História da América 1 Cederj
320 pág.

História da América 1 Cederj


DisciplinaHistória da América I1.169 materiais43.953 seguidores
Pré-visualização50 páginas
explicitando as características gerais 
desses movimentos que neguem a referida interpretação.
88 
História da América I
Comentário
O texto produzido deverá apontar o caráter social diversifi cado e a variedade de interesses que 
podiam estar presentes nas sublevações abordadas durante a aula, marcando principalmente 
o posicionamento das elites coloniais que se mantiveram leais à coroa espanhola como meio 
de manter o poder que detinham nas localidades coloniais. A resposta também poderá fazer 
referência à ausência de sentimentos de cunho nacionalista, citando alguns dos interesses 
daqueles atores sociais. 
RESUMO
Em sentido geral, os confl itos coloniais que explodiram na 
América, ao longo do século XVIII, caracterizam um contexto de 
recrudescimento das forças metropolitanas sobre os seus domínios 
americanos. Em busca de aumentar as receitas do Estado, quitar 
dívidas adquiridas ao longo das guerras europeias e controlar 
as atividades produtivas e comerciais das colônias ultramarinas, 
as metrópoles aplicaram um conjunto de medidas restritivas e 
monopolistas que geraram tensionamentos nas relações entre ambas 
as partes.
 89
Aula 09 \u2013 O século XVIII na Europa e nas América: confl itos
 A independência dos Estados Unidos e o movimento comunero 
na Colômbia possuíram características comuns: oposição às taxações 
e às cobranças estabelecidas pelas metrópoles européias. Contudo, 
apesar de algumas semelhanças, os dois movimentos distanciam-se 
quando da defi nição dos objetivos políticos a serem alcançados. 
Para os comuneros, a revolta era um meio de diálogo com as 
autoridades espanholas e jamais se cogitou a possibilidade de uma 
independência regional perante o centro do poder metropolitano. 
Para os colonos norte-americanos, a revolta representou uma ruptura 
com os laços coloniais na medida em que o governo inglês decidiu 
não auscultar os interesses dos colonos, principalmente quando do 
estabelecimento das leis direcionadas a taxar o comércio colonial.
Em suma, a partir das redefi nições políticas, militares e territoriais 
ocorridas na Europa ao longo do século XVIII, podemos perceber um 
reordenamento dos vínculos coloniais que viriam a caracterizar a crise 
do sistema nos anos fi nais do século, desdobrando-se na expansão de 
confl itos e tensionamentos que estimularam a construção de movimentos 
interessados na independência das áreas coloniais americanas, como 
foi o caso da secessão estadunidense em 1776 e das lutas separatistas 
da América Latina ao longo de todo o século XIX.
INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA 
Na próxima aula, estudaremos as reformas bourbônicas e seus refl exos no 
mundo colonial espanhol no século XVIII.
90 
História da América I
Aula 10
Esta aula 
encontra-se 
em fase de 
elaboração
Aula 11
A formação das 
treze colônias 
inglesas na 
América 
154 
História da América I
Meta da aula
Analisar o processo de formação das treze colônias inglesas
 na América do Norte entre os séculos XVI e XVII. 
Objetivos 
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
1. caracterizar aspectos da história da Inglaterra moderna que infl uenciaram a 
formação de suas treze colônias na América;
2. estabelecer os diferentes traços iniciais da colonização inglesa nas Américas, 
relacionando especialmente os aspectos religiosos e comerciais dessa experiência 
colonial.
Pré-requisitos
Para melhor acompanhar o desenvolvimento desta aula, é importante que você tenha 
em mãos um Atlas histórico básico e um dicionário. Por ser de fácil acesso, sugiro o 
Atlas histórico básico, da Editora Ática. 
 155
Aula 11 \u2013 A formação das treze colônias inglesas na América
INTRODUÇÃO
É bem possível que, ao pensar em História da América, sua 
atenção dirija-se principalmente para as relações entre índios e 
espanhóis. Não faltam razões para esse olhar mais parcial. Afi nal, 
privilegiamos até aqui os temas da conquista e da colonização 
hispânica no Novo Mundo. Olhando em torno, entretanto, é tempo 
de lembrar que as terras americanas foram disputadas por diferentes 
reinos e nações desde o século XVI. Outros povos da Europa 
reivindicaram e lutaram por domínios na América, contestando os 
direitos que reservavam aos portugueses e espanhóis a exclusividade 
sobre as terras americanas. Entre esses povos, destacaram-se 
certamente os ingleses, os franceses e os holandeses.
Os ingleses, que nesta aula nos interessam em particular, 
fi zeram suas primeiras expedições com destino às Américas no século 
XVI. Sir Walter Raleigh, nascido na Inglaterra em 1552, foi um dos 
principais atores do teatro das descobertas e conquistas inglesas 
naquela época. Além de ter se dedicado às atividades de poeta, 
historiador, soldado e parlamentar (para citar apenas algumas), 
Raleigh tornou-se célebre por liderar expedições à América do Norte, 
nos anos de 1584, 1585 e 1587, quando explorou particularmente 
o litoral da futura colônia da Virgínia. Mais tarde, ultrapassando 
o mar das Antilhas, Raleigh chegou à região das Guianas, com a 
pretensão de colocá-las, igualmente, sob o domínio de Elizabeth I, 
sua rainha. 
O que levou a rainha inglesa a apoiar tais expedições? Como 
os ingleses legitimavam a posse sobre as terras americanas? E os 
colonos dos primeiros tempos? Como descrevê-los?
Para refl etir de modo mais aprofundado sobre essas questões, 
é preciso conhecer um pouco da história da Inglaterra no início da 
época moderna. Em meio às mudanças dinásticas e à criação de 
uma nova Igreja ofi cial, o clima de confl itos dominava a ilha britânica 
no início do século XVI. 
156 
História da América I
A Inglaterra moderna: sociedade e 
governo
Ao fi nal da época medieval, os ingleses estavam envolvidos em 
confl itos externos e internos que infl uenciaram suas escolhas políticas. 
A Guerra dos Cem Anos (1337-1453), em que lutaram para tentar 
dominar áreas da França, chegou ao fi m com uma derrota. No 
plano interno, a Guerra das Rosas envolveu a alta nobreza em 
batalhas civis pela sucessão ao trono que se estenderam até 1485, 
quando a fundação da dinastia Tudor marcou o aparecimento de 
uma nova monarquia na Inglaterra. Se a Guerra dos Cem Anos tinha 
fortalecido o reino em torno de um objetivo comum, havia deixado, 
por outro lado, o saldo de um prolongado desgaste político e militar, 
realçado pela derrota contra os franceses. Em um reino devastado 
pelas guerras externas e internas, abriu-se espaço para a emergência 
de um governo mais centralizado. Esse espaço foi ocupado pela 
dinastia Tudor ao longo do século XVI.
Tornando pouco expressiva a ação do Parlamento \u2013 instituição 
presente na Inglaterra desde o século XIII \u2013, o primeiro monarca Tudor, 
Henrique VII, exerceu seu governo centralizado por meio de um 
grupo de conselheiros e partidários pessoais. Estes partidários do rei 
empenhavam-se em limitar o poder dos senhores locais. Após aumentar 
as obrigações feudais e as tarifas alfandegárias, além de expandir 
os limites das terras da Coroa por meio de apropriações, a dinastia 
Tudor acumulou importantes recursos fi nanceiros. A centralização 
política foi ampliada no governo de Henrique VIII, quando a questão 
matrimonial exigiu a construção de um amplo apoio político em torno 
da autoridade do monarca e da nova Igreja ofi cial inglesa: a Igreja 
Anglicana. Criada no século XVI, a Igreja Anglicana preservou aspectos 
cerimoniais próprios do catolicismo, integrados a elementos teológicos 
do protestantismo, que então se difundia na Europa continental. O ritmo 
dos interesses políticos e das sucessões monárquicas ditou as variações 
doutrinárias