História da América 1 Cederj
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a estabelecer núcleos 
de colonização na América do Norte. Antes deles, os franceses já 
estavam presentes em áreas do Norte \u2013 próximas aos Grandes Lagos 
\u2013 e ao longo do rio Mississippi; os espanhóis também mantinham 
estabelecimentos coloniais, ainda que bastante instáveis, sobretudo 
na região da Flórida e no sudeste do continente. No entanto, foram 
as treze colônias inglesas, estabelecidas no litoral atlântico a partir 
do início do século XVII, que marcaram mais profundamente a história 
da colonização da América do Norte.
A história da Inglaterra na época moderna foi o ponto de 
partida de nossa refl exão sobre a formação das treze colônias por 
pelo menos dois motivos. Como vimos, as mudanças e os confl itos 
religiosos acelerados pela criação da Igreja Anglicana, ao lado 
do contexto criado pela intensa mercantilização do campo inglês, 
atuaram como catalisadores da formação das treze colônias.
Acompanhando alguns traços dos primeiros empreendimentos 
coloniais, ao longo do século XVII, procurei ressaltar sempre o caráter 
complexo e diversifi cado da experiência inglesa na América do 
Norte. Insisti nesse ponto por julgar relevante oferecer a você alguns 
dados que permitam criar imagens mais ricas e diversas da coloni-
zação inglesa nas Américas. Assim, podemos refi nar nossa habitual 
imagem de uma América colonial povoada apenas por peregrinos 
e fugitivos dos confl itos religiosos ingleses. Esta é uma das faces 
fundadoras da América colonial, certamente, mas não é a única, 
como você sabe agora. 
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Aula 11 \u2013 A formação das treze colônias inglesas na América
Atividade Final
Atende aos Objetivos 1 e 2
Imagine-se formulando uma atividade para alunos do Ensino Médio sobre a formação das 
treze colônias inglesas nas Américas. Tendo como suporte a imagem a seguir, proponho 
que você elabore um roteiro de análise para seus alunos. Esse roteiro deve conduzi-los a 
descrever criticamente a relação entre a legenda e a imagem. 
Figura 11.4: Puritanos de Boston divertindo-se com uma ótima piada.
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História da América I
Comentário
Esta atividade exige que você alie conhecimentos sobre a matéria estudada a uma dose 
de criatividade. Essas duas ferramentas são, aliás, as mais utilizadas pelos professores no 
exercício da atividade docente. Por exigir criatividade, trata-se de uma atividade bastante 
livre. O roteiro que apresento a seguir é, portanto, apenas uma das alternativas possíveis 
para o trabalho com esta imagem em sala de aula, com alunos hipotéticos.
 Esta imagem é uma charge. Quais são as especifi cidades desse tipo de expressão artística?
 Que informações da legenda permitem contextualizar o local, a época e os personagens 
da cena? 
 Que aspectos da imagem permitem contextualizar o local, a época e os personagens 
da cena?
 Ao pesquisar o que é uma charge, você deve ter visto que neste gênero o artista se utiliza 
do humor para ressaltar as supostas características de seus personagens. Nesta charge, 
observando a relação entre a legenda e a imagem, a que características das comunidades 
puritanas o artista faz alusão? 
RESUMO
 O processo de formação das treze colônias na América do 
Norte foi impulsionado por aspectos do contexto social e religioso 
da Inglaterra nos séculos XVI e XVII. Tais aspectos vinculam-se 
especialmente à introdução do protestantismo, às perseguições 
religiosas promovidas contra os ditos puritanos e às mudanças 
ocorridas na estrutura rural da Inglaterra nesse período. 
 Na formação da colonização inglesa na América, destaca-
ram-se dois modos coloniais contrastantes no século XVII: a 
experiência da região do Chesapeake, voltada para a produção do 
tabaco, e a imigração de caráter mais familiar e religioso, presente 
na Nova Inglaterra. 
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Aula 11 \u2013 A formação das treze colônias inglesas na América
Informações sobre a próxima aula
Nesta aula, privilegiamos a presença dos europeus nas colônias 
inglesas da América do Norte. Na próxima aula, convido 
você a conhecer um pouco mais sobre os nativos que viviam 
naquela região, suas interações e seus confl itos com os colonos. 
Discutiremos também o estabelecimento de uma sociedade 
propriamente escravista na América inglesa, sobretudo no 
contexto das colônias do Centro-Sul ao longo
do século XVIII. Até lá!
Aula 12
Nativos e 
escravos na 
América colonial 
inglesa
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História da América I
Metas da aula
Nesta aula, serão apresentados os traços gerais das relações entre indígenas e 
colonos na América inglesa. Também será abordado o contexto de introdução do 
trabalho escravo nessa região. 
Objetivos 
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
1. caracterizar as principais formas de interação entre nativos e colonos na América 
inglesa entre os séculos XVII e XVIII;
2. contextualizar o processo de introdução do trabalho escravo nas treze colônias 
inglesas, caracterizando especialmente os contornos da escravidão na região do 
Chesapeake, entre os séculos XVII e XVIII. 
Pré-requisito
Para melhor acompanhar esta aula, é importante que você tenha em mãos um atlas histórico.
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Aula 12 \u2013 Nativos e escravos na América colonial inglesa
INTRODUÇÃO
 Talvez você se lembre de um desenho dos estúdios Disney, 
lançado em 1995, cujo tema central era o relacionamento entre 
a jovem Pocahontas, uma nativa, e o capitão inglês John Smith. 
Mas talvez você não saiba que esse fi lme se baseou em fatos 
documentados, ocorridos na Virgínia colonial, a partir do ano de 
1607. Pouco tempo após chegar a essa região, o capitão John 
Smith foi capturado por índios e salvo da morte por intervenção 
de Pocahontas, fi lha do chefe da tribo que o capturara. Nos anos 
seguintes, segundo relatos da época, a jovem nativa enviou comida 
a colonos famintos e avisou John Smith sobre ataques indígenas, 
protegendo a vila dos ingleses em diversos momentos. 
 Contrariando nossas expectativas românticas, Pocahontas e 
John Smith não se casaram. Ele, aliás, retornou à Inglaterra. Mas a 
jovem nativa converteu-se ao cristianismo em 1614 e casou-se com 
John Rolfe, um plantador de tabaco que a levou para a Inglaterra 
em 1616. Lá, Pocahontas, que passou a ser chamada pelo nome 
cristão de Rebeca, adoeceu e morreu prematuramente. 
 A história de Pocahontas nos ensina mais sobre as exceções. 
Cotidianamente, as relações estabelecidas entre índios e europeus 
nas treze colônias não privilegiaram a conversão dos índios ao 
cristianismo, tampouco foram comuns as uniões entre homens brancos 
e mulheres índias. Qual seria, então, a dinâmica mais usual das 
interações e dos confl itos entre nativos e europeus nos primeiros 
séculos da experiência inglesa nas Américas? É esta a questão central 
que pretendo discutir com você na primeira parte desta aula.
 Em seguida, convido você a refl etir sobre a experiência 
dos africanos que chegaram à América como