História da América 1 Cederj
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contexto, a virgindade; o colar de rubis e pérolas demonstrava a 
riqueza; a coroa, por sua vez, signifi cava que a rainha era soberana em seus poderes. 
Com essas informações, crie um breve roteiro de questões apropriadas para alunos da 
quinta série do segmento fundamental sobre a referida imagem. De que modo você, no 
papel de professor, poderia levar seus alunos a refl etir sobre esta imagem?
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Comentário
Esta atividade simula a tarefa de preparar aulas, tão recorrente para os professores. A sugestão 
de roteiro que apresento a seguir é bastante pessoal, já que cada professor, ao preparar suas 
aulas, deve aliar sua criatividade ao conhecimento sobre o assunto em questão. 
Repare no título da imagem. Que personagem histórica é representada? Em que época?
Se você fosse uma rainha ou rei preocupado em divulgar sua imagem para um grande 
número de pessoas, naquela época, escolheria pintá-la em uma grande tela ou em várias 
miniaturas? Por quê? 
Há algum sinal de riqueza na imagem? Qual?
A rainha Elizabeth I porta um símbolo de poder na imagem. Qual é?
Imagine ser um camponês pobre vivendo na Inglaterra naquela época. Ao ver pela primeira 
vez sua rainha na miniatura, que impressão você teria dela?
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História da América I
O século XVII e o domínio dos Stuarts
 No século XVII, as condições socioeconômicas inglesas 
aceleraram a realização do empreendimento colonial. Politicamente, 
a chegada da dinastia Stuart ao trono marcaria uma época de 
maiores confl itos em relação à extensão do poder real. O historiador 
inglês Christopher Hill nota, a esse propósito, que o Parlamento havia 
apoiado a dinastia Tudor na defesa da monarquia centralizada, 
pouco se reunindo, e aprovando quase sempre os rumos da política 
real. Esse expediente alterou-se com os Stuarts. Melhor dizendo, a 
dinastia que chegou ao poder no século XVII era frequentemente 
considerada tirânica por certos setores da sociedade inglesa. Como 
se operou essa mudança? Por que certos traços do absolutismo 
monárquico pareciam mais toleráveis no século XVI e se tornaram 
pontos de intenso confl ito no século seguinte?
A resposta a essas questões está nas mudanças que ocorriam 
na sociedade inglesa, particularmente aquelas ligadas à mercan-
tilização do campo. Dois aspectos dessas mudanças merecem des-
taque especial: o maior desenvolvimento da \u201cburguesia agrária\u201d e o 
empobrecimento dos setores populares. No século XVII, a Inglaterra 
ingressou no comércio ultramarino como importante produtora 
de lã para a manufatura de tecidos que chegavam ao mercado 
internacional com preços competitivos. As chamadas \u201cterras comuns\u201d 
\u2013 tradicionalmente usadas para a complementação da dieta e das 
necessidades dos camponeses \u2013 estavam sendo cercadas para a 
criação de ovelhas e posterior benefício da lã. Esse processo ganhou 
o nome de enclosures. Iniciava-se assim um processo de maior 
empobrecimento e expulsão dos camponeses para as cidades. Muitos 
desses camponeses sem posses seguiam para as áreas coloniais em 
busca de condições de vida mais seguras, prometidas pelas notícias 
de oferta de terras abundantes nessas regiões. 
A terra estava entrando no mercado inglês nesse período, 
demarcando um momento de redefi nição do estatuto básico da 
propriedade: os antigos direitos e a tradição começavam a perder 
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Aula 11 \u2013 A formação das treze colônias inglesas na América
espaço para os interesses de uma \u201cburguesia agrária\u201d. Nas palavras 
do historiador E. P. Thompson, a \u201cburguesia agrária\u201d era o setor que 
acumulava capital nas atividades mercantis, utilizando-o largamente 
na compra de terras. Além de manter interesses opostos aos dos 
populares, a burguesia inglesa distanciava-se dos interesses da Coroa. 
Melhor dizendo, a Coroa empenhava-se em conter a expansão da 
produção e dos mercados por meio da manutenção de altos impostos 
e de leis de monopólio, contrariando os interesses da burguesia. 
Quando o rei Carlos I dissolveu o Parlamento, em 1629, a 
burguesia e outros setores se revoltaram e iniciaram uma guerra 
civil contra o absolutismo real. Carlos I acabou por ser julgado e 
executado sob a acusação de abusar do poder a ele conferido. No 
limite, a contestação inglesa optou pela execução do rei considerado 
tirânico. Com este ato, chegava ao fi m uma guerra civil engajada 
principalmente na promoção dos interesses do capitalismo em 
desenvolvimento. Esses interesses seriam vitoriosos nos compromissos 
políticos assumidos nas décadas seguintes e fi rmados na Revolução 
Gloriosa, em 1688. Após esse período, a monarquia constitucional 
se consolidou ao lado da proteção à propriedade particular e da 
preservação dos interesses da burguesia. 
Para os setores populares, como já indiquei, o saldo da guerra 
civil do século XVII foi desastroso. Os enclosures e as migrações 
internas tiveram seu impacto aumentado pelos anos de guerra civil, 
ainda mais insuportáveis pela conjuntura de alta de preços e escassez 
de alimentos. Estes fatores, em conjunto, favoreciam os grupos sem 
posses a enxergarem a América como uma alternativa para melhorar 
as condições de vida. Para os grupos religiosos minoritários, a 
situação inglesa também era conturbada. Os Stuarts, com inclinações 
ao catolicismo, empreenderam constantes perseguições a diferentes 
segmentos de protestantes, sobretudo àqueles adeptos ao calvinismo 
em sua vertente inglesa, então conhecidos como puritanos. Para estes 
indivíduos, sobretudo aqueles vindos de setores médios e populares, 
a América era vista como um refúgio onde poderiam viver suas 
opções religiosas com maior liberdade. 
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História da América I
Atende ao Objetivo 1
2. O historiador Leandro Karnal afi rma que o Estado e a Igreja ofi cial não acompanharam 
os colonos ingleses para a América (1990, p. 23). Explique esta afi rmativa, de modo a 
explicitar os confl itos políticos e a relatividade religiosa que caracterizavam a sociedade 
inglesa no período inicial dos assentamentos coloniais na América. 
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Comentário
Nesta questão, é importante que você defi na inicialmente que a Igreja ofi cial inglesa era, 
desde o governo de Henrique VIII, a Igreja Anglicana. No entanto, os monarcas que sucederam 
Henrique VIII e a própria sociedade inglesa nem sempre abraçaram os preceitos anglicanos. 
No início do século XVII, época de fundação das primeiras colônias nas Américas, a sociedade 
inglesa estava marcada por uma profunda relatividade