugueses e espanhóis, não 
era possível ter infi éis em suas fronteiras. Em nome dessas ideias, 
legitimaram-se a noção de guerra justa e a respectiva conquista e 
colonização das terras adquiridas. Os ibéricos tomaram para si a 
tarefa de difundir a fé cristã. As causas materiais, defi nidas pela 
expansão comercial entre os séculos XI e XIII, estariam interligadas 
num grande movimento de crescimento orgânico do continente 
europeu. As transformações nas relações de produção, a avidez 
pelo ouro e pela prata, a lucratividade do comércio de especiarias 
africanas, tudo isso estimulou o surgimento de um novo grupo social, 
a burguesia mercantil, e deu \u201ctempero\u201d às investidas feitas em 
territórios asiáticos, africanos e americanos posteriormente.
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Aula 8 \u2013 O sistema econômico colonial: terra, trabalho e comércio
Em resumo, o movimento da expansão europeia é refl exo 
de um conjunto de motivações políticas, sociais e econômicas 
que contribuíram para a ampliação das fronteiras geográfi cas e 
comerciais do velho continente. Esse processo desdobrou-se na 
formação de um sistema colonial complexo, assentado em relações 
comerciais monopolistas e em relações produtivas